12/01/2024
- Casar, ter filhos, assumir novas responsabilidades... tudo isso é difícil, pois representa novos desafios. Mesmo sabendo que essa nova etapa de vida é importante e necessária, sinto insegurança e às vezes quase me arrependo da decisão tomada, achando que agi precipitadamente. E agora, que fazer?
AS FASES DA VIDA
A vida transcorre em fases, como a lua, as estações do ano, as marés. Observando atentamente a natureza, poderás notar a natureza cíclica de todas as coisas, animadas ou inanimadas. O ser humano não poderia ser exceção, obedecendo também às leis universais que regem o universo material em que existimos. Estando em constante desenvolvimento, tanto físico quanto mental, emocional e espiritual, é natural que também enfrentemos, de tempos em tempos, determinados ritos de passagem.
Assim foi na transição da primeira para a segunda infância e desta para a mocidade; assim é também na passagem para a vida adulta e desta para a maturidade. Até mesmo nascer e morrer são ritos indicativos da passagem de uma fase a outra de um ciclo maior, que se projeta além, na eternidade.
Cada novo ciclo que se inicia oferece oportunidade para novas conquistas, embora pareça desafiador num primeiro momento. O bebê que troca o leite materno por alimentos sólidos enfrenta um desafio, da mesma forma que é desafiador aprender a andar e locomover-se por seus próprios meios, conquistando independência e autonomia. A criança que ingressa na adolescência enfrenta a crise da transformação física e sofre ao descobrir novas emoções, até então inimaginadas. Mas pergunte a um adolescente se gostaria de voltar a ser criança, para saber que, embora sinta medo do desconhecido, embora sofra algumas decepções, o seu desejo é seguir em frente. Consequência natural da insegurança diante das mudanças, a vontade de voltar atrás surge em alguns momentos, porém é logo superada pela descoberta do novo, pelas conquistas que a nova fase proporciona. A inconsequência infantil dá lugar à efervescência da juventude, tão naturalmente como a lua nova dá lugar à crescente e a maré sobe e desce ao seu comando.
No ser humano, que cerebraliza todas as suas experiências, as transições entre as fases da vida são marcadas por crises existenciais mais ou menos profundas. Para crescer, a pessoa precisa assimilar as mudanças, adaptando-se a elas de modo a ajustar comportamentos e atitudes, idéias e emoções, ampliando sua autoconsciência até aprender a conduzir-se com desembaraço em sua nova realidade pessoal e existencial.
Todo crescimento traz sofrimento, mas é dessa forma que podemos amadurecer e desenvolver-nos espiritualmente. De certa forma, mudar implica em morrer, porque para ser uma nova pessoa é preciso deixar de ser aquela que se foi; para adquirir novos hábitos é preciso abandonar os antigos. Qualificar-se para desfrutar uma nova fase da vida implica em desvencilhar-se de uma série de hábitos comportamentais que prendem a pessoa à fase que se finda. Mas é preciso lembrar que existe um requintado prazer em deixar de ser o que se foi para tornar-se o que se é. O prazer de desenvolver novas aptidões e experimentar novas sensações, adquirindo maior controle sobre si, sobre a vida e o ambiente ao redor. O ser humano só avança em direção ao amadurecimento, assumindo responsabilidades e abrindo mão de privilégios adquiridos, porque sabe que isso é necessário, a fim de qualificar-se para novas conquistas.
A maior conquista, o motivo pelo qual existimos por um pouco de tempo neste planeta maravilhoso, é o amadurecimento espiritual, que se adquire um pouco a cada dia, vivendo cada fase da vida em sua plenitude, amando com desprendimento e convivendo com generosidade.
Mudar, porém, não significa trair sua natureza individual. Ao contrário! Significa fortalecer essa natureza, pois, à medida que amadurecemos, adquirimos aquela autenticidade pessoal que só a maturidade pode proporcionar.
Enfrente o medo de mudar, abrindo seu coração e aguçando sua sensibilidade, porque só assim será capaz de perceber que não é a única pessoa em crise, pois chegou finalmente para você o momento precioso de trocar o “eu” pelo “nós”.
Irmão Jardim - Psicografia AC