01/11/2019
𝟭º 𝗱𝗲 𝗡𝗼𝘃𝗲𝗺𝗯𝗿𝗼, 𝗱𝗶𝗮 𝗱𝗲 𝘁𝗼𝗱𝗼𝘀 𝗼𝘀...𝗖𝗘𝗢𝘀?!
Embora no Brasil a data seja celebrada na liturgia do domingo seguinte, o calendário da Igreja celebra no dia 1º de novembro o Dia de Todos os Santos. A mais recente santa brasileira a ser exaltada nos altares é Santa Irmã Dulce dos Pobres, que recebeu por ocasião de sua canonização, diversas homenagens e testemunhos de suas virtudes Bahia afora. Menos ortodoxas (ortodoxia e Bahia só rimam aqui) foram as virtudes que Nizan Guanaes, sempre criativo, enxergou em Irmã Dulce, no artigo publicado na Folha “CEO brasileira é canonizada”. Ele destaca seu legado de conquistas, como o “hospital de mil leitos construído sabe Deus como”, mas miopísticamente o atribui a “obra de seu empreendedorismo”.
Não levemos Nizan tão a sério, nem deixemos de valorizar as atitudes de determinação e perseverança presentes nas obras de Irmã Dulce e de tantos empreendedores que realizaram algo relevante, mas naturalizar o sobrenatural seria um erro grave. Os santos são como tesouros em vasos de barro, confundindo o mundo quando em sua fraqueza revelam algo muito maior, mais belo, mais glorioso e transcendente do que as misérias que nos pesam aos ombros. Confundidos, nós muitas vezes os reputamos entre os loucos, desajustados, fanáticos, obstinados, cedendo à tentação de querer racionalizar a ação de Deus neles e explicar o amor-caridade que praticaram segundo nossas próprias medidas.
Não somente Nizan, mas também a deputada Tábata Amaral comentou sobre Irmã Dulce e causou ruído ao tuitar, candidamente, que “Santa Dulce dos Pobres era baiana e, com seu empreendedorismo e fé, deu atendimento de saúde a milhares de brasileiros”. Ora, qual o pecado? Posicionada à esquerda (de roupa nova) Tábata pecou contra um dos mandamentos da esquerda radical que é jamais consentir à linguagem “neoliberal” legitimando o valor do empreendedorismo. Tanto Nizan quanto Tábata, em algum grau, manifestam uma mentalidade materialista bastante comum, que até reconhece o valor da “fé” (como um baiano negaria?), mas subordinada às “verdadeiras conquistas”, que são as materiais.
Não há que se cobrar de Nizan nem de Tábata o entendimento de que TODO cristão é chamado à santidade, tão explícito na Lumen Gentium e desde sempre na Palavra de Deus; mas como estará o entendimento de cada um de nós católicos sobre esse chamado? Nosso tesouro está no alto ou em algumas aplicações? A Pastoral do Empreendedor certamente poderá reconhecer nas virtudes e práticas de muitos santos algo de útil para os empresários e CEOs, mas seria uma tragédia se não priorizasse o caminho inverso, mostrando aos empresários o caminho da santidade. Afinal, “que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro se vier a perder a sua alma?”.
Que os Todos os Santos, empreendedores do Reino de Deus, roguem por nós!
Guilherme Rosa