22/11/2022
*DEFESA PESSOAL*
É comum, na atualidade, face ao aumento da violência reinante, que as criaturas cogitem portar armas ou tê-las em casa, para uma eventualidade.
Tais pessoas não se apercebem da inutilidade da medida. Mais do que isso, quando alguém passa a portar arma, está se condicionando, predispondo-se a utilizá-la. E nunca a violência mostrou ter sanado a violência.
Armas em casa têm trazido, até agora, maior soma de dores e transtornos.
São inúmeros os casos de crianças que, curiosas, acionam armas dos pais ou irmãos maiores, ferindo-se ou ferindo a outros. Às vezes, mortalmente.
Vários são também os casos de pais que acionaram gatilhos contra os próprios filhos, retornando ao lar altas horas da noite, pensando se tratar de assaltantes.
Ao abordar a questão, o Codificador da Doutrina Espírita, Allan Kardec, recebeu dos Espíritos a resposta de que só a necessidade pode desculpar o assassinato.
Se pudermos, dizem, preservar a nossa vida sem atentar contra a do agressor, é o que devemos fazer.
Ora, quando alimentamos a ideia de ferir a outrem, se formos agredidos, descemos ao nível do criminoso. Além disso, sintonizando com faixas de agressão, passamos a ser alvo muito fácil de agressores de toda sorte.
Os adeptos do bateu, levou dizem que agem com agressividade porque já aguardavam a agressão do outro.
Explicam que preferem desferir o primeiro golpe, antes de que o outro o faça.
O que ocorre é que a violência sempre gera maior carga de violência.
Os outros agridem porque também agrediríamos se nossa fosse a chance. Magoam porque faríamos o mesmo se tivéssemos a oportunidade.
É importante que não sejamos nós os violadores, os agentes do mal.
O orador espírita Divaldo Pereira Franco narra interessante experiência pessoal. O assaltante lhe coloca uma faca ao pescoço, em plena rua, e tenta agredi-lo.
Ante a calma que busca aparentar, explicando nada ter para dar, nem o relógio, que esquecera sobre a mesa, em casa, o criminoso cede e é convencido a ir até o apartamento onde se hospedava Divaldo.
De pernas bambas, pelo susto que tomara, Divaldo é amparado pelo quase assaltante.
Um longo papo, um café, um telefonema que aciona companheiros espíritas, um confrade que se oferece para empregar o rapaz em desespero e eis um amigo conquistado. Um bandido a menos nas ruas.
A melhor técnica, portanto, de defesa pessoal é a confiança em Deus, a vida nobre, o desarmamento íntimo. Revidar mal por mal é nos tornarmos iguais ao mau.
Desarmarmo-nos interiormente - eis uma grande decisão. Afinal, vivemos prevenidos uns contra os outros, sempre com a palavra ferina e o gesto de revide.
Gandhi e Jesus foram grandes defensores do não revide, da não violência, num mundo de homens violentos em que viveram.
Deixaram-se imolar em nome desse ideal.
* * *
Não esqueçamos de que o agressor está perturbado e uma reação violenta, de nossa parte, somente agravará a situação, que poderá acabar em tragédia.
A tranquilidade do agredido infunde paz no violento, que se desarma do ódio e se dá conta da sua hostilidade sem justificativa.
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Redação do Momento Espírita, com base no cap. 17, do livro Pelos caminhos de Jesus, pelo Espírito Amélia Rodrigues, psicografia de Divaldo Pereira Franco.