Madhu-dharma

Madhu-dharma Madhukari Radhika Devi Dasi é iniciada na tradição Brahma-Madhva-Gaudiya Vaisnava Sampradaya e também na tradição Bon (religião original do Tibet).

20/12/2020

Sobre veracidade e ter controle sobre tudo

Gostaria de falar um pouco sobre veracidade e como esse princípio é deturpado para o nosso próprio conforto. O mais importante, independentemente do âmbito, é preciso aprender a chamar as coisas pelo nome correto. Ontem li algo muito interessante, que quando começamos a chamar duas coisas essencialmente diferentes pelo mesmo nome, a consequência é que o entendimento de ambas será corrompido.

Mentir e omitir são duas coisas totalmente diferentes. Omitir é quando não contamos algo que não vai mudar em nada a vida do outro. A mentira envolve muito mais pessoas/vítimas. A não ser que a pessoa seja mitômana, ninguém mente em situações em que não julga necessário ou considera confortável. O ato de mentir invade nossos lábios justamente quando não temos controle de algo ou nos sentimos ameaçados, seja porque temos medo de perder a admiração, o respeito, o prestígio, o amor de quem amamos ou para atender aos nossos próprios desejos, não raramente egoístas.

Ter o desejo de controlar algo ou de se sentir ameaçado são sintomas de almas condicionadas e que ainda não realizaram que Krsna controla absolutamente tudo e quem nem mesmo a folha de uma árvore cai sem sua vontade. Livrar-se do desejo de querer ter controle sobre tudo é muito difícil, é quase impossível sem muito esforço. Porém, livrar-se do hábito de mentir é algo imprescindível para aqueles que querem receber ou receberam diksa.

Ao recebermos diksa, fazemos o voto de satyam, de sermos verazes. Srila Bhaktivedanta Swami Prabhupada pregou com grande ênfase sobre o princípio da veracidade.

"Na śaucaṁ nāpi cācāro na satyam. Satyam signif**a veracidade. Ele está pregando uma coisa e fazendo outra, isso não é veracidade. Veracidade signif**a pregar aquilo que você faz, por isso precisamos ter o cuidado de nos mantermos muito arrumados e limpos; devemos nos comportar de acordo com a instrução dos sastras e do Guru. É dessa maneira que sairemos da jurisdição dos asuras e, assim, alcançaremos a plataforma de sura, ou devatā. Então avançaremos na vida espiritual. Se vocês se mantiverem na plataforma asúrica, não conseguirão progredir na Consciência de Kṛṣṇa. (Aula em 15/12/76 em Hyderabad)

Você pode estar pensando: é impossível viver sem contar uma mentira. De fato, é difícil sim. Não há dúvidas de que estamos todos aprendendo e caminhando e, às vezes, podemos nos sentir tentados a mentir. Qual o reparo? Pedir desculpas ainda continua sendo a melhor opção. Mas não uma desculpa da boca pra fora e sim a desculpa que vem acompanhada da autopromessa de que não agirá mais daquela maneira e que dá tempo ao outro para aceitá-la (outro ponto importante: seu pedido de desculpas não é obrigado a ser aceito imediatamente nem mesmo aceito).

30/10/2020

Introdução ao Dzogchen

Diante de uma grande dificuldade ou de um cenário desfavorável, temos duas opções: ou nos desesperamos cada vez mais até chegarmos a um estado extremamente nocivo ou procuramos maneiras de aliviar a carga de estresse e de também lidar com ele. Provavelmente, um dos métodos mais ef**azes é a meditação. Falar sobre tal tema é abrir um leque de infinitas possibilidades, visto que tal prática pode ser feita de maneira intuitiva, guiada, silenciosa, não silenciosa etc.

Dentro da Tradição Bon (religião original do Tibet), a prática meditativa do Dzogchen (A Grande Perfeição) é a mais valorizada. Para praticar o Dzogchen é preciso aprender a controlar a visão e a mente, bem como compreender que a forma humana de vida é importante, pois é unicamente através dela que conseguimos atingir a iluminação. A partir do momento em que começamos a valorizá-la, naturalmente encontramos maneiras de melhor vivenciá-la, que dentro do Dzogchen se dá pelo controle da mente e reconhecimento do que é ilusório.

