Ilê Àṣẹ Ybara Ogum Megy

Ilê Àṣẹ Ybara Ogum Megy Ybara Ogum Megy Mãe Jane Reboucas

07/05/2026

O FUNDAMENTO DA LIRA DE LÒÒGÙN ÈDĘ

Ainda falta muito... muito... mas muito mesmo... O conhecimento sobre Lòògùn Èdę. E um dos maiores equívocos referente ao Òrìşà é o que se explica por aí à respeito de um dos símbolos que mais tem sido usados sem a mínima noção.
Aqui quero deixar bem claro, que essa é a minha verdade... E com conhecimento de causa, visto que a nação professada em minha casa de Santo, é a nação Ijexá, cujo nosso ÀŞĘ, descende da raiz de nação Ijexá trazida diretamente da África para a Bahia. Com isso não quero afirmar que outras vertentes estão erradas, mas posso confirmar aos amigos leitores que os equívocos e deturpações do culto a Lòògùn Èdę estão fazendo com que as verdades sobre esse Òrìşà sejam esquecidas. Por isso decidi fazer essa postagem. Sei que alguns vão me criticar por acharem que estou "dando carne a gato", mas à esses, digo que nessa minha postagem não há segredo nenhum.
Muitas informações sobre a lira de Lòògùn são lindíssimas, até romantizadas... "É o canto dos pássaros "... "É o som do Òrìşà da música "... etc. Etc. Etc.
VAMOS AS VERDADES... BEM MAIS FORTES :

A lira de Lòògùn Èdę é o Amì (apetrecho) de grande segredo e fundamento , pois é o elemento que foi encontrado na vinda do culto para o BRASIL pelos descendentes dos Ijexás, para simbolizar o bócio (O inchaço da glândula tireoide). É CLARO QUE A ORIGEM DA LIRA É GRECO-ROMANA, MAS ESTÁ BEM CLARO NO TEXTO QUE ESSE ELEMENTO FOI USADO PELOS IJEXÁS... NO BRASIL...
Muita gente não sabe, mas Lòògùn Èdę tem uma influência muito grande nessa glândula. Inclusive, tem Oríkì do Òrìşà feitos por seus adeptos na região de Ileşa :

"Ogota okun kò ka olúgęgę l'òrùn "
"Sessenta contas não podem rodear o pescoço de quem tem papeira"

"O fi igbegbe tú gbegbe méjè "
"Com seu bócio ele arrebentou sete bócios"

"O já gęgę s'òrùn ęni ti oni "
"Ele arrebenta a papeira no pescoço de quem a tem"

Esse último Oríkì, inclusive, faz parte de uma ADÚRÀ (reza) que se faz na preparação da lira. Isso mesmo... a lira tem toda uma ritualização, servindo inclusive para rituais de cura referente a tireoide. Há quem afirme inclusive que quem nasce ou desenvolve esse problema deve recorrer a ele, ou tem alguma ligação com o Òrìşà Lòògùn Èdę. Devendo-se inclusive buscar através do Oráculo se não é algum problema de desequilíbrio energético com o próprio Òrìşà, ou até mesmo problema ancestral.
Ou seja, a lira de Lòògùn Èdę é muito mais que mero enfeite de mão (paramento) para trazer o Òrìşà na "sala de candomblé "... A bem da verdade, todos os Amì (apetrechos) tem seus fundamentos e preparação ritual. É uma pena que muitos não tem noção do signif**ado, não buscam com seus mais velhos e acabam por contribuir para a perda de sentido ritualístico de muitas coisas dentro do culto.
E os fundamentos de Lòògùn Èdę são muitos exemplo da própria lira, que não tem nada a ver com música ou coisa do tipo...
OU SEJA... ESTAMOS BEM LONGE DO ORIXÁ VESTIDO DE ROSA CHICLET de algumas casas.

25/04/2026

Orisá Àjè Salùga

O som escutado na co**ha de Àjè não é o do mar , mas o do burburinho de um mercado .

