Os Jesuítas construíram uma Igreja com a Invocação a Nossa Senhora dos Milagres, a qual se desconhece sua origem, e uma residência. Os Jesuítas foram expulsos várias vezes da Paraíba, apesar de sua descrição em defender os índios, o Rei de Portugal desconfiava, e por este motivo foram mandados embora, mas, sempre conseguiam voltar, pois tinham uma maneira muito bonita de evangelizar os Índios. Sua
catequese tinha como base o amor, o desejo de trazê-los para conhecer a Deus, mesmo de maneira imposta, diferente do desejo dos portugueses que intencionavam com a catequese, escravizar os índios. Não há registros de quem foi o primeiro pároco da Freguesia de Nossa Senhora dos Milagres, só se sabe que neste período já eram os padres seculares que exerciam a cura das almas. Diz-se que estes padres não tinham um espírito missionário, se comparado aos Jesuítas, constituíam famílias, as quais moravam em suas fazendas de gado. Devido as distâncias das autoridades eclesiásticas que se estabeleciam no litoral e até em outras capitanias. Tudo era permitido, pois longe da Corte, a necessidade de catequizar era maior do que as práticas boas ou más dos padres que às vezes se excediam. A Freguesia de Nossa Senhora dos Milagres era a maior de toda a capitania, em 1774 registra-se duas capelas, 87 fazendas, 410 moradias e 1.799 habitantes. Em 1776 é oficializada a sua elevação à categoria de julgado, que havia sido indicada desde 1720. O povoado de Travessia adquiriu vários nomes: Travessia, Cariri de Fora, Vila de São Pedro, Vila de São João do Príncipe e finalmente São João do Cariri. Em 1778 é Freguesia dos Milagres do Cariri de Fora elevada a Vila sob denominação de São Pedro, e, em 1800 já é Vila Real de São João em homenagem ao príncipe regente Dom João, neste ano o número de habitantes da Vila é de 4.880 habitantes. As famílias viviam fechadas entre si, não se comunicavam, casamento só era permitido com rapazes portugueses ou com parentes para conservar o sangue e o nome da família. Na Freguesia do Cariri de Fora o valor de cada matrimônio, dependia de suas posses ou posição social, terras, escravos, gado e etc. Os Patriarcas criavam seus filhos no isolamento das fazendas, em geral só os homens sabiam ler e escrever. É importante observar que a ortografia dos habitantes da dita Vila, tinha base no que se pronunciava trovando letras, sílabas, colocando acentos onde não existia. Também se tinha o costume de abandonar crianças ás portas das casas, eram mães solteiras que não podiam criar, por isso acreditavam que seriam acolhidos, e criados filhos legítimos. A Freguesia dos Milagres brilhou por muitos anos no cenário da Igreja, sendo falada até na Corte Portuguesa. Esse brilho foi se apagando com o inicio das rinchas políticas entre duas famílias, os Brito e Gaudêncio. Hoje esse Santuário já tem mais 265 anos.