31/03/2021
As atividades litúrgicas da Igreja Católica são geralmente caracterizadas pela solenidade e serenidade. No entanto, na Páscoa ainda existe uma velha tradição chamada “Ofício das Trevas” que, embora pareça estranha à primeira vista, é caracterizada pelo uso de ruídos e outros objetos barulhentos.
O Ofício das Trevas (ou Tenebrae) é celebrado na noite da Quarta-feira Santa e não é uma missa, mas uma oração conjunta entre fiéis.
Esta celebração, além do uso das matracas, também é caracterizada pela presença de um candelabro com 15 velas denominado tenebrário. As quinze velas representam os onze apóstolos, as três Marias e a Virgem Maria, ou seja, aqueles que acompanharam Jesus.
Durante esta atividade litúrgica, as luzes da igreja e do tenebrário vão se apagando aos poucos. Ao chegar à última vela do tenebrário, canta-se o Miserere (Salmo 50/51) e o círio f**a escondido atrás do altar, simbolizando a entrada de Jesus no túmulo e a permanência da Igreja à espera da Luz que surgirá na Vigília Pascal.
Quando a última vela é apagada, todas as luzes da igreja se apagam e tanto os fiéis quanto o celebrante tocam as matracas, chocalhos e batem nos bancos para fazer o máximo de barulho possível.
Mas qual o sentido de tanto barulho?
O ruído das matracas e de outros objetos simbolizam os tormentos que se abateram sobre a natureza após a morte de Jesus.
“Então Jesus, clamando novamente com voz poderosa, entregou seu espírito. Imediatamente, o véu do Templo rasgou-se em dois, de alto a baixo, a terra estremeceu, as pedras se partiram e os túmulos foram abertos. Muitos corpos de santos que haviam morrido foram ressuscitados e, saindo dos túmulos depois que Jesus ressuscitou, entraram na Cidade Santa e apareceram a muitas pessoas”. (Mateus 27, 50-53)