Nzo Muizu Ngana Lemba Kiasoba

Nzo Muizu Ngana Lemba Kiasoba Informações para nos contatar, mapa e direções, formulário para nos contatar, horário de funcionamento, serviços, classificações, fotos, vídeos e anúncios de Nzo Muizu Ngana Lemba Kiasoba, Organização religiosa, Rua Dez número 52, São Paulo.

A Nzo Muisu Ngana Lembakiasoba teve sua inauguração no dia 11/08/2013 atual tem como dirigente o Tat'etu rua Jinkisi Babá Ala de Omim que foi iniciado para o Inkisi Lemba pelas mãos do Tat'etu Gysambeogy de Katendê no dia 13/10/2001.

22/05/2022

Mais da kizomba em homenagem aos pretos velhos

Esse é o Ta'etu Gyssabeogy foi através de suas mãos que nosso dirigente o Ta'etu Ala de Omim foi iniciado no candomblé d...
22/05/2022

Esse é o Ta'etu Gyssabeogy foi através de suas mãos que nosso dirigente o Ta'etu Ala de Omim foi iniciado no candomblé de Angola para o Inkisi Lemba em 13/10/2001 e é quem zela por seu mutuê até os dias de hoje. Mukuiu Ta'etu 🙏🏻🙏🏻🙏🏻

Ni último dia 14 de maio realizamos uma kizomba em homenagem aos nossos ancestrais negros que sofreram os males da escra...
22/05/2022

Ni último dia 14 de maio realizamos uma kizomba em homenagem aos nossos ancestrais negros que sofreram os males da escravidão e hoje retornam a plano terrestre com importantes lições de Amor, perdão e caridade. Adorei as Almas. Saravá os pretos velhos Saravá a arucaia do vovô João da Guiné.

05/04/2021

NAÇÃO ANGOLA: CONHECENDO UM POUCO MAIS

Vamos conhecer alguns nomes e termos utilizados para comidas, frutos, bebidas e animais na língua kimbundo. Lembro mais uma vez que algumas palavras podem ser encontradas de maneiras diferentes, variando um pouco de casa para casa, mas sempre terão a mesma essência gramatical. Podem variar inclusive dos termos utilizados nas casas que utilizam o kikongo. Este é o último post sobre a tradição congo-angola, pois notem que não é o objetivo da página adentrar em rituais ou fundamentos secretos da religião, mas apenas mostrar que nenhuma nação é melhor ou mais importante que a outra. A tradição banto (congo-angola) sofreu e sofre ainda muito preconceito por ter sido a primeira civilização a chegar ao Brasil e, consequentemente, a que mais se distanciou de suas tradições e acabou sofrendo a influência e agregando costumes e termos dos fons e iorubas. Esse projeto dividido em 5 partes tenta resgatar a força de vontade das casas de tradição banto a manterem vivos seus costumes, seus rituais, seus dialetos, suas formas de agir e se expressar, seu Muxacá, seu Sekesedi, suas Ngoloxi etc. O povo banto merece e deve ter sua importância reconhecida!

Makúdia (comida):
Falôfa= Mistura de farinha com água, vinagre ou azeite.
Azoji= espécie de ervilha.
Iguri= Raízes de mandioca.
Ikami/Ikambi= Bagaço dos frutos da palmeira (dendê).
Kixiluanda= Pirão e peixe.
Kifufutila= Amendoim pilado com farinha de pau e açúcar (paçoca)
Mbolo= Pão.
Ebuku= Arroz feito no azeite.
Kikuanga= Pão de mandioca.
Sasa iokânge= Milho torrado.
Sasa Iolâmbe= Milho cozido.
Masambala= Milho miúdo.
Mukunzá= Milho cozido.
Luku= Pirão.
Xitu= Carne.
Msana= Leite.
Muenge= Cana.
Diiaki= Ovos.
Kulukuku= Comidas de ntámbi.
Dikende= Pão de milho.

Idima (Frutos):
Bumbu = Fruta
Nguba= Amendoim.
Ndungu= Pimenta/ Apimentado.
Difumbu= Abacaxi.
Ditanga= Abóbora.
Ekikila= mamão.
Mahonjo= Bananas.
Lumata= Tomate.
Sasa= Milho.