A mente pode ser o nosso melhor amigo ou o nosso pior inimigo, pois uma mente descontrolada jamais encontra o seu estado natural e, consequentemente, sofre. Tal sofrimento surge em decorrência do apego que temos a situações temporárias e sentimentos ilusórios. O Dzogchen ensina a olhar por trás da dor, da raiva etc., a se perguntar o que fazer a partir disso, por que tal situação causa esse tipo de incômodo ou qual a necessidade de sofrer por situações temporárias e ilusórias.

Há quase 10 meses vivemos em um cenário de pandemia em que os jornais têm como única manchete a contabilização do número de mortos. Tal fato é tratado como se fosse novidade, mas pessoas sempre morreram e sempre irão morrer. É certo que nós morreremos em algum momento, mas nos enganamos achando que a morte é algo distante. Viver neste cenário relembrou o óbvio: que nós também podemos morrer a qualquer instante. Ter a morte como inimiga é uma grande estupidez, ao passo que aproximar-se dela nos ensina a valorizar cada um dos instantes que passamos neste corpo material. No momento da morte, médicos, amigos, cônjuges, dinheiro, tudo isso será inútil. A única coisa capaz de fazer alguma diferença em nossos minutos finais serão as nossas práticas espirituais e o quão intensas elas foram.

Além de trabalhar nossa mente, também é necessário trabalhar a visão, pois é através dela que visualizamos o que importa e descartamos o que não tem valor. Indo mais além, a meditação reprograma nossos sentidos. Desde muito cedo, ainda no berço, nossos sentidos são estimulados por nossos pais, mas de uma maneira muito periférica. Certamente, isso contribui para o nosso desenvolvimento inicial, mas podemos ir muito além e refinar nossos sentidos a fim de cruzá-los, de forma que passaremos a enxergar com os olhos fechados, a ouvir cores, enxergar sons etc.

Assim que aprendemos a reconhecer a ilusão, passamos a dedicar o nosso tempo ao desenvolvimento de sentimentos de compaixão, amor, equanimidade e alegria, pois conforme desenvolvemos tais virtudes, nossas impurezas que foram reconhecidas também vão sendo diluídas. Então passamos a ser livres enquanto aparentemente presos em nossos corpos.

Madhukari Radhika Devi Dasi é iniciada na tradição Brahma-Madhva-Gaudiya Vaisnava Sampradaya e na Tradição Bon

"Em todo o universo, nada existe de mais parecido com Deus que o silêncio." Mestre EckhartA polêmica japa silenciosaO Ha...
16/06/2020

"Em todo o universo, nada existe de mais parecido com Deus que o silêncio." Mestre Eckhart

A polêmica japa silenciosa

O Hari-bhakti-vilasa, um trabalho conjunto de Sanatana Goswami e Gopala Bhatta Goswami, compilado a mando de Sri Caitanya Mahaprabhu cita três tipos de japa (extraído do Nrsimha Purana): Vacika-japa, Upamsu-japa e Manasa-japa, sendo a primeira a mais inferior e a terceira a mais superior.

Vacika é o canto alto, com pronúncia clara e audível. Upamsu é o canto em que os lábios se movem, mas o mantra é entoado de forma tão suave, que só o próprio devoto ouve. Por fim, temos Manasa, na qual o devoto conecta mentalmente as sílabas do mantra até formar uma palavra, então conecta mentalmente essas palavras até formar o mantra, onde também pode meditar sobre o seu signif**ado.

Ainda no Hari-bhakti-vilasa, extraído do Yajnavalkya Smrti, é dito que cem vezes melhor do que cantar Vacika, é cantar Upamsu. E mil vezes melhor do que cantar Upamsu, é cantar Manasa, pois cantar dentro da mente é igual a meditar no Senhor Supremo.

Uma conclusão óbvia: se há três tipos, é porque os três tipos são permitidos.

Em uma caminhada matinal, Srila Narayana Goswami Maharaja, a quem considero meu siksa guru antes mesmo de se tornar meu Param Gurudeva, diz o seguinte:
"Madhava dasa: Como devemos cantar os Santos Nomes? Silenciosamente ou em um tom elevado?
Srila Narayana Gosvami Maharaja: De ambas as formas. Você também pode cantar sem uma mala (rosário)."

Percebem que nós mesmos criamos nossas limitações e dogmas?
Agora, minha experiência pessoal, que você é livre para discordar, mas não tem autorização para condená-la, é que Manasa-japa foi a melhor forma que encontrei para meditar mais e mais em Krsna. A minha sensação é de que os Santos Nomes realmente ocupam minha mente, é como se dançassem dentro dela.

