Terço das Famílias

Terço das Famílias O evangelho do Senhor Jesus Cristo no centro das nossas vidas, aqui você encontra um lugar de oração, com evangelho do dia e transmissões do terço ao vivo.

20/08/2026

20 de agosto de 2026
Memória de São Bernardo de Claraval,
abade e doutor da Igreja

Evangelho de Mateus 22,1-14

Naquele tempo, 1Jesus voltou a falar em parábolas aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo, 2dizendo: “O Reino dos Céus é como a história do rei que preparou a festa de casamento do seu filho. 3E mandou os seus empregados chamar os convidados para a festa, mas estes não quiseram vir.
4O rei mandou outros empregados, dizendo: ‘Dizei aos convidados: já preparei o banquete, os bois e os animais cevados já foram abatidos e tudo está pronto. Vinde para a festa!’ 5Mas os convidados não deram a menor atenção: um foi para o seu campo, outro para os seus negócios, 6outros agarraram os empregados, bateram neles e os mataram.
7O rei ficou indignado e mandou suas tropas, para matar aqueles assassinos e incendiar a cidade deles. 8Em seguida, o rei disse aos empregados: ‘A festa de casamento está pronta, mas os convidados não foram dignos dela. 9Portanto, ide às encruzilhadas dos caminhos e convidai para a festa todos os que encontrardes’.
10Então os empregados saíram pelos caminhos e reuniram todos os que encontraram, maus e bons. E a sala da festa ficou cheia de convidados. 11Quando o rei entrou para ver os convidados observou ali um homem que não estava usando traje de festa 12e perguntou-lhe: ‘Amigo, como entraste aqui sem o traje de festa?’ Mas o homem nada respondeu.
13Então o rei disse aos que serviam: ‘Amarrai os pés e as mãos desse homem e jogai-o fora, na escuridão! Ali haverá choro e ranger de dentes’. 14Porque muitos são chamados, e poucos são escolhidos”.

Meditação.

Quando o rei entrou para ver os convidados, observou ali um homem que não estava usando traje de festa (Mt 22, 11)

Jesus comparou o Reino de Deus com uma festa de casamento. O rei preparou a festa de casamento do filho e mandou chamar os convidados. Os que foram convidados disseram que não iriam. Ele mandou um segundo recado. Eles ignoraram. Mandou então os seus empregados convidarem todo mundo que encontrassem pelo caminho. O salão de festa ficou cheio de convidados. Mas, o rei, passando para cumprimentar os convidados, notou um que estava sem o traje de festa. E mandou colocá-lo pra fora.

O Evangelho é um convite. O convite é para participarmos da grande festa de casamento do filho do rei. O rei é Deus Pai. O filho, o noivo, é Jesus. Os empregados que levam o convite são os profetas, os missionários, os evangelizadores. E por que essa imagem da festa de casamento? Porque Deus celebrou uma aliança com o seu povo, no Antigo Testamento. E Jesus, no Novo Testamento, celebrou, no seu sangue, a nova e eterna aliança de Deus com o povo redimido. E quem é a noiva? Precisamos descobrir nessa parábola quem é a noiva. E, também, por que alguém foi excluído da festa por estar sem a roupa apropriada?

No tempo de Jesus, a grande rejeição veio das elites do seu povo. Veja que exatamente Jesus está contando esta parábola às lideranças de Jerusalém. São eles que reagiram violentamente maltratando e matando os missionários. Assim, Jesus já vê que a destruição do país pelos romanos mais adiante é resultado de sua rejeição. Agora, você entende porque, na parábola, o rei ficou furioso e mandou destruir e tocar fogo nas cidades deles.

Um palpite de estudiosos da Bíblia é o seguinte: nós somos os convidados. Claro, isso você já sabia. Os convidados deviam estar com o traje da festa, vestidos com a roupa nupcial, pois era uma festa de casamento. Isto, você também já suspeitava. Olha o segredo da parábola: A noiva são os convidados. Os convidados são a noiva, por isso que eles precisam estar com a roupa nupcial, o traje da festa. Entendeu? Jesus é o noivo. A noiva é a Igreja, nós, o povo de Deus. Claro. A noiva somos nós, os convidados.

Só falta uma coisa: o que é esse traje nupcial? Aí temos que pensar um pouco mais. Quer um palpite? Podemos pensar numa coisa simples. A coisa que não pode faltar em quem vai se casar é... é o amor. Claro, sem amor a Jesus, não tem casamento. Sem adesão à pessoa de Jesus Salvador, não há salvação, não há aliança, não há casamento. Nossa adesão a Jesus é celebrada no batismo, quando pelo banho do Espírito Santo somos lavados do pecado e nos revestimos de Cristo. No batismo, até trajamos uma roupinha branca, nova, a veste nupcial. O traje de festa é o amor a Cristo, a nossa adesão a ele celebrada no batismo, a nossa condição de pessoas convertidas e perdoadas do pecado.

Guardando a mensagem

A aliança que Deus fez com Israel é como um casamento, no qual Deus é o esposo e a nação santa é a esposa. Jesus restaurou, no seu sangue, essa aliança enfraquecida ou rompida pela infidelidade. Jesus comparou o Reino de Deus com a festa de casamento que Deus preparou. Para essa festa, os primeiros convidados reagiram com violência. Foi a reação dos que o levaram à morte. Todos somos convidados para a grande festa. Pela evangelização, continuamos a ser convocados para ela. Na verdade, os convidados são a noiva. E precisam estar com