GAE Chico Xavier

GAE Chico Xavier CHIQUINHO
Grupo Assistencial Espírita Chico Xavier. Reuniões públicas às 4ª 20:00 hs e sábados as 19:00
CIDADE TIRADENTES

Assim carinhosamente chamado, pelo seu começo em pequeno espaço, a Casa teve início quando um grupo de pessoas, frequentadoras e colaboradoras do C.E. Anjo Ismael, apresentadas umas as outras pelo Sr. Roberto, e com interesse mútuo em abrir uma Casa Espírita em Cidade Tiradentes, reuniram-se na casa de uma delas e, após abrir o Evangelho Segundo o Espiritismo no Cap. XVII, item 3 - "O Homem de bem

", sem ainda terem dado nome à Casa, homenagem o homem de bem chamado Chico Xavier. Assim nasce, em 30/03/2003, o Grupo Assistencial Espírita Chico Xavier.

11/05/2026
01/05/2026

Eurípedes Barsanulfo (1º de maio de 1880 – 1º de novembro de 1918, Sacramento-MG) nasceu na cidade de Sacramento (MG), seguindo sua caminhada na vivência dos ensinamentos do Cristo.

Educador, político e jornalista, destacou-se nas áreas de ensino e assistência aos mais pobres, tanto como médium quanto trabalhador da seara espírita.

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22/02/2026

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Ele estava completamente sozinho dentro daquele barracão vazio, falando com o ar, gesticulando para cadeiras vazias, rezando para ninguém. E os vizinhos olhavam pela janela achando que ele tinha enlouquecido de vez.

Mas o que aconteceu naquela noite mudou tudo.

Deixa eu voltar um pouco porque você precisa entender como um rapaz chegou ao ponto de realizar reuniões espíritas falando sozinho durante duas horas seguidas enquanto a família toda planejava interná-lo num hospício.

Chico Xavier frequentava o Centro Luiz Gonzaga toda segunda e sexta-feira. Levava debaixo do braço o Evangelho segundo o Espiritismo de Allan Kardec e seguia à risca uma instrução que tinha recebido do seu guia espiritual Emmanuel: fidelidade absoluta a Jesus Cristo e a Kardec. Nada além disso. Nada fora disso.

Emmanuel levava esse mandamento tão a sério que um dia disse algo que arrepiou Chico da cabeça aos pés: "Se alguma vez eu lhe der um conselho que não esteja de acordo com Jesus e Kardec, fique do lado deles e procure me esquecer."

Chico obedecia. Estudava a cartilha espírita, praticava caridade, promovia sessões de desobsessão às quartas-feiras. Tudo certinho. Tudo organizado.

Mas então tudo começou a desmoronar.

José Hermínio Perácio e a esposa Carmem, que eram os principais frequentadores, se mudaram para Belo Horizonte. Precisavam ficar perto da família. O pai de Chico, José Xavier, arrumou trabalho noturno numa oficina de arreios para pagar dívidas e não podia mais ajudar. Os poucos frequentadores que restavam foram sumindo um por um.

E de repente, Chico se viu completamente sozinho naquele barracão.

As cadeiras vazias. O silêncio pesado. A sensação de fracasso.

Ele pensou em desistir. Fechar o centro. Ir embora. Afinal, pra quê continuar se não tinha mais ninguém?

Foi quando ouviu a voz de Emmanuel cortando o silêncio: "Você não pode se afastar."

Chico olhou ao redor confuso. "Como assim? Não temos mais frequentadores."

"E nós? Nós também precisamos ouvir o Evangelho. Além disso, temos aqui vários desencarnados que precisam de ajuda. Abra a reunião na hora marcada e não encerre a sessão antes de duas horas de trabalho."

E assim começou o espetáculo mais absurdo que Pedro Leopoldo já tinha visto.

Todo dia, pontualmente às oito da noite, Chico abria aquele barracão vazio. Fazia a reza de abertura olhando para as cadeiras desertas. Abria o Evangelho ao acaso e começava a comentar em voz alta. Para ninguém. Para o vazio. Durante duas horas seguidas.

Mas ele não estava falando para o vazio.

Porque nessa época, algo mudou. Chico começou a ver os mortos com uma nitidez assustadora. E a ouvir as vozes com uma clareza que antes não tinha. Os espíritos desencarnados ocupavam cada banco vazio. Sentavam. Ouviam. Participavam.

