KWÊ AKÓLÊ Runkwêpany Sorrún-Lejy

KWÊ AKÓLÊ Runkwêpany Sorrún-Lejy casa de religião afro brasileira

09/03/2023

Orixa Iku é o único que incorpora em todos humanos.

A morte sobre o ponto de vista do candomblé.
Diziam os mais velhos que Olodumare, o Deus maior, determinou que Obatalá criasse os homens para que eles povoassem o Ayê – esse nosso mundo visível. Não foi em um ato de misericórdia ou amor que o Deus determinou que o ser humano fosse criado; Olodumare fez isso em um momento de vaidade, do qual em algumas ocasiões arrependeu-se amargamente.
Obatalá, para criar os homens, os moldou a partir de um barro primordial; para isso pediu a autorização de Nanã, a venerável Orixá que tomava conta daquele barro. Os seres humanos, depois de moldados, recebiam o emi – sopro da vida – e vinham para a terra; aqui viviam, amavam, geravam novos homens, plantavam, colhiam, se divertiam e cultuavam as divindades.
Aconteceu, porém, que o barro do qual Obatalá moldava os homens foi acabando. Em breve não haveria a matéria primordial para que novos seres humanos fossem feitos. Os casais não poderiam ter filhos e a terra mergulharia na tristeza trazida pela esterilidade. A questão foi levada a Olodumare.
Ciente do dilema da criação, Olodumare convocou os Orixás para que eles apresentassem uma alternativa para o caso. Como ninguém pensasse uma solução, e diante do risco da interrupção do processo de criação dos homens, Olodumare determinou que se estabelecesse um ciclo. Depois de certo tempo vivendo no Ayê, os homens deveriam ser desfeitos, retornando à matéria original, para que novos homens podessem, com parte da matéria restituída, ser moldados.
Resolvido o dilema, restava saber de quem seria a função de tirar dos homens o sopro da vida e conduzi-los de volta ao todo primordial – tarefa necessária para que outros homens viessem ao mundo.
Obatalá esquivou-se da tarefa. Vários outros Orixás argumentaram que seria extremamente difícil reconduzir os homens ao barro original, privando-os do convívio com a família, os amigos e a comunidade. Foi então que Iku, até então calado, ofereceu-se para cumprir o designo do Deus maior. Olodumare abençoou Iku. A partir daquele momento, com a aquiescência de Olodumare, Iku tornava-se imprescindível para que se mantivesse o ciclo da criação.
Desde então, Iku vem todos os dias ao Ayê para escolher os homens e mulheres que devem ser reconduzidos ao Orum. Seus corpos devem ser desfeitos e o sopro vital retirado, para que, com aquela matéria, outros homens possam ser feitos – condição imposta para a renovação da existência. Dizem que, ao ver a restituição dos homens ao barro, Nanã chora. Suas lágrimas amolecem a matéria-prima e facilitam a tarefa da moldagem de outros homens.
Iku é, desde então, o único Orixá que tem a honra de baixar na cabeça de todas as pessoas que um dia passaram pelo Ayê. É por isso que no Axêxê, o ritual fúnebre que celebra, prepara e comemora a volta dos homens ao todo primordial, prestam-se homenagens a Iku – com cantos de júbilo e louvação que, mais que a morte, reafirmam o mistério maior; a possibilidade de outras e outras vidas.
Assim diziam os mais velhos, que jamais vestiam luto, em sua infinita sapiência.

09/03/2023

Abikú
Na religião Yourubá acredita-se que são crianças que terão passagem curta pela terra, ou seja, não viverão muitos anos.
Os Abikú são uma sociedade de espíritos, onde a regra é vir à terra (encarnar) mas viver apenas por um curto período. Sabe-se que, antes de encarnar, o espírito se compromete com a sociedade Abikú (à qual pertence) de voltar o mais rápido possível.
Existem ebós que podem quebrar esse pacto do espírito com a sociedade Abikú, permitindo que o espírito viva mais tempo sobre a terra.
Na terra dos yorubás, acredita-se que quando nasce um abikú signif**a que a família tem dívidas espirituais a pagar, e que necessitará de mais cuidados dos pais para com ela e, consequentemente, trazendo mais sofrimento. Assim como o nascimento de gêmeos signif**a grande honra, o nascimento de abikú signif**a problemas.
Esses espíritos pertencem ao egbé Abiku e não ao egbé da terra. Por isso sua forte ligação com o orun (céu) e sua necessidade sempre de voltar ao seu ebgé , o que pode causar a morte prematura da criança entre o primeiro e o sétimo ano de vida.
Abiaxé
Quando uma mulher está grávida (mas não sabe) e recolhe para iniciar-se no orixá ou fazer ebós, dizemos que a criança que está em seu ventre também recebe todas aquelas obrigações. Acredita-se, assim, que a criança nascerá “feita no santo”. Daí o nome abiaxé.
Porém isso não a isentará de passar pelos processos de ebós, assentamentos etc.
Para essas, também há de se ter muita atenção, pois deverá cultuar o mesmo orixá de sua mãe.

