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A FRATUNI é um Grupo Devocional de orientação Cristã Universalista que se reúne semanalmente para tributar Louvor e Gratidão a Deus pelo Eterno dom da VIDA.
Os livros produzidos e vendidos por este grupo sustentam suas causas beneméritas. A FRATUNI é um Grupo de Canto Devocional que utiliza a Musica como ferramenta terapêutica de Louvor, Gratidão e Fortalecimento Espiritual.
27/05/2026
Este livro te transporta para os Tempos de Abrão, Enoque e Melquisedeque, quando os homens viviam mais e os Anjos Sentinelas passeavam pela Terra feito homens comuns, dormindo em suas tendas e comendo de seus alimentos (Gênesis 18)
Alguns desses VIGILANTES se apaixonaram pelas Filhas dos Homens, gerando Filhos Híbridos que se chamaram NEFILINS (Gênesis 6:2)
A Bíblia descreve esse acontecimento da seguinte forma:
"Viram os Filhos de Deus que as Filhas dos Homens eram formosas e tomaram para si mulheres, entre as que escolheram... Então disse o Senhor: não contenderá o meu Espírito com o Homem porque este também é carne. Quando os Filhos de Deus possuíram as Filhas dos Homens e nelas geraram filhos, estes eram os valentes da antiguidade" (Gênesis 6)
Dentre estes "Valentes da Antiguidade" destacou-se MELQUISEDEQUE, um tipo de Cristo que atuava na Terra como Supremo Sacerdote do Altíssimo, sendo também Rei de Salém e Príncipe da Justiça e da Paz (Hebreus 5,6 e 7)
Também homenageado por Davi no Salmo 110 MELQUISEDEQUE é o personagem central dessa nossa história que tem agradado muito aos leitores de Romances Épicos.
Segue um capítulo desse nosso livro pra que você possa ler no teu momento de folga e conhecer um pouco mais sobre o estilo contagiante do escritor Paulinho Santos da Fratuni
O CIO DA LOBA - Capítulo 13
Na Aldeia que povoava as margens do Rio Eufrates, nas proximidades da Babilônia, o dia amanheceu alegre e belo com o sol emprestando suas cores para toda a região.
Geriel se espreguiçou na cama e ergueu-se para o desjejum matinal. Seus sonhos noturnos lhe trouxeram lembranças pretéritas do seu tempo de adolescente, quando cantava nas estrelas com seu irmão Emanuel, nas Festas do Milênio Cosmico, ao lado de Miguel, Gabriel e Rafael, antes da Formação da Terra (Jó 38)
Seus sonhos lhe conectavam a lembranças boas, de quando ele e seus irmãos brincavam entre as Estrelas e Cometas, e eram cúmplices nas descobertas, traquinagens e experiências proibidas por seus pais, como as visitas não autorizadas nas Esferas Primitivas como o Planeta Jardim do Éden na galáxia de Saturno.
O problema era que eles cresceram, e com a maturidade chegou também as Predileções Distintas, a Maturidade Gradual com seus Estágios Individuais.
Emanuel, Miguel, Samael e Gabriel revelavam personalidades distintas nas responsabilidades da Vida Adulta, como auxiliares diretos do Grande Pai Criador. Responsabilidades que inseria os Anjos da Primogenitude nas LEIS de Causa e Efeito. Leis perpetuadas por Bináh e Elohin para definir no Infinito Universo a JUSTIÇA de seu PAI CRIADOR.
Esse DESAFIO EXISTENCIAL - a maturidade - e a sua desobediência às Leis Etéreas do Grande Pai - foi o que o tornaram um SER APRISIONADO num limitado corpo humano, condenando-o a VIVER sobre as LEIS da RAÇA ADÂMICA, no planeta Jardim do Éden que, para UM ANJO de qualquer hierarquia, era uma EXPERIÊNCIA INFERNAL, uma espécie de PURGATÓRIO - onde as almas se purificam para tornar a merecer o Paraíso Celestial
Mesmo para ele, SAMAEL, que estava habituado a "Rodear a Terra e Passear por ela" antes das Enfadonhas Reuniões entre os Anjos Graduados e o Grande Pai... (Jó 1:7) viver na Terra como mortal era um Purgatório Terrível.
Uma coisa era divertir-se com a mediocridade e hipocrisia da RAÇA ADÂMICA protegido pela leveza de seu Fluídico Corpo Angelical, pairando como um espectro demoníaco, ao lado dos mortais, sem que eles o enxergassem...
Outra coisa era sentir sua Alma e sua Mente Etérea aprisionadas num limitado Corpo Primata - essa RAÇA propensa a barbáries e doenças, que sua Mãe Bináh e seu Pai Elhoin resolveram fazê-los a SUA IMAGEM, conforme a nossa SEMELHAÇA...
Mas essa Raça Adâmica demoraria MILHARES DE ANOS, e muito avanço tecnológico, para compreender as MENTES e os anseios atemporais do MUNDO ANGELICAL, formado por centenas de milhares de Anjos e dividida em 9 Coros hierárquicos, com comandos distintos dos Metatrons.
Pelos seus conhecimentos de Príncipe Estelar, amado e admirado por UM TERÇO das Miríades Angelicais, Samael sabia que deveria reciclar sua paciência enquanto estivesse nesse primitivo planeta, aproveitando para cultivar novas experiências sobre os limites orgânicos e intelectuais da Raça Adâmica.
Sabia ele, que no Universo Infinito, nada fugia à Onisciência de seu Pai, e ele, SAMAEL era respeitado, admirado e venerado por UM TERÇO das miríades angelicais...
Cedo ou tarde, um grupo de Anjos faria uma varredura na Imensidão dos Cosmos e o localizaria naquele minúsculo e quase insignificante Planeta Azul, conhecido pelos Metatrons como Jardim do Éden, e o reconduziriam em retorno ao seu LAR ORIGINAL para prestar contas ao GRANDE PAI, pelos seus vacilos, levando em consideração o seu GRAU HIERÁRQUICO de Príncipe Estelar, que superava o Grau Hierárquico de Miguel entre os Coros Angelicais.
UM LOBO NO CIO
Depois de alimentar-se, na mesa de sua cozinha, sentiu estranha sensação naquele seu corpo primata e notou que naquela manhã acordara com o p***s ereto.