Aje Saluga - Divindade da Prosperidade e Riqueza

Aje Saluga ou Anabi como é conhecida pelos próprios muçulmanos, é uma divindade muito cultuada entre o povo Yorubano, pois se trata de um Orisa que quando é tratada costuma trazer riquezas e prosperidade aquele que a trata. Aje é um Orisa feminino, considerada irmã mais nova de Iyemoja, teve seu culto iniciado quando um dos itans de ifá fora revelado, neste itan conta que Ifá se encontrava em uma situação financeira muito ruim, a fome e a necessidade lhe acompanhavam. Havia uma menina muito feia que dizia ter saído a pouco das profundezas do mar, ninguém gostava dela, ninguém pretendia aceitá-la dentro de casa por não aceitar sua feiura, deste modo ela andava vagando pelos caminhos, ruas e estradas à procura de um descanso.

Um dia Ifá abriu sua porta e se deparou com aquela menina feia e ela pediu estadia, sem pensar duas vezes ifá como sempre muito generoso, a aceitou dentro de casa e deu a ela o pouco que tinha para comer e um lugar para descansar. Durante a noite Ifá foi surpreendido por aquela menina dizendo que estava querendo vomitar, Ifá preocupado com aquilo providenciou uma tijela e estendeu a frente da menina mas ela se recusou, então ele a apresentou uma cabaça e obteve recusa, da mesma forma aconteceu quando ele o ofereceu um jarro, o maior que ele possuía em sua casa, mesmo assim ela se recusou a vomitar ali e disse à Ifá que em sua casa ela estava acostumada a vomitar em um quarto.

Ifá levou-a para o único quarto que aquela casa possuía e chegando lá mais uma vez se surpreendeu quando viu aquela menina vomitando inúmeras pedras preciosas, azuis, amarelas, brancas, e de todos os tipos, incansavelmente. Pelo caminho, um homem viu o apuro que Ifá estava passando com aquela menina e perguntou se ele podia entrar para prestar ajuda, quando entrou no quarto onde estavam se encantou com tamanha riqueza que aquela menina deixava pelo chão de Ifá e exclamou: "Há! Nós não conhecíamos os poderes desta menina, por isso a repudiávamos, e hoje estão revelados!" Este homem disposto a servi-la, colocou-lhe o nome de Aje Saluga. Depois disso todos f**aram sabendo dos presentes que Aje havia dado a Ifá e todos queriam recebê-la em suas casas.

Aje Saluga é uma divindade muito rara, por ter seu culto quase extinto. Poucos conhecem seu culto, e os que conhecem, na maioria se recusam a passa-los à frente. Seus assentos devem f**ar na casa de Osaala, e nunca devem ser tocados por outra pessoa que não seja seu dono. O assento de Aje deve ser dado ou ganhado, a pessoa não pode simplesmente assenta-la para si. Os materiais utilizados devem ser providenciados por seu novo dono, por serem estes materiais de um custo muito alto, geralmente demora muito para se conseguir tudo.

Conchas grandes, caramujos do mar, joias naturais, corais, são os símbolos desta divindade. Não existem cerimônias abertas para ela, nem festas. Gosta de arroz cru com mel e farinha perfumada, o local onde Aje encontra-se assentada, não pode ser visitado por muitas pessoas, mostra-se muito tímida e cismada. Seus rituais devem acompanhar os de Osaala. Possui muito ligação com Esu, Orunmila, Osaniyn e Orisa Ori.

Autor :Desconhecido
Lekeleké

16/04/2026

Agué é muito mais do que o vodun das folhas. Ele é o guardião dos segredos que nascem da terra e se revelam nas plantas, na cura e no equilíbrio. Pertencente à família de Sakpata, Agué representa o poder das ervas, da medicina e da terra. Visto também como caçador, é aquele que alimenta seu povo e ensina que a sobrevivência vem do respeito ao ciclo natural. Há quem diga que é filho de Mawu-Lissá, outros que vem da grande mãe Nanã Buluku, de quem herdou os mistérios de íkú. Por isso, Agué também transita entre os akútútòs (eguns), caminhando com Ayizan dentro da tradição Jeje Mahi.

Agué é descrito de forma única, com uma só perna, às vezes um só braço e um só olho. Essa imagem não fala de limitação, mas de profundidade, de algo que enxerga além, que sente mais do que vê e que domina os segredos das plantas. Ele é o chefe dos aziza, os espíritos da floresta, guardiões invisíveis que habitam o sagrado da natureza.