Cabe ressaltar que não devemos recolher para o santo uma mulher que sabe que está grávida.

A DIFERENÇA ENTRE ABIKU E ABIASÉ:
Festas especiais são feitas para esse tipo de crianças, nas quais o feijão fradinho e o azeite de dendê são fartamente distribuídos à todos como prato principal. Os abikús e outras crianças são convidas.
Assim como os “demônios” que as acompanham, para participarem dessas festas.Tal festa supostamente agradará aos “amiguinhos do outro lado” e os convencerá da permanência dos Abikús na vida normal, garantindo ainda os “amiguinhos” sempre um festim para seus deleites.
Os Abikús têm sido confundidos no Brasil com Abiaxé,que são as crianças nascidas “feitas de berço” e com missão espiritual.Os Abiaxés podem ou não refugar a missão espiritual na terra, retornando ao convívio de Olorún, dependendo unicamente do teor de compreensão que obtiverem de seus pais, mestres, tutores, cônjuges e etc…
Hipótese nº1 de ABIAXÉ – é oriundo de uma transmigração espiritual (morre em algum lugar, país,etc) e nasce na mesma hora ou horas depois em outro lugar e outro corpo. Carecendo apenas de um ritual de confirmação ou coroação do Ibá Orí (três adoxos e tudo mais), conforme o cargo espiritual designado por Ifá. É oferecido á Olodumaré e Olorúm pelos seus pais ou tutores e jamais conseguirá fugir de seu odú (predestinação), sob pena de refugar á missão terrestre (morrer), missão esta que geralmente é politica, missionária social ou espiritual.
Hipótese nº 2 de ABIAXÉ – é “feito” (raspado) na barriga da mãe, quando está é recolhida para a “feitura” e está grávida. Aí a criança recebe todos os fundamentos que a mãe receber, independente da qualidade de Orixá, nascendo “feita” deste mesmo orixá e carecendo apenas da confirmação ou coroação, as quais seguem as mesmas ritualísticas do primeiro caso de abiaxé.
Os Abikús são classif**ados em quatro modalidades:
Abikú Inã ou Izô – do fogo – Esse abikú é o que “come” a cabeça mãe (mata-a) no nascimento, ou “come” a cabeça do pai por acidente posteriormente. É um dos mais difíceis abikús de trato, e traz consigo a má sorte pra quem com ele mantiver relacionamento permanente. O abikú de fogo geralmente aliena o segmento social no qual estiver envolvido e não raro desenvolve uma psicopatia irreversível após os 21 anos. Uma pesquisa feita no Brasil constatou que a maioria desses abikús ou foram doados ao nascer, ou foram adotados por de seus pais legítimos.
Abikú Omí ou Azín – da água – Esse é o tipo que nasce de 6,7 ou 8 meses. Geralmente explode a bolsa-d´água da mãe nesse período e vai para incubadora. Morre precocemente ou cresce e sai desse período critico. Se seus avós forem vivos, estará ligado a eles mais do que aos pais. Seu principio de abi (vida) decorre entre 1 á 3,5 anos e o seu processo de Ikú (morte) inicia-se entre 3 á 5. O retorno dos “amiguinhos” é feito pro afogamento, tuberculose, desidratação ou cólera. A forma de evitar esse retorno é usar um nome contrário ao nome que trouxe de útero e promover trabalhos de ordem espiritual propiciando ofertas aos odús (presságios).
Abikú Alé – da terra – Esse tipo segundo a ancestral cultura Yorubana, os mais trabalhosos para os sacerdotes e parentes, uma vez que está intimamente ligada aos “amiguinhos das florestas” que com freqüência o chamam de volta. Muitas vezes nasce pro cesariana, ou de parto normal sanguinolento. É uma criança agitada, com tendências á neuroses familiares. Tem condição congregaste e como o abikú do fogo, costuma “comer cabeças” não só de parentes, como de outras pessoas. Contrata-se esse abikú,usando o nome contrário ao seu objetivo e promovendo-se festas anuais nas quais existam o feijão-fradinho e dendê em abundância para todos.A forma de retorno também é por acidente em quedas de alturas ou por doenças de pele e órgão digestivo.O tempo de vida (se não tratado) oscila entre 4 e 8 anos.
Abikú Fefé – do vento – Esse tipo difere um pouco dos outros demais, por ser de especial origem no meio do convívio das pessoas. Ele destaca-se em todo o ambiente desde seu nascimento que em geral, foi inspirado ou não planejado. Tem características próprias e pode ser facilmente induzido á manter-se na vida em face de sua instabilidade emocional inicial. Deve como os demais, ter um nome contrário ao fato constante instado ás delícias da vida. Por ter mais do que “amiguinhos” do outro lado, poderá ser salvo por Exú e Oyá na hora H.