Mukunua (Bebidas):
Menha= Água.
Mbongo/Ifeli= Café.
Xá= termo aportuguesado = Chá.
Menha Matômi= Água potável (doce)
Maluvu= Vinho.
Marafa= Cachaça (usado no Brasil,deriva-se do nome Maluvu).
Kitoto= Espécie de cerveja.
Nguala/ualende/uindu= aguardente.
Hela= Cerveja fermentada de milho miúdo.
Ualua= Cerveja.
Malava= Bebidas destiladas.

Maji (Óleos):
Máj´a ndendê= Azeite de dendê
Maji Aputu= Azeite-doce
Maji a Masa= Óleo de milho.

Njimbu (animais quadrúpedes):
Dibulu= Coelho.
Ngombe= Boi.
Mbudi= Carneiro/Ovelha.
Mbua= Cão

Jimbemba (aves):
Hánga= Galinha do mato (guiné)
Sanji= Galinha.
Kolombolo= Galo.
Dikolombolo Diazuka= Galo vermelho.
Dikolombolo Diazela= Galo Branco.
Dikolombolo Diakikelela= Galo preto.
Diembe= Pombo, Rola.
Diembe Diazela= Pombo branco.
Kihuse= Pavão.
Mbório= Pardal.
Kakudixixi= Passarinho.

05/04/2021

NAÇÃO ANGOLA: RITUAIS E CARACTERÍSTICAS PRÓPRIAS

Vamos conhecer os rituais deixados pelo povo banto.

- Masanga: Ritual de lavagem da “mutuê” (cabeça), com “menha” (água) e “kezu” (noz de cola conhecida pelos ioruba como Obí).
- Kúdia Mutuê: Ritual de dar comida à cabeça, trazendo “ngunzu” (energia) à “mutuê” (cabeça) através de “menga” (sangue).
- Kituminu Bengue Kamutué ou Kuhandeka: Ritual de iniciação à religião, com a prática do “kisongo” ou “katula o jindemba” (corte de cabelo).
- Kizua Dijina: Dia do nome. Dia em que o Nkisi dará o nome.
- Kunha Nkelê: Ritual de retirada do “Nkelê” (fio-de-contas amarrado rente ao pescoço). Neste ritual, após a “Kunha Nkelê”, o Nkisi dará sua “Kuzuela” (som individual remetendo à sua essência da natureza trazido por ele).
- Kituminu Kamuxi Muvu ou Kadianga Muvu: Ritual de obrigação de 1 ano.
- Kituminu Katatu Muvu: Ritual de obrigação de 3 anos.
- Kituminu Katuno Muvu: Ritual de obrigação de 5 anos.
- Kituminu Kasamba Muvu: Ritual de obrigação de 7 anos.
- Kutambula Ntanda: Ritual de diplomação para autorização e manipulação do oráculo divinatório, tornando-se “Tata Nkisi” ou “Mametu Nkisi”. Na tradição banta de Angola, os cargos são enredos de Ndandalúnda. Isto é, não é preciso ser filho de Ndandalúnda, mas é ela quem autoriza aquela pessoa a receber o cargo.
- Kituminu Kakuini Iéia Muvu: Ritual de obrigação de 14 anos.
- Kituminu Kamakuinhi Kadianga Muvu: Ritual de obrigação de 21 anos.

Temos, além dos rituais iniciáticos, alguns termos usados para procedimentos ocorridos dentro dos espaços religiosos de tradição banto. Isso comprova mais uma vez que não há mais motivos para o sincretismo entre os rituais dos povos iorubas. Sabemos que cada tradição cultua suas divindades de uma forma, portanto, podem sim passar a usar os termos corretos de acordo com a sua tradição, fortalecendo cada vez mais a preservação dos ensinamentos de seus ancestrais.

