Casamento na Igreja Católica

Casamento na Igreja Católica Discussão sobre assuntos e temas pertinentes a casamentos dentro da Igreja Católica. Conhecendo a Igreja Católica e o Rito do Sacramento do Matrimônio.

Esta página visa atender aos noivos e profissionais para a correta celebração do Sacramento do Matrimônio. Serão abordados itens instrutivos, explicações sobre as normas vigentes e troca de informações. Este é mais um canal de comunicação para esclarecer todas as suas dúvidas.

APENAS UMA BÊNÇÃOMuitas vezes já ouvi: "vou casar na igreja num dia de semana para receber a bênção do padre, mas daí o ...
23/05/2023

APENAS UMA BÊNÇÃO

Muitas vezes já ouvi: "vou casar na igreja num dia de semana para receber a bênção do padre, mas daí o casamento mesmo será no sábado lá na chácara."
Se você está tendo esta mesma ideia, ainda é tempo de refletir, de repensar.
Primeiro, vamos entender que não é uma "simples bênção do padre". É muito mais do que isto. É um SACRAMENTO, o MATRIMÔNIO. Como já comentamos, é o casal quem realiza e celebra este sacramento. São eles que realmente preparam e vivenciam este momento, sendo apenas "assistidos" pelo padre ou diácono ali presente. A fala, os gestos, a entrega de um para com o outro é totalmente do casal.
Segundo, se eu penso que o casamento realmente será concretizado lá na chácara, estou DESVALORIZANDO totalmente o rito sacramental. Não estou dando nenhuma importância a ele. Este será uma mera obrigação ou ato complementar, quase escondido, pois na maioria das vezes nem convidados estarão presentes para acompanhar esta celebração.
Terceiro, não posso "refazer" o rito na chácara. Não posso levar o padre. Terá de ser uma cerimônia social, com celebrante social conduzindo. E agora, darei mais importância às palavras bonitas e votos do que à um ato sacramental e ao consentimento?
A "bênção do padre" será o reflexo de toda esta preparação do casal e seu zelo pela dignidade do Matrimônio. Não é um ato isolado e mágico. E assim, percebemos o quão belo é o brilho no olhar do casal com esta preocupação e consciência do bem celebrar.

Foto do Matrimônio de Tatiane e João
by Deborah Ayecha

VISITA TÉCNICA NA IGREJA Para o planejamento de um casamento se faz necessário a chamada VT ou visita técnica. Mas e na ...
19/02/2023

VISITA TÉCNICA NA IGREJA

Para o planejamento de um casamento se faz necessário a chamada VT ou visita técnica. Mas e na Igreja? Também devo fazer? Em se tratando de Igreja, não sejamos tão técnicos! Precisamos, sim, olhar com outros olhos. Quem sabe partir para uma visita mais humana e contemplativa. Geralmente tanto profissionais quanto noivos entram no templo com olhar já direcionado, prático e rápido. Mas este encontro com o sagrado deve ser de forma mais calma, mais tranquila, mais profunda. A Igreja pode ser construída de pedra, porém ela é VIVA! Precisamos realizar um diálogo com ela antes de qualquer tomada de decisão. Na verdade, este diálogo deve começar bem antes, lá fora. Quando nos aproximamos da Igreja, já precisamos iniciar a observação. Como é seu átrio, sua arquitetura, o que este conjunto me traz. Olhar para o alto, para a torre, para a cruz. Perceber o quão transcendental é este tocar o céu, o estar mais perto de Deus. Realizar a passagem pela Porta, o próprio Cristo que nos recebe, passar pela purificação do corpo e da mente no Nártex. Uma verdadeira transição do mundano para o sagrado. Sentar num dos bancos e continuar a dialogar. Observar o corredor da Nave, quais detalhes ele possui e sentir a real necessidade de cobri-lo com um tapete. Observar os detalhes dos elementos sacros, percebendo a necessidade de exaltá-los e não de cobri-los com ornamentações. Ouvir o silêncio e a paz interior, percebendo que não há necessidade de um grande aparato musical. Que esta paz interna não pode e nem deve ser quebrada por grande movimentação e correria de profissionais. Sentir a mensagem que todo este ambiente, seu mobiliário, as imagens, pinturas e afrescos estão nos transmitindo. Aproveitar este momento para ler o Rito, e com esta sensibilidade também perceber que não há necessidade de incluir falas, materiais ou ainda alterar sua sequência. O rito é completo, e sua fórmula é própria para a realização deste Sacramento.
Façamos sim esta visita ao Templo, ela é muito importante. Mas, a partir de agora, de uma forma diferente, mais respeitosa e ampla.