Abaixou a calça feita com pele de urso e olhou satisfeito pro seu p***s avolumado e lhe falou: - calma eu sei o que você está querendo! Você está me dizendo que esse invólucro primata precisa de uma fêmea. Isso tá na minha lista... mantenha a calma.
Conversar consigo mesmo, com seus animais e com os membros que formavam seu corpo primata, era uma brincadeira divertida que se tornara um hábito de Geriel, por se sentir solitário como um náufrago numa ilha, repleta de humanóides de baixíssima tecnologia, incapazes de acompanhar seu raciocínio sagaz, e seus hábitos de Príncipe no Mundo Angelical.
Preparou a comida do Lobo Branco que vigiava sua cabana do lado de fora e abriu a porta da varanda para alimentá-lo.
Não o encontrou na varanda, onde costumava dormir como uma espécie de cão de guarda. Assoviou, chamando-o para o café da manhã, mas o belo animal não veio.
- Ele sumiu de novo! - resmungou o Bárbaro - Agora que eu tava me acostumando com a sua companhia!
Colocou o alimento do canídeo na varanda desejando que seu lobo retornasse antes do alimento azedar. Estava acostumado aos sumiços do Lobo Branco.
O animal aparecera espontaneamente, na sua cabana, e resolvera ficar... Mas Geriel sabia que lobos são animais coletivos. Bonito e forte como era, deveria pertencer a uma alcateia e, seus sumiços ocasionais, certamente era o seu instinto convidando-o pra se unir aos seus.
Desejou que ele voltasse pois seus dias ali, na abandonada Cabana de Enoque eram solitários sem a presença daquele seu amigo canino.
O Gavião piou de cima da grande árvore.
Geriel virou-se pra ele e falou alguns monossílabos na linguagem dos Anjos. A ave tornou a piar, e voou para os galhos mais altos, para vigiar as imediações.
"Pelo menos um sentinela estava a postos".
Refletiu Geriel, observando que raramente via o Gavião e o Lobo juntos. Ambos vieram espontaneamente fazer-lhe companhia, mas era como se eles se revezassem. Quando um se ausentava, atendendo aos seus instintos silvestres, o outro surgia.
Isso era bom, pois naquele limitado corpo de primata em que estava aprisionado, precisava: das vistas, do olfato, da audição e até das asas daqueles animais pra se proteger e sentir-se seguro.
Seu olfato, visão noturna e audição eram mais apuradas que a dos humanos, conservando parte de suas percepções angelicais, mas não se comparavam à visão alongada do gavião nem ao olfato e audição refinada de seu lobo.
Sua afinidade com animais silvestres não era novidade. Samael, agora aprisionado no corpo do pescador Geriel, também se comunicava facilmente com: cobras, lagartos, peixes, sapos e vários animais. Tinha muita facilidade em decifrar a comunicação dos outros animais da Terra.
Só estava com dificuldades em interagir com a Raça Humana:
Esta espécie de primatas - os Homo-sápiens - há poucos milênios convertidos em Raça Adâmica pelo Grande Pai e Mãe Bináh, era-lhe um pouco mais complicada de entender, por isso resolveu morar numa cabana na floresta, indo à aldeia apenas pra fazer escambo, quando precisava de algum suprimento que não podia extrair da mata.
Nos primeiros meses em que estivera ali, aprisionado naquele invólucro primata, sentira muita solidão. A presença do Lobo Branco e do Gavião, que chegaram espontaneamente, o confortaram nas longas noites solitárias.
Gostava da companhia do Gavião, com seus grunhidos agudos e sua visão atenta e aguçada, como sentinela perspicaz e eficiente que o alertava sobre qualquer perigo nos arredores da cabana que o abrigava. Mas preferia a companhia do Lobo Branco.
Com o Lobo, Geriel conversava muito, tanto na linguagem dos Anjos, quanto no seu treinamento do vocabulário daqueles aldeões mesopotâmicos que possuía vocábulos simples, limitados e difíceis de pronunciar.
Até pra se comunicar a Raça Adâmica complicava o simples, por isso preferia o linguajar simples e direto das outras espécies animal que povoavam a floresta ao redor da velha e abandonada cabana de Enoque.
Com o Lobo Branco ele nadava no rio, rolava na relva, brincava de luta, como fazia com seu irmão Emanuel quando ainda eram Querubins.
As lembranças de sua fase de Querubim, ao lado de seu irmão Emanuel, eram sua melhor recordação, principalmente na fase em que ele e esse seu irmão "cantvam juntos como estrelas matutinas da Criação, fazendo com que todos os demais anjos se alegrassem" (Jó 38)
Tudo o que Samael falava para o Lobo Branco, incluindo seus lamentos por estar preso naquele mundo primitivo, bárbaro e insensato dos humanos, era como se o Lobo Branco compreendesse.
E o belo animal depois de lhe ouvir, olhando-o atentamente, gania num lamento solidário e colocava suas patas sobre o seu colo. Depois deitava sua cabeça em sua barriga, como a dizer-lhe:
"Calma, meu amigo, essa prova vai passar!"
Sim, ele gostava da presença do gavião, que lhe dava sensação de segurança... E tinha vários animais amigos nas proximidades da cabana: coelhos, esquilos, servos... até cobras, sapos e lagartos atendiam aos seus comandos...
Mas nada se comparava a presença confortadora do Lobo Branco, que parecia compreendê-lo antes mesmo que ele falasse. Parecia que, ao criar inúmeras raças de animais, o Grande Pai separara os canídeos para atuarem como Anjos na Terra.
Desejou que seu Lobo Branco voltasse logo, pois sem a sua companhia, dias bonitos e ensolarados como aquele, se tornavam tristes e solitários.
O que Geriel não sabia, era que a Onisciência de seu Pai, já o localizara no longínquo e minúsculo planeta Jardim do Éden, enquanto as Miríades Angelicais o procuravam em Corpo Angelical, pelo universo infinito, sem localizá-lo, por não saber que ele se prendera num invólucro Humano.
Seu Pai havia tomado a forma do Lobo Branco, para não deixá-lo só no seu Aprendizado Terreno - visto por Samael como uma Penitência Infernal - e sua MÃE BINÁH, tomara a forma de Gavião, para vigiar de perto o Estágio Terreno de um de seus filhos mais BRILHANTES, que ao lado de Emanuel, Rasiel, Miguel e Gabriel figuravam entre os Primogênitos da Criação.
