20/02/2025
Carta aberta aos Edson(Edinho) de 40 anos
Por mais piegas que isso pareça, eu ainda não consigo me enxergar com 40 anos. Talvez eu me sinta um pouco mais cansado, com menos paciência para certas coisas e mais preocupado com o futuro, mas ainda não experimentei isso de fato. Às vezes, acho que o diminutivo "Edinho" me mantém nessa sensação de juventude eterna. Mas, por outro lado, quando estou com Heitor, Theo e Diana, sinto-me a pessoa mais experiente, inteligente e protetora do mundo. Nessas horas, percebo que sou, sim, um adulto maduro e responsável.
Hoje, em uma conversa com a terapeuta, fui levado a revisitar minha infância. Falei sobre ter crescido na favela, sobre ser um homem preto vendo de perto o contexto do crime, sobre o assassinato do meu pai na porta de casa, a luta incansável da minha mãe para criar três filhos, o suporte da minha tia, os amigos que se foram tão cedo...
Ao fazer essa retrospectiva, cheguei até aqui, aos 40 anos, e me defini com uma palavra: resiliência. Sou alguém que suporta pressão, que resiste e se transforma, mesmo que, no processo, acabe carregando marcas e feridas que ainda precisam de cura.
A psicóloga me chamou atenção para algo que sempre esteve presente em mim: minha luta constante comigo mesmo. Respondi a ela com uma frase de Nietzsche que sempre fez sentido para mim:
"Em tempos de paz, o guerreiro se levanta contra si mesmo."
Desde criança, minha vida tem sido uma batalha, atravessada por momentos de paz. Mas, ao longo dessa caminhada, tive preciosas descobertas: o prazer pelo estudo, mesmo que tarde; o amor incondicional da minha mãe, a mulher mais incrível que conheci; a parceria da minha esposa, o grande amor da minha vida; e meus filhos, que me fazem querer viver mais 60 anos ao lado deles.
E, acima de tudo, vejo Cristo — aquele que, como disse John Stott, me encontrou quando tudo parecia perdido.
Hoje celebro 40 anos de resiliência, de luta, de dor, de grandes amigos, de perdas, de conquistas, de alegrias e de momentos de paz. Mas, acima de tudo, celebro a vida de um homem sustentado por Cristo. Alguém que, mesmo quando se curva pelas dificuldades da vida, não se quebra, mas se ergue e luta novamente.