Sei que alguns devotos alegam problemas de concentração se não ouvirem o canto em alto e bom som. Porém, sinto dizer que isso é algo que precisa ser resolvido, caso contrário, como cantarão o Gayatri adequadamente - ou seja, meditando nos versos?
Manasa-japa, com suas devidas diferenças, lembra muito as técnicas de meditação de Abraham Abulafia, fundador da Cabala Profética. Essa prática de visualizar mentalmente cada uma das letras, sílabas, palavras, mantras e seus signif**ados é bastante profunda e rica.

Meu objetivo com esta publicação é apenas apresentar estas três formas de canto, que muitos desconhecem. E lembrem-se, não há regras e regulações para o cantar dos Santos Nomes, qualquer hora é hora, qualquer forma é forma.

ps: eu uso a japa mala (rosário) para cantar, a diferença é que canto mentalmente :)

Meu querido amigo Kulavadhuta Satpurananda. Ele é muito sábio, erudito e tem uma shakti indescritível. Ele também conhec...
11/06/2020

Meu querido amigo Kulavadhuta Satpurananda. Ele é muito sábio, erudito e tem uma shakti indescritível. Ele também conhece os sastras e slokas muito bem e canta lindamente. Mas, ao mesmo tempo, ele é muito simples, faz com que todos se sintam à vontade com sua própria natureza.

Passei alguns dias em seu ashram e digo sem pensar duas vezes que foi a melhor e mais intensa experiência espiritual da minha vida. Estávamos cercados por devotos amorosos e sinceros, não há nada comparável a isso. Três meses depois, ainda me lembro e extraio diferentes entendimentos do que aprendi com ele, com Maa e com os devotos da vila.

Ele realmente roubou meu coração (e bem, sabemos que isso não é nada fácil :) )

Joy Guru Joy Maa

Tarapith virou uma das minhas cidades favoritas e não vejo a hora de voltar. Passei dois dias e meio na cidade e aprovei...
09/06/2020

Tarapith virou uma das minhas cidades favoritas e não vejo a hora de voltar. Passei dois dias e meio na cidade e aproveitei para visitar Ekacakra, que f**a a uns vinte minutos dali.
Maa Tara tem uma energia inexplicável, é tudo muito intenso, demora a ser digerido, mas roubou meu coração. Tenho muita coisa para compartilhar de Tarapith ainda, como o crematório, o local de bhajan de Vamakepa e o próprio templo de Maa Tara.

*** Nota de falecimento de Lama Gangchen Rinpoche ***Em 17 de agosto do ano passado, tive a boa fortuna de conhecer o ce...
18/04/2020

*** Nota de falecimento de Lama Gangchen Rinpoche ***

Em 17 de agosto do ano passado, tive a boa fortuna de conhecer o centro idealizado por Lama Gangchen Rinpoche localizado na Vila Madalena em São Paulo. Por uma "grande coincidência", neste mesmo dia estávamos sendo agraciados com a visita de Lama Michel, seu discípulo brasileiro bastante conhecido por ter se tornado monge ainda na infância, após ser reconhecido por Rinpoche como sendo a reencarnação de um importante mestre tibetano.

Infelizmente, Rinpoche hoje, após 15 dias internado, se tornou mais uma vítima do corona vírus na Itália, país que abriga a sede da sua instituição.
Que seus ensinamentos continuem despertando compaixão em todos os seres!

"Se aceitarmos nossas experiências e situações de vida, torna-se bem fácil ter paz interna. Normalmente nossa mente vai para todo lado, movendo-se por entre muitos caminhos diferentes e sem paz como: raiva, nervosismo, cansaço, resistência e outros. Por que não nos oferecemos um intervalo e seguimos uma mente pacíf**a?" - Lama Gangchen Rinpoche

Como é vivenciar a Índia em época de quarentenaAmigos, estou recebendo dezenas de mensagens de vocês preocupados conosco...
09/04/2020

Como é vivenciar a Índia em época de quarentena

Amigos, estou recebendo dezenas de mensagens de vocês preocupados conosco. Por favor, leiam meus relatos e vão ver como é seguro estar aqui e não temos problemas algum, seja ao andar na rua ou fazer compras. Não, ninguém nos chama de "corona" nas ruas. Muito menos fomos vítimas de qualquer tipo de xenofobia. Muito pelo contrário, teria que f**ar horas aqui escrevendo como fomos bem tratados por todos os lugares que passamos, mesmo agora em época de quarentena. Não acreditem na mídia 😉

