20/08/2026
𝟮𝟬 𝗔𝗚𝗢𝗦𝗧𝗢 𝟭𝟲𝟭𝟳 // 𝗖𝗛𝗔̂𝗧𝗜𝗟𝗟𝗢𝗡-𝗟𝗘𝗦-𝗗𝗢𝗠𝗕𝗘𝗦 (𝗙𝗥𝗔𝗡𝗖̧𝗔)
𝗦𝗮̃𝗼 𝗩𝗶𝗰𝗲𝗻𝘁𝗲 𝗱𝗲 𝗣𝗮𝘂𝗹𝗼 𝗽𝗿𝗲𝗴𝗮 𝗼 𝘀𝗲𝗿𝗺𝗮̃𝗼 𝗱𝗮 𝗰𝗮𝗿𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲 𝗲 𝗱𝗮́ 𝗶𝗻𝗶́𝗰𝗶𝗼 𝗮 𝘂𝗺𝗮 𝗴𝗿𝗮𝗻𝗱𝗲 𝗿𝗲𝗱𝗲 𝗱𝗲 𝗰𝗮𝗿𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲 𝗾𝘂𝗲 𝘀𝗲 𝗺𝗮𝗻𝘁𝗲́𝗺 𝘃𝗶𝘃𝗮 𝗮𝘁𝗲́ 𝗵𝗼𝗷𝗲
Escutemos a narração feita pelo próprio São Vicente de Paulo:
«Estando eu perto de Lyon, numa pequena cidade [Chatillon-les-Dombes] onde a Providência me trouxera para ser pároco, num domingo [20 de agosto de 1617], quando me preparava para celebrar a Santa Missa, vieram dizer-me que numa casa afastada das outras, a um quarto de hora dali, todas as pessoas estavam doentes, sem que uma única pessoa estivesse saudável para ajudar os outros, e todos com uma necessidade que é impossível transmitir. Isto tocou muito o meu coração; por isso, não expressei-o no sermão da Missa, com muito sentimento; e Deus, tocando o coração dos que me ouviam, fez com que todos se sentissem comovidos de compaixão por aqueles pobres afligidos.
Depois do jantar, realizou-se uma reunião em casa de uma boa senhora da cidade, para ver que ajuda lhes podia ser dada, e cada um se dispôs a ir vê-los, confortá-los com as suas palavras e ajudá-los no que pudessem. Depois das vésperas, tomei a companhia um homem honesto, morador daquela cidade, e fomos juntos para lá. No caminho, encontrámos algumas mulheres que estavam à nossa frente e, um pouco mais adiante, outras que estavam a voltar. E como era verão e fazia muito calor, aquelas boas mulheres sentavam-se à beira da estrada para descansar e refrescar-se. A determinada altura eram tantas que se poderia dizer que formavam uma procissão.
Assim que cheguei, aproximei-me dos doentes e fui buscar o Santíssimo Sacramento para os mais graves, não na paróquia local, porque não havia, pois dependia de um cabido do qual eu era prior. Assim, depois de os ter confessado e dado a comunhão, era necessário pensar na forma de atender às suas necessidades. Propus a toda aquela boa gente, a quem a caridade animou a ir até lá, que chegassem a um acordo, para que cada um, num dia determinado, cozinhasse comida, não só para aqueles, mas para todos os que viessem a necessitar. Este foi o primeiro lugar onde se estabeleceram as Caridades [Confrarias da Caridade].»
(São Vicente de Paulo, «Obras Completas», IX, pp. 232-233).