Yemojá Página dedicada á orixá Yemojá ( Yemanjá )

10/06/2020

A todos os filhos de Yemanja

Ela é Asagba, Soba, sim
Ia indo Ela pela trilha na mata
Levando um balaio cheio,
É grande mas leve
Pois está cheio de algodão
Recém colhido.
Se senta na margem do rio
Metendo os pés na água,
Tarde quente de sol vermelho
Mas a sombra da árvore lhe da paz.
Ela pega o fuso na mão direta
E um monte de algodão na mão esquerda.
O fuso é um pequeno espeto de ferro,
com a mão direita prende a pontinha
Da bucha de algodão
Na base do fuso
E com a mão esquerda o gira.
O espeto puxa o algodão fininho
Vem puxando bem de mansinho
E vai formando a linha
Para mais tarde costurar.
Yemoja Asagba é fiandeira, costureira,
Faz no fuso o fio
E depois no tear o pano
Para enfim fazer vestimenta.
Ela é uma senhora
Que tem muitos filhos
Mas apesar de ser já quase idosa
Ela é tão bonita que
Não havia homem que não a olhasse.
Pense numa negra bonita, é ela!
Os lábios fartos de doce sorriso,
As maçãs do rosto altas,
Os olhos grandes como os de uma boneca...
Como é bonita minha mãe...
E é bem verdade sim que os homens
Grudavam os olhos nela quando
Passa por eles na rua.
Um desses homens era Exu.
Ele era um galã,
Já havia se engraçado com todas as iyagbas
Mas Yemoja Asagba não,
Ela não tinha a menor paciência pra ele,
Asaba não é dada as liberdades
Muito menos as libertinagens
E isso o deixava muito aflito,
Porque todas as moças lhe davam ousadia
E essa velha soberba não?
Exu é folgado, ô se é.
E la foi tentar a sorte.
Estava ela sossegada fiando algodão
E lá vem Exu
Fazendo questão de usar pouca roupa
Para chamar atenção
Para seu corpo bem feito,
Ele chegava orgulhoso
Flexionando os braços
E estufando o peito.
Yemoja Asagba quando o viu
Revirou os olhos de puro aborrecimento.
Exu reboloso e insinuante
Fez de um tudo pra chamar os olhos dela,
Mas Asagba nem tchum,
Por todo o tempo se manteve atenta
Ao fuso e ao algodão.
Daí Exu se aborrece
"OH MULHER! NEM UM CUMPRIMENTO ME DÁ?"
Ele reclama cheio de azedume.
Yemoja Asagba sem desviar
Os olhos do fuso responde
"VÁ CAÇAR O QUE FAZER RAPAZ..."
E Exu f**a muito do irritado,
Como pode?
Ele levar passa fora de uma mulher?
Nunca!
Então com um movimento rápido
Tira o fuso da mão dela
Chuta o balaio de algodão
E a agarra a força,
Mas antes que pudesse dar nela
O tal desejado beijo
Yemoja Asagba se desvencilha dele
E da um giro f**ando em pé,
Tira de debaixo de sua saia
A afiada espada
E o golpeia.
Exu a princípio achou graça,
Afinal o que ela podia fazer com uma espada?
Ele saca o egó, seu bastão mágico
E tenta se defender dela
Mas quando a lamina bate no egó
Exu chega se entorta
Devido a força do golpe.
Ele arregala os olhos
Muito assustado
Afinal quem imaginaria
Que aquela mulher
Seria forte como um touro?
A cada golpe ele vai recuando,
A cada passo que da para trás
Ele vai se pedindo perdão,
Mas Yemoja Asagba não perdoa
A falta de respeito.
Exu começa a se cansar,
Seu braço já doendo por
Aparar os golpes dela
O egó ja se rachando
Diante da força dela,
Então em um profundo desespero
Ele se agacha com rapides
E grita "INÁ"
Então o egó pega fogo
E ele encosta a ponta flamejante
No tornozelo dela.
Yemoja Asagba da um berro agudo
E se atira para o lado caindo dentro do rio.
O fogo é ruim para Yemoja Asagba,
Ela não pode com isso.
Exu aproveitando a deixa corre
E Yemoja Asagba no fundo das águas
Chora a dor da queimadura.
Que covardia... Que mal feito!
Quando sai do rio
Ela tenta pisar o pé no Chão
Mas a força lhe falta e ela cai.
Muito triste f**a sentada ali
Mas sendo esperta como é
Logo bota seu ori a pensar nas coisas
E então entra no rio novamente,
La no fundo onde é sua casa
Ela abre seus baús cheios de jóias
E pega uma Simples corrente de prata,
Nela emprega mil feitiços,
Toda sua sabedoria,
Então amarra sobre a ferida
Usando de tornozeleira.
Quando sai do rio
Pisa firme na margem
E f**a em pé
Firme e forte.
Como uma criança ela samba
Feliz consigo mesma
Por ter sabido se recupera,
Por não ter aceitado mancar.
Outro dia Exu a vê andando faceira
Pela feira da cidade
E mal acredita que o seu poder de fogo
Capaz de destruir qualquer coisa
Não a tenha malejado em nada.