O que era visto por aquele seu filho contestador como uma penitência ou um purgatório para seu Pai Elohin e sua Mãe Bináh era apenas um Novo Estágio de Aprendizado sobre as LEIS de CAUSA e EFEITO que perpetuam a JUSTIÇA DIVINA no vasto Universo do Criador.
Sua MÃE - que costumava atuar na Terra como uma Brisa Morna, ou "um vento que sopra onde quer, e ninguém sabe de onde vem ou para onde vai" (João 3:8) preferia a forma de Pomba para se manifestar aos Homens.
Porém, desta vez, escolheu a forma de Gavião, pois sabia que, pela sua Índole Contestadora e Opositora, este seu Filho Afoito corria perigo entre os mortais... e precisava ter garras e bico afiado para proteger esse seu filho, caso algum mortal desejasse feri-lo.
ÊURA, SELGA e ESGAR
Êura chegou na casa de Selga, a esposa do sacerdote, para entregar-lhe os pães, bolos e tortas que lhe tinham sido encomendados.
Selga - a esposa do sacerdote por quem Geriel se apaixonou na primeira vez em que a viu - recebeu Êura com alegria, pois eram velhas amigas, e seu esposo - o sacerdote - era cliente assíduo e muito fã de seus bolos e tortas.
A bela esposa do sacerdote pagou-lhe a encomenda e pediu à velha amiga que entrasse para tomar o desjejum matinal com ela e conversarem um pouco.
Excelente cozinheira, a viúva Êura ganhava seu sustento vendendo seus bolos, pães e tortas na aldeia. Inicialmente essa sua habilidade culinária, era-lhe uma espécie de passatempo prazeroso, pois seu esposo ganhava bem como centúria da guarda palaciana.
Porém, quando seu esposo adoeceu, esse trabalho passou a ser o sustento de sua casa. Após dois anos adoecido, seu esposo faleceu e Êura se aplicou em ampliar sua clientela para sobreviver de suas especiarias culinárias.
As duas mulheres sentaram-se a mesa, tomando chá com torta de amêndoas, colocando a fofoca em dia, como estavam habituadas a fazer como amigas de longa data, quando a jovem Esgar chegou e se juntou a elas.
- Então, Esgar - perguntou-lhe Selga, a esposa do sacerdote, com grande curiosidade – Você foi à casa do Bruxo, ontem?
- Fui! – Respondeu-lhe a jovem loira, louca pra fofocar com suas duas amigas, sentando-se a mesa, e servindo-se duma caneca de chá. – Ele é pior do que maluco! Fala umas coisas sem sentido algum: “Essa tua raça de primatas”... "Meu Pai tem de reconhecer que tornar a Raça Adâmica à nossa Imagem, conforme a nossa semelhança, não deu certo"
- O que ele quer dizer com isso? - Indagou-lhe a boleira
- Quem vai saber? Ele é doido! - respondeu a jovem loira, abocanhado uma fatia de torta. Depois prosseguiu imitando a voz grossa e o sotaque estrangeiro do Bruxo Esquizofrênico, que faziam as outras duas mulheres rirem, pois no auge dos seus 17 anos a bela loira esgar era uma menina fogosa e divertida:
- “é claro que eu preciso de uma fêmea, - dizia a loirinha imitando o sotaque estrangeiro do mago da floresta - mas não pode ser fêmea verde! Fêmea verde é pra macho fantasioso”
A jovem loira comia a torta de amêndoas e falava sem parar, fazendo caricatura da voz grossa do Bruxo.
– Um homem grosseiro, Selga! - dizia a loirinha - Presunçoso, arrogante, sistemático, vaidoso, b***o... Meu deus como ele é b***o! – Apanhou mais um pedaço de torta e mastigou, enquanto falava sem parar: - Vocês acreditam que ele nem sabe o que é cupido! Quando falei que fui lá para bancar o cupido, ou seja, pra intermediar seu romance com a minha amiga Selga... - Esgar parou de repente e pôs a mão na boca, perguntando a Selga num sussurro – Teu marido não ta aí, tá?
- Graças a Deus não? – Respondeu-lhe a mulher do sacerdote – Senão você já teria me entregado, Esgar... Mas, fale baixo sobre isso. Há empregados no quintal que são pagos pelo meu marido pra me vigiar!
A jovem loira assentiu e pegou mais um pouco de chá pra tomar, dizendo baixinho para as duas amigas à mesa:
- Quando eu lhe falei que cupido é um anjo que atira flechas nas pessoas que se apaixonam, ele disse que estava procurando por um Anjo, e esse era o motivo de seus rituais de aspecto demoníaco. - ela disse horrorizada - Sabem, aquele canto macabro que nos parece o Canto do Demônio... bem ele diz que é pra localizar os Anjos que devem estar procurando por ele... Ele me perguntou onde poderia encontrar esse Anjo chamado cupido? Vocês já imaginaram uma coisa dessas?! Pode existir alguém assim tão b***o?! – Abocanhou mais um pedaço de seu bolo, mastigando e falando sem parar: - Acreditar em anjo quando somos crianças, vai lá... Mas um homem adulto com essa conversa id**ta?!
- Eu acredito em Anjos, - disse-lhe Êura, a boleira. – Não acho uma ideia absurda!
- Sim, Êura, eu entendo... – falou a bela loira, atropelando o seu raciocínio, após abocanhar mais um pedaço da torta de nozes. - Pensar nos anjinhos como elementares da natureza, beneficiando a fauna, a flora e os riachos... tudo bem, é uma mística bonita... Mas aquele bárbaro asqueroso se acha um Anjo Caído, aprisionado na Terra no corpo de um mortal. Vocês podem imaginar coisa mais ridícula?
As mulheres ficaram em silêncio tentando absorver a enxurrada de informações que a jovem loira lhes passava, atropeladamente, revelando o quanto o seu encontro pessoal com o Bruxo a deixara desestabilizada e frenética.
Mais experientes e vividas, tanto a boleira quanto a mulher do sacerdote percebiam que as impressões que o Bruxo Bipolar causara em Esgar eram diferentes da impressão que ele causou na Taberneira Maréola quanto ele saiu no braço com os beberrões da Guarda Palaciana que debochavam da taberneira.
