22/02/2024
Muitos reconhecem Ògún como o grandioso Alagbẹdẹ (ferreiro), cujas ferramentas desempenharam um papel significativo no avanço tecnológico e na manutenção da vida no planeta Terra. Sabemos que Ògún é um Òrìṣà ligado aos metais, ao fogo, à caça e afins. No entanto, pouco se fala sobre a conexão de Ogun com Ilé (terra), não no sentido de planeta, mas sim com o solo que pisamos e como divindade (Onilé).
O ferro, um dos domínios de Ògún, provém principalmente de rochas formadas do magma nas entranhas da Terra. Após uma série de processos, obtém-se o ferro, que passa pela forja para ser moldado e, por exemplo, utilizado para arar o campo, proporcionando um bom plantio. Vemos aqui um ciclo entre Ògún e a terra. Segundo um de seus itans, após Ogun eliminar pessoas que não interagiram com ele, fincou sua espada no chão, desaparecendo (um templo em Ekiti, suposto local desse evento, persiste como um lugar envolto em mistério e poder, demonstrando que Ògún retornou ao Orun através de Ilé, conforme a foto 2).
Esse é um dos motivos do assentamento de Ògún ser diretamente na terra, reforçando sua relação com Ilé. Como Òrìṣà da caça e do campo, um Oriki de Ògún afirma: "Sem Ogun não há comida, não há agricultura", pois Ògún detém as ferramentas essenciais para arar o campo e plantar. Isso destaca a ligação intrínseca de Ògún com a terra, pois, mesmo com ferramentas, a colheita depende da fertilidade do solo. Enquanto Ilé nutre e gera, Ògún insemina e prospecta.
Ògún yè, Mo yè
Ògún vive, Eu vivo
•
•
•
•