Yemoja Asagba continua por lá
Fiando algodão na beira do rio.
O tempo passa muito mais
Cada ano como uma Simples pedra
No fundo da agua.
Muita coisa aconteceu,
Ela tinha muitos filhos mas
Muitos deles foram levados,
Raptados por uma gente ruim
Levados para longe
E mesmo ela sendo uma Deusa
Não podia interferir nos caminhos
Da humanidade.
Yemoja Asagba f**a sozinha,
Magoada e desiludida,
Achando que não é mais lembrada,
Que não tem mais nada.
Mas um dia
Enquanto gira fuso
Fiando o algodão
Um som chama sua atenção,
Ela olha em volta
E na margem no rio não ha nada
Além das árvores e dos bichos.
Mas ela ouve de novo
E se poe em pé e afia o ouvido
E então com clareza ouve
Os tambores e as muitas vozes
Que cantam
"YEMANJA SOBÁ, SOBÁ MIRERÊ, SOBÁ MIRERÊ ODOYÁ, SOBÁ MIRERÊ O..."
Yemoja Asagba f**a muito agitada
Esse jeito de cantar é torto
Mas é ela ainda assim reconhece.
Esse canto fazia muito tempo
Que não ouvia,
Esse canto ela ouviu muito
Da boca de seus filhos
Mas seus filhos tinham já partido,
Então quem cantava?
Ela sente o coração se encher de esperança
E então gira na margem do rio
E desaparece,
Segue o canto, Segue as vozes
E reaparece
Ela está em uma terra
Do outro lado do mar,
Ela se vê dentro de uma casa,
Pela primeira vez
Dentro de um terreiro de candomblé.
Ela olha em volta
Tem muita gente
E nessa gente nova
Ela reconhece os traços da sua gente.
Yemoja Asagba não se aguenta
E chora, chora de felicidade
Pois transborda de si
O sentimento de gratidão
E de orgulho
Pois ela sabe que se essa gente
A conhece é gracas a seus antigos filhos
Que mesmo sob o chicote
Se recusaram a esquecer a mãe.
Yemoja Asagba passa entre eles
Até que em uma moça
Ela se reconhece mais,
É sua filha verdadeira! É sim!
Ela abraça a moça
Mas quando abraça entra nela
Se torna ela
E a moça se inclina para frente
Tremendo os ombros,
Os olhos se fechados
Enquanto o povo explode em gritos
"ODOYA! OMI O!"
E Yemoja Asagba dança através de sua filha
Dança feliz por demais
Enquanto o povo canta pra ela.

Isso foi a muito tempo atrás
Mas até hoje eu sei cantar
E sei que você que está lendo
Também sabe.
Então cante, mesmo que em pensamento
Para que ela escute
E se sinta amada
Por ser uma boa mãe
Por ser nossa ancestral.
"YEMANJA SOBÁ, SOBÁ MIRERÊ, SOBÁ MIRERÊ ODOYÁ, SOBÁ MIRERÊ O..."
💙🤍💙🤍

11/07/2019

Há um tempo atrás, os yawos viravam no nome;

Há um tempo atrás, os yawos viravam sempre que se rezava para oxalá;

Há um tempo atrás, existia surrão (hoje o povo deita);

Há um tempo atrás, se depenava bicho sem falar, pois quanto mais se falava, pior f**ava para tirar a pena (principalmente o pepeyé);

Há um tempo atrás, o yawo e o egbomi recebiam nos oros;

Há um tempo atrás, se despachava o portão ao entrar no barracão;

Há um tempo atrás, para recolher, chegava-se semanas antes para descansar o corpo no ase;

Há um tempo atrás, ninguém se chamava pelo nome dentro da casa de candomblé;

Há um tempo atrás, as pessoas tinham "temor" e respeito ao orixá;

Há um tempo atrás, sabíamos quem era yawo, egbomi, ogã, Ekedje e principalmente Yalorisa ou babalorixá!

Tanta coisa mudou ao longo dos anos, tantos fundamentos foram perdidos e ninguém se atentou. O que será que aconteceu? A vontade do filho se sobrepôs a vontade do pai (orixá)?