Êura lhe falou:
- Sabe porque não acho tão absurda a ideia de Anjos ou Seres Celestes vivendo na Terra feito homens? É por que esse pensamento é comum entre os hebreus. - Disse a boleira servindo-se de mais uma caneca com chá - Pra nós mesopotâmicos essas ideias parecem absurdas, mas os povos da Judéia acreditam que um SER CELESTIAL chamado Emanuel nascerá de uma virgem para redimir a humanidade...
- Que loucura! - acudiu a jovem loira - Você acredita nesse tipo de maluquice, Êura?
- Nem acredito, nem desacredito. - Disse-lhe a boleira - Mas acho uma crença bonita, e respeito todas as formas de religião.
- Também acho bonitas as místicas religiosas, diferentes das nossas do Deus Marduk e da Deusa Enki- Argumentou Selga - a esposa do sacerdote. Depois voltou-se para a jovem e loira curiosa, indagando-lhe: - Então você conversou bastante com o Bruxo, Esgar?
– Sim, até o ajudei a consertar sua cabana dando-lhe tábuas no andaime! Mas quando entrei na sua sala? Ah, vocês não sabem! Eu queria lhe falar um montão! Estava possessa, porque ele é irritante... muito arrogante e cheio de si... Nem meu pai, nem meu irmão, falam comigo como aquele bárbaro falou. Petulante! Com aquele cheiro adocicado de perfume de boiola! E aquela barba e cabelos disformes, precisando de aparo... – Virou-se para amiga e aconselhou: - Selga esquece esse cara! F**a com o teu esposo sacerdote que é muito melhor!
- Você entrou na casa dele? – Indagou-lhe a boleira, curiosa, procurando retomar o foco da bela jovem loira.
- Nossa Êura, eu entrei, mulher! Que casa! Precisa ver o que ele fez naquela cabana abandonada! – Respondeu-lhe a loirinha com olhos brilhantes. - Que requinte! A mobília, os tapetes, os candelabros, o assoalho brilhante e o delicioso perfume das velas aromáticas... Você sente o desejo de se sentar nas poltronas daquela sala e não sair de lá nunca mais...
- Espera aí, Esgar! – Selga interrompeu a jovem loira indagando-lhe: – Não tá dando pra entender: O bruxo é asqueroso ou requintado? O que ele fez pra te deixar tão aborrecida?
- Ele cheirou minha virilha... Farejou minha piquita como se fosse um cachorro! E eu uma cadela, né?
- O que? – Indagou a boleira, preocupada – Ele tentou te estuprar?
- Não... não! É que ele tem muitas armadilhas ao redor de sua cabana – Dizia a loirinha, comendo sem parar para conter sua euforia e ansiedade que aquele assunto lhe causava. – Cheguei lá sorrateiramente, mas uma armadilha me pegou e fiquei de pernas pra cima, com a perna esquerda pendurada por um galho da árvore, e a outra se abrindo e fechando enquanto eu tentava me soltar. Eu tava só de vestido, sem nada por baixo... Imagine o vexame! Aí ele foi me socorrer e viu minha piquita e também a minha bunda branca à mostra, pois aquela corda maldita não parava de rodar... e eu rodando junto, com a saia na cara e a bunda de fora!
- Sério? – Indagou-lhe Selga estupefata – E o que ele fez?
- Antes de cortar a corda pra me libertar, segurou minhas nádegas, pra eu parar de balançar e farejou minhas cochas e a minha virilha. – A jovem loira tomou mais um gole de seu chá, prosseguindo: - Eu perguntei o que ele estava fazendo? Ele não respondeu. Cortou a corda, fazendo-me cair no chão como um s**o de b***a! Ele deu mais atenção à corda do que pra mim! Mandou-me sair dali e voltar pra minha gente hipócrita, dizendo que eu era desmiolada e não lhe servia pra nada, pois não estava no cio, e ele precisava tr***ar com uma fêmea que não estivesse tão verde quanto eu! – Tomou mais um gole de seu chá, denotando irritação só por se lembrar da forma que o Bruxo a ignorou, e concluiu: - Pode alguém ter um papo tão demente?
Selga e Êura se entreolharam, mas foi a boleira quem perguntou a Esgar.
- Deixe-me entender, Esgar. Você está braba, porque o Bruxo, que todas nós sempre achamos esquisito e grosseiro, te recebeu na casa dele com aspereza, e te mandou voltar pra tua casa sem tentar te seduzir... Mas você não tinha ido lá pra advogar os interesses de Selga?
- Sim, fui... Mas ele disse pra eu dizer a Selga que não tenho grandeza suficiente pra ser amiga de alguém como ele! Falou que alguém que não acredita em Anjo não é capaz de compreender o Amor. Disse que sou fútil, vazia e protocolar, como meu pai, meu irmão e os demais homens dessa aldeia de hipócritas... Nunca mais quero ver aquele Bruxo Asqueroso! Nunca mais me peça pra ir lá, Selga!
A esposa do sacerdote se espantou com a sua última colocação, depois a contemplou com paciência, dizendo-lhe:
- Mas eu não lhe pedi Esgar. Jamais lhe pediria isso! Você foi lá por iniciativa própria... lembra que eu fui contra, quando você me falou que iria?
A bela jovem refletiu por um instante, depois recuperou sua sensatez e concordou com a amiga:
- É verdade... você insistiu pra que eu não fosse, dizendo-me que poderia ser perigoso! – refletiu um pouco mais e concluiu – Mas, depois daquela declaração de amor que ele fez pra você, Selga, em praça pública, no meio de tantos aldeões, eu achei tão bonito... achei que seria tão diferente conhecê-lo pessoalmente...
Selga e Esgar continuaram a tricotar curiosidades e detalhes sobre o Bruxo Bipolar, enquanto a Boleira refletia sobre as informações ali colhidas.
O Bruxo não era um Bárbaro como elas acharam inicialmente. Ele era um Viajante Estrangeiro que se considerava um Príncipe. Talvez fosse... Ele se isolava dos demais membros daquela aldeia, porque percebeu que fora visto como um herege e um homem hostil.
Decidiu que ao chegar em sua casa, após as demais entregas de pães e bolos, faria sua melhor torta com tâmaras e nozes, para levar ao Bruxo.
Ela estava sem marido há mais de um ano e o Bruxo precisava de uma Fêmea que não estivesse Verde...