Enquanto Gu representa a força bruta, o desbravamento e a transformação da natureza pela ação humana, Agué é o oposto complementar, ensina a adaptação, a escuta e a inteligência. Seu arco e flecha são símbolos de precisão e consciência. Na tradição angola, Agué se aproxima de Katendê, o senhor absoluto das folhas, mas é preciso deixar claro que são energias distintas, com fundamentos e cultos próprios.

É ele quem detém o axé que vive nas ervas, um poder essencial. Porque sem folha, não há ritual, não há axé. Agué mostra que não basta ter acesso à natureza, é preciso saber se relacionar com ela. Não se colhe uma folha de qualquer jeito. Cada folha tem seu tempo, sua função e seu espírito. O cuidado com a natureza, dentro do ensinamento de Agué, não é apenas preservação, é reverência. É saber que a folha que cura também pode ferir. Que a mesma terra que alimenta também cobra. Que tudo exige equilíbrio.

E quando Agué se apresenta como caçador, ele reforça que a fartura não vem do excesso, mas da consciência. Por isso, em nossa tradição, é ensinado a respeitar as folhas e compreender que a espiritualidade não está separada da natureza, ela vive nela, respira nela e se manifesta através dela.

Agué bèno bèno átábìriko.

vodun ague camdomble fypage

08/03/2026

Filhos de santo destroem pai de santo "sim!"
Destroem não com feitiçaria, pois a cria jamais poderá com o criador.
Destroem com a falta de respeito, falta de caráter, falta de empatia, falta de união, falta de reconhecimento, e o pior... Com a ingratidão!
Muitos Babalorisás e Yalorisás já ouviram... "EU AMO MEU PAI, NÃO TROCO MEU PAI POR NADA, SÓ LARGO MEU PAI QUANDO EU MORRER..." E na primeira oportunidade ferem o coração do sacerdote, traem, se juntam com outras pessoas e falam mal, tomam asé em outra casa e muita das vezes sem até mesmo comunicar o próprio pai de santo que se desvinculou do asé dele...
É oque sempre falo e torno a dizer... Todos os dias o sacerdote é sacerdote.
O filho só é filho quando quer.
É se doar, tirar do próprio bolso, perder noites de sono, se privar de muita coisa, e muita das vezes deixar família para viver em prol do filho de santo pra no final a ingratidão vim...
Filhos de santo não reconhece seu próprio erro.
Não saem da zona de conforto, não busca um bom caminho, se enrola com dívidas até o talo, se enrola mais que linha em carretel e
acha que servindo uma casa de santo vai ter um gênio da lâmpada para resolver os problemas que eles mesmo procuraram....
Por isso tem muitos sacerdotes por aí que fecha a casa de santo, não quer mais compromisso com ninguém a não ser com os seus orisás.
E com isso, vivem bem melhor!

Ilê axé Ofa Omim Dire.
Antonio Doxosse

08/03/2026

....."INFELIZMENTE AOS POUCOS O CANDOMBLÉ
ESTÁ ACABANDO".....
...."Há um tempo atrás, os yawos viravam no nome;
Há um tempo atrás, os yawos viravam sempre que se rezava para oxalá;
Há um tempo atrás, se depenava bicho sem falar, pois quanto mais se falava, pior f**ava para tirar a pena (principalmente o pepeyé); Há um tempo atrás, se despachava o portão ao entrar no barracão;
Há um tempo atrás, para recolher, chegava-se dias antes para descansar o corpo no ase;
Há um tempo atrás, ninguém se chamava pelo nome dentro da casa de candomblé;
Há um tempo atrás, as pessoas tinham "temor" e respeito ao orixá;
Há um tempo atrás, sabíamos quem era yawo, egbon, ogã, Ekeji e principalmente Iyalorisa, Babalorisa, Iyakekere ou Babakekere!
Há um tempo atrás quem Orisa apontava era respeitado.
Há um tempo atrás as cabeceiras da mesa era respeitada, local dos sacerdotes dirigentes do ase.
Há um tempo atrás o filho não ia embora deixando a casa de culto desorganizada.
Há um tempo atrás não nos sentávamos à altura de nossos mais velhos.
E assim segue a saga das confusões, pois pensam que no Candomblé não existe mais a hierarquia. Têm sim, e eu observo os que não cumprem essa hierarquia, fazendo em suas casas total anarquia, e eu observo tudo isso calado, e reparo, não gosto. Não fui criado assim. Sou radical no que se trata de Asé e suas hierarquias.".....

