17/03/2026
A nação efon remonta ao antigo Reino de Efon, um pequeno reino iorubá (do subgrupo equiti) que atualmente é a cidade de Efon-Alaaye, Estado de Ekiti, Nigéria.
Dessa região chegaram a Salvador, no século XIX, dois africanos escravizados: José Firmino dos Santos, apelidado “Tio Firmo”, cujo nome em nagô era Babá Irufá (no culto de Ifá) ou Oxum Tadê (no culto de Oxum), iniciado no culto dos orixás Orunmilá e Oxum; e Maria Bernarda da Paixão, apelidada “Maria Violão” pela atraente forma de sua cintura, chamada em nagô de Adebolu, iniciada para o orixá Oloroquê.
Foram Tio Firmo e Maria Violão que fundaram o Terreiro do Oloroquê no Bairro Engenho Velho de Brotas (Salvador-BA), em 1901, a matriz da qual descendem todas as casas de efon. Hoje, ambos são considerados fundadores da nação efon e seus orixás (Oxum e Oloroquê, respectivamente) são os patronos da nação.
Tio Firmo foi o primeiro babalorixá da Casa do Oloroquê e manteve-se no posto até 1909, quando faleceu. Maria Violão assumiu o cargo de ialorixá daquela data até sua morte, em 1945, quando foi sucedida por Matilde de Jagum. Após a morte de Matilde de Jagum, em 1970, Cristóvão de Ogunjá assumiu o posto até 1985. A quinta ialorixá foi Crispina de Ogum, que permaneceu na liderança até 1993.
Depois da morte de Crispina de Ogum, Waldomiro de Xangô (conhecido como Waldomiro Baiano, iniciado por Cristóvão de Ogunjá) assumiu a direção do terreiro em meio a polêmicas e desentendimentos. Quando este fato ocorreu, Waldomiro de Xangô já havia abandonado a nação efom para seguir a nação Queto. Alguns adeptos encararam tal ato como uma grave quebra de tradição, que teria sido a responsável pela queda da árvore de Iroco após uma tempestade, o que simbolizaria o fechamento do terreiro, em meados da década de 1990.
Apesar do encerramento da casa matriz, muitos descendentes da Casa do Oloroquê mantêm o axé efon. Em 1938, Cristóvão de Ogunjá (iniciado por Maria Violão) fundou um terreiro próprio após desentendimentos com a então ialorixá casa, Matilde de Jagum. Em 1951, transferiu o terreiro para Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, onde fundou o Ilê Ogun Anaeji Igbele Ni Oman, ou Axé Pantanal, hoje o principal terreiro de candomblé efon do Brasil. Cristóvão de Ogunjá foi o babalorixá do Axé Pantanal até a sua morte, em 1985, quando foi sucedido por sua neta, Mãe Maria de Xangô, que dirige a casa até a atualidade. Waldomiro de Xangô (iniciado por Cristóvão de Ogunjá ainda em Salvador, mas que posteriormente migrou para nação Queto) e Pai Alvinho de Omolu (também iniciado por Cristóvão de Ogunjá no Axé Pantanal, já em Duque de Caxias) também são nomes que ajudaram na difusão da nação efon, especialmente na Região Sudeste.
Referência: Alexandre Mantovani de. Memórias E Identidades De Um Terreiro De Candomblé: Ilé Ògún Anaeji Ìgbele Ni Oman - Àse Pantanal: A Nação Efon Em Duque De Caxias RJ.