Kuenda Maianga: Ir para o banho ritual
Kuendenkua uá Maianga: Reza para maianga
Kufumala :– Defumação
Kufunda: Cerimônia fúnebre no cemitério (enterro)
Kutambula Nfita: Juramento
Maku ia Nvumbi: Tirar a mão do Morto
Mambu Lulombo Ngoloxi: Rezas para Lemba
Ndanka kua Nkosi: Jura de Nkosi
Ntambi/Mukondu/Sirrun: Cerimônia fúnebre
Pangu ni Nvumbi: Rito para alma do morto
Pangu ni Makulu: Rito para os antepassados
Sakulupemba: Sacudimento
Kujinga= Dia dos cortes.
Mikáxi Hixáxi: cordão feito de palha para os braços do iniciado
Nkúmba Hixáxi: cordão feito de palha para a cintura do iniciado.

Fiquem atentos para aprenderem um pouco mais da linguagem, alguns costumes e curiosidades sobre esse povo na próxima, e última, postagem – Candomblé de Tradição Banto Parte 5.

05/04/2021

NAÇÃO ANGOLA: CONHECENDO A FUNDO O NKISI

Conseguimos diferenciar os termos corretos da tradição banto, variando entre as línguas kikongo e kimbundo, visto que este povo veio em sua maior parte de Angola e do Congo. Assim, cada casa se organizará com determinados termos, mas sempre deveremos estar alertas sobre as nossas culturas e costumes (raízes), para que possamos levar nossa bandeira na sua forma e plenitude mais pura e correta possível. Nossa religião é feita de tradição, portanto, devemos valorizá-las e entender que nenhum povo é melhor que o outro, mas todos têm suas particularidades e riquezas próprias.

Estamos até agora chamando as divindades mágicas cultuadas pelo povo banto de Nkisi, mas a partir de agora, já que iremos adentrar nesse tema, devemos adequar ao perfeito linguajar, onde o plural de Nkisi é Minkisi. Essas divindades recebem alimentos diferenciados, sempre preparados com muito rigor e beleza. Seus rituais têm uma profunda seriedade e grande beleza plástica. Eles gostam de vestimentas muito coloridas, estampadas, característica muito forte desse povo e inclusive ponto culminante na diferença entre os iorubas. É desse povo que herdamos o dom de antagonizar as dificuldades do dia-a-dia em momentos de alegria. Os Minkisi que utilizam saias, usam-nas sem muita roda e um pouco mais curtas que as dos Orixás, deixando livres seus movimentos.

Já os atabaques, por este povo chamados de Ngoma ou Ngombe, que os chamam são tocados com as mãos, sem o uso de varetas, e entoam cantigas rápidas, com muitos passos, muito alegres e lembram o samba de roda. O atabaque maior é chamado de Ngoma ua Txina, o do meio, de Ngoma ua Mukundu e, o menor, de Ngoma ua Kasumbi. Para finalizar o conjunto de instrumentos, o povo banto conta ainda com o Ngonge ou Ngongo, uma espécie de agogô dos iorubas, uma dupla campânula de ferro ou cobre.

Os Minkisi não são tão sociáveis, eles têm um comportamento um tanto arredio e reservado. Neste ponto se assemelham um pouco com os Vodun, que também não têm muita proximidade com os homens, fato inclusive que incute no próprio jeito de ser desse povo introspectivo para os de fora, mas de extrema alegria entre eles. No entanto, quando estão em terra, são pura alegria e atenção aos seus devotos, apesar de serem muito independentes. Finalmente, conheçam algumas divindades de iniciação de acordo com o Instituto Latino Americano de Tradições Afro Bantu - ILABANTU.

– Nzíla: comunicador, intermediário entre os seres humanos e os outros Minkisi.
Grupo Familiar: Usúmba
Aluvaiá – Pavenã – Mbépereketé – Panjíra – Mavilutángu – Sinzamunzíla – Kunkulunguánje – Bionatã – Maluzibángo – Kijanjá – Mavámbu.

– Nkôsi: senhor das estradas e caminhos.
Grupo Familiar: Njángo.
Minikongo – Hôxi – Gongo Mugóngo – Ngó – Mukúmbe – Xaue – Mugomesá – Nangê – Kitaguáze – Mavalutángo – Burê – Katémbo Rukóngo – Alúnda – Naruê – Jambá – Avángo – Kitóngo – Maiádi.

– Ngúnzu: energia dos caçadores.
Grupo Familiar: Mukongo.
Tawamí – Kabíla – Mutalambô – Okitalandê – Kitálamugongo – Balanguánje – Kaitímba – Mutakalámbo – Gongojá – Kewála – Sibalaé – Nkongombíla – Banxí.

