12/08/2026
Os cristãos vivem dentro de diferentes paradoxos. Um deles envolve a maneira como nos relacionamos com um mundo que é extraordinariamente belo e, ao mesmo tempo, terrivelmente feio. Quando contemplamos a exuberância da criação ou testemunhamos gestos de bondade, misericórdia e justiça, reconhecemos a beleza do mundo e afirmamos que toda a terra está cheia da glória de Deus. Ao lado da beleza, convivemos com a maldade, a violência, a fome e a injustiça. O mundo é extraordinariamente belo e terrivelmente feio.
Como respondemos a esse paradoxo? Com a imaginação cristã. O profeta Isaías imaginou um mundo reconciliado, o mundo que foi inaugurado em Cristo. Ele viu isso séculos antes: “Pois eis que eu crio novos céus e nova terra; e não haverá lembrança das coisas passadas, jamais haverá memória delas. Mas vós folgareis e exultareis perpetuamente no que eu crio; porque eis que crio para Jerusalém alegria, e para o seu povo, regozijo”. (Isaías 65.17-18)
Em 1963, Martin Luther King Jr. pregou um sermão no qual descrevia seus sonhos de justiça e fraternidade. O mundo em que ele vivia era terrivelmente feio, mas a sua visão fora moldada nas histórias bíblicas. Sem a imaginação, no conseguimos entender nem viver a Palavra de Deus, que diz: “Olhai as aves do céu e os lírios do campo” (Mt. 6.26), ou: “Eu sou o bom pastor” (Jo. 10.14), ou: “Vós sois o sal da terra [...] Vós sois a luz do mundo” (Mt. 5.13-14). Isso requer imaginação. A grandeza da obra de Deus não pode ser honrada se a vemos de forma enfadonha. Temos de imaginar o mundo de Deus como ele de fato é.
Oração:
Senhor, cura a minha cegueira. Que eu veja o mundo como o Senhor o vê e viva na esperança do novo céu e nova terra. Amém.
Extraído do devocional O Caminho do Coração, Meditações Diárias, de Ricardo Barbosa de Sousa