26/01/2026

Você sabe o que é um Abô?
Vamos estudar e entender a cultura Yorùbá e o Culto aos Òrìṣàs

Abo, a infusão sagrada de Ossayn.

Ossayn era o grande curandeiro, a Divindade que possuia conhecimento sobre o poder de todas as folhas e Elementos da natureza capazes de cura.

Na Nigeria e no Candomblé da Bahia um dos elementos sagrados de axé e que todo terreiro de candomble possui é o Abo.

Abo é um remédio medicinal que reúne não somente ervas mas diversos elementos de axé de todos orisas, manipulados pelo sacerdote ou pelo Babalosayn ( sacerdote de Ossayn) como um dos banhos mais poderosos no culto a Orisa. O abo só existe dentro de um terreiro e o sacerdote leva um bom tempo para fazer um verdadeiro abo, em virtude de todos os elementos de axe que Ali são colocados para que ele tenha o poder de ser chamado verdadeiramente de Abo.
Um abo possui uma energia tão poderosa que não tem "egun" , espírito zombeteiro, obssessor que fique em alguem qdo o sacerdote utiliza esse abo.
Assim como ele espanta tudo que é ruim, é impossível não sentir energia de Òrìṣà quando este toma banho de um abo de verdade.

Abo só pode ser manipulado por um Babalorisa/ Yalorisa / ou Babalosayn, dentro de uma roca de Candomble sobre várias ritualísticas.
Um grande e poderoso elemento de axé, ligado diretamente ao Orisa Ossayn, o grande e poderoso curandeiro. Abo é um grande elemento de cura no culto a Orisa, tanto na Nigeria quanto no Candomblé da Bahia.

Assa! Ewe .
Ilê axé Ofa Omim Dire.
Antoniodoxosse

17/01/2026

O FEIJÃO DOS OLÓDES

O feijão fradinho torrado que se oferece à Oxossi, é o mesmo alimento que os caçadores carregavam em bolsas de couro a tira colo em suas longas expedições de caça.

O feijão fradinho torrado e salgado, conhecido pelos Iorubás pelo nome de àyangbẹ ọkà ou ọkà sísun, e entre os nàgó simplesmente por ẹ̀wà, se conserva por muito mais tempo. Além de ter um alto valor nutritivo, calórico e proteico, quando essa leguminosa é torrada, sua digestão é mais lenta, dando a sensação de estar saciado por mais tempo.

Essa bolsa, conhecida popularmente pelo nome de capangas, são denominadas de àpò awọ entre os Iorubás, e conhecida popularmente entre os nàgó pelo nome de korubá.

Antigamente, o korubá era uma indumentária indispensável nas vestimentas de Oxossi. Hoje raro de se ver. Inclusive existe um cântico muito popular destinado à Divindade da Caça que neste está inserido claramente a palavra korubá.

O feijão fradinho tecnicamente não é feijão, não é do mesmo grupo que os outros feijões que conhecemos? Ele está mais para "parente das favas" que do feijão propriamente dito!

Sua origem é a África, e chegou ao Novo Mundo no porão das caravelas. Esse grão de origem africana foi trazido pelos colonizadores portugueses e espanhóis. No Brasil, desembarcou na Bahia, e foi ganhando o Nordeste e Norte do Brasil. Interessante que aonde os africanos entraram, entrou também essa leguminosa.

15/01/2026

TIPOS DE FILHO DE SANTO.

FILHO DE SANTO JIBÓIA: Só vai nas festas para se empanturrar.

FILHO DE SANTO PITBULL: Não deixa ninguém se aproximar do Pai de Santo.

FILHO DE SANTO PEQUINÊS: Está sempre lambendo o Pai de Santo. ...

FILHO DE SANTO GATO: Dá o tapa e esconde a mão.