Romoaldo Bortolan
Cerimonialista Religioso Católico

REGRINHAS BÁSICASVocê irá realizar seu casamento na Igreja Católica? Você é profissional e irá trabalhar neste casamento...
03/11/2022

REGRINHAS BÁSICAS

Você irá realizar seu casamento na Igreja Católica? Você é profissional e irá trabalhar neste casamento? De uma forma bem resumida, como nós, noivos e profissionais, devemos agir para bem planejar e bem executar o casamento:

1º É uma cerimônia Religiosa.
Ponto final! Estamos inseridos num Templo e realizando uma cerimônia sacramental, desde a primeira entrada até a saída. O respeito ao sagrado e entender todo o simbolismo intrínseco se faz necessário durante toda nossa permanência dentro da Igreja.

2º A Igreja não é um espaço de eventos.
A cerimônia não é um evento. Você não contrata a Igreja nem o padre. O casal deve sentir o “chamado” da Igreja, e assim irá ao encontro dela para pedir o recebimento deste Sacramento. Você deve estar ciente e preparado para tal. A Igreja não é um simples espaço edificado de tijolos e pedras, ela é viva! Não queira transformá-la!

3º A Liturgia Sacramental não é um roteiro e falas a serem criadas.
Conheça o Rito, sua sequência, sua Liturgia, seu significado. A cerimônia já está pronta dentro do Ritual, precisamos apenas entendê-la, prepará-la e celebrá-la! Sejamos realmente os Ministros deste ato tão profundo. Planejar e se preparar com antecedência. Nunca deixar apenas para “repetir e fazer o que o padre mandar” lá no dia.

4º O Rito não é inserir pessoas e objetos na cerimônia.
Não crie, não invente, não inclua. Da porta para dentro da Igreja, abra mão do materialismo e do modismo. Não sejamos seguidores das mídias, mas sim busquemos na simplicidade de nossos atos o real significado do Matrimônio. Deixe o restante para a festa, para a recepção. “Deem a Cesar o que é de Cesar, e a Deus o que é de Deus”.

Casamento: Juliane e Lucas
Catedral de São José dos Pinhais
Foto: Fran Cantido


Romoaldo Bortolan
Cerimonialista Religioso Católico

É SÓ REPETIR...Como já comentamos anteriormente, são os noivos que celebram seu Matrimônio. Assim sendo, é muito importa...
05/10/2022

É SÓ REPETIR...