– Katendê: senhor das Nsaba (ervas medicinais).
Grupo Familiar: Kitangána.
Kaití – Mpánzu – Luximó – Apokã – Lundimbánda – Amokúi – Pondo Etángo – Koroposú – Mbambúti.

– Nzázi: a energia dos raios.
Grupo Familiar: Kilumínu.
Zambará – Kambalanguánji – Luángo – Mabémbo – Katubelanguánje – Kuámbo – Zambezê – Kiasubangángo – Minanguánje – Kitalángo – Mbataranguánje – Luvángo – Kibuko – Utalanguánji – Dondojô.

– Nsúmbu: senhor da terra, chamado de Ntoto pelo povo do Congo.
Grupo Familiar: Kulámba.
Kanjanja – Katulê – Apanángo – Kafunjê – Belanguánje – Vungána – Kingóngo – Iúngo – Kavúngo – Takubenanguánji – Siéngo – Uámbo – Ajubelúnje – Kualavángu – Kafundejí.

– Kitémbu: Rei de Angola, senhor do tempo e estações.
Grupo Familiar: Igóndo.
Pagauô – Kavurerê – Diambangánga – Lundimbánda – Kukêti – Kindémbo.

– Zumbá: senhora mais velha do Kanga (poço).
Grupo Familiar: Kitabú.
Mbalámbo Gunzá – Kambambê – Bejerundá – Karnajetú – Malúnda – Takulandá – Sibúke – Jejesú – Kambalandá – Karãna.

– Hongolô: a energia do arco-íris, auxilia a comunicação entre terra e céus.
Grupo Familiar: Ndála (Masculino) e Indalá (Feminino)
Ordándo – Nkónda – Hongoloméa – Sepembédza.

– Nzingalumbóndu: Atua sobre os astros.
Grupo Familiar: Intá.
Kuingánga.

– Karamôsi: Senhora dos antepassados mistérios antigo
Grupo Familiar: Isú.
Abasulémi.

– Kaiángo: Divindade com grande ligação com os espíritos e domínio sobre o fogo.
Grupo Familiar: Mulénje.
Matámba – Indá Kalú – Kibiambia – Abasulémi – Mbána Katámba – Jonjurê – Nvanjú – Isá Mitoní – Ngurusemanvúla – Mbambuluséma – Gúnga Kabôlo – Isá Sitámba.

– Nvúnji: Divindade feminina atuante no útero materno
Grupo Familiar: Kisángo.
Ngongo – Kauele – Golungolóni – Kafulú – Maionbezô – Mwana Pása.

– Telekumpénsu: Divindade da pesca e da caça.
Grupo Familiar: Tatánge.
Kisámbo – Mukuzambê – Gongobira.

– Ndandalúnda: Divindade da Menha matôme (água potável), age no brotar das Jindánji (raízes).
Grupo Familiar: Njijí.
Vinsí – Kitolomí – Ndanda Belé – Kisímbi – Lundamundíla – Ndanda Símbe – Nisalúnda – Mamangola – Ndanda Zuá – Ndandaewára – Ndanda Dilá – Apunké.

– Kukuetu: deusa dos oceanos.
Grupo Familiar: Kinzángu.
Mbôto – Samba Kalúnga – Zinzá – Kaitumbá – Kasínga – Aiuká – Ventési – Kaiá – Mbá Kuánza – Bonigú – Ngamikáia – Kaiála.

– Lembadiangánga: conectado à criação do mundo.
Grupo Familiar: Kingónji.
Jakatámba – Nkasuté – Hemakalúnga – Migangã – Lembá – Gangaiumbánda – Malembá – Kibositála – Mikusá – Lundúngu – Kitángu – Jafuráma.

OBS: Reforço que todas as divindades aqui apresentadas seguem os cadastros do ILABANTU, podendo haver variações de nomenclaturas e grupos familiares.

05/04/2021

NAÇÃO ANGOLA: SUA HIERARQUIA E COSTUMES PRÓPRIOS

Todas as nações trouxeram particularidades para o Brasil. Mas o povo banto com seus Nkisi tão nossos amigos é, sem dúvidas, a “nação-mãe”! Nos deixou as maiores contribuições, seja na modalidade falada ou escrita da nossa língua, na medicina popular, no ensinamento dos segredos das suas ervas, na dança, na música, na culinária etc.

