24/08/2024
Ele tinha uma visão de mundo bem coerente com a visão de outros bispos como Dom Evaristo Arns, em São Paulo; Dom Pelé, João Pessoa e Dom Helder Câmara, em Recife e Olinda.
Todos esses religiosos ajudaram a organizar a luta da classe trabalhadora, abrindo suas dioceses para os movimentos e criando espaços de evangelização como ‘Encontro de Irmãos’, ‘Comunidades Eclesiais de Base’, ‘Pastoral da Terra’, ‘Pastoral Operária’, ‘Pastoral da Juventude’.
Também abriram a Igreja de Jesus Operário, para que as forças de luta e resistência pudessem adentrar e participar ativamente da luta cotidiana pelo direito a uma vida digna.
Em poema o bispo-poeta Casaldáliga escreve e descreve a “Confissão do Latifúndio”: “Por onde passei,/ plantei/ a cerca farpada,/plantei a queimada./ Por onde passei,/ plantei/ a morte matada./ Por onde passei,/ matei/ a tribo calada,/ a roça suada,/ a terra esperada…/ Por onde passei,/ tendo tudo em lei,/ eu plantei o nada”.
Versos que demonstram sua visão firme de combate ao latifúndio, um dos grandes responsáveis pela violência e injustiça social.
Além do compromisso social com a luta dos povos da floresta ele tinha uma ação ecológica na defesa dos rios e da floresta amazônica.
Num dos versos em que faz uma ‘Louvação a comadre chuva’, ele dizia: “(…) Para os compadres, vistosa:/ respeitada até do sol,/ Vens, por graça do Divino;/ Faltas, por culpa de nós”.
O grande romancista sertanejo Guimarães Rosa disse em sua obra “Grande Sertão: Veredas” “(…) que os homens especiais não morrem, eles se encantam (…)”.
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