A partir da década de 1880, além da igrejinha de São João Batista construída na sede do Município de São José dos Pinhais, próximo a antiga igreja matriz, outras igrejas ou capelas foram surgindo em diferentes localidades. Nessas construções, as pesquisas apontaram para uma realidade na qual foi extremamente importante a ação da população. Geralmente a iniciativa partia de uma ou de várias família
s, desejosas de possuir uma igreja ou capela em local o mais próximo possível de suas residências. Até o início do século XX, estes espaços homenageavam principalmente Santa Ana, São Sebastião, São José, São João, São Pedro, Santo Antonio e Bom Jesus. No início, várias delas surgiram dentro de propriedades particulares. Com o passar dos anos, a maioria dos proprietários de igrejas ou capelas particulares fizeram a doação do terreno para a comunidade ou para a instituição da Igreja Católica. Além dessas igrejinhas, em muitas ocasiões, pessoas de pequenas comunidades costumavam reunir-se para construir uma capela que atendesse a diferentes famílias
Quando começaram a surgir, algumas foram edificadas com paredes de pedras e outras com madeiras até na cobertura, pois as comunidades não possuíam telhas de barro. As construções em tijolos, ou alvenaria, apareceram mais tarde, na virada para o século XX. Através das poucas informações arquivadas na Igreja Matriz e outros arquivos oficiais das novas paróquias do município, pode-se constatar o surgimento ou reconstrução de várias igrejas ou capelas. Com o passar do tempo, alguns nomes de localidades foram modificados e outros já não mais pertencem a São José dos Pinhais. Em específico a Capela Santo Antonio, localizada na comunidade de Cotia no Município de São José dos Pinhais, não possui identificação da data de inauguração, consta nos arquivos, registros de documentos datado de 1908, nos quais é possível atribuir a existência da Capela da Cotia. Oficialmente, as origens da localidade de Cotia são desconhecidas. Já no final do século XIX, nos poucos documentos em que seu nome é citado, ela aparece como “Cotia” ou “Cutia”. Nada ficou nos arquivos municipais que identifique seu surgimento, mas como em outras localidades do município, é quase certo que ainda no transcorrer do século XVIII, a Cotia passou a ser habitada por antigos descendentes dos colonizadores portugueses. De acordo com um levantamento de proprietários de terra do ano de 1893, ano este em que vários imigrantes europeus já ocupavam diferentes espaços são-joseense, na Cotia ou Cutia, a maioria das pessoas, segundo os sobrenomes, possuía descendência de portugueses. Este levantamento mostra que as terras locais se encontravam divididas em mais de quarenta propriedades, das quais poucas eram de imigrantes europeus não portugueses. Os proprietários possuíam os seguintes sobrenomes: Baptista, Bastos, Belhmer, Camargo, Carvalho, Cruz, Fagundes, Fontes, França, Moro, Gabardo, Moreira, Oliveira, Pereira, Pietros, Pires, Ramos, Rocha, Rosário, Silva e Siqueira. A partir dos primeiros anos do século XX, segundo depoimento de antigos moradores ou documentos da época, a Cotia foi recebendo as primeiras famílias de imigrantes europeus. Os italianos foram poucos e faziam parte das famílias Moletta, Moro e Princival. Além destas, vieram também algumas famílias polonesas e ucranianas, mas todos os grupos com poucas pessoas. Chegaram de forma espontânea, adquirindo parte das terras de antigos moradores. Registros arquivados na Prefeitura mostram que durante a primeira metade do século XX foram poucas as atividades não agrícolas do local. Apenas alguns moradores abriram pequenas ou médias casas comerciais, um posto de venda de carvão, uma marcenaria, uma alfaiataria e uma fábrica de palha picada. Através dos sobrenomes dos proprietários , percebe-se que a ação dos imigrantes em atividades comerciais era muito tímida, constatando-se a presença de famílias italianas e ucranianas. O reduzido número de pessoas de cada grupo étnico provocou, ao menos nos primeiros anos, um certo isolamento das famílias dos imigrantes, isto em relação à comunidade de origem portuguesa, já estabelecida há anos no local. Porém, os habitantes eram poucos, mesmo entre as pessoas descendentes dos antigos colonizadores e provavelmente de grupos indígenas. Dentro desta realidade que demonstra a existência de poucos moradores, a escola pública e a igreja demoraram a chegar. Pessoas nascidas no ano de 1920, contam que em sua infância não havia escola pública na Cotia. Diante disso, eram os pais que pagavam um professor particular para ensinar seus filhos. Um relatório do governo paranaense, datado de 1916, registra que na Cotia existiam 67 crianças sem estudar, isso por falta de escola ou de um professor. Com base na tradição religiosa existentes dentro de todas as comunidades de origem portuguesa, é provável que a primeira capela ou igrejinha tenha sido construída no final do século XIX ou início do século XX. Na época, era comum as pessoas construírem pequenas capelas em terrenos de sua propriedade, isto geralmente.