19/04/2025
QUARESMA NA UMBANDA? NÃO EXISTE.
A Quaresma é uma prática cristã, especialmente católica.
Representa os 40 dias que antecedem a Páscoa, ligados ao luto, jejum e penitência pela morte e ressurreição de Jesus Cristo.
A Umbanda não é uma religião cristã.
Ela é afro-indígena-brasileira, com fundamentos próprios, conectada à natureza, aos deuses brasileiros, africanos e aos espíritos ancestrais.
Não seguimos o calendário da Igreja. Não temos dogmas cristãos.
Então, por que alguns terreiros ainda param na Quaresma?
Durante a repressão religiosa, o sincretismo foi a única saída para muitos. Dizer que cultuavam santos era uma forma de proteger o axé e evitar perseguições. Parar na Quaresma fazia parte dessa estratégia.
Mas isso é histórico, não espiritual, não havendo nenhuma necessidade nos dias atuais.
A Umbanda não tem resguardo específico nesse período.
Nos cuidamos sempre, com banhos, defumações, firmezas, orientações dos espíritos e práticas constantes.
E sobre “portais do umbral abertos”, “eguns soltos” ou “época pesada”?
Essas ideias vêm de uma visão espírita-cristã do mundo espiritual, a famosa “Umbanda Branca”. Na Umbanda, o cuidado é contínuo e fundamentado, não baseado em medo coletivo.
E o contra-egum?
Esse é um elemento ritualístico do Candomblé, com fundamentos e liturgias específicas para lidar com eguns (espíritos desencarnados).
Na Umbanda, não temos fundamento para usar contra-egum, muito menos atrelado à Quaresma — isso é mistura sem sentido e sem raiz.
Umbanda tem força, tem fundamento, tem identidade.
Descolonizar é parar de importar práticas que não nos pertencem.
Nosso axé é firme todos os dias.
Sem jejum. Sem Quaresma. Sem medo.