A palavra “abiku” vem de ABI = NASCER e IKU = MORTE. Ou seja: Abiku é aquele que nasceu para morrer! Esse termo é utilizado nas tradições yorubás para designar aquelas crianças cuja gestação não se completa, ou que desencarnam antes dos nove anos de idade.
Acreditam os Yorubás que no mundo espiritual existe uma “sociedade Abiku”, ou seja, uma espécie de “confraria” de espíritos que não gostam de reencarnar, e que, quando um deles tem que nascer, combinam previamente entre si a data e a hora que retornará ao “Orun” (mundo espiritual).
Dizem as lendas que o retorno de um abiku ao mundo dos espíritos, acontecerá quando ele tiver contato com algum elemento ou realizar alguma ação que também tiver sido combinada antes de seu nascimento, como o fator que o levará a morte. Por isso, na África, quando as mulheres engravidavam, procuravam consultar o Babalawô para saber se seu filho seria abiku e, caso fosse, quais seriam os objetos e ações proibidas. Através da consulta a Ifá, então, era recomendado, por exemplo, que até tal idade a criança não tivesse contato com faca, ou com água de rio, ou com fogo, ou com qualquer elemento que o jogo tivesse identif**ado como interdição para aquela criança, por ser um provável meio de retorno ao mundo dos espíritos.
Em alguns casos mais complicados, seria possível, por exemplo, que o Babalawô tivesse identif**ado que o bebê abiku - ainda em gestação - tivesse combinado com seus amigos espirituais retornar ao “Orun” ao ver a luz pela primeira vez ou ao sentir o ar dentro do peito... Nesses casos, Ifá recomendava a realização de “ebós” e trabalhos espirituais, para evitar a morte da criança ao nascer.
No passado, somente as rezas e os “ebós” poderiam salvar uma criança abiku de retornar ao mundo dos espíritos. Hoje, além dos recursos espirituais, há o avanço da medicina, e muitos abikus conseguem sobreviver ao nascimento, chegar à idade adulta e viver uma vida normal. Mas, mesmo sobrevivendo, há coisas que são comuns em pessoas abikus, como a facilidade de contato com espíritos e a fragilidade física. São pessoas que facilmente sentem presenças espirituais, tem sonhos perturbadores, veem espíritos e ouvem vozes e que, em vários momentos, podem ter f**ado muito doentes ou mesmo à beira da morte, principalmente nos primeiros anos de vida. Em outras palavras, são pessoas que facilmente transpõem os limites entre os dois mundos, como se os laços que as prendem ao mundo material não fossem tão rígidos, ou que fossem, pelo menos, “mais frouxos” que os das outras pessoas.
Os abikus também podem ser reconhecidos pela história pregressa da mãe ou da família. Dizem os yorubás que há grande probabilidade de haver abikus em famílias onde, comprovadamente, já houve muitos abortos espontâneos ou morte de crianças pequenas. Dizem eles que, nesses casos, o mesmo espírito está sendo encaminhado para o reencarne há várias gerações, mas sempre encontra uma forma de voltar ao mundo espiritual precocemente. Também pode ser sinal de que o bebê será um abiku no caso de gravidez de mãe que já tenha perdido vários bebês em gestações anteriores.
Um outro fator indicativo é que abikus, invariavelmente, são gerados por mães filhas de Iansã, afinal, Oyá “é mãe de nove eguns”, e suas filhas - como a Orixá dos ventos -, em certas ocasiões, também podem gerar filhos que tendam a ser eguns (desencarnados)! Mas, antes que haja o desespero das filhas de Oyá, é bom explicar que isso não quer dizer que todas as suas gestações serão de abikus. Na verdade, isso acontece raramente e tem relação com o tipo de Iansã que a mãe carregue, suas condições espirituais e vibratórias naquela fase da vida, a missão e o karma da criança e mais um monte de fatores que precisam ser combinados para que nasça um abiku. Ou seja, não é tão fácil assim! E, acontecendo, há recursos que podem auxiliar a mantê-lo na Terra (rezas, trabalhos espirituais e a própria medicina).
Particularmente – e isso é só uma observação pessoal -, eu, como filho de uma filha de Iansã, acrescento que Deus deve saber que, para receber em seu ventre um espírito cujo karma seja tão complicado, que requeira tantos cuidados e que irá necessitar de mãe tão forte e corajosa, é preciso ser mulher de fibra e, por isso “pede emprestadas” suas filhas à Iansã, pela certeza de sua capacidade, rs, rs, rs!
Mas é bom esclarecer um ponto muito importante: Nem todas as gestações complicadas e nem todas as crianças que desencarnam cedo são abikus; assim como nem todos os abikus morrem ainda crianças! Por isso, independente de haver a ocorrência dos fatores citados acima, toda gravidez requer cuidados, e toda criança precisa de atenção!
Mas, voltando aos abikus, dividem-se eles em nove graus, de acordo com a potencialidade de seu retorno ao Orun e, em alguns casos, podendo mesmo, colocar em risco até a vida da mãe. Do mais crítico ao menos perigoso, são eles:
