29/03/2024
𝐋Ó𝐑Ò𝐆𝐔𝐍: 𝐔𝐌 𝐑𝐈𝐓𝐎 𝐃𝐄 𝐆𝐔𝐄𝐑𝐑𝐀 𝐍𝐀 𝐏Á𝐒𝐂𝐎𝐀
O modo de produção econômico principal entre os povos da África Pré-Colonial era a agricultura. A produção excedente era comercializada em grandes mercados. Mas a agricultura é uma atividade muito frágil: o tempo (incontrolável) e a mão-de-obra são fatores determinantes para a economia de uma região. Por isso muitos povos, na ansiedade de garantir uma subsistência durante o ano todo, travavam conflitos com a intenção de dominar regiões e assim cobrar tributos desses reinos. Com os yorùbá não era diferente.
Existe ainda hoje um grande reino yorùbá, no estado de Ọ̀ṣun, chamado Ijẹ̀ṣà, origem mítica da nossa Nação gaúcha. Este reino possui sua capital na cidade de Iléṣà, onde cultua-se o Òrìṣà Òbokún que, embora sendo um Òrìṣà da criação (Òṣàálá), é um guerreiro poderoso, tão importante na região que dá título ao rei (Ọba Òbokún).
Os Ijẹ̀ṣà são um povo extremamente guerreiro. Travaram muitas guerras contra outras etnias yorùbá para a manutenção dos seus domínios. E é aqui que entra a questão religiosa.
Para povos cuja cultura é impregnada de valores religiosos, como os yorùbá, todas as instâncias da vida são sagradas, inclusive a guerra. É comum para muitos povos que, em tempos de paz, sejam realizados rituais (cantos, danças, beberagens, festins) de guerra. Na teologia desses povos não são apenas as pessoas que vão para a guerra, mas também suas divindades, os Òrìṣà, e é aí que surge esse rito chamado de Lórògun (Rito de Guerra, em yorùbá), ou como chamamos no Batuque “Mandar os Santos (ou Òrìṣà) para a Guerra”.
Esse ritual consiste em três partes: a ida dos Òrìṣà à guerra, o período de jejum e abstinência e o retorno dos Òrìṣà. Na primeira parte, à noite, é realizado uma liturgia onde os Òrìṣà guerreiros se manifestam em seus Elégùn. Em seguida, o quarto dos Òrìṣà é fechado e ficará assim até o sábado pela manhã.
Hendrix Silveira
Fonte:
Claiton Jean ADÉKỌ̀YÀ, Olúmúyiwá Anthony. Yorùbá: tradição oral e história. Terceira Imagem: São Paulo, 1999.
AMIN, Samir. O desenvolvimento desigual: ensaio sobre as formações sociais do capitalismo periférico. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1976. 334 p.