Como já comentamos anteriormente, são os noivos que celebram seu Matrimônio. Assim sendo, é muito importante que planejem com antecedência e seriedade este momento. Não se engane, preparar a cerimônia não é apenas pensar no cortejo de entrada e saída, quantos padrinhos e quantas crianças, quais materiais posso colocar... porque, no restante, é só seguir o que o padre mandar, respondendo e repetindo o que ele pedir.
Quando falamos em planejar a cerimônia, é fazer uma imersão no Ritual e na Liturgia. Pensar em todos os momentos que realmente fazem parte e acontecem durante a cerimônia. Saber sua sequência, ler, pensar e escolher (bem) sua Liturgia, escolher a pessoa certa para realizá-la. É pensar na musicalidade, não como um atrativo ou apenas por estética, mas sim como algo que realmente auxilie e complemente a Liturgia.
E como sempre coloco aos noivos durante nosso encontro na Igreja, que este momento sacramental seja único e verdadeiro. Que não haja interrupções nem desvio de olhares. Nada ao redor do casal pode atrapalhar sua concentração e sua fala. Este momento é muito importante, e é todo de vocês casal!
A começar pelo DIÁLOGO. Basta responder SIM?! Sim, desde que seja verdadeiro. Estou ciente da pergunta? Estou sendo sincero comigo, com meu noivo ou minha noiva, e para com a Igreja? Ou estou cumprindo apenas um protocolo. Estou de ouvidos realmente abertos? Sei de antemão quais são estas 3 perguntas tão importantes?
E passamos ao CONSENTIMENTO, o momento mais importante do Rito Sacramental. É a realização do Sacramento pelos noivos. NÃO SÃO VOTOS! É a fórmula onde o noivo e a noiva se entregam inteiramente um ao outro. E não é só repetir as palavras que o padre está falando. Também não apenas ler umas palavras ao outro. Muito menos decorar uma frase bonita. Não há necessidade de decorar, mas sim saber e entender o que irei falar. E não falar da boca para fora apenas, mas sim lá de dentro, do coração! E não esqueçam: sempre OLHO NO OLHO! Permitam-se ver e deixar ser visto pelo outro na sua integridade, no brilho do olho. Não é apenas para deixar a foto mais bonita, mas para que este momento e este ato sejam repletos de amor e reciprocidade. A partir deste momento não serão mais dois, mas uma só carne.
E tudo culmina com as ALIANÇAS, um símbolo visível destas promessas. E como no consentimento, a fala para a entrega das alianças também seja conhecida com antecedência, que sejam bem pronunciadas, vindas do coração. E o olho no olho continua! Ah, mas se eu não olhar para a mão irei errar! Sempre oriento que apenas apoiem as mãos e encostem a aliança no dedo, parem este movimento e cruzem os olhares novamente. Permaneçam com o olho no olho durante toda a fala da entrega. Terminada a fala, eis o momento para você correr a aliança pelo dedo e, se possível, elevar a mão do cônjuge e beijar-lhe a aliança já posicionada.
Planeje seu tempo. Não atrase. Permita-se aproveitar ao máximo e degustar deste Sacramento como um todo. Sinta cada momento, cada palavra. Tudo tem seu significado, sua essência, sua importância. Não é fazer por fazer, ou pra ter uma bela foto. Não é só repetir, mas sim BEM CELEBRAR!


Romoaldo Bortolan
Cerimonialista Religioso Católico

A LITURGIAOs noivos precisam compreender que “casar na Igreja” não é simplesmente ir à secretaria agendar e depois compa...
12/08/2022

