14/08/2026
Caboclo do Vento — Senhor da Mata
Okê, Caboclo! Salve o Caboclo do Vento!
Senhor da Mata, ancestral indígena, força que trabalha junto a Xangô, Iansã e Tempo, trazendo aos seus filhos ensinamentos, caminhos, movimento e sabedoria.
O Caboclo do Vento fez muita gente nascer para a vida espiritual. Ajudou muitas pessoas e ainda hoje continua ajudando tantos filhos que encontram em sua força um caminho, um conselho e um amparo.
É como um pai que ensina seus filhos a caçar, como Oxóssi; que ensina a andar, caminhar e seguir adiante, como Iansã; e que ensina que cada pessoa possui o seu próprio tempo, pois é o Tempo quem coloca cada coisa em seu devido lugar.
Quantos filhos saíram de sua casa?
Quantos já voltaram?
Quantos cresceram, amadureceram e abriram suas próprias casas?
Um pai nunca esquece um filho.
Mesmo quando os filhos esquecem do pai, ele permanece ali, em silêncio, escutando cada um no fundo de sua alma.
Quantas vezes seu cavalo esqueceu de si mesmo para oferecer o melhor ao outro?
Quantas vezes ficou sem dormir, atravessando noites em claro, buscando forças para entregar o melhor aos seus filhos?
Quantas e quantas vezes o tempo do Caboclo não foi o mesmo tempo do ser humano?
Mas a promessa de fazer seus filhos crescerem, amadurecerem e se tornarem dignos de sua caminhada se cumpre diante da espiritualidade.
Louve o Caboclo como padrinho de suas casas.
Louve seu nome e honre sua história.
Porque um pai nunca esquece um filho.
Não importa se passaram anos, meses ou dias.
Todos aqueles que um dia pisaram em sua aldeia conheceram sua força. Muitos chegaram com lágrimas nos olhos e choraram do fundo da alma. E ele estava lá, de braços abertos, pronto para acolher.
Ele plantou raízes.
Plantou sementes.
E se seus filhos não fossem bons frutos, não existiriam tantas aldeias abertas, tantos caminhos iniciados e tantas casas dedicadas à prática da caridade.
Se ele não fosse um pai abundante, a terra não teria germinado e brotado tantos lugares de fé.
Às vezes, a mãe chora.
Ela também é um ser humano, como todos nós, e somos dignos de nossas falhas. Mas ela soube rezar com amor. Soube plantar a semente de um ancestral brasileiro em sua própria caminhada e, através de seus fundamentos, levou também a força dos Orixás para tantos filhos.
Dentro de seu Roncó de Iansã, quantos fundamentos foram realizados?
Quantos igbás e assentamentos foram preparados debaixo daquela cumeeira?
Quantas vidas foram tocadas dentro daquela casa?
Por isso, seja grato.
Agradeça.
Mesmo que hoje você não esteja mais lá, simplesmente abrace o pai em seu coração.
Lembre-se: ninguém nasce de uma pessoa só.
Quando vocês chegaram ao mundo, houve uma mãe que ofereceu seu corpo para que a vida pudesse se manifestar. E houve também um pai presente, que ensinou, protegeu, orientou e ajudou a construir caminhos.
E mesmo aqueles que não nasceram diretamente de sua casa, aqueles que não foram feitos por suas mãos, ainda assim encontraram nele um pedaço de terra onde puderam ser replantados, adubados e cuidados para que também pudessem gerar bons frutos.
Doce é aquele que reconhece a bênção de ter um pai espiritual que sabe plantar.
Honre suas raízes.
Respeite sua história.
Agradeça a quem um dia semeou para que você pudesse florescer.
Porque uma árvore não nasce grande.
Primeiro vem a semente.
Depois, a raiz.
Depois, o broto.
Depois, o tronco.
E somente com o tempo surgem os frutos.
Assim também são os filhos.
Alguns permanecem perto.
Outros seguem seus próprios caminhos.
Alguns abrem suas próprias casas.
Outros retornam um dia para agradecer.
Mas um verdadeiro pai espiritual nunca deixa de olhar por seus filhos.
Ele permanece.
Mesmo no silêncio.
Mesmo na distância.
Mesmo quando não é lembrado.
Porque pai é aquele que planta e espera.
E o Tempo, senhor de todos os caminhos, sabe exatamente quando cada semente deve germinar.
Por isso, hoje eu louvo sua força.
Okê, Caboclo!
Salve o Caboclo do Vento!
Kaô Kabecilê!
Eparrei, Iansã!
Salve Tempo!
Que o vento leve o que precisa partir.
Que a mata fortaleça aqueles que precisam permanecer de pé.
Que Xangô faça justiça aos caminhos.
Que Iansã movimente aquilo que estiver parado.
E que Tempo coloque cada peça em seu devido lugar.
Salve o Caboclo do Vento!
Senhor da Mata, ancestral e pai espiritual.
Que seus filhos nunca se esqueçam de onde vieram.
Porque, no coração de um pai, um filho nunca deixa de ser filho.
E toda semente plantada com amor, mais cedo ou mais tarde, encontra seu tempo para florescer.
Okê, Caboclo do Vento!
Salve sua força, sua aldeia, sua ancestralidade e seus caminhos!