21/02/2025
No último domingo, após me preparar para ir ao culto da minha igreja, recebi uma mensagem de uma pessoa muito especial para mim:
“Você está em casa? Estou tendo uma crise de ansiedade. Pode me ajudar?” Não hesitei. Com velocidade, respondi:
“Estou sim, venha.”
Eu e minha esposa arrumamos a sala de casa para recebê-la— a casa estava uma bagunça rs. Me sentei, e pensei: “e agora? O que eu faço?”, influenciado por minha própria experiência, e por tudo o que aprendi em livros e psicoterapia, rapidamente cheguei à conclusão.
Ela chegou, e logo ao entrar em casa, chorou. Pedi pra que ela deitasse, e ficasse à vontade. Rapidamente fiz um check-up para medir a intensidade da crise:
Havia sequidão na boca? Tremores? Extremidades frias? Aceleração dos batimentos? Entre outras coisas… É bom saber! Em resumo: havia quase tudo.
Check-up feito, prossegui para a primeira instrução: “se conseguir, respire e inspire somente com o nariz. Não se preocupe em controlar sua respiração, apenas siga o fluxo dela usando o seu nariz.”
Sabendo que muitas afirmações para uma pessoa em crise não são tão úteis— tendo em vista o parcial desligamento do córtex pré-frontal— só a disse uma coisa: “Você está segura. Seu corpo liberou adrenalina, e isto não é nem um pouco perigoso. Em minutos a adrenalina vai desaparecer da sua corrente sanguínea.”
Depois de alguns minutos dando uma instrução ou outra— principalmente respiratórias— os tremores sumiram, as extremidades voltaram à temperatura usual, e o coração desacelerou. Ela deitou em nossa cama, e terminamos a noite rindo porque ao descermos passamos um perrengue na chuva que caía.
Indo para a Igreja, Deus me disse: “Filho, lembra quando você tinha crises de pânico todo dia? Olha o que aconteceu hoje. Eu sempre cuidei de você, e não desperdiço nada para a minha glória.” Cheguei ao culto, e chorei.
Em uma das últimas vezes que dei entrada no pronto-socorro com ataque de pânico, o médico— que virou um colega— me perguntou: “João você se imagina um dia ajudando alguém estando numa crise como a sua?”
Não, doutor, não. Bom, eu errei…
Deveria ter respondido: “Se Deus quiser, e me conceder graça, sim”
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