A LITURGIA

Os noivos precisam compreender que “casar na Igreja” não é simplesmente ir à secretaria agendar e depois comparecer na data marcada para o “padre realizar o casamento”. Não será o ministro ordenado presente o protagonista desta celebração. Não devemos delegar tudo a ele. Muitos ainda pensam de forma errada: iremos lá para receber a “bênção do padre”, ou então, vamos lá, é só seguir o que o “padre mandar fazer”. Aprendamos a dar importância e valorizar nosso Sacramento do Matrimônio!
E sobre a Liturgia, ela vai muito além do que apenas escolher alguém para ler um trecho de última hora já na fila do cortejo de entrada. A Liturgia é algo sensível através da qual sentimos a real presença de Cristo em nosso meio durante aquela cerimônia em questão. A Liturgia é a participação efetiva da comunidade juntamente com o ministro ordenado na realização de todo o Mistério que envolve Cristo. E assim também deve ser com os noivos, seus convidados e por que não de seus profissionais?! A Igreja é a comunidade, os noivos fazem parte desta comunidade, juntamente com todos os demais parentes e amigos. A Igreja é o Corpo do qual Cristo é a Cabeça. Todos nós envolvidos somos membros deste grande Corpo. Somos todos um, a agradecer e pedir graças ao Pai através do seu Filho, o Cristo presente no Altar. E assim todos juntos saibamos visualizar e entender esta Liturgia. É o respeito, o ouvir, o cantar, o responder, o rezar. É o alimentar-se da Palavra e do Pão. A Liturgia envolve o movimento, os gestos, o ritual, os sons e até mesmo o silêncio. Os pais, padrinhos e demais convidados ali estão não para assistir a um desfile, a um evento social, mas sim seguindo plenamente o Rito. Todos estão ali como convidados dos noivos para participarem desta grande Liturgia Sacramental, para sentirem realmente que Cristo está se personificando no meio do casal através de todo aquele ritual realizado. E com este Cristo, nos direcionamos ao Pai, pedindo graças por esta união indissolúvel.
Agora falando um pouco da Liturgia da Palavra. Tanto os noivos quanto os profissionais cerimonialistas devem sim planejar este momento. O Sacramento é da Igreja, mas a cerimônia é do casal. Deve haver sim participação ativa neste planejamento. Mas para isto precisamos compreender o que é este momento da Liturgia. O Ritual do Matrimônio (o famoso livro vermelho) é de fácil acesso para todos. Nele temos diversos trechos bíblicos voltados especificamente ao tema casamento. E como procedo com estas escolhas?
1ª Leitura: nos casamentos realizados sem a Missa, deve ser escolhida apenas uma leitura, dentro das diversas apresentadas (no caso de ser com Missa, teríamos duas leituras). Não escolher por tamanho ou por ser mais rápida, mas sim pelo conteúdo. Leiam todas e escolham aquela a qual realmente traga uma motivação ao casal. Junto a isto, escolha uma pessoa dentre seus convidados para realizá-la. Tome o cuidado de escolher não por afinidade, mas sim por ser aquela pessoa ativa ou participante das celebrações de Missas. Melhor ainda se esta pessoa já participe da Liturgia na Igreja. Atentar para o traje desta pessoa, pois ela estará subindo ao Altar da Palavra (Ambão), e a este devemos grande respeito e reverência.
Salmo: não é apenas uma música, assim sendo, nunca trocar este momento por um canto qualquer. Ele é um canto litúrgico, e sua letra consta nas variadas opções dentro do Ritual. Ao escolher a equipe musical, pense na Liturgia e no acompanhamento vocal da cerimônia. Como é belo o salmo entoado com uma melodia própria. Mas lembre-se, não é uma apresentação musical. Este deve ser realizado de forma meditativa e responsorial, com resposta e participação de todos os convidados. Percebe-se aqui a responsabilidade e necessidade de planejamento também da equipe musical para com a cerimônia.
Aclamação: novamente vemos a importância do vocal dentro da equipe musical, para realizar o canto de Aclamação ao Evangelho. É um canto Litúrgico e propício para o momento, não podendo ser substituído. É o momento de grande alegria onde, em pé, acolhemos o Cristo na Palavra que será proclamada em seguida.
Evangelho: ele é proclamado pelo ministro ordenado, mas pode ser escolhido pelo casal. Da mesma forma, existem opções específicas dentro do Ritual. Em pé aclamamos, e em pé continuamos para receber esta Palavra Viva. Com atenção e respeito sempre. Por isso é solicitado aos profissionais para que não se movimentem neste momento da Liturgia como um todo, inclusive na posterior homilia. Tudo isto para não tirar o foco e atenção das pessoas, e que todos possam realmente ouvir, entender e “degustar” esta Palavra.
Assim também para as preces. Temos duas opções dentro do Ritual do Matrimônio. Incluí-las no planejamento e na escolha da pessoa para realizá-la. Lembrar de sempre passar com antecedência cópias destes trechos para que as pessoas possam “estudar” e, no dia, sem preocupação, realizarem a leitura com calma e entonação devida, para a fácil compreensão de todos. Não há necessidade de preparar folhetos personalizados com o roteiro da cerimônia e distribuir para os convidados. Evitar tudo o que possa tirar a atenção das pessoas. A intenção é que todos estejam com olhos e ouvidos atentos ao que está acontecendo no Presbitério.
Mas reforçamos a questão do planejamento e do diálogo. Montar o roteiro da cerimônia, com a escolha dos trechos, das músicas (sempre propícias para uma cerimônia religiosa) e apresentá-lo ao padre ou responsável com a devida antecedência. Tudo isto será de grande importância para que a Liturgia do seu grande dia seja bela e inesquecível. Que não haja apenas preocupações mundanas na celebração, mas sim que o casal e todos os demais possam sentir a graça advinda deste Sacramento.