Índia não é Disney, não é para os fracos. Passei por alguns perrengues na viagem, típicos de quem viaja como mochileiro, mas sinceramente, hoje penso e sinto uma saudade imensa disso tudo. Daria qualquer coisa para poder deitar mais uma vez no assoalho do trem ou para andar novamente descalça no templo de Maa Tara e pelas ruas de Tarapith. Ou para encharcar meu pé na lama de Navadwipa ou Mayapur. Ou ainda almoçar mais uma vez Lays e tomar Sprite em Shantiniketan. Ou passar dias ao lado dos meus amigos mais queridos em Siur. É impossível descrever o quão maravilhoso foi viver isso tudo. Agradeço imensamente a Krsna por ter me colocado nessa situação de quarentena no dhama, e assim valorizar cada um desses momentos com saudosismo, agradecimento e disposição para viver isso tudo mais uma vez.

Às vezes, acreditamos que nossos problemas são os outros, mas em tempos de isolamento social, é bom que aprendamos que nosso maior problema são nossos próprios demônios. É preciso aprender a se amar o bastante para apreciar sua própria companhia.
Eu achava que reclamava pouco, mas esse momento comigo mesma me fez enxergar que nesta terra abençoada, até reclamar pouco é muito, é preciso aprender somente a agradecer. Obrigada Krsna por ser meu Prabhu, meu Guru e meu amigo mais querido e, meus infinitos agradecimentos por me trazer até aqui.

*Imagem do post: Maa Tara em um templo em Tarapith.

07/04/2020

Se suas práticas espirituais te fazem encarar a atual situação de uma maneira igual ou até mesmo pior que não praticantes, esse é o momento para rever o que vem fazendo em/de sua vida. Cheguei a essa conclusão em uma breve conversa no grupo Mulheres da Magia há alguns dias.

Nem por um momento entrei em pânico ou questionei os deuses por essa situação calamitosa que estamos vivendo em todo o mundo. Se não fiquei histérica, não é porque sou uma super-heroína ou vivo em um mundo cor de rosa. E sim porque em meu mundo, há justamente todas as cores, inclusive a da morte. Quem quer que ande pelo caminho da Bhakti-Yoga, será obrigado a aumentar sua paleta de cores, visto que preparar-se para a morte é algo exercitado diariamente. Todo o sadhana é voltado ao nosso aprimoramento como servos eternos de Krsna. Então, se você realmente quiser ter algum avanço, é necessário se preparar para o fato, mais do que óbvio, de que todos nós vamos morrer.

Quem quer com quem nos relacionamos, são apenas empréstimos dEle para nós. Pode-se incluir amigos, cônjuges, filhos, familares, cachorros, gatos, qualquer ser deste mundo. Portanto, quando supostamente "perdemos" essas pessoas, nada mais é do que Deus pegando de volta aquilo que, por pura tolice, acreditamos nos pertencer.

Este mundo material sempre foi repleto de males e assim sempre será, é algo que está além do nosso controle, porém, o nosso desespero e histeria são opcionais, e esses sim são aqueles que nos distinguem dos demais.

Em Vrndavan, tudo Krsna providencia (01.04.2020)Hoje saímos mais uma vez às compras. Ontem o comércio não abriu e começo...
01/04/2020

Em Vrndavan, tudo Krsna providencia (01.04.2020)

Hoje saímos mais uma vez às compras. Ontem o comércio não abriu e começou a bater uma preocupação porque não tínhamos mais legumes e verduras. Na porta do condomínio, uma boa surpresa: uma vendedora com vários legumes.

Esta é a mística de Vrndavan: tudo Krsna providencia.

Compramos muitas batatas (já pensando nos jejuns de amanhã e depois de amanhã) e outros legumes.
Então o segundo desafio, conseguir uma riksa até Chaitanya Bihar, 1,5km de distância daqui (dá para ir tranquilamente a pé, mas com o toque de recolher e três lojas para ir, todo minuto é valioso), logo conseguimos. Ao chegarmos no destino, dois baques: a loja de vassouras estava fechada e a de panelas também. Procurava desesperadamente uma vassoura e uma frigideira.
Então pensei: ok, vamos ao mercado. Esperamos um pouco na porta, fizemos uma boa compra e, no caminho de volta, eis que a loja de vassouras (que também vendia centenas de panelas estava aberta). Fiz mais uma compra feliz.

Esta é a mística de Vrndavan: tudo Krsna organiza.

