30/08/2026
Antes de contar como me tornei Iyalorixá, preciso contar de onde vem a minha raiz.
Porque ninguém chega a uma cadeira sozinho.
Há 20 anos, cheguei a esta casa. Quando Oxalá anunciou que eu seria aquela que carregaria o Axé e, Oxaguian me confiou o cargo de Iyalaxé.
Foram 20 anos de dedicação, aprendizado, erros, acertos e, principalmente, de aprendizado ao lado do meu Pai, Oloni de Guian.
Falamos muitas vezes sobre o dia em que eu assumiria esta cadeira.
No fundo, eu queria que ele nunca chegasse, porque queria continuar tendo meu Pai ao meu lado.
Mas os Orixás sabem o tempo de todas as coisas.
Há 7 anos, recebi meu Deká. E, em 22 de agosto de 2026, recebi-o novamente, de uma forma diferente: aberto para que eu pudesse conduzir a casa que sempre foi meu coração.
Naquele momento compreendi:
Eu não estava substituindo meu Pai. Eu estava dando continuidade ao que ele me ensinou.
A cadeira mudou. A responsabilidade aumentou. Mas a filha continua sendo filha, e o Pai continua sendo Pai.
Receber o título de Iyalorixá pelas mãos dele é uma das maiores honras da minha vida.
Porque receber uma cadeira não é receber poder.
É receber responsabilidade.
É cuidar do Axé, honrar os Orixás, respeitar a ancestralidade e preservar aquilo que recebemos para que um dia possamos entregar às próximas gerações.
Minha gratidão eterna a Oxalá por confiar a mim essa missão.
À minha ancestralidade, meu respeito.
Ao meu Pai, minha eterna gratidão.
Aos Orixás, minha vida.
E a Oxum, minha eterna gratidão por conduzir meus passos exatamente como deveria ser.
Hoje eu não começo uma nova história.
Eu continuo uma história que começou muito antes de mim.
Sou Yan Nipa D’ Oxum.
A escolhida por Oxum.
Axé, responsabilidade e continuidade.