06/09/2026
O PACTO DA BRANQUITUDE EXPLICADO DE FORMA SIMPLES
Hoje vou falar como prof, pós graduando, psicopedagogo e neuropsicopedagogo, TEA, ABA, envelhecimento da população preta, homem preto e candomblecista.
Quero compartilhar um conceito que tem me ajudado a entender algumas dores como homem preto de axé.
É o conceito de "Pacto da Branquitude", estudado pela autora Cida Bento.
De forma bem simples, o pacto é um acordo silencioso, não combinado, onde pessoas brancas, muitas vezes sem perceber, acabam se protegendo entre si para manter lugares de conforto e poder.
Não se trata de uma pessoa ser má. Se trata de uma estrutura que se repete.
Como esse pacto funciona na sociedade em geral?
Ele funciona, na maioria das vezes, no silêncio.
É quando diante de uma situação de racismo, a escolha é não se posicionar.
É quando a dor de quem sofre racismo é relativizada.
É quando se tem mais medo de ser visto como ra***ta do que de enfrentar o racismo em si.
Esses são exemplos estudados na sociologia, não são sobre alguém em específico.
E por que trazer isso para pensar o terreiro?
Porque o terreiro não está fora do mundo. O terreiro está dentro do mundo.
O Candomblé é uma religião de matriz africana, criada pelo povo preto como espaço de cura e resistência.
Por ser um espaço tão importante, é natural que a gente queira que ele seja um lugar ainda mais seguro para o povo preto.
Pensar sobre o pacto dentro do axé é um convite coletivo para a gente refletir:
Como garantimos que todas as pessoas pretas se sintam acolhidas, ouvidas e respeitadas dentro da casa de Orixá?
Como transformamos o nosso amor por Orixá em cuidado prático com o irmão de barco?
Como a gente fortalece uma casa onde ninguém precise provar sua dor para ser cuidado?
Essas são perguntas sobre futuro. Não sobre passado. Não sobre pessoa nenhuma.
Quebrar esse pacto silencioso, onde quer que ele exista, é um ato de amor.
É um ato que pede três coisas que o próprio Orixá nos ensina:
1. Olhar com honestidade para as estruturas ao nosso redor.
2. Ter coragem para não se calar diante de uma injustiça.
3. Ter compromisso para reparar e fazer diferente daqui pra frente.
Esse texto é educativo. É uma reflexão sobre um conceito acadêmico. Não é sobre nenhum caso, nenhuma casa e nenhuma pessoa específica. Não é indireta.
É apenas um convite para que o nosso axé seja cada dia mais um lugar de cura para quem é de axé.
Que Oxalá nos dê sabedoria.
Que Ogum nos dê caminho.
Que Osun nos dê acolhimento.
Axé.
Prof:Bàbá Egbe Leandro d'Osun