Então mais um desafio, conseguir outra riksa para voltar para casa. Apareceu outra em dois minutos. No retorno para casa, paramos na barreira policial, desci da riksa, cumprimentei o policial sorrindo e dizendo: Radhe Radhe, posso passar? Estou com muito peso na riksa. Ele deixou, também respondendo "Radhe Radhe" 😍

Esta é a mística de Vrndavan: os devotos de Krsna são tão surpreendentes quanto Krsna.

ps: essas são as minhas experiências pessoais.

Notícias de Vrndavana (29.03.2020)A última vez que saí por aqui para fins de recreação foi no último Ekadasi, há mais de...
01/04/2020

Notícias de Vrndavana (29.03.2020)

A última vez que saí por aqui para fins de recreação foi no último Ekadasi, há mais de uma semana. Desde então, saí alguns dias unicamente para fazer compras.
Ontem e hoje eu saí e foi bem tranquilo, considerando que há países e pessoas em situações piores.

Fui ao mercado de manhã no horário estabelecido. O funcionário do mercado ficou na porta higienizando as mãos de todos que iam entrar e limitou o acesso a cinco pessoas por vez. Senti falta de muitos itens no mercado, mas o essencial deu para comprar.
Vrndavana continua sem nenhum caso, oremos para continuar assim. Porém, no fundo sei que a situação no mundo todo vai piorar e muito, na Índia não será diferente.
Sigo em quarentena, desejando o melhor e pedindo a Krsna para continuar me dando sabedoria para lidar com as situações que poderiam me aborrecer. Por fim, estar aqui me conforta, isso tem me bastado.

Vrndavana dhama ki jay!!!

Tornando-se nômade digitalTrabalho na Internet há mais de quinze anos, o que sempre me deu a liberdade de morar aonde eu...
29/03/2020

Tornando-se nômade digital

Trabalho na Internet há mais de quinze anos, o que sempre me deu a liberdade de morar aonde eu quisesse. Mudei de cidade e estados várias vezes ao longo dos anos, mas nunca para o exterior porque... bem... tinha coisas demais.
Apesar da moda da Marie Kondo, nunca assisti nenhum dos seus vídeos, mas uma conclusão óbvia é que se eu quisesse viver como nômade digital, eu realmente precisaria aprender a ter o mínimo de coisas possível, e me tornar adepta do minimalismo. Porém, não foi nada fácil. Para me convencer disso, comecei a analisar minha vida e concluí que sacrif**ava todo o meu tempo para ter coisas que eu nunca precisei ou não precisava tanto.
O fato de ter morado em casas grandes ou exageradamente grandes e ter dinheiro disponível também me fez acumular mais e mais coisas e, no fim das contas, só me deu insatisfação. Mesmo tendo consciência disso tudo, foi muito difícil desapegar de uma casa montada do jeito que eu sempre quis, justamente por saber que custou meu suor de freelancer (o mais custoso 😂).
A maneira que encontrei foi me convencer de que se eu vivi tanto tempo sem um determinado bem material, poderia muito bem voltar a viver sem. Se você for um pouco mais mórbido, indico também meditar sobre a morte (prática da tradição Bon - que abordarei aqui) e lembrar-se de que uma hora ou outra, o que você dá tanto importância não terá mais validade alguma.

Tomei a decisão de me desfazer da minha casa em outubro, mês do meu aniversário de 34 anos, então desse mês até fevereiro, tive apenas quatro meses para montar o meu novo plano de vida. Certamente, essa foi a parte mais difícil. Organizar documentos para o passaporte, f**ar horas e horas na Receita Federal, fazer reclamações de empresas aéreas no PROCON, providenciar vacinas, fazer várias mudanças, criar roteiros, trabalhar feito doida para juntar mais recursos etc., foi bem estressante em alguns momentos, mas deu certo.

Eu tinha todo um planejamento para uma despedida de uma semana em São Paulo, mas no fim das contas, saí do Sul somente no dia 12, muito depois do que eu pretendia e tive pouco mais de 24 horas para despedidas. Acabou que não me despedi de muitas pessoas nem dos meus restaurantes preferidos. Mas ainda assim consegui encontrar algumas pessoas que amo, mesmo que por cinco minutos.

Embarquei rumo ao meu novo destino na madrugada do dia 14, extremamente confiante do que estava fazendo. Já se passaram quase dois meses desde então, ainda não me arrependi :)

As glórias de Vrndavan (onde estou de quarentena)
27/03/2020

As glórias de Vrndavan (onde estou de quarentena)

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São Paulo, SP
01257-030

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