16/06/2022
Eu tinha apenas 18 anos. Domingo pela manhã, alegre, num culto dominical, ouvia a mensagem bíblica que estava sendo pregada. Então notei a rápida menção de um exemplo extraordinário de amor ao próximo. O pregador mencionou a história de um anabatista que salvou seu perseguidor. Aquilo me atingiu. O pensamento viajou no tempo e o coração sentiu muito. Que história era aquela? Fui atrás. Logo descobri. Era o ano de 1569, um jovem holandês de Asperen recebeu a fé em Cristo e foi batizado, discordando do batismo infantil e de outras práticas do perfil religioso católico e protestante. Por esse motivo, por suas convicções anabatistas (de perfil menonita), Dirk Willems foi encarcerado, sob a perseguição religiosa espanhola. No entanto, naquele inverno terrível, com esforço, conseguiu escapar da prisão e fugiu, correndo sobre o lago congelado, o Hondegat. Mas, Willems foi notado por um dos guardas, que passou a persegui-lo. Durante a perseguição, o cruel perseguidor rompeu o gelo fino e começou a gritar, pedindo socorro. Willems estava livre e podia até ver juízo divino sobre seu inimigo. Mas, não. Voltou para salvá-lo e o tirou das águas congelantes. Assim, ele logo foi novamente preso e depois, foi julgado e condenado à morte. Com seus bens confiscados, Willems foi queimado na fogueira, no dia 16 de maio de 1569. Que loucura. Tudo feito em nome de Jesus! O cristão pacifista Willems entendeu o Sermão do Monte: "Mas eu lhes digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus. Porque ele faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos". (Mt 5.44-45). Jamais pude esquecer esta história, tão preciosa e inspiradora. Como me ajudou a não afundar no gelo da amargura e do ressentimento. Mas, tudo isso me faz lembrar de uma pergunta que me fizeram em Israel: Por que os judeus não aceitam Jesus? Na hora, respondi com dor no coração: estão esperando os cristãos aceitarem primeiro. Sim. Esse Jesus, das Escrituras.
Luiz Sayão