1º GRAU: Gravidez de gêmeos. Morrem os dois bebês e a mãe durante a gravidez, no parto ou logo depois.
2º GRAU: Gravidez de gêmeos. Morrem os dois bebês ou um bebê e a mãe durante a gravidez, no parto ou logo depois..
3º GRAU: Gravidez de gêmeos. Morre apenas um bebê ou a mãe no parto ou logo depois..
4º GRAU: Gravidez simples. Morre o bebê e a mãe durante a gravidez, no parto ou logo depois..
5º GRAU: Gravidez simples. Morre só o bebê ou só a mãe durante a gravidez, no parto ou logo depois..
6º GRAU: Gravidez problemática. O bebê nasce e morre no primeiro ano de vida.
7º GRAU: Gravidez problemática ou não. O bebê nasce e morre até os três anos de vida.
8º GRAU: Gravidez normal. O bebê nasce e morre até os sete anos de vida.
9º GRAU: Gravidez normal. O bebê nasce e morre até os nove anos de vida.
É bom reafirmar que as descrições acima NÃO SÃO fatos inflexivelmente definidos. Então, quando falamos “morre”, deve ser entendido que “poderá morrer”, caso lhe falte os recursos espirituais e medicinais necessários para a sobrevivência. Havendo tais recursos, a situação da criança pode ser modif**ada e, um caso que seria de 3º grau, por exemplo, poderá se transformar em caso de 7º ou 8º graus atenuados, sem haver o desencarne.
Não precisamos discorrer – e nem temos capacidade para isso – sobre os recursos de que nossa medicina dispõe hoje em dia. Mas, em termos espirituais, além dos “orôs” (rezas) e “ebós” recomendados por Ifá (e que são realizados somente no Candomblé), há alguns trabalhos que podem ser realizados na Umbanda (e que não serão descritos nesse texto) e outros procedimentos que também podem ser adotados. Um desses procedimentos – e que era adotado com frequência pelos povos yorubás - é a troca de nome da criança, passando-se a chamá-la por um nome que reafirme a sua ligação com a vida e que diminua no espírito a “vontade” de se reencontrar com seus amigos abikus. São exemplos de nomes em Yorubá, utilizados com esse propósito:
Aiye Dun - a vida é doce
Aiye Lagbé - f**amos no mundo
Ajuki - o morto viverá
Akisotan - não existe mais mortalha para o sepultamento
Akuji – o que está morto desperta
Apara - aquele que vai e vem
Ayomu mo - vai pra o céu e volta
Banjokô - sente-se e fique comigo
Duro-Orí-Iké - f**a, espere e veja como serás mimado
Duro – me atende e f**a
Duro Jayé – continua a g***r a vida
Durosimi - espere para me enterrar quando eu morrer
Durowoju – f**a para olhar nos meus olhos
Ení Lolobo – alguém partiu e voltou
Enú- Kún-Onipê - o consolador está cansado
Inu Kuno naipe – estou cansado (a) de receber pêsames
Kojeku – não consinta em morrer
Kokumô – não morras mais
Kosile – não vai enterrar mais
Kosokô - não há enxada (para cavar o túmulo)
Kumapayí – a morte não mata mais este aqui
Kuti – Não está totalmente morto
Maku – não morre mais
Malómo - não vá embora novamente
Matnami – não larga mais a vida
Oku se Hindê – o morto que retorna
Omotundé – a criança voltou.
Sinmi – é difícil f**ar enterrado
Tijú-Icú - envergonhe-se de morrer
Toyé – se f**ares, receberás homenagens
Independente de por qual método a vida do abiku tenha sido preservada - se por intercessão da medicina ou por uso de recurso espiritual -, o êxito só acontecerá se ele tiver sido amparado por Xapanã (Omolu, Obaluaiê) ou por Iansã. Esses são os Orixás que, de fato, podem salvar o abiku do desencarne, resgatando-o – em linguagem figurada – do convívio com os mortos, independente de quem seja seu próprio Orixá de cabeça. Mas, como isso acontecerá e o que será necessário fazer são explicações que não cabem no corpo deste texto.
Finalizo este artigo dizendo que há muitas informações sobre este tema, disponíveis em fontes variadas, que podem enriquecer o conhecimento, embora, muitas delas, sejam contraditórias entre si. Algumas afirmam que a problemática do abiku só pode ser solucionada desta ou daquela maneira, dentro de TAL corrente religiosa... Afirmo que respeitamos a todas as convicções e tradições, mas temos que lembrar que abikus existem na África, no Brasil, no Japão, na Sibéria e em qualquer parte do mundo; dentro de famílias candomblecistas, judias, evangélicas, budistas, umbandistas ou ateias e, crer que o auxílio espiritual para tal problemática só possa ser obtido através de um único caminho, um único tipo de ritual ou uma única religião, pode ser reflexo de limitação de visão. Nesse sentido, deixo claro também que, em nossa linha doutrinária, umbandistas que somos, a forma de identif**ação e tratamento de abikus é bastante diferente das utilizadas em tradições de nação. São métodos ensinados diretamente por nossos Pretos-Velhos e, como temos constatado nos últimos anos, tem permitido Deus que, através deles, várias crianças ainda estejam entre nós!