Sem falar nada as suas amigas, decidiu que tomaria um bom banho e colocaria o seu melhor vestido, para dar as boas vindas ao Novo Vizinho e torná-lo um cliente das suas Artes Culinárias.
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Este livro narra a história de Melquisedeque - um tipo de Cristo que viveu nos tempos de Abraão. Nesse tempo os Anjos Sentinelas passeavam pela Terra feito homens comuns, dormindo em suas tendas e comendo de seus alimentos. Alguns desses SENTINELAS se envolveram afetivamente com as Filhas dos Home...
23/05/2026
OS FILHOS DO AMOR narra a História de Melquisedeque e dos NEFILINS https://loja.uiclap.com/titulo/ua83726/
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A Bíblia descreve esse acontecimento da seguinte forma:
"Viram os Filhos de Deus que as Filhas dos Homens eram formosas e tomaram para si mulheres, entre as que escolheram... Então disse o Senhor: não contenderá o meu Espírito com o Homem porque este também é carne. Quando os Filhos de Deus possuíram as Filhas dos Homens e nelas geraram filhos, estes eram os valentes da antiguidade" (Gênesis 6)
Dentre estes "Valentes da Antiguidade" destacou-se MELQUISEDEQUE, um tipo de Cristo que atuava na Terra como Supremo Sacerdote do Altíssimo, sendo também Rei de Salém e Príncipe da Justiça e da Paz (Hebreus 5,6 e 7)
Também homenageado por Davi no Salmo 110 MELQUISEDEQUE é o personagem central dessa nossa história que tem agradado muito aos leitores de Romances Épicos.
Segue um capítulo desse nosso livro pra que você possa ler no teu momento de folga e conhecer um pouco mais sobre o estilo contagiante do escritor Paulinho Santos da Fratuni
O CIO DA LOBA - Capítulo 13
Na Aldeia que povoava as margens do Rio Eufrates, nas proximidades da Babilônia, o dia amanheceu alegre e belo com o sol emprestando suas cores para toda a região.
Geriel se espreguiçou na cama e ergueu-se para o desjejum matinal. Seus sonhos noturnos lhe trouxeram lembranças pretéritas do seu tempo de adolescente, quando cantava nas estrelas com seu irmão Emanuel, nas Festas do Milênio Cosmico, ao lado de Miguel, Gabriel e Rafael, antes da Formação da Terra (Jó 38)
Seus sonhos lhe conectavam a lembranças boas, de quando ele e seus irmãos brincavam entre as Estrelas e Cometas, e eram cúmplices nas descobertas, traquinagens e experiências proibidas por seus pais, como as visitas não autorizadas nas Esferas Primitivas como o Planeta Jardim do Éden na galáxia de Saturno.
O problema era que eles cresceram, e com a maturidade chegou também as Predileções Distintas, a Maturidade Gradual com seus Estágios Individuais.
Emanuel, Miguel, Samael e Gabriel revelavam personalidades distintas nas responsabilidades da Vida Adulta, como auxiliares diretos do Grande Pai Criador. Responsabilidades que inseria os Anjos da Primogenitude nas LEIS de Causa e Efeito. Leis perpetuadas por Bináh e Elohin para definir no Infinito Universo a JUSTIÇA de seu PAI CRIADOR.
Esse DESAFIO EXISTENCIAL - a maturidade - e a sua desobediência às Leis Etéreas do Grande Pai - foi o que o tornaram um SER APRISIONADO num limitado corpo humano, condenando-o a VIVER sobre as LEIS da RAÇA ADÂMICA, no planeta Jardim do Éden que, para UM ANJO de qualquer hierarquia, era uma EXPERIÊNCIA INFERNAL, uma espécie de PURGATÓRIO - onde as almas se purificam para tornar a merecer o Paraíso Celestial
Mesmo para ele, SAMAEL, que estava habituado a "Rodear a Terra e Passear por ela" antes das Enfadonhas Reuniões entre os Anjos Graduados e o Grande Pai... (Jó 38) viver na Terra como mortal era um Purgatório Terrível.
Uma coisa era divertir-se com a mediocridade e hipocrisia da RAÇA ADÂMICA protegido pela leveza de seu Fluídico Corpo Angelical, pairando como um espectro demoníaco, ao lado dos mortais, sem que eles o enxergassem...
Outra coisa era sentir sua Alma e sua Mente Etérea aprisionadas num limitado Corpo Primata - essa RAÇA propensa a barbáries e doenças, que sua Mãe Bináh e seu Pai Elhoin resolveram fazê-los a SUA IMAGEM, conforme a nossa SEMELHAÇA...
Mas essa Raça Adâmica demoraria MILHARES DE ANOS, e muito avanço tecnológico, para compreender as MENTES e os anseios atemporais do MUNDO ANGELICAL, formado por centenas de milhares de Anjos e dividida em 9 Coros hierárquicos, com comandos distintos dos Metatrons.
Pelos seus conhecimentos de Príncipe Estelar, amado e admirado por UM TERÇO das Miríades Angelicais, Samael sabia que deveria reciclar sua paciência enquanto estivesse nesse primitivo planeta, aproveitando para cultivar novas experiências sobre os limites orgânicos e intelectuais da Raça Adâmica.
Sabia ele, que no Universo Infinito, nada fugia à Onisciência de seu Pai, e ele, SAMAEL era respeitado, admirado e venerado por UM TERÇO das miríades angelicais...
Cedo ou tarde, um grupo de Anjos faria uma varredura na Imensidão dos Cosmos e o localizaria naquele minúsculo e quase insignificante Planeta Azul, conhecido pelos Metatrons como Jardim do Éden, e o reconduziriam em retorno ao seu LAR ORIGINAL para prestar contas ao GRANDE PAI, pelos seus vacilos, levando em consideração o seu GRAU HIERÁRQUICO de Príncipe Estelar, que superava o Grau Hierárquico de Miguel entre os Coros Angelicais.
UM LOBO NO CIO
Depois de alimentar-se, na mesa de sua cozinha, sentiu estranha sensação naquele seu corpo primata e notou que naquela manhã acordara com o p***s ereto.
Abaixou a calça feita com pele de urso e olhou satisfeito pro seu p***s avolumado e lhe falou: - calma eu sei o que você está querendo! Você está me dizendo que esse invólucro primata precisa de uma fêmea. Isso tá na minha lista... mantenha a calma.
