31/08/2020
Pode para muitos parecer ultrapassado, mas venho do aprendizado que, de inicio, para ir para uma gira de esquerda (exu e pombogira) para desenvolver, era preciso estar com a direita já bem desenvolvida, com pelo menos um caboclo ou um preto velho descendo FIRME.
Era raríssimo, incomum que menores de idade e grávidas participassem dessas giras, quem dirá virando de catiço.
Não parecia que só existia Maria Padilha de pomba gira, e esse papo de rainha disso, rainha daquilo, não era tão arroz de festa, agora tudo quanto é pomba gira tem que ser rainha de algum lugar... Rsrsrs Aliás, quando tinha alguem que recebia Maria Padilha numa casa, essa pomba gira nem vinha para dar consulta e fazer trabalhos, passava só para dar firmeza na gira, e quem a recebia, tinha outra pombogira para trabalho.
Bebiam o que a casa (ou o cavalo) tinha, se era marafo puro bebiam sem problemas, não f**avam escolhendo otì, não tinha essa de"ai minha pomba só bebe bebida x de marca y", aliás, pra uma entidade por a mão num copo de otì ou mesmo uma etaba, precisava estar muito desenvolvida, não é como hoje, que filho de fé, muitas vezes ainda em desenvolvimento, dá três pulinhos pra trás e já surge, ligeiro, um cambono com garrafa e copo na mão ...
Raríssimo era ver homens trabalhando com pombogira, e quando se via era tudo muito sutil, sem necessidade de se fantasiar de debutante ou de dançarina de can can pra dizer que estava em transe mediúnico. As mulheres que recebiam pomba gira usavam saias simples, muitas vezes estampadas de flores vermelhas, com os pés no chão, e cabelos soltos, no máximo com uma rosa vermelha atrás da orelha, não tinha essa coisa de usar chapéus, torsos, turbantes, pano de costa como se fosse uma Aiyagbà ou mae de santo, e não falavam tantos impropérios como hoje em dia...
Festa para exu e pombogira era na encruzilhada, onde recebiam suas oferendas, junto os os seus iguais, e não incorporados, no terreiro falando abobrinha e enchendo os cascos de marafo, eles sabiam que ali eles iam para trabalhar, desenvolver, que o terreiro era espaço SAGRADO, e não um botequim ou cabaré...
Elas chegavam, firmavam ponto, atendiam, bebiam fumavam gargalhavam e iam embora deixando seus aparelhos em pé e sãos, contrário de cenas que muito tem se visto, com médium trêbado, cambaleando, ai alguem vem com a desculpa esfarrapada de ser demanda, carga negativa...
Quando gargalhavam, os demais filhos temiam, porque sabiam que atrás daquela gargalhada havia algo, não f**avam como ienas rindo junto e contando causos...
Era mais verdadeiro e mais bonito.