09/08/2026
Na Orixalidade, aprendemos que força não é sinônimo de dureza.
A verdadeira força está no Ìwà — no caráter, na maneira como caminhamos pelo mundo, na responsabilidade com que cuidamos daquilo que nos foi confiado.
Por isso, neste Dia dos Pais, honramos a energia masculina que sustenta sem aprisionar, protege sem dominar, orienta sem diminuir e ama sem exigir que o outro deixe de ser quem é.
Porque ser pai, na sua dimensão mais profunda, é também ser ancestralidade viva.
É oferecer raízes para que alguém possa crescer.
É apontar caminhos sem determinar o destino.
É ensinar que coragem não significa nunca ter medo, mas seguir mesmo quando o medo existe.
É compreender que um filho não é extensão de quem somos, mas uma vida que recebemos a responsabilidade de acompanhar.
No Ubuntu, sabemos que eu sou porque nós somos.
E talvez seja essa uma das maiores expressões da paternidade: compreender que a nossa existência também se perpetua naquilo que ensinamos, cuidamos, transformamos e deixamos como legado.
Hoje, saudamos os pais presentes, os pais que aprenderam a ser pais no caminho, os pais do coração, os pais ancestrais e todos aqueles que exerceram, em algum momento, o sagrado lugar de cuidar.
Que os homens possam reencontrar uma masculinidade que não precise provar sua força pela imposição.
Uma masculinidade que saiba acolher, proteger, prover, escutar, ensinar, pedir perdão e amar.
Que os nossos ancestrais masculinos sejam lembrados não apenas pelo que fizeram, mas também pelo que podemos transformar a partir deles.
Que a força masculina seja cada vez mais uma força a serviço da vida.
Porque a maior herança de um pai não é aquilo que ele deixa nas mãos de um filho.
É aquilo que ele consegue deixar dentro do coração.
Àṣẹ.