Romoaldo Bortolan
Cerimonialista Religioso Católico

TRANSCENDENTALQuando você realmente conhece a Igreja e tudo o que ela simboliza, com certeza sua visão será diferente. A...
05/07/2022

TRANSCENDENTAL

Quando você realmente conhece a Igreja e tudo o que ela simboliza, com certeza sua visão será diferente. Adentrar neste Templo Religioso não será mais um mistério completo, nem motivo de medo ou apreensão. Você se sentirá em sua casa! Saberá que Ele está ali, presente em cada elemento, sempre a te receber de braços abertos. Indiferente se você está participando de uma celebração, trabalhando ou apenas de passagem “turistando”. Será sempre bem-vindo para ouvir e conversar com Ele.
Ao entrar na Igreja você deve sentir seus passos, entender sua caminhada por cada ambiente. Esta caminhada deve transpor barreiras, deixando de lado aquela visão apenas do concreto e do material, mas sim elevando o olhar para um outro patamar. Essa caminhada, esse conhecimento e essa interpretação devem tornar nossa presença ali como algo transcendental. Desde a própria arquitetura, os ambientes, o mobiliário, os elementos, os afrescos, as imagens, o som (ou o silêncio), a luz... tudo deve nos elevar. Nosso olhar naturalmente irá para o alto, em busca do Sagrado, ou melhor, em busca de nosso Deus!
Não sejamos imediatistas, adentrando rapidamente nas Igrejas (profissionais e noivos) apenas para verificar espaços e o layout para montar nosso “evento” religioso. Tenhamos calma. Passo a passo, muita observação, deixando o sentimento livre. Pare um instante, permita toda esta Igreja conversar contigo antes da tomada de decisões. O diálogo é realizado entre pelo menos duas pessoas, e de preferência olho no olho. Não deixe esta Igreja num monólogo, não dê as costas para o Cristo no Altar. Nunca esqueça Dele, encobrindo toda esta essência com luzes, materiais, flores e altos sons.
Vamos buscar esta experiência? Tentar abrir mais nossos olhos e ouvidos. Aprender, compreender e sentir mais. A Igreja não é apenas feita de tijolos, ela é VIVA!




Romoaldo Bortolan
Cerimonialista Religioso Católico

Foto: Fran Cantido - Catedral de São José dos Pinhais.

O EVENTOPara melhor entender o planejamento do “evento casamento”, vamos observar o gráfico ilustrativo. A figura 1 ilus...
23/06/2022