Que as poucas casas ainda preservem sua essência, pois um asé com hierarquia e doutrina religiosa é a coisa mais linda de se ver!!!
Sabedoria 🙏

10/01/2019

Parti pro mundo enorme, precisava sobreviver
De guias, mokan, roupa alva,
Ser Yawo merece todo o cuidado
contra-egum e lenço branco no ori
Sou recém casado!

"Cabeça baixa, olhos no chão
Silêncio, mantenha a calma interior. "
Repetindo o mantra
Fui comprar uma rosa branca
Mas em troca de uma benção
a ganhei do vendedor.

Por cada rua que passava,
querendo que chegasse logo minha casa
uma legião de olhos me acompanhava.
Curiosidade, espanto, admiração
Nenhuma dessas emoções me incomodava
Mas quando senti a tal intolerância na pele
Não consegui ignorar, não.

Esperando o ônibus, deu meio-dia
E fui correndo pra debaixo de uma sombra pedir agô
Ali concentrado, me sentindo mariado
Chegou perto de mim um tal senhor.
Entre berros e palavrões, dizia que Jesus me amava
Falava sobre o sangue de Cristo, que expulsava as mazelas
Enquanto me xingava.
[Todos passavam e ninguém fazia nada]

Ali parado, perdido entre a vontade de sair correndo e chorar
Pensei ser prova necessária pra alguém que acabou de iniciar.
"Qual o problema, que ninguém diz a esse homem pra parar?
Não foi Jesus mesmo quem disse que nós devemos nos amar?"

Olhei pra minha rosa, e lembrei do mensageiro Verger
disse que minha religião sobrevive
Porque não impõe verdade absoluta
a ninguém que não queira ver!
Meus ancestrais não impuseram
e sob as chibatas, sobreviveram firmes.
Deixemos as pessoas serem felizes
serem livres!

Permanecendo calado e triunfante
Por ter vencido aquele sentimento ruim
Veio alguém pra me ajudar
E tirou o homem de perto de mim.

Esse último, na despedida
Disse que a palavra de Deus salvava sim
(como quem pudesse me converter)
E que com o comportamento do meu opressor
não tinha nada a ver.

"Respeito sua fé, moço,
todos podem acreditar - ou não - no que for.
Mas já está na hora de tirar preconceito
- e o desrespeito - do caminho
que eu quero passar com a minha flor." Desconheço a autoria.
Foto:Vinicius Lima

20/07/2018

Ministro Marco Aurélio liberou voto e caberá a Cármen Lúcia marcar data. MP gaúcho quer derrubar lei que exclui punição em ritual de origem africana.

Sou do candomblé, sou feliz, creio nos orixás e na vida.Muito asé a todos.Omiiioooo.Odoya Eruya.
05/07/2018

Sou do candomblé, sou feliz, creio nos orixás e na vida.
Muito asé a todos.

Omiiioooo.
Odoya
Eruya.

22/03/2018

O documentário Nosso Sagrado - Filme estreia hoje no Canal Futura, as 22h:30. Vamos sintonizar!
Para assistir pela internet basta clicar no link: http://www.futuraplay.org/

21/03/2018

Nem seria preciso falar do poder de Xangô (Sòngó), porque o poder é a sua síntese. Xangô nasce do poder morre em nome do poder. Rei absoluto, forte, imbatível. O prazer de Xangô é o poder. Xangô manda nos poderosos, manda em seu reino e nos reinos vizinhos. Xangô é rei entre todos os reis. Não existe uma hierarquia entre os orixás, nenhum possui mais axé que o outro, apenas Oxalá, que representa o patriarca da religião e é o orixá mais velho, goza de certa primazia. Contudo, se preciso fosse escolher um orixá todo-poderoso, quem, senão Xangô para assumir esse papel?

Xangô gosta dos desafios, que não raras vezes aparecem nas saudações que lhe fazem seus devotos na África. Porém o desafio é feito sempre para ratif**ar o poder de Xangô.

A maneira como todos devem se referir a Xangô já expressa o seu poder. Procure imaginar um elefante, mas um Elefante-de-olhos-tão-grandes-quanto-potes-de-boca-larga: esse é Xangô e, se o corpo do animal segue a proporção dos olhos, Xangô realmente é o Elefante-que-manda-na-savana, imponente, poderoso.