02/02/2023
HOJE É DIA DO NOSSO ALICERCE VIVA NANÃ SALUBÁ
26/07/2022

HOJE É DIA DO NOSSO ALICERCE VIVA NANÃ SALUBÁ

22/07/2022

“Pedra muito dura que não é afetada por um fluxo de água”
“Pedra sumamente imóvel que nunca morrerá”

O tema escolhido é palpitante haja vista sua indispensável aplicabilidade na ritualística, de vez que podemos verif**ar desde as mais antigas civilizações já se faziam menções sobre as pedras, que ao longo do tempo foram utilizadas das mais diversas formas para expor o pensamento humano, seja ele religioso como filosófico. A história da humanidade desde seu inicio tem um vínculo forte com as pedras. A pedra tem sido há milênios um sinal, um marco. Em diversas culturas, as pedras foram usadas em rituais e celebrações, onde sobre a pedra eram oferecidos os sacrifícios propiciatórios aos deuses, tornando-se objetos de reverência e culto como representação divina, que por sua solidez e durabilidade servia para sugerir o poder e a estabilidade de uma divindade. O culto utilizando pedras tem sido rastreado em quase todas as regiões do mundo e entre quase todos os povos.

O objetivo principal desse new post é apresentar a simbologia das pedras dentro da Cultura e Tradição dos Iorubas, mas farei uma breve e importante citação sobre a Cultura Islâmica, onde no mundo árabe mais precisamente em Meca, a conhecida cidade de peregrinação islâmica, encontra-se a pedra mais notável do mundo. A Pedra Preta, que está preservada na Kaaba ou “casa cúbica” que f**a no átrio da Mesquita Sagrada. Acredita-se que seja um aerólito ou pedra meteórica. Esta pedra preta tem sete polegadas de comprimento aproximadamente, e formato oval. Segundo a tradição local, ela foi quebrada durante o assédio de Meca em 683 D.C. Restaurada e encerrada numa cinta de prata, encontra-se embutida na parede do ângulo nordeste da Kaaba a uma altura que permite que os devotos a beijem em um verdadeiro ato de adoração. Este é apenas um exemplo da correlação homem e pedra, presente na cultura religiosa que é a mais antiga manifestação circundada na vida humana.