Só que ninguém mais via isso além dele.

Do lado de fora, os vizinhos e a família se aglomeravam nas janelas para assistir aquele show de horrores: o rapaz falando sozinho, gesticulando para o nada, respondendo perguntas que ninguém fazia, rindo de piadas que ninguém contava.

Uma das irmãs dele, certa noite, se pendurou na janela para ouvir melhor.

"Tenhamos fé em Jesus, minha irmã," Chico dizia olhando para o vazio.

Silêncio.

"Com paciência alcançaremos a paz."

Silêncio.

"Sem calma, tudo piora."

Silêncio.

A irmã não aguentou. "Com quem você está conversando?"

Chico se virou naturalmente. "Com a dona Chiquinha de Paula."

"Ela já morreu, Chico."

Ele sorriu. "Você é que pensa. Ela está bem viva."

A família toda estava convencida agora: Chico tinha enlouquecido completamente. Precisava ser internado. Camisa de força. Hospício. Tratamento.

Mas o pior ainda estava por vir.

Um padre chamado Júlio Maria, da cidade de Manhumirim, decidiu que tinha uma missão sagrada: destruir a reputação daquele espírita lunático de Pedro Leopoldo. Todo mês ele escrevia artigos no jornal local chamado O Lutador e fazia questão de enviar cópias pelo correio para Chico.

Os textos eram cruéis. Implacáveis.

"Francisco Cândido Xavier deve ter a pele de um rinoceronte para suportar tantos espíritos", ele escreveu num dos manifestos, zombando.

Em nome de Jesus Cristo, o padre excomungava o espiritismo, reduzia a reencarnação a pó, transformava o médium em piada nacional.

Chico lia cada ataque com o coração apertado. Engasgava. Doía.

Precisou da ajuda de Emmanuel para engolir aquilo.

"Se você não tem a pele de rinoceronte, precisa ter," Emmanuel disse com aquela calma irritante. "Porque se cultivar uma pele muito frágil, cairá sempre alfinetada."

E as alfinetadas continuaram. Mês após mês. Ano após ano.

Treze anos.

O padre Júlio Maria espetou Chico Xavier durante treze anos sem parar. Treze anos de ataques públicos. De humilhação. De zombaria.

Até que um dia, o padre morreu.

E quando Chico soube da notícia, ouviu um vozeirão de Emmanuel que o deixou sem palavras:

"Vamos orar pelo nosso irmão Júlio Maria. Com ele sempre tivemos um cooperador maravilhoso. Dava-nos coragem na luta e nos motivava a trabalhar."

Chico ficou paralisado. "Como assim cooperador? Ele me atacou durante treze anos!"

"Exatamente," Emmanuel respondeu. "A cada ataque dos céticos, não te aflijas. O martelo que atormenta o prego com pancadas o faz mais seguro e mais firme."

Emmanuel esqueceu de mencionar que martelos também entortam pregos. Mas talvez esse fosse exatamente o ponto. Talvez Chico precisasse ser entortado, moldado, forjado na bigorna da dor para se tornar o que se tornou.

Porque aquele rapaz que falava sozinho num barracão vazio, que era chamado de louco pela família, que era ridicularizado por padres, que era considerado candidato ao hospício... esse rapaz se tornou o maior médium espírita do Brasil.

Psicografou 450 livros. Consolou milhões. Nunca cobrou um centavo. Viveu na pobreza doando tudo.

E tudo começou numa noite em que ele estava sozinho num barracão vazio, obedecendo uma ordem absurda de continuar falando para cadeiras desertas.

Porque às vezes Deus nos pede pra fazer coisas que parecem loucura. E todo mundo ao redor vai achar que você enlouqueceu. E vão querer te internar. Ou te ridicularizar. Ou te destruir.

Mas se você continuar, mesmo sozinho, mesmo sem plateia, mesmo achando que não faz sentido...

Um dia você vai perceber que nunca esteve sozinho. E que aquelas cadeiras vazias sempre estiveram ocupadas. E que toda a dor, toda a zombaria, todo o ataque só estava te preparando para algo maior do que você jamais imaginou.

Endereço

Rua Augusto Altro, 30/Cidade Tiradentes
São Paulo, SP
08471160

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Quarta-feira 19:30 - 21:00
Sábado 19:00 - 21:00
Domingo 08:30 - 13:30

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