O EVENTO

Para melhor entender o planejamento do “evento casamento”, vamos observar o gráfico ilustrativo. A figura 1 ilustra como geralmente o planejamento é realizado, o casamento como único e grande evento. Segmentamos todas as necessidades e iniciamos o processo. Porém, na prática, o que mais percebemos é que a Igreja é vista logo no início devido a sua localização e data, e abandonada por um grande período. Damos ênfase a todos os demais serviços e contratações, e deixamos para última hora a questão religiosa, onde às vezes até mesmo a parte documental do processo é esquecida. Precisamos entender a necessidade de planejarmos este conjunto separadamente, conforme figura 2. Cada uma destas etapas possuem suas especificidades e suas peculiaridades no quesito planejamento. Vemos que a junção das necessidades do social, com o religioso e com o civil é que formarão um evento completo e bem planejado. Podemos perceber a grande quantidade de itens que precisam ser observados em cada uma das 3 etapas, e como são de extrema importância para sua realização.
Tanto no civil quanto no religioso precisamos observar as datas, prazos e horários. Você já pensou se esquecer de levar algo no cartório, ou então atrasar no dia agendado para seu casamento civil? Quais serão as sanções? Idem para o religioso, onde o processo tem que estar completo no prazo estipulado, e no grande dia, nenhum atraso! Se atente aos prazos do religioso, quais documentos necessita, agende imediatamente o curso de noivos. Leiam, estudem, escolham e preparem com antecedência a Liturgia. Conheçam o Rito, para que no dia as suas falas saiam com maior entonação, com mais certeza. Não deixe as músicas a cargo simplesmente dos profissionais, saiba também escolher, identificar e locar as músicas em seus devidos momentos. O mesmo para a decoração. Visitar e conhecer o Templo com antecedência é de grande importância para saber qual a necessidade de ornamentação. Preciso realmente de tudo isso? Ou a Igreja já possui um forte apela decorativo com sua arquitetura, inclusive do piso? Vamos decorar, então em qual intensidade? E nada decidido automaticamente, na hora, sem antes consultar a própria Igreja.
Vamos dar a devida importância a cada uma das 3 etapas, valorizando cada momento. Que o civil e o religioso entrem nos cronogramas de atividades do planejamento desde a fase inicial. Quanto antes houver esta preocupação e o diálogo com as partes, tenha certeza que seu grande dia será bem tranquilo!

Romoaldo Bortolan
Cerimonialista Religioso Católico

ADAPTAR-SE É PRECISO É importante lembrar da necessidade de nos adaptarmos sempre aos ambientes onde estamos inseridos o...
02/06/2022

