A Capela do Menino Jesus e de Santa Luzia, situada na Rua Tabatinguera, 104, no Bairro da Sé, no Centro da Cidade
de São Paulo, com seu estilo neo-gótico (estilo típico das construções brasileiras erguidas no início do século XIX, onde se
observa uma junção do estilo gótico medieval com estilos clássicos, junção esta encontrada nas antigas catedrais
francesas), como a Catedral da Sé (início da con
strução em 1913), foi tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio
Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado (CONDEPHAAT). Essa Capela, que possui um enorme valor em
virtude de sua pintura mural estar totalmente preservada, foi construída pelo Arquiteto Domingos Delpiano (nascido na
Itália, foi um dos sete primeiros padres salesianos que chegaram ao Brasil em 1883. É dele o projeto e a construção de
várias obras, dentre as quais se destaca o Monumento a Maria Auxiliadora, para propagar sua devoção à Santa,
construído em Niterói, no alto de uma colina, a cem metros do nível do mar, sobre uma rocha que lhe serve de alicerce). As obras ornamentais são de autoria do pintor florentino Orestes Sercelli. A Capela de Santa Luzia hoje é de
propriedade da Mitra Diocesana e está localizada onde outrora existiu uma Chácara, de propriedade da bisneta do
Conde de Sarzedas (Capitão General Bernardo José de Lorena, Governador da Capitania de São Paulo), Anna Maria de
Almeida Lorena Machado, uma “virtuosa dama da sociedade paulista”, como a definiu um jornal da
época, que envidou grandes esforços para construir, em sua chácara, uma capela para homenagear o Menino Jesus e
Santa Luzia, santos de sua devoção. A Capela sempre foi mantida em perfeito estado de conservação por Anna Maria, que
patrocinava festas celebradas sempre nos dias 13 e 25 de dezembro, religiosamente. Conforme narrado pela família da
fundadora, sua devoção ao Menino Jesus e à Santa Luzia nasceram devido ao fato de, ao retornar de uma viagem de
navio que fez a Paris, após ter havido um naufrágio, onde muitas pessoas perderam a vida, Dona Anna Maria foi salva e
perdeu todos os seus pertences, entre eles uma lindíssima imagem, estimada por toda sua família, do Menino Jesus de
Praga. Desesperada, começou a rezar, fervorosamente, por um milagre: o de reaver a imagem do Menino Jesus. Estando na praia, ao amanhecer, posto que se salvara e aguardava o retorno, viu, flutuando, a imagem se aproximar. Anna Maria foi correndo ao seu encontro e, nesse momento, prometeu que, ao regressar ao Brasil, construiria uma
Capela em honra ao Menino Jesus e Santa Luzia, o que realizou em 13 de dezembro de 1901, vindo a falecer em 11 de
junho de 1903. Após sua morte, seus herdeiros mantiveram os cultos na Capela, em atenção a pedido expresso deixado
em seu testamento. Com o passar do tempo, os herdeiros começaram a enfrentar problemas financeiros e os cultos e a
conservação da Capela foram se tornando mais difíceis para eles, razão pela qual delegaram tal tarefa à Cúria
Metropolitana, que se incumbiu dos cuidados até 1921, quando a incumbência passou a ser das religiosas Servas do
Santíssimo Sacramento, que vieram a São Paulo para instalar a primeira sede da Adoração Perpétua ao Santíssimo
Sacramento. Em 1929, as religiosas se mudaram para um prédio na Rua da Glória e o cuidado da Capela passou aos
Padres Sacramentinos. Tempos depois, a Capela do Menino Jesus e de Santa Luzia passou a ser cuidada pelos
Missionários de São Francisco de Salles, que estabeleceram ali a Capelania dos franceses durante 30 anos até
transferi-la para o Colégio Pasteur. A Missão Católica Espanhola instalou-se na Capela e ficou ali por seis anos. Após a
saída dos padres espanhóis, a Capela ficou praticamente abandonada. Eis que, em 1970, a pedido de Dom Agnelo Rossi,
assumiu a Capelania Dom Ernesto de Paula, bispo da Diocese de Piracicaba que, mesmo com sérios problemas de
saúde e com idade avançada, imprimiu uma nova vida à Capela: restaurou o salão paroquial; construiu a ante-sala da
sacristia; promoveu festas religiosas e a devoção do Menino Jesus e Santa Luzia, recolheu valiosas obras de arte e as
encaminhou ao Museu de Arte Sacra, na Avenida Tiradentes, entre outros feitos. Dom Ernesto faleceu em 1994 e está
sepultado na Cripta da Catedral da Sé. Nesse mesmo ano de 1994, mais precisamente no dia 13 de junho, a Capela do
Menino Jesus e de Santa Luzia foi tombada
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