Conversar consigo mesmo, com seus animais e com os membros que formavam seu corpo primata, era uma brincadeira divertida que se tornara um hábito de Geriel, por se sentir solitário como um náufrago numa ilha, repleta de humanóides de baixíssima tecnologia, incapazes de acompanhar seu raciocínio sagaz, e seus hábitos de Príncipe no Mundo Angelical.
Preparou a comida do Lobo Branco que vigiava sua cabana do lado de fora e abriu a porta da varanda para alimentá-lo.
Não o encontrou na varanda, onde costumava dormir como uma espécie de cão de guarda. Assoviou, chamando-o para o café da manhã, mas o belo animal não veio.
- Ele sumiu de novo! - resmungou o Bárbaro - Agora que eu tava me acostumando com a sua companhia!
Colocou o alimento do canídeo na varanda desejando que seu lobo retornasse antes do alimento azedar. Estava acostumado aos sumiços do Lobo Branco.
O animal aparecera espontaneamente, na sua cabana, e resolvera ficar... Mas Geriel sabia que lobos são animais coletivos. Bonito e forte como era, deveria pertencer a uma alcateia e, seus sumiços ocasionais, certamente era o seu instinto convidando-o pra se unir aos seus.
Desejou que ele voltasse pois seus dias ali, na abandonada Cabana de Enoque eram solitários sem a presença daquele seu amigo canino.
O Gavião piou de cima da grande árvore.
Geriel virou-se pra ele e falou alguns monossílabos na linguagem dos Anjos. A ave tornou a piar, e voou para os galhos mais altos, para vigiar as imediações.
"Pelo menos um sentinela estava a postos".
Refletiu Geriel, observando que raramente via o Gavião e o Lobo juntos. Ambos vieram espontaneamente fazer-lhe companhia, mas era como se eles se revezassem. Quando um se ausentava, atendendo aos seus instintos silvestres, o outro surgia.
Isso era bom, pois naquele limitado corpo de primata em que estava aprisionado, precisava: das vistas, do olfato, da audição e até das asas daqueles animais pra se proteger e sentir-se seguro.
Seu olfato, visão noturna e audição eram mais apuradas que a dos humanos, conservando parte de suas percepções angelicais, mas não se comparavam à visão alongada do gavião nem ao olfato e audição refinada de seu lobo.
Sua afinidade com animais silvestres não era novidade. Samael, agora aprisionado no corpo do pescador Geriel, também se comunicava facilmente com: cobras, lagartos, peixes, sapos e vários animais. Tinha muita facilidade em decifrar a comunicação dos outros animais da Terra.
Só estava com dificuldades em interagir com a Raça Humana:
Esta espécie de primatas - os Homo-sápiens - há poucos milênios convertidos em Raça Adâmica pelo Grande Pai e Mãe Bináh, era-lhe um pouco mais complicada de entender, por isso resolveu morar numa cabana na floresta, indo à aldeia apenas pra fazer escambo, quando precisava de algum suprimento que não podia extrair da mata.
Nos primeiros meses em que estivera ali, aprisionado naquele invólucro primata, sentira muita solidão. A presença do Lobo Branco e do Gavião, que chegaram espontaneamente, o confortaram nas longas noites solitárias.
Gostava da companhia do Gavião, com seus grunhidos agudos e sua visão atenta e aguçada, como sentinela perspicaz e eficiente que o alertava sobre qualquer perigo nos arredores da cabana que o abrigava. Mas preferia a companhia do Lobo Branco.
Com o Lobo, Geriel conversava muito, tanto na linguagem dos Anjos, quanto no seu treinamento do vocabulário daqueles aldeões mesopotâmicos que possuía vocábulos simples, limitados e difíceis de pronunciar.
Até pra se comunicar a Raça Adâmica complicava o simples, por isso preferia o linguajar simples e direto das outras espécies animal que povoavam a floresta ao redor da velha e abandonada cabana de Enoque.
Com o Lobo Branco ele nadava no rio, rolava na relva, brincava de luta, como fazia com seu irmão Emanuel quando ainda eram Querubins.
As lembranças de sua fase de Querubim, ao lado de seu irmão Emanuel, eram sua melhor recordação, principalmente na fase em que ele e esse seu irmão "cantvam juntos como estrelas matutinas da Criação, fazendo com que todos os demais anjos se alegrassem" (Jó 38)
Tudo o que Samael falava para o Lobo Branco, incluindo seus lamentos por estar preso naquele mundo primitivo, bárbaro e insensato dos humanos, era como se o Lobo Branco compreendesse.
E o belo animal depois de lhe ouvir, olhando-o atentamente, gania num lamento solidário e colocava suas patas sobre o seu colo. Depois deitava sua cabeça em sua barriga, como a dizer-lhe:
"Calma, meu amigo, essa prova vai passar!"
Sim, ele gostava da presença do gavião, que lhe dava sensação de segurança... E tinha vários animais amigos nas proximidades da cabana: coelhos, esquilos, servos... até cobras, sapos e lagartos atendiam aos seus comandos...
Mas nada se comparava a presença confortadora do Lobo Branco, que parecia compreendê-lo antes mesmo que ele falasse. Parecia que, ao criar inúmeras raças de animais, o Grande Pai separara os canídeos para atuarem como Anjos na Terra.
Desejou que seu Lobo Branco voltasse logo, pois sem a sua companhia, dias bonitos e ensolarados como aquele, se tornavam tristes e solitários.
O que Geriel não sabia, era que a Onisciência de seu Pai, já o localizara no longínquo e minúsculo planeta Jardim do Éden, enquanto as Miríades Angelicais o procuravam em Corpo Angelical, pelo universo infinito, sem localizá-lo, por não saber que ele se prendera num invólucro Humano.
Seu Pai havia tomado a forma do Lobo Branco, para não deixá-lo só no seu Aprendizado Terreno - visto por Samael como uma Penitência Infernal - e sua MÃE BINÁH, tomara a forma de Gavião, para vigiar de perto o Estágio Terreno de um de seus filhos mais BRILHANTES, que ao lado de Emanuel, Rasiel, Miguel e Gabriel figuravam entre os Primogênitos da Criação.
O que era visto por aquele seu filho contestador como uma penitência ou um purgatório para seu Pai Elohin e sua Mãe Bináh era apenas um Novo Estágio de Aprendizado sobre as LEIS de CAUSA e EFEITO que perpetuam a JUSTIÇA DIVINA no vasto Universo do Criador.