A sua hierarquia religiosa se enquadra da seguinte forma: os sacerdotes são chamados de Tata Riá Nkisi (homem) ou Mam’etu Riá Nkisi (mulher); o pai e a mãe pequena, de Tata Ndenge e Mam’etu Ndenge; os homens confirmados, de Kambundo ou Kambondu; as mulheres confirmadas, de Kota (quando os filhos de santo completam 7 anos passam a ser chamados de Kota também); os homens tocadores de atabaque, de Kuxika Riá Ngombe; o homem responsável pelos sacrifícios animais, de Kivonda; os filhos de santo, de Mona Nkisi (esse termo é de forma geral, mas se quiser especificar que é mulher usa-se Mona Muhatu Wá Nkisi e, se for homem, Mona Diala Wá Nkisi); o iniciado é chamado de Muzenza. Claro, que esses termos podem sofrer algumas alterações de casa para casa, pois há nelas as línguas kikongo e kimbundo variando.

Devemos atentar também que o oráculo de adivinhação do povo banto não veio para o Brasil com eles, mas ainda assim, em uma casa de tradição banto, esse sistema divinatório é chamado de Ngombo/ Nzimbo e não há a presença de Orunmilá, que é uma divindade ioruba, e sim Nkukua-lunga (divindade da adivinhação do povo banto). Outra desmistificação é a respeito do sistema, inexistente para o povo banto, sobre os signos dos caminhos, chamado pelos ioruba de Odu. A energia vital passada através dos rituais, chamada de àse (axé) pelos iorubas, é conhecida como Ngunzu ou Muki.

Se considerarmos que todo rito corresponde, em sua raiz, a um mito e que os mitos dizem respeito a uma forma de ver o mundo e a realidade, certamente, apenas poderemos constatar que as fusões e reinterpretações que são inseridas no chamado caldeamento de culturas, muitas vezes esvazia o significado original o que serve tanto como perda da tradição como elemento fragmentador dos mitos geradores dos ritos adotados. Então, partindo desse ponto de vista, a Mukange (máscara), que é característica da tradição congo-angola e marca específica de sua visão da manifestação dos Nkisi, reflete algo de seu mito espiritual, algo que merece ser considerado e meditado, para ser compreendido. Sobretudo, a singularidade da Mukange demonstra muito da visão congo-angola sobre o Nkisi, porque diferentemente da tradição ioruba, não se enfatiza a natureza da divindade em sua encarnação humana, mas a natureza divina e singular do Nkisi em seu iniciado e filho, que através do seu transe traz ao mundo, uma energia sagrada que jamais tomou essa forma, pois que cada filho seu reflete uma singularidade original.

Ou seja, devemos entender mais uma diferença da tradição banto, enquanto os iorubas acreditam que os Òrìsà, certa vez, em seus mitos de origem, tomaram a forma humana e quando se manifestam em seus filhos gostam de identificar-se com as mesmas coisas que são descritas pelo seu comportamento quando estiveram aqui no mundo humano, a tradição banto acredita que os Nkisi permanecem sempre no mundo abstrato do sagrado, de forma que quando o iniciado coloca a máscara e manifesta seu “Santo”, apesar de estar manifestando no plano humano a força de uma divindade, ele se despersonaliza pela máscara, demonstrando que não é ele quem dança quem se movimenta que se comunica, mas a entidade espiritual que através de sua cabeça pode vir ao mundo da relatividade. Enquanto que o adé (coroa) do Òrìsà ioruba enfatiza a identificação com um comportamento arquetípico dele, a Mukangê enfatiza a singularidade do Nkisi que encontrou um filho seu para se manifestar de forma completamente nova no mundo. Então não devemos confundir quando virmos em fotos ou em casa de tradição banto, que o uso das máscaras é uma normalidade. Infelizmente, temos hoje um grande sincretismo interno entre as “nações”, onde as tradições de um povo se sobressaíram mais que as de outros e muitos rituais acabaram sendo deixados de lado, por assim serem julgados como errados, já que as demais tradições não praticavam, tremendo equívoco. Hoje, podemos perceber que muitos sacerdotes decoram suas casas com máscaras, afim de retomar suas raízes.