Percebe-se que a imagem de poder está sempre associada a Xangô. O poder real, por exemplo, lhe é devido por ter se tornado o quarto alafim de Òyó, que era considerada a capital política dos iorubas, a cidade mais importante da Nigéria. Xangô destronou o próprio meio-irmão Dadá-Ajaká com um golpe militar. A personalidade paciente e tolerante do irmão irritavam Xangô e, certamente, o povo de Òyó, que o apoiou para que ele se tornasse o seu grande rei, até hoje lembrado.

O trono de Òyó já pertencia a Xangô por direito, pois seu pai, Oranian, foi fundador da cidade e de sua dinastia. Ele só fez apressar a sua ascensão. Xangô é o rei que não aceita contestação, todos sabem de seus méritos e reconhecem que seu poder, antes de ser conquistado pela opressão, pela força, é merecido. Xangô foi o grande alafim de Òyo porque soube inspirar credibilidade aos seus súbditos, tomou as decisões mais acertadas e sábias e, sobretudo, demonstrou a sua capacidade para o comando, persuadindo a todos não só por seu poder repressivo como por seu senso de justiça muito apurado.

Não erram, como se viu, os que dizem que Xangô exerce o poder de uma forma ditatorial, que faz uso da força e da repressão para manter a autoridade. Sabe-se, no entanto, que nenhuma ditadura ou regime despótico mantém-se por muito tempo se não houver respaldo popular. Em outros termos, o déspota reflecte a imagem de seu povo, e este ama o seu senhor, seja porque nos momentos de tensão responde com eficiência, seja por assumir a postura de um pai. No caso de Xangô, sua rectidão e honestidade superam o seu carácter arbitrário; suas medidas, embora impostas, são sempre justas e por isso ele é, acima de tudo, um rei amado, pois é repressor por seu estilo, não por maldade.

Fato é que não se pode falar de Xangô sem falar de poder. Ele expressa autoridade dos grandes governantes, mas também detém o poder mágico, já que domina o mais perigoso de todos os elementos da natureza: o fogo. O poder mágico de Xangô reside no raio, no fogo que corta o céu, que destrói na Terra, mas que transforma, que protege, que ilumina o caminho. O fogo é a grande arma de Xangô, com a qual castiga aqueles que não honram seu nome. Por meio do raio ele atinge a casa do próprio malfeitor.
Xangô é bastante cultuado na região de Tapá ou Nupê, que, segundo algumas versões históricas, seria terra de origem de sua família materna.

Tudo que se relaciona com Xangô lembra realeza, as suas vestes, a sua riqueza, a sua forma de gerir o poder. A cor vermelha, por exemplo, sempre esteve ligada à nobreza, só os grandes reis pisavam sobre o tapete vermelho, e Xangô pisa sobre o fogo, o vermelho original, o seu tapete.

Xangô sempre foi um homem bonito extremamente vaidoso, por isso conquistou todas a mulheres que quis, e, afinal, o que seria um ‘olhar de fogo’senão um olhar de desejo ardente? Quem resiste ao olhar de “flirt” de Xangô?

Xangô era um amante irresistível e por isso foi disputado por três mulheres. Iansã foi sua primeira esposa e a única que o acompanhou em sua saída estratégica da vida. È com ela que divide o domínio sobre o fogo.
Oxum foi à segunda esposa de Xangô e a mais amada. Apenas por Oxum, Xangô perdeu a cabeça, só por ela chorou.

A terceira esposa de Xangô foi Oba, que amou e não foi amada. Oba abdicou de sua vida para viver por Xangô, foi capaz de mutilar o seu corpo por amor o seu rei.

Xangô decide sobre a vida de todos, mas sobre a sua vida (e sua morte) só ele tem o direito de decidir. Ele é mais poderoso que a morte, razão pela qual passou a ser o seu anti-símbolo.

20/03/2018

Porque a minha FÉ, é maior que a maldade humana.
Ogunhê!!!

04/03/2018

Bom dia irmãos. Vamos fazer uma campanha contra o preconceito?
Marquem a hashtag na publicação de vocês.
Juntos somos mais fortes!

E assim sou feliz, em meu "sacro oficio ", que para mim, jamais será um sacrifício.

Sou Helen Lisboa , Yákêkêrè Helen Ty Iyemanja , mãe, esposa, filha, neta, prima, e candomblecista com mto orgulho.

"NA CRUZ CORREU SANGUE, NO TRONCO TAMBÉM, A ÁFRICA SANGROU, IGUAL JERUSALÉM! "

Diga não ao preconceito.

09/02/2018

EPI EPI BÀBÁ.... Padomilê....

22/01/2018

Asé a todos nós, candomblécistas, que lutamos por igualdade e tolerância, em um mundo intolerante e desigual....

Endereço

São José Do Rio Prêto, SP

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