Sua MÃE - que costumava atuar na Terra como uma Brisa Morna, ou "um vento que sopra onde quer, e ninguém sabe de onde vem ou para onde vai" (João 3:8) preferia a forma de Pomba para se manifestar aos Homens.
Porém, desta vez, escolheu a forma de Gavião, pois sabia que, pela sua Índole Contestadora e Opositora, este seu Filho Afoito corria perigo entre os mortais... e precisava ter garras e bico afiado para proteger esse seu filho, caso algum mortal desejasse feri-lo.
ÊURA, SELGA e ESGAR
Êura chegou na casa de Selga, a esposa do sacerdote, para entregar-lhe os pães, bolos e tortas que lhe tinham sido encomendados.
Selga - a esposa do sacerdote por quem Geriel se apaixonou na primeira vez em que a viu - recebeu Êura com alegria, pois eram velhas amigas, e seu esposo - o sacerdote - era cliente assíduo e muito fã de seus bolos e tortas.
A bela esposa do sacerdote pagou-lhe a encomenda e pediu à velha amiga que entrasse para tomar o desjejum matinal com ela e conversarem um pouco.
Excelente cozinheira, a viúva Êura ganhava seu sustento vendendo seus bolos, pães e tortas na aldeia. Inicialmente essa sua habilidade culinária, era-lhe uma espécie de passatempo prazeroso, pois seu esposo ganhava bem como centúria da guarda palaciana.
Porém, quando seu esposo adoeceu, esse trabalho passou a ser o sustento de sua casa. Após dois anos adoecido, seu esposo faleceu e Êura se aplicou em ampliar sua clientela para sobreviver de suas especiarias culinárias.
As duas mulheres sentaram-se a mesa, tomando chá com torta de amêndoas, colocando a fofoca em dia, como estavam habituadas a fazer como amigas de longa data, quando a jovem Esgar chegou e se juntou a elas.
- Então, Esgar - perguntou-lhe Selga, a esposa do sacerdote, com grande curiosidade – Você foi à casa do Bruxo, ontem?
- Fui! – Respondeu-lhe a jovem loira, louca pra fofocar com suas duas amigas, sentando-se a mesa, e servindo-se duma caneca de chá. – Ele é pior do que maluco! Fala umas coisas sem sentido algum: “Essa tua raça de primatas”... "Meu Pai tem de reconhecer que tornar a Raça Adâmica à nossa Imagem, conforme a nossa semelhança, não deu certo"
- O que ele quer dizer com isso? - Indagou-lhe a boleira
- Quem vai saber? Ele é doido! - respondeu a jovem loira, abocanhado uma fatia de torta. Depois prosseguiu imitando a voz grossa e o sotaque estrangeiro do Bruxo Esquizofrênico, que faziam as outras duas mulheres rirem, pois no auge dos seus 17 anos a bela loira esgar era uma menina fogosa e divertida:
- “é claro que eu preciso de uma fêmea, - dizia a loirinha imitando o sotaque estrangeiro do mago da floresta - mas não pode ser fêmea verde! Fêmea verde é pra macho fantasioso”
A jovem loira comia a torta de amêndoas e falava sem parar, fazendo caricatura da voz grossa do Bruxo.
– Um homem grosseiro, Selga! - dizia a loirinha - Presunçoso, arrogante, sistemático, vaidoso, b***o... Meu deus como ele é b***o! – Apanhou mais um pedaço de torta e mastigou, enquanto falava sem parar: - Vocês acreditam que ele nem sabe o que é cupido! Quando falei que fui lá para bancar o cupido, ou seja, pra intermediar seu romance com a minha amiga Selga... - Esgar parou de repente e pôs a mão na boca, perguntando a Selga num sussurro – Teu marido não ta aí, tá?
- Graças a Deus não? – Respondeu-lhe a mulher do sacerdote – Senão você já teria me entregado, Esgar... Mas, fale baixo sobre isso. Há empregados no quintal que são pagos pelo meu marido pra me vigiar!
A jovem loira assentiu e pegou mais um pouco de chá pra tomar, dizendo baixinho para as duas amigas à mesa:
- Quando eu lhe falei que cupido é um anjo que atira flechas nas pessoas que se apaixonam, ele disse que estava procurando por um Anjo, e esse era o motivo de seus rituais de aspecto demoníaco. - ela disse horrorizada - Sabem, aquele canto macabro que nos parece o Canto do Demônio... bem ele diz que é pra localizar os Anjos que devem estar procurando por ele... Ele me perguntou onde poderia encontrar esse Anjo chamado cupido? Vocês já imaginaram uma coisa dessas?! Pode existir alguém assim tão b***o?! – Abocanhou mais um pedaço de seu bolo, mastigando e falando sem parar: - Acreditar em anjo quando somos crianças, vai lá... Mas um homem adulto com essa conversa id**ta?!
- Eu acredito em Anjos, - disse-lhe Êura, a boleira. – Não acho uma ideia absurda!
- Sim, Êura, eu entendo... – falou a bela loira, atropelando o seu raciocínio, após abocanhar mais um pedaço da torta de nozes. - Pensar nos anjinhos como elementares da natureza, beneficiando a fauna, a flora e os riachos... tudo bem, é uma mística bonita... Mas aquele bárbaro asqueroso se acha um Anjo Caído, aprisionado na Terra no corpo de um mortal. Vocês podem imaginar coisa mais ridícula?
As mulheres ficaram em silêncio tentando absorver a enxurrada de informações que a jovem loira lhes passava, atropeladamente, revelando o quanto o seu encontro pessoal com o Bruxo a deixara desestabilizada e frenética.
Mais experientes e vividas, tanto a boleira quanto a mulher do sacerdote percebiam que as impressões que o Bruxo Bipolar causara em Esgar eram diferentes da impressão que ele causou na Taberneira Maréola quanto ele saiu no braço com os beberrões da Guarda Palaciana que debochavam da taberneira.
Êura lhe falou:
- Sabe porque não acho tão absurda a ideia de Anjos ou Seres Celestes vivendo na Terra feito homens? É por que esse pensamento é comum entre os hebreus. - Disse a boleira servindo-se de mais uma caneca com chá - Pra nós mesopotâmicos essas ideias parecem absurdas, mas os povos da Judéia acreditam que um SER CELESTIAL chamado Emanuel nascerá de uma virgem para redimir a humanidade...