FILHO DE SANTO BICHO PREGUIÇA: Na hora da função, cadê ele?

FILHO DE SANTO MACACO: P**a de Casa em Casa.

FILHO DE SANTO HIENA: Está sempre rindo, mas não sabe do que.

FILHO DE SANTO CAVALO: Só serve pra dar coice, cuidado!

FILHO DE SANTO CONDOR: Está sempre gemendo nos cantos.

FILHO DE SANTO GIRAFA: O corpo esta no chão mas a cabeça esta longe.

FILHO DE SANTO ELEFANTE: Impossível não notar sua presença.

FILHO DE SANTO URUBU: Só aparece quando a coisa fedeu.

FILHO DE SANTO AR**HA: Trabalha muito em sua casa, e ainda tem gente que não lhe dá valor.

FILHO DE SANTO VIRA-LATA: Leva Coió, mas sempre volta com o rabo entre as pernas.

FILHO DE SANTO SAPO: Está sempre cheio de feitiço.

FILHO DE SANTO PAVÃO: Gosta de aparecer mais que os outros.

FILHO DE SANTO FRANGO: Novo no Santo, mas gosta de cantar de Galo.

FILHO DE SANTO MICO: Só serve pra fazer os outros rirem.

FILHO DE SANTO ZEBRA: Sempre corre do “Leão do Pai de Santo”.

FILHO DE SANTO PEIXE: Todos contribuem com a festa e ele NADA.

FILHO DE SANTO RINOCERONTE: Debaixo de toda aquela casca dura tem um coração mole.

FILHO DE SANTO PAPAGAIO: Repete o que o Pai de Santo diz, mas não sabe o que esta falando.

FILHO DE SANTO CORUJA: F**a só de longe observando.

FILHO DE SANTO POMBO: Se tiver comida ele vem todo dia.

FILHO DE SANTO LEÃO: Se você olhar nos olhos dele ele te avança.

FILHO DE SANTO CABRITO: Quando aparece na Casa, é no Sacrifício.

FILHO DE SANTO BORBOLETA: Esta sempre voando por ai, e quando aparece é só para enfeitar o Salão.

FILHO DE SANTO GRILO VERDE: Quando aparece é para dar Sorte.

FILHO DE SANTO BARATA: Ninguém gosta, mas esta sempre na Casa de Santo.

FILHO DE SANTO GALINHA D’ANGOLA: Cheio de fundamento.

FILHO DE SANTO BEIJA-FLOR: Vem na Casa, f**a um pouquinho e vai embora.

FILHO DE SANTO TAMANDUÁ: Tem a língua maior que a boca.

FILHO DE SANTO UNICÓRNIO: Perfeito, mas todos sabem que não existe...aşe...
Ilê axé Ofa Omim Dire

