24/05/2026
Pe. Samuel Pereira Viana
HOMILIA EM PENTECOSTES A
Louvado seja Nosso
Senhor Jesus Cristo!
V. Vinde, Espírito Santo, ...
Caros irmãos e irmãs, assim começamos muitos dos nossos encontros e atividades, invocando a Força do Alto, o Espírito prometido, cuja vinda hoje celebramos.
Fazemos assim, pois Ele é como que a alma da Igreja, como nos ensinou o Papa Bento XVI na oração do Regina Caeli de 31 de maio de 2009. O que seria da Igreja sem Ele? Aquilo que a nossa alma realiza em nosso corpo, estando presente em todo ele, assim também o Espírito Santo em todos os membros do Corpo de Cristo que é a Igreja (cf. 1Cor 12,12-13). Nada escapa à sua presença e ação, pois é por Ele que a Igreja permanece unida à sua Cabeça, que é Cristo.
O Espírito Santo, vindo sobre os Apóstolos, lhes concede o que antes não tinham. As dúvidas de alguns, como ouvimos na semana passada, agora já não existem mais. Sua vinda como línguas de fogo sobre suas cabeças lhes abre a inteligência da Fé (At 2,3). Como o Espírito Santo é a Pessoa-Amor, que brota do coração do Pai ao Filho e do Filho ao Pai, mantendo-os unidos em perfeita comunhão eternamente, Ele é enviado para que também os Apóstolos e a Igreja nascente permaneçam unidos e partam em missão para todos os povos. Ela nasce católica para o mundo, pois é enviada a todos, para a todos anunciar a palavra da Verdade, tudo o que Jesus ordenou, como ouvimos na semana passada (Mt 28,19-20).
O milagre que contemplamos nesse dia revela a identidade missionária da Igreja e como ela é enviada aos povos. Todos os povos do mundo antigo estão presentes para a festa de Pentecostes dos judeus, em que celebravam a constituição do Povo de Israel no Sinai e o dom da Lei entregue a Moisés (cf. Ex 19–20). Doravante, surge o Novo Israel; agora a Lei que é entregue não está mais escrita em tábuas de pedra, mas é derramada nos corações pelo Espírito Santo (cf. Jr 31,33; Ez 36,26-27).
Apesar de todos os povos, de línguas diferentes, estarem reunidos, ao ouvirem os Apóstolos, os escutam, cada qual, na sua própria língua (At 2,4-11). Pelo dom do Espírito, todos podem fazer parte desse Novo Israel e da Igreja; todos nela têm lugar. Todos têm acesso às maravilhas de Deus na sua própria língua. Esta tradução, por assim dizer, é realizada pelo Espírito Santo, pois, sendo Ele o nexo de Amor do Pai e do Filho na eternidade, é também Ele que realiza a comunhão em Cristo de todos os que são admitidos na Igreja. Não mais Babel, onde todos se separam por causa do orgulho de, pela própria força, querer subir ao céu (Gn 11,1-9), mas a Igreja, onde Cristo, sendo a Cabeça e estando no céu, sentado à direita do Pai, de lá nos envia o Espírito e, por Ele, nos atrai para a mesma comunhão eterna de Amor. E aqui o orgulho não tem lugar, mas a humildade do arrependimento dos pecados e do Batismo, onde o mesmo Espírito nos faz filhos de Deus e membros de Cristo e da Igreja (cf. At 2,37-38).
E, uma vez nela, com o Espírito derramado em nossos corações, somos chamados a ser um só corpo e um só espírito. Somos chamados a nos abrirmos ao dom que Jesus pede ao Pai: “para que todos sejam um, como eu sou um em ti, ó Pai” (Jo 17,21). Os dons variados que o Espírito concede aos variados membros da Igreja têm essa finalidade. Ninguém é maior ou menor, mas todos nos completamos uns aos outros e cooperamos mutuamente, pelos dons recebidos, à comunhão.
E onde a comunhão é ferida pelo pecado, Jesus, aparecendo aos Apóstolos e lhes concedendo o Espírito, junto com Ele concede também o poder do perdão dos pecados, que é concedido pelos que envia, mas também pelo ministério de toda a Igreja (Jo 20,22-23).
Caros irmãos e irmãs, o Espírito Santo, o Amor do Pai e do Filho, é Deus com um e outro e sempre agiu a fim de nos comunicar a Vida e a Palavra de Deus. Como agiu no ventre puro da Virgem, tornando-a Mãe do Verbo que o Pai proferiu no tempo, continua a nos conceder, pela Igreja, nossa mãe, a mesma vida na graça pelos Sacramentos, onde o Espírito Santo age e transmite o que cada um significa: nos faz filhos pelo Batismo; nos fortalece na Crisma para testemunharmos o Senhor e a Fé; transforma pão e vinho no Corpo e Sangue de Cristo; nos une à Paixão de Cristo e nos dá alívio das dores na Unção dos Enfermos e cura, se Deus quiser; nos dá de novo a graça do Batismo na Penitência, se a perdemos pelo pecado; faz dos esposos imagem da união de Cristo e da Igreja; e configura, pela Ordem, pobres homens em seus sacerdotes para continuarem a oferecer o Santo Sacrifício de Cristo.
E todos esses sinais vivos da ação do Espírito nos são dados para os demais, para serem postos a serviço da edificação da Igreja, Corpo de Cristo, sem temor, pois Ele é nosso Advogado e Consolador.
Invoquemos, pois, sempre o Espírito Santo e não o “entristeçamos”, nos fechando à sua ação (Ef 4,30). Ele nos manterá unidos a Cristo e entre nós, para darmos testemunho do desejo eterno do Pai e do Filho: para que sejamos um.
Louvado seja Nosso
Senhor Jesus Cristo!