- Que loucura! - acudiu a jovem loira - Você acredita nesse tipo de maluquice, Êura?
- Nem acredito, nem desacredito. - Disse-lhe a boleira - Mas acho uma crença bonita, e respeito todas as formas de religião.
- Também acho bonitas as místicas religiosas, diferentes das nossas do Deus Marduk e da Deusa Enki- Argumentou Selga - a esposa do sacerdote. Depois voltou-se para a jovem e loira curiosa, indagando-lhe: - Então você conversou bastante com o Bruxo, Esgar?
– Sim, até o ajudei a consertar sua cabana dando-lhe tábuas no andaime! Mas quando entrei na sua sala? Ah, vocês não sabem! Eu queria lhe falar um montão! Estava possessa, porque ele é irritante... muito arrogante e cheio de si... Nem meu pai, nem meu irmão, falam comigo como aquele bárbaro falou. Petulante! Com aquele cheiro adocicado de perfume de boiola! E aquela barba e cabelos disformes, precisando de aparo... – Virou-se para amiga e aconselhou: - Selga esquece esse cara! F**a com o teu esposo sacerdote que é muito melhor!
- Você entrou na casa dele? – Indagou-lhe a boleira, curiosa, procurando retomar o foco da bela jovem loira.
- Nossa Êura, eu entrei, mulher! Que casa! Precisa ver o que ele fez naquela cabana abandonada! – Respondeu-lhe a loirinha com olhos brilhantes. - Que requinte! A mobília, os tapetes, os candelabros, o assoalho brilhante e o delicioso perfume das velas aromáticas... Você sente o desejo de se sentar nas poltronas daquela sala e não sair de lá nunca mais...
- Espera aí, Esgar! – Selga interrompeu a jovem loira indagando-lhe. – Não tá dando pra entender: O bruxo é asqueroso ou requintado? O que ele fez pra te deixar tão aborrecida?
- Ele cheirou minha virilha... Farejou minha piquita como se fosse um cachorro! E eu uma cadela, né?
- O que? – Indagou a boleira, preocupada – Ele tentou te estuprar?
- Não... não! É que ele tem muitas armadilhas ao redor de sua cabana – Dizia a loirinha, comendo sem parar para conter sua euforia e ansiedade que aquele assunto lhe causava. – Cheguei lá sorrateiramente, mas uma armadilha me pegou e fiquei de pernas pra cima, com a perna esquerda pendurada por um galho da árvore, e a outra se abrindo e fechando enquanto eu tentava me soltar. Eu tava só de vestido, sem nada por baixo... Imagine o vexame! Aí ele foi me socorrer e viu minha piquita e também a minha bunda branca à mostra, pois aquela corda maldita não parava de rodar... e eu rodando junto, com a saia na cara e a bunda de fora!
- Sério? – Indagou-lhe Selga estupefata – E o que ele fez?
- Antes de cortar a corda pra me libertar, segurou minhas nádegas, pra eu parar de balançar e farejou minhas cochas e a minha virilha. – A jovem loira tomou mais um gole de seu chá, prosseguindo: - Eu perguntei o que ele estava fazendo? Ele não respondeu. Cortou a corda, fazendo-me cair no chão como um s**o de b***a! Ele deu mais atenção à corda do que pra mim! Mandou-me sair dali e voltar pra minha gente hipócrita, dizendo que eu era desmiolada e não lhe servia pra nada, pois não estava no cio, e ele precisava tr***ar com uma fêmea que não estivesse tão verde quanto eu! – Tomou mais um gole de seu chá, denotando irritação só por se lembrar da forma que o Bruxo a ignorou, e concluiu: - Pode alguém ter um papo tão demente?
Selga e Êura se entreolharam, mas foi a boleira quem perguntou a Esgar.
- Deixe-me entender, Esgar. Você está braba, porque o Bruxo, que todas nós sempre achamos esquisito e grosseiro, te recebeu na casa dele com aspereza, e te mandou voltar pra tua casa sem tentar te seduzir... Mas você não tinha ido lá pra advogar os interesses de Selga?
- Sim, fui... Mas ele disse pra eu dizer a Selga que não tenho grandeza suficiente pra ser amiga de alguém como ele! Falou que alguém que não acredita em Anjo não é capaz de compreender o Amor. Disse que sou fútil, vazia e protocolar, como meu pai, meu irmão e os demais homens dessa aldeia de hipócritas... Nunca mais quero ver aquele Bruxo Asqueroso! Nunca mais me peça pra ir lá, Selga!
A esposa do sacerdote se espantou com a sua última colocação, depois a contemplou com paciência, dizendo-lhe:
- Mas eu não lhe pedi Esgar. Jamais lhe pediria isso! Você foi lá por iniciativa própria... lembra que eu fui contra, quando você me falou que iria?
A bela jovem refletiu por um instante, depois recuperou sua sensatez e concordou com a amiga:
- É verdade... você insistiu pra que eu não fosse, dizendo-me que poderia ser perigoso! – refletiu um pouco mais e concluiu – Mas, depois daquela declaração de amor que ele fez pra você, Selga, em praça pública, no meio de tantos aldeões, eu achei tão bonito... achei que seria tão diferente conhecê-lo pessoalmente...
Selga e Esgar continuaram a tricotar curiosidades e detalhes sobre o Bruxo Bipolar, enquanto a Boleira refletia sobre as informações ali colhidas.
O Bruxo não era um Bárbaro como elas acharam inicialmente. Ele era um Viajante Estrangeiro que se considerava um Príncipe. Talvez fosse... Ele se isolava dos demais membros daquela aldeia, porque percebeu que fora visto como um herege e um homem hostil.
Decidiu que ao chegar em sua casa, após as demais entregas de pães e bolos, faria sua melhor torta com tâmaras e nozes, para levar ao Bruxo.
Ela estava sem marido há mais de um ano e o Bruxo precisava de uma Fêmea que não estivesse Verde...
Sem falar nada as suas amigas, decidiu que tomaria um bom banho e colocaria o seu melhor vestido, para dar as boas vindas ao Novo Vizinho e torná-lo um cliente das suas Artes Culinárias.
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Autor(a): Paulinho Santos da Fratuni
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