02/06/2022
ADAPTAR-SE É PRECISO
É importante lembrar da necessidade de nos adaptarmos sempre aos ambientes onde estamos inseridos ou onde estamos trabalhando. Não se pode agir da mesma maneira em todos os locais. Cada local tem suas peculiaridades, suas especificidades. A conduta, o zelo e o respeito devem estar de acordo e condizentes ao ambiente e ao conjunto de pessoas que nos rodeiam.
Assim sendo, concluímos que nós não podemos agir e trabalhar da mesma forma dentro de um salão de festas e dentro de uma Igreja. Isto mesmo! Não é tudo igual. De uma forma mais incisiva, tenho plena certeza de que precisamos atuar ou agir como sendo duas equipes totalmente diferentes, bem distintas, uma na cerimônia e outra na recepção. Como profissionais, devemos realmente pensar como se fossemos contratados para dois eventos(*) totalmente diferentes.
A decoração para uma confraternização tende a possuir mais brilho, mais cores, mais elementos chamativos e atrativos. Inversamente a isto, a Cerimônia Religiosa não requer nenhuma ostentação, prevalece a leveza e a humildade. Na verdade, nem mesmo há necessidade de uma decoração dentro da Igreja para o Matrimônio, não é obrigatório. Salienta-se que não podemos transformar o aspecto da Igreja. Nada deveria ter mais destaque do que os próprios noivos sacramentalizando sua união, muito menos ofuscando Cristo presente no Altar. Menos decoração enfatizará este olhar voltado ao que está realmente acontecendo perante o Altar. A decoração ou ornamentação não deve ser vista como para “deixar a Igreja mais bonita”. A beleza já está presente naturalmente no próprio templo, nos seus elementos e simbolismos, no Rito e na Liturgia, precisamos aprender a “olhar com outros olhos”. E, é claro, ter conhecimento do que pode ser realizado e onde pode ser ornamentado dentro de uma Igreja. Nem tudo é permitido, como por exemplo flores artificiais. A criação de um ambiente diferenciado, com tendências do momento e com o estilo pessoal do casal, pode ser realizada livremente no salão da recepção.
Este é um grande dia para o casal, e merece ser registrado de todas as formas. Mas dentro da Igreja, como já mencionado, o mais importante é o Sacramento que está acontecendo perante o Altar. Nunca mudar o foco e atenção das pessoas pela movimentação excessiva e exagerada da equipe de imagens. Corridas e malabarismos não são adequados ao ambiente Sagrado. Não há necessidade de um exagerado número de equipamentos, muitas vezes posicionados sobre ou em frente aos elementos litúrgicos. Lembrar que o Presbitério é Solo Sagrado, e por isso não se pode subir neste. Quando liberado pelo Presidente da Celebração, este acesso ao Presbitério deve ser realizado com discrição e respeito, sem muito caminhar e cruzar, buscando sempre utilizar os tripés fixos. Deixar sempre o Rito fluir normalmente, espontaneamente, sem interferências ou aproximação excessiva. Não ofuscar a Liturgia da Palavra, deixar que tanto noivos quanto convidados possam ouvir e entender as Palavras proferidas exclusivamente para aquele ato Sacramental. Permanecer neste momento nos “bastidores”, tomando imagens a distância, sem movimentação. Montagens de cenas, fotos posadas e repetidas, criação de momentos, tudo será bem-vindo após a cerimônia, no lado externo ou na recepção.
Nenhum momento festivo estaria completo sem uma música, seja mecânica, instrumental ou vocal. Interpretações, gestos, danças, figurinos brilhantes e por vezes ousados. Temos diversas opções de equipes musicais, compostas por músicos e musicistas com grande técnica. Para a recepção festiva, a música deve chamar a atenção, animar, embalar, dar movimento aos momentos que estão acontecendo. Mas lembremos de um grande detalhe! Mais do que técnica, o profissional precisa estar disposto a conhecer o Rito para poder tocar ou cantar a Liturgia de forma correta. Mais do que sonoridade, dentro da Igreja faz-se necessário o silêncio, para a devida preparação da assembleia. Não fazer dos momentos que antecedem a cerimônia uma apresentação musical com prelúdios, mas sim permitir que todos entrem em oração e reflexão para com o casal. A música não serve apenas para dar ênfase às entradas, mas sim tem função primordial de auxiliar e acompanhar a liturgia. O bem preparar a cerimônia e seu roteiro musical deveria contemplar um vocal para entoar liturgicamente o salmo, enfatizar a Palavra entoando sua Aclamação e dar a devida importância ao momento da Eucaristia. Fazer uso de músicas liturgicamente corretas, existem músicas propícias para cada momento. Nunca usar apenas o conceito de ser uma música bonita, bem conhecida ou da tendência para simplesmente encaixá-la nos momentos do Ritual.
Para todo evento existe um cerimonial a ser conduzido. Muita criatividade no planejamento, definições de roteiros, busca de novidades, descobrir estilos, seguir etiquetas, gerenciar todos os serviços, uso de novas tecnologias e determinar o que fazer a cada etapa do evento. A figura do cerimonialista deve ser presente durante todas as etapas do casamento, desde a cerimônia religiosa até o encerramento da festa, porém com atribuições bem diferenciadas. Lembremos que o Sacramento do Matrimônio já possui um Rito pronto. Não há necessidade de criatividade ou inovação. Deve prevalecer o respeito em seguir o que é orientado pelo Ritual. As variações serão encontradas e permitidas apenas na parte das entradas, na qual algumas Igrejas são mais maleáveis e permitem algo mais do que é previsto pelo Ritual. Ser maleável não quer dizer ser liberal, então como profissionais devemos saber dos limites. Nada de exageros, materialismo ou encenações. Estudar o Rito, saber a sequência, planejar a Liturgia com os noivos, ajudar a encaixar as devidas músicas em cada momento. Conhecer a Igreja, não apenas no aspecto de visita técnica ou layout, mas também o que ela é, seus ambientes, seu mobiliário e o que significa cada um deles.
Frisando, percebemos que Igreja e salão são locais diferentes, com necessidades diferentes e condutas específicas. Precisamos sim aprender e nos adaptar. O Sacramento é da Igreja, mas a cerimônia é do casal! Não é o Ministro Ordenado (padre ou diácono) que “faz” o casamento. A participação do casal nessa preparação e entendimento do que estarão fazendo é primordial. Como profissionais aprendamos e saibamos conduzir o planejamento com eles!
(*) usei apenas para enfatizar como dois momentos distintos, mas lembrando de que a Cerimônia Religiosa nunca poderá ser considerada como um evento.
Romoaldo Bortolan
Cerimonialista Religioso Católico