Òkúta vocábulo de origem ioruba designa de forma genérica qualquer tipo de pedra, mais especif**amente, uma pedra símbolo, denominado por elisão de Òta, objeto inanimado, porém dentro da espiritualidade, totalmente vivo, possui um baixo nível de consciência. Consagrada e sacramentada ritualisticamente, transformará a pedra num importante objeto de culto. Estado de completude espiritual ou de mística união com a divindade e o habitat de uma energia sobrenatural, denominada de Àṣẹ, caracterizando dessa forma o núcleo central dos assentamentos de diversas Divindades do Panteão Iorubá, cultuadas no Novo Mundo.

Os descendentes da Tradição Iorubá, atribuem ao Òkúta um valor imensurável. A pedra representa longa vida por que não morre, mas também representam as lutas travadas durante a vida. As pedras sempre representam coisas boas, assim como não dispõem de símbolos para os cinco tipos de infortúnio. As representações simbólicas dessa pedra mítica estão intimamente ligadas com a vida de um iniciado, que desde os ritos da iniciação, o neófito tem seu primeiro contato com a mesma, onde o próprio, não percebe a riqueza existente nesse ato ritualístico. Uma pedra silenciosa que tudo expressa e emana, na vida do iniciado. O Òkúta é o ponto de partida para a grande transformação a ser feita na vida espiritual do recém iniciado, que a principio, em seu atual estado de desenvolvimento espiritual, deve converter-se em forma de perfeição interior.

Contudo o pormenor a que se deve dar atenção é o que define a Pedra como não sendo pedra, mas sim um processo espiritual de iniciação. A Pedra que participa de todos os regimes encontra-se em todo o lado, sendo e não sendo pedra; é comum e preciosa; escondida e, contudo conhecida de todos; com um só nome e com muitos nomes; esta pedra, por isso, não é uma simples pedra, porque é muito mais preciosa, sem ela a natureza não faz nenhuma obra. A Pedra, nas suas várias descrições e processos é a vida espiritual do iniciado, com o nascimento, o crescimento, a degradação e morte que lhe são próprias.

Abẹ́òkúta, capital do Estado de Ogun, na Nigéria. Localizado no sudoeste do país. Fundada em 1830 como baluartes contra a invasão dos antigos daomeanos vindos do território da atual Republica do Benim, que durante algum tempo foi a maior cidade da África Ocidental, onde literalmente signif**a “Refugio entre as rochas” ou “Cidade sob as pedras”.

Um mito relacionado ao Odù Ọ̀yẹ́kú-Méjì revela que os Òkúta imigraram da “Divina esfera” para a Terra, durante as primeiras chuvas, que duraram um longo período de tempo, ainda na criação de nosso mundo. Em forma de energia mítica, ao tocarem o solo se solidif**aram, transformando-se em pedras e rochas. Antigos sacerdotes e grandes estudiosos, afirmar que essa energia mítica era emanada pelas próprias divindades, por essa a razão os diversos formatos e cores dos Òkúta. Assim como o Odù Òṣé-Òdí nos revela que Olódúmarè enviou três chuvas sobre a Terra, sendo que a primeira, estava repleta de pedras.

Os ritos de consagração Òkúta, impulsionam o “espírito embrionário da pedra”, denominado de Ewa Inle Kolepo, conforme nos revela o Odù Ìrẹtẹ̀ Ògúndá, e finalmente, o espírito da pedra absorve e armazena a energia mítica de cada divindade. Dessa forma o sagrado emanado para a “pedra núcleo” traz uma idéia de centralização e equilíbrio dando estabilidade e permanência ao Àṣẹ – A Energia Mítica. A descrição de tais ritos não cabe nesse trabalho, pois estaríamos violando o sagrado. Posso apenas afirmar que antes e depois dos ritos de sacrifícios, os Òkúta recebem tratamentos especiais.

As pedras dentro da religiosidade têm um valor sem par, elas são erigidas para representarem os Òrìṣà, e assim sendo, cada Òkúta possui suas características próprias e sua ligação direta com cada uma das divindades, de acordo com a cor, o formato, a composição e a origem das pedras, que remetem a essas simbologias, uma forma de expressão.

Os seixos de coloração amarelada, caramelo, âmbar e gema são destinados à Ọ̀ṣun; os seixos avermelhados, acobreados e marrons terra à Ọya; os seixos azulados, esverdeados e translúcidos à Yemọja; os seixos brancos e leitosos aos ÒrìṣàFunfun;os seixos de tonalidades escuras e negras, também são representações de divindades especif**as, como no caso de Odùdúwà entre outros.