15/01/2026

Ainda prefiro o velho candomblé de décadas atrás onde se sabia a diferença entre mais antigos e mais novos. Era mais essência e bem menos aparência. Não existia a lacração, a live pra internet, a entrevista pro Amauri Jr, as abas de turbante parecendo o Dumbo, maquiagem de tr****ti ou os insuportáveis clarins da alvorada. Conhecimento era pra quem atravessasse o mariwò, não tinha abian questionando qualidade de Orisá com Egbon, não era pix que resolvia a vida. Um yawo entrava mesmo em condições precárias, porque BOLOU. E sem saber nada, sem vício,cru mesmo, passava pelos rituais, chegava a uma reta final de iniciação que orgulhava e emocionava aos membros do Asé e aos que atendiam às lindas saídas e quitandas. Muitos eram “arrastados” bolando nestas cerimônias. Tantos que conheci que tiveram suas vidas mantidas e vivos ainda estão depois de bola de farinha, pipoca e canjica. Hoje são considerados ineficientes e obsoletos.
Era um tempo que o iniciado usava seu branco e não precisava abrir a boca: Qualquer um que olhasse, sabia - Aquela é uma pessoa feita! O raspar a cabeça era um nível acima e totalmente desconhecido pra quem não tivesse envolvido. Tabus eram vitalícios, a ordem do “dono da casa” sempre obedecida, abô era temido e respeitado, desobediência e infidelidade com Asé era vista no céu e as consequências na terra.
Algumas divindades eram raras e dificílimas de serem “feitas”, hoje três a quatro Yewa tomando rum, ladeada por Iroko, Otin, duas Obás, quatro Ossayin e dois Gbessèns. Sei lá, deixaram todos pra chegar neste novo milênio.
Esu fazia milagres com vela, farofa e cachaça, Não tinha Osalá usando abis ou tecidos brilhosos, a palha do meu Pai Obaluaye era obrigatória quando ele se manifestava, ninguém ousava olhar pra Ele de frente. Oyá levava carrego, batia a casa, seus iniciados encarregados das esteiras, e assumia atos fúnebres. Hoje está mais performática: dança, dança muito, dança tudo, inclusive Can-can, num misto de desespero, afronta e descoordenação, mas esqueceu de sua talha que costumava visitar aos ibossés. Coisa da antiga, é o que dizem.
Sinto saudades da simplicidade e até do improviso que na última hora funcionava e acontecia, revelando a “magia” inesperada. Hoje é como se esperar um um programa de auditório no Projac: produções tão elaboradas, danças e cantigas de atos inexistentes,que além de distoar da proposta, transforma o momento num palco, cheio de atrações que vão dos cílios postiços, lustres de cristal, indumentárias de botar qualquer Beija-Flor no chinelo e muito pouca energia sagrada circulando. A moda são as fantasias de africanos, uns com chapéu de mestre-cuca dobrados pro lado que depõem contra os usuários, panos da Costa pra quem não tem ventre, sistema de inclusão de títulos “Iya “ pra quem nasceu homem…
Felizes aqueles que ainda hoje encontram na terra que pisam, a continuidade dos ensinamentos de nossos agbás. Entre eles, ao menos haviam os que “tinham na unha” e dentro de sua simplicidade e sabedoria formaram grandes sacerdotes.
Quem viu, viu !
Desculpe o desabafo irmão, acabei escrevendo um livro!
Grande abraço, Kolofé.

Ilê axé Ofa Omim Dire.
Antoniodoxosse.

06/01/2026

A morte de Mãe Monique nos obriga a encarar uma pergunta dura:
quem cuida de quem cuida?
Um Pai ou uma Mãe de Santo não nasce feito de ferro.
Eles não são entidades o tempo todo.
São gente.
Sentem fome, cansaço, medo, tristeza e solidão.
Quantos filhos só procuram o terreiro quando precisam de algo?
Quantos só aparecem quando a dor aperta, quando a vida desanda, quando querem respostas, cargos, atenção, soluções?
E depois vão embora… como se o amor tivesse sido pago com uma obrigação.
Mas quantas vezes você foi até seu Pai ou sua Mãe de Santo só para perguntar:
“Você está bem?”
Quantas vezes ofereceu um abraço sem pedido, sem cobrança, sem interesse?
Quantas vezes lembrou que ali também existe alguém que se doa todos os dias e quase nunca é acolhido?
A solidão do Pai de Santo é silenciosa.
Ela não se senta no barracão.
Ela chega quando o terreiro fecha.
Quando o celular para de tocar.
Quando as dores do mundo já foram ouvidas, mas ninguém perguntou pelas dele.
Pais e Mães de Santo aprendem a engolir o choro para levantar seus filhos.
Aprendem a esconder o cansaço para não desanimar ninguém.
Aprendem a continuar mesmo quando a vontade é parar.
E muitos filhos confundem isso com obrigação.
Como se cuidar fosse um dever unilateral.
Como se o amor só tivesse um sentido.
O sagrado não se sustenta sozinho.
Ele é coletivo.
É cuidado mútuo.
É presença, respeito e afeto.
Que a partida de Mãe Monique não seja apenas mais uma dor.
Que seja um chamado.
Um espelho.
Uma correção de rota.
Pais e Mães de Santo precisam de amor enquanto estão vivos.
Precisam ser vistos, abraçados e reconhecidos agora.
Depois, o silêncio pesa demais.
Pensemos nisso.
Enquanto ainda há tempo. 🕯️✨

Endereço

EStrada Itaquaquecetuba, 8746, Ilha Do Bororé (1ª Balsa)
São Paulo, SP

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