ADAPTAR-SE É PRECISO

É importante lembrar da necessidade de nos adaptarmos sempre aos ambientes onde estamos inseridos ou onde estamos trabalhando. Não se pode agir da mesma maneira em todos os locais. Cada local tem suas peculiaridades, suas especificidades. A conduta, o zelo e o respeito devem estar de acordo e condizentes ao ambiente e ao conjunto de pessoas que nos rodeiam.
Assim sendo, concluímos que nós não podemos agir e trabalhar da mesma forma dentro de um salão de festas e dentro de uma Igreja. Isto mesmo! Não é tudo igual. De uma forma mais incisiva, tenho plena certeza de que precisamos atuar ou agir como sendo duas equipes totalmente diferentes, bem distintas, uma na cerimônia e outra na recepção. Como profissionais, devemos realmente pensar como se fossemos contratados para dois eventos(*) totalmente diferentes.
A decoração para uma confraternização tende a possuir mais brilho, mais cores, mais elementos chamativos e atrativos. Inversamente a isto, a Cerimônia Religiosa não requer nenhuma ostentação, prevalece a leveza e a humildade. Na verdade, nem mesmo há necessidade de uma decoração dentro da Igreja para o Matrimônio, não é obrigatório. Salienta-se que não podemos transformar o aspecto da Igreja. Nada deveria ter mais destaque do que os próprios noivos sacramentalizando sua união, muito menos ofuscando Cristo presente no Altar. Menos decoração enfatizará este olhar voltado ao que está realmente acontecendo perante o Altar. A decoração ou ornamentação não deve ser vista como para “deixar a Igreja mais bonita”. A beleza já está presente naturalmente no próprio templo, nos seus elementos e simbolismos, no Rito e na Liturgia, precisamos aprender a “olhar com outros olhos”. E, é claro, ter conhecimento do que pode ser realizado e onde pode ser ornamentado dentro de uma Igreja. Nem tudo é permitido, como por exemplo flores artificiais. A criação de um ambiente diferenciado, com tendências do momento e com o estilo pessoal do casal, pode ser realizada livremente no salão da recepção.
Este é um grande dia para o casal, e merece ser registrado de todas as formas. Mas dentro da Igreja, como já mencionado, o mais importante é o Sacramento que está acontecendo perante o Altar. Nunca mudar o foco e atenção das pessoas pela movimentação excessiva e exagerada da equipe de imagens. Corridas e malabarismos não são adequados ao ambiente Sagrado. Não há necessidade de um exagerado número de equipamentos, muitas vezes posicionados sobre ou em frente aos elementos litúrgicos. Lembrar que o Presbitério é Solo Sagrado, e por isso não se pode subir neste. Quando liberado pelo Presidente da Celebração, este acesso ao Presbitério deve ser realizado com discrição e respeito, sem muito caminhar e cruzar, buscando sempre utilizar os tripés fixos. Deixar sempre o Rito fluir normalmente, espontaneamente, sem interferências ou aproximação excessiva. Não ofuscar a Liturgia da Palavra, deixar que tanto noivos quanto convidados possam ouvir e entender as Palavras proferidas exclusivamente para aquele ato Sacramental. Permanecer neste momento nos “bastidores”, tomando imagens a distância, sem movimentação. Montagens de cenas, fotos posadas e repetidas, criação de momentos, tudo será bem-vindo após a cerimônia, no lado externo ou na recepção.
Nenhum momento festivo estaria completo sem uma música, seja mecânica, instrumental ou vocal. Interpretações, gestos, danças, figurinos brilhantes e por vezes ousados. Temos diversas opções de equipes musicais, compostas por músicos e musicistas com grande técnica. Para a recepção festiva, a música deve chamar a atenção, animar, embalar, dar movimento aos momentos que estão acontecendo. Mas lembremos de um grande detalhe! Mais do que técnica, o profissional precisa estar disposto a conhecer o Rito para poder tocar ou cantar a Liturgia de forma correta. Mais do que sonoridade, dentro da Igreja faz-se necessário o silêncio, para a devida preparação da assembleia. Não fazer dos momentos que antecedem a cerimônia uma apresentação musical com prelúdios, mas sim permitir que todos entrem em oração e reflexão para com o casal. A música não serve apenas para dar ênfase às entradas, mas sim tem função primordial de auxiliar e acompanhar a liturgia. O bem preparar a cerimônia e seu roteiro musical deveria contemplar um vocal para entoar liturgicamente o salmo, enfatizar a Palavra entoando sua Aclamação e dar a devida importância ao momento da Eucaristia. Fazer uso de músicas liturgicamente corretas, existem músicas propícias para cada momento. Nunca usar apenas o conceito de ser uma música bonita, bem conhecida ou da tendência para simplesmente encaixá-la nos momentos do Ritual.
Para todo evento existe um cerimonial a ser conduzido. Muita criatividade no planejamento, definições de roteiros, busca de novidades, descobrir estilos, seguir etiquetas, gerenciar todos os serviços, uso de novas tecnologias e determinar o que fazer a cada etapa do evento. A figura do cerimonialista deve ser presente durante todas as etapas do casamento, desde a cerimônia religiosa até o encerramento da festa, porém com atribuições bem diferenciadas. Lembremos que o Sacramento do Matrimônio já possui um Rito pronto. Não há necessidade de criatividade ou inovação. Deve prevalecer o respeito em seguir o que é orientado pelo Ritual. As variações serão encontradas e permitidas apenas na parte das entradas, na qual algumas Igrejas são mais maleáveis e permitem algo mais do que é previsto pelo Ritual. Ser maleável não quer dizer ser liberal, então como profissionais devemos saber dos limites. Nada de exageros, materialismo ou encenações. Estudar o Rito, saber a sequência, planejar a Liturgia com os noivos, ajudar a encaixar as devidas músicas em cada momento. Conhecer a Igreja, não apenas no aspecto de visita técnica ou layout, mas também o que ela é, seus ambientes, seu mobiliário e o que significa cada um deles.
Frisando, percebemos que Igreja e salão são locais diferentes, com necessidades diferentes e condutas específicas. Precisamos sim aprender e nos adaptar. O Sacramento é da Igreja, mas a cerimônia é do casal! Não é o Ministro Ordenado (padre ou diácono) que “faz” o casamento. A participação do casal nessa preparação e entendimento do que estarão fazendo é primordial. Como profissionais aprendamos e saibamos conduzir o planejamento com eles!

