14/10/2022
"Logo que nasceu, Ajagunã se revoltou, pois ele não tinha Ori, não tinha cabeça e andava pela vida sem destino, totalmente desorientado.
Em um certo momento, chegando a beira de sua loucura, encontrou Ori, o Orixá que
representa a cabeça, na estrada e ele fez para Ajagunã uma cabeça branca, que era de inhame pilado, mas como a cabeça era muito quente, o Orixá Ajagunã sofria torturantes dores de cabeça.
E a sua jornada pelo equilíbrio não terminava ali.
Em outra feita, Ajagunã ia pela estrada padecendo de seus males, quando se encontrou com Orixá Iku, a Morte, que se pôs a dançar para Ajagunã e ofereceu para dar a ele outro ori.
Ajagunã, com medo, recusou prontamente, mas era tão insuportável o calor
que ele sentia que não conseguiu recusar a oferta por muito tempo. Iku prometeu-
lhe um ori negro e ofereceu-lhe um ori frio.
Ajagunã aceitou e a sua sorte, contudo, não mudou, essa cabeça era fria e dolorida, e pior era o terror que não o abandonava de sentir-se perseguido
por mil sombras, os espíritos malignos, eram as sombras da morte em sua
cabeça fria.
Então surgiu Ogum, seu irmão, e deu sua espada a Ajagunã, que com ela, afugentou a Morte e todas as suas sombras.
Ogum fez o que pôde para socorrer o amigo e irmão, com a espada retirando o
ori frio grudado no ori quente, e durante essa operação, as duas cabeças se fundiram e o ori de Ajagunã ficou
azulado, sendo um novo ori, nem muito quente, nem muito frio.
Uma cabeça quente não funciona bem. Uma cabeça fria também não.
Foi o que se aprendeu com
as aventuras de Ajagunã e finalmente, a sua vida se normalizou. E mais uma vez, com a ajuda de Ogum, o Orixá aprendeu todas as artes bélicas e assim venceu muitas batalhas e guerras durante sua vida."