02/02/2026
Iemanjá é muito mais do que a “rainha do mar”. Ela é ventre, origem, útero e força que gera, sustenta e devolve tudo ao grande oceano da vida. É o princípio materno em movimento, a inteligência que embala, nutre, protege, ensina e, quando necessário, também recolhe. Seu fundamento nasce nas águas salgadas, mas se expande para tudo aquilo que carrega memória, emoção e ancestralidade.
Na África, Iemanjá está profundamente ligada aos rios, às nascentes e ao arquétipo da grande mãe das águas interiores, sendo associada à fertilidade, à maternidade, à ligação familiar e à continuidade da família. Seu culto é mais intimista, ligado às aldeias, às linhagens e às histórias de cada povo, com variações regionais muito fortes.
Já por aqui no Brasil e por influência do encontro entre culturas africanas, indígenas, europeias e espirituais, Iemanjá passa a ser amplamente reconhecida como senhora dos mares. Aqui, suas águas se expandem para o oceano e ela se torna uma grande mãe coletiva, acolhendo dores, pedidos, esperanças e agradecimentos de milhões de pessoas, independentemente de religião. No Brasil, ela é um Orixá que abraça multidões, que recebe flores e outros presentes e em nós, está presente tbém nas lágrimas.
O dia 2 de fevereiro no Brasil, se consolidou então, como uma outra data de culto a esta Mãe, principalmente a partir da tradição popular, especialmente na Bahia, quando pescadores passaram a ofertar presentes pedindo proteção, fartura e bons ventos. Com o tempo, essa devoção se espalhou pelo país e ganhou força dentro da Umbanda e de outras expressões afro-brasileiras, tornando-se um grande marco espiritual e cultural.
Cultuar Iemanjá nesse dia é celebrar a mãe que sustenta os ciclos, que lava as dores, que embala os recomeços e que nos lembra de onde viemos. É honrar o ventre do mundo. É agradecer à grande mãe das águas por continuar nos permitindo nascer, morrer e renascer, todos os dias.
Odoyá. 🌊