Aquelas que possuem forma alongada são utilizadas para as divindades masculinas, com exceção da família de Òrìṣanlá, que assim como as divindades femininas, ostentam em seus assentamentos as de formato arredondado e ovais. As pedras em formatos de “machadinhas” pertencem a toda Família de Ṣàngó. Existem divindades em especial que comportam “pedras machos e fêmeas” em seus assentamentos.

Sua composição implica diretamente em seu emprego junto aos assentamentos dos Òrìṣa, seja como objeto principal ou complementar, tais como: pedra de imã, pedra de ferro, pedra de carvão mineral, pedras de raio, pedras de laterita, pedra de arrecife, pedra vulcânica, pedra bruta e polida, pedra preciosa e semipreciosa, assim como gemas e cristais. No Odù Ọ̀kànràn-Méjì, nascem as pedras porosas; em Òtúrá-Òfun as pedras de raio; em Ogbè-Òtúrá as pedras vulcânicas; em Ọ̀sá-Ọ̀bàrà as pedras vulcânicas imergem a superfície da terra e no Odù Ògúndá-Méjì as pedras de ferro.

O Ovo no Candomblé O Ovo é utilizado em diversos rituais do candomblé como um simbolo de atrair fertilidade, dinheiro, p...
22/07/2022

O Ovo no Candomblé

O Ovo é utilizado em diversos rituais do candomblé como um simbolo de atrair fertilidade, dinheiro, prosperidade, amor, paz…
O Ovo pertence à Orixá Oxum (São os olhos de Oxum) e na hora das obrigações faz-se um corte em cruz no topo do Ovo (Cozido) para representar a abertura dos olhos de oxum para o que está acontecendo.
O ovo é o principal e maior símbolo da fertilidade, utilizado amplamente nos rituais de purif**ação, iniciação, borí e ebós de propiciação e defesa.
Existem vários contos de Ifá relatando a grande importância do Ovo. Um deles conta que Òlódunmàré (Deus) estava para dar origem ao universo, tinha num pote de barro “4 ovos”. Com o 1º ovo, deu origem
a Òòrìsànlà-Òbátálà, surgindo na explosão da luz, sem forma, quando literalmente Deus disse: – haja luz! E assim Òòrìsàlà surgiu no mundo.
Com o 2º, deu origem a Ògún, a forma.
Com o 3º, deu origem a Òbálúwàiyé, a estrutura.
Com 4º, o ovo acidentalmente cai de suas mãos, estourando-se no chão e revelando sua riqueza. Origina-se assim, a primeira mulher universal chamada Ìyàmi-Òsòróngà, expondo o segredo de sua riqueza para o grande pai, ou seja, mostrando seu poder de fertilidade sobrenatural, exposto a olho nu, diante do Deus Supremo, nascendo assim, a fonte mantenedora da vida.
O Ovo possui três diferentes cores, associado às cores principais e primordiais do universo:
o ovo de casca azul, representando a cor preta relacionada ao “Aba” = a escuridão (As trevas das profundezas da terra e dos mares);
O ovo de casca branca, relacionada ao “Iwà” = a explosão da luz.
Finalmente o ovo de casca vermelha, relacionada ao Àsé = fogo mantenedor da fertilidade, totalmente relacionado ao poder sobrenatural. Seu conteúdo possui diversas características, as quais, na maioria das vezes, é branco, frágil e oval. Dele nasceu um novo ser associado a idéia de que o universo surgiu, primordialmente, dele próprio, na forma de um protótipo do mundo, como um filho de asas negras = Ìyàmi-Òsòróngà, que foi cortejada pelo vento = Òòrìsànlà-Òbátálà
O ovo cru com seu frescor, quando utilizado inteiro em oferendas, tem a função de tranqüilizar e refrescar. Por isso é comum vermos muitos ovos crus depositados no chão, aos pés de certos Ojùbò (assentamentos dos Òrìsas). A finalidade será de atrair abundância e proteção, fazendo com que todas as divindades compreendam perfeitamente que o èbò é uma súplica de fertilidade e germinação de filhos, e, dependendo da atuação da Divindade, ela não só atuará no tocante a fertilidade, mais também propiciará dinheiro, sorte, saúde e desenvolvimento na vida.
Já quando quebrados diretamente na cabeça, têm a função poderosa de purif**ar e livrar até 80% de qualquer tipo de feitiço ou qualquer outro tipo de negatividade que esteja sobre o Orí de uma pessoa.
Quando num Èbò, ovos crus são atirados no chão ou quebrados em cima do corpo de uma pessoa, num sacrifí¬cio de purif**ação, vulgarmente chamados de descarrego, terá a finalidade de desobstruir os caminhos, tirando as dificuldades da vida da pessoa ou qualquer espírito de força contrária que esteja acoplado no corpo (obsessores).
Ao ser quebrado, ele revela sua riqueza e seu poder, tanto sobrenatural, como concreto, pois no exato momento que é quebrado, o ovo não terá mais a possibilidade de germinar, ou seja, nascer algo dele, num tipo de substituição ou troca, que acabará com o problema que aflige a pessoa, possibilitando o fim uma situação negativa.
Por este motivo é que o ovo cru deve ser quebrado, principalmente no Òri de uma pessoa, numa preparação da cabeça, que logo depois irá levar ritos sacrif**atórios; começando 1º pelo sangue negro, o Agbo-tutu (sumo de ervas frescas), em seguida o sangue vermelho de aves ou quadrúpedes, e finalmente o sangue branco do igbin (caracol), que é espremido por cima de tudo, purif**ando e possibilitando a existência de forças sobrenaturais, acalmando e fertilizando a cabeça que estará recebendo o puro àsé. com a união dos três sangues primordiais, após ter sido purif**ada com o ovo cru, possibilitando a pessoa obter sorte, dinheiro, felicidade, fertilidade, saúde e tranqüilidade.
Quando um ovo é quebrado em qualquer ritual, o nome Ìyàmi-Òòsòróngà é respeitosamente citado e reverenciado, porque, qualquer que seja o ovo, este lhe pertencerá, como relata vários Itãn-Ifá.
Quebrar um ovo na rua, atirando ao chão pela manhã, por três ou sete dias consecutivos, chamando Èlegbara e Ìyàmi-Òòsòróngà e espargindo dendê por cima do ovo, é um simples e poderoso ritual do culto de Ìyàmi-Òòsòróngà , com a finalidade de afastar qualquer tipo de dificuldade ou prejuízo, acalmando qualquer energia avessa ao caminho de uma pessoa.