(*) usei apenas para enfatizar como dois momentos distintos, mas lembrando de que a Cerimônia Religiosa nunca poderá ser considerada como um evento.



Romoaldo Bortolan
Cerimonialista Religioso Católico

CONHEÇO A IGREJA? – PARTE 4 “Padre, podemos subir no altar?” Esta é uma pergunta corriqueira que ouvimos. E dando contin...
17/05/2022

CONHEÇO A IGREJA? – PARTE 4

“Padre, podemos subir no altar?”
Esta é uma pergunta corriqueira que ouvimos. E dando continuidade a este conhecer melhor a Igreja, venho hoje abordar justamente sobre esta interpretação errônea, a qual acaba gerando confusão e, consequentemente, deixamos de dar a devida dignidade a este elemento sacro.
Ninguém “sobe no altar”. Todo o povo fiel dentro do templo está sim ao redor do Altar. Os noivos caminham pela nave em direção ao Altar. Perante o Altar, os noivos celebram seu Matrimônio. E quando subimos, com a devida permissão e respeito, é no Presbitério. O Presbitério é a porção, na maioria das Igrejas, mais elevada e destacada em relação à Nave. Como já vimos em outro tópico, não devemos subir no Presbitério por se tratar de um solo sagrado. Nunca posicionar pais e padrinhos nele. E quando autorizado aos profissionais, o façamos com o devido respeito, sem transformá-lo num mero corredor para movimentação constante. Inclusive os noivos não sobem, mas sim permanecem na Nave, ao final do corredor. Em alguns casos específicos, dependendo da necessidade ou layout do Templo, o casal é convidado a subir alguns degraus do Presbitério.
O ALTAR é a “mesa” existente no Presbitério, o elemento/mobiliário mais importante do Templo, sobre o qual e ao redor do qual a Igreja é construída. O Altar é o centro de tudo. É a mesa da ceia, do sacrifício de Cristo. É onde acontece a Páscoa em toda a Celebração. É o Altar do sacrifício do Cordeiro. Sobre ele a oferenda é consagrada e transformada em Corpo e Sague de Cristo para alimentar seu povo. O Altar é reverenciado e merece todo respeito.
Assim, não usar o Altar como “pedestal” para arranjos florais, nem como apoio de equipamentos de som e imagem, nem depositar lencinhos e o buquê da noiva. Durante a celebração do Matrimônio é aconselhável o uso de uma credência, uma mesa auxiliar para realmente apoiar todo este material celebrativo.
Conhecer o ambiente no qual estamos trabalhando é essencial para uma correta execução. Poder dar a devida atenção aos noivos, mas com todo o respeito ao espaço celebrativo. Detalhes e conhecimento que podem fazer a diferença, permitindo que as Portas da Igreja possam continuar sempre abertas para estes profissionais.

Altar da Catedral de São José dos Pinhais
Foto: Fran Cantido


Romoaldo Bortolan
Cerimonialista Religioso Católico

Endereço

São José Dos Pinhais, PR

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