Agora que já sabemos como o povo banto se organizou no Brasil em um espaço religioso, conheçam seus rituais no próximo post – Candomblé de Tradição Banto Parte 3.

05/04/2021

NAÇÃO ANGOLA: QUEM SÃO OS BANTOS?

O Candomblé banto (Bantu) é uma das maiores “nações” desta religião de matriz africana. Bantu (Ba-Ntu) é uma denominação etnolinguística, é um termo semelhante a “Latinos”, “nórdicos” ou mesmo “anglo-saxões”. “Ba” é um prefixo coletivo e “ntu” quer dizer, simplesmente “gente”, “ser humano”, ou seja, Bantu é um termo genérico, arcaico e displicente, para definir os grupos humanos que habitam do centro do continente africano para baixo.

Segundo a tradição congo-angola, um deus supremo, chamado Nzambi Mpungu/ Phungu, domina o mundo. Esse nome significa “todo-poderoso”, nas línguas bantos.

Nas palavras de Balandier: “Nzambi rege a ordem do mundo e o curso das vidas. Ele é de um certo modo a imagem do Destino, as vicissitudes, as desgraças e a sorte, que atingem a existência dos seres humanos sem modificar o sentido geral do propósito divino e dependem de forças sobre as quais o homem pode exercer uma influência”. Essas forças citadas são os Nkisi (Inquice), que significa “feitiço, feitiçaria, forma mágica, magia”, diz Laman. Já Bittremieux, define-os como: “Criados por Deus, seres supra-humanos governam o mundo no seu lugar; são principalmente os Nkisi, espíritos, feitiços no sentido mais largo do termo. Se diz que nos velhos tempos os Nkisi eram ordinariamente bons e caridosos para os homens cujos corpos eles protegiam, mandando-lhes a chuva, a comida e o bem-estar”, seja qual for a tradução, o Nkisi é aquele que está entre nós para nos ajudar.

Hoje, há um grande equívoco, uma grande confusão ao sinonimizar Nkisi com Òrìsà ou Vodun. Inclusive, dos Nkisi cultuados no Brasil, muitos deles não se encontram nos relatórios. Outros, não combinam com as características que lhes são atribuídas no Brasil. Existe ainda em algumas casas uma semelhança com Òrìsà, que talvez não existisse no princípio, mas que foi se acentuando com o tempo. Podem existir certas coincidências com os Òrìsà e Vodun, no que diz respeito às suas cores, domínios, folhas, pedras, metais etc., mas ressalto sempre que cada divindade tem suas particularidades e peculiaridades independentes, características e personalidades individuais.

A originalidade dessa “nação religiosa” está na parte musical e na coreografia. Os atabaques são tocados com as mãos. Os ritmos são originais: rebate, congo, cabula, barravento. Algumas rezas são em língua quimbundo, outras em quicongo. A coreografia não segue o sistema da roda no barracão e os Nkisi dançam em duas filas, de frente uns para os outros, avançando e cruzando-se.

Como já havia informado no post anterior, é muito difícil encontrar a origem dos Nkisi cultuados no Brasil. Primeiro pelos poucos documentos existentes a respeito, até mesmo pelo pouco pesquisadores que se interessaram, podendo servir de referência apenas Laman, Bittremieux e Van Wing. Segundo que existiu uma disputa entre os povos africanos, onde os habitantes do norte da África sentiam-se superiores e essas pessoas acabaram tendo maiores influências na sociedade criando esse mito de que os países do sul da África eram inferiores, mas tudo não passou de disputa de status e interesses, no fim das contas ambos estavam na mesma situação. Terceiro, e último, que a evangelização era muito forte no período de 1596, quando a Ordem dos Capuchinhos, representando a Igreja Católica, se instalou fortemente nos países africanos, evangelizando e batizando (à força) em grande escala a população, destruindo e queimando os ídolos a fim de erradicar as “superstições”.

Conheçam os termos corretos a serem utilizados em uma casa de tradição banto no próximo post – Candomblé de Tradição Banto Parte 2.

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