O Ovo de Pata

Como relata Ifá, o “Ovo de pata” é o símbolo da vida e umas das proibições de Ikú (morte).
A utilização do ovo de pata cru é essencial em certos rituais, tendo como finalidade quebrar as forças da morte, das doenças e das perdas.
Quando cozido e esfarinhado, é utilizado como agente purif**ador. Passando pelo corpo de uma pessoa em Èbòs de Egungun ou Onilé. Com casca e tudo, é transformado em pó (seco ao sol), e utilizado no igbá-Orí e assentamentos de ÒrÌsá que tenham relação com Ikú.
Ex: Èsú,Ògún, Òbálúwàiyé, Iyewá, Òmòlú, Erinlé, Ibeji, Sàngó, Oyà , Iyémowo, Òòrìsànlà , Ajagémó, Iroko, Yòbá, Onilé, Egungun e Gèlèdè.
Como relata Ifá, o único Òrìsa que não possui relação com Ikú é o Òrìsa Òsún. Por ela não aceitar qualquer relação com situações de morte, também não aceita que os animais sejam sacrif**ados (mortos) em cima de seu Okuta.
Não admiti a utilização de qualquer utensí¬lio de cor escura, nem ossos, buracos, agressividade e doença, Devido as suas relações com a morte. Isto também explica o porquê Òsún não aceita que suas filhas morram facilmente, assim Òsún as protege, dando-lhes longa-vida, numa ânsia de prolongar ao Maximo o contato com a morte. Todos esses aspectos de Òsún estão relatados nos Itãn do Odu Ósé.
Assim, o ovo de pata é amplamente utilizado nos “Èbós-Aiku” (sacrificio de longevidade), tirando qualquer tipo de morte, seja material, espiritual, financeira ou sentimental.
F**a claro que o ovo utilizado na casa de Òrìsa é um elemento de Ìyàmi-Òòsòróngà sendo um elemento de muito Àsé.

Classif**ação dos Ovos:

Ovo de galinha cru: purif**a e tranqüiliza.
Ovo de galinha cozido: tira doenças.
Ovo de galinha esfarinhado: neutraliza negatividade do ambiente, atrai prosperidade e abundância.
Ovo de pata cru: enfraquece a força da morte, doenças graves e perdas.
Ovo de codorna: Neutraliza feitiços.
Ovo de Dangola: propicia dinheiro, sorte, prosperidade, riqueza e sucesso nos negócios.
Ovo de pombo: propicia tranqüilidade e fertilidade

Um grande Axé !
É sempre bom passar para quem quer aprender.

Endereço

Waldemar Da Costa Silva
São Paulo, SP
02223000

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