02/06/2026
No processo de santificação, Deus não nos deixou sem fontes confiáveis e estáveis de auxílio. A Confissão de Fé de Westminster destaca como meios de graça principais a Palavra, a oração e - veja só - os sacramentos. Como pode ser isso?
Para entendermos, precisamos lembrar o que é um sacramento: um sinal visível instituído por Cristo relacionado a uma realidade espiritual. Assim, temos dois sacramentos no Novo Testamento: o Batismo e a Ceia do Senhor.
No batismo, a lavagem com água “significa e sela a nossa união com Cristo, a participação das bênçãos do pacto da graça e a promessa de pertencermos ao Senhor” (BCW - Pergunta 94). Na Ceia, “aqueles que participam dignamente tornam-se, não de uma maneira corporal e carnal, mas pela fé, participantes do seu corpo e do seu sangue, com todas as suas bênçãos para o seu alimento espiritual e crescimento em graça” (BCW - Pergunta 96). Assim, essas duas realidades espirituais - a união com Cristo e a participação espiritual do seu corpo e sangue - são aplicadas, representadas e seladas em nós pelos sinais visíveis (a água no batismo e pão e vinho na Ceia. BCW - Pergunta 92).
Mas por que o Senhor escolhe usar estes sinais visíveis? Ele não poderia fazer tudo isso em nós sem eles? É evidente que poderia, e no caso do ladrão salvo na cruz, por exemplo, de fato o fez. Mas os sacramentos não são instituídos por causa de Deus, mas de nós. Deus sabe a necessidade que temos de sinais visíveis, palpáveis, sensíveis, e estabelece para nós fontes seguras nos sacramentos.
Talvez isso seja mais claro na Ceia, afinal mensalmente, na maioria das igrejas, somos lembrados a que ela aponta. Mas até mesmo o batismo serve para nos fortalecer durante a vida toda. Precisamos lembrar diariamente, olhando para o batismo, a quem pertencemos. Tendo sido sepultados com Cristo no batismo (Cl 2.12), ao olhar para este sinal visível lembramos que não pertencemos a este mundo, mas a Ele.
Se quisermos ser crentes inabaláveis, além da Palavra e da oração, não podemos “abrir mão” dos sacramentos como meios de graça do Senhor para nossas vidas, nos vendo, na ceia e no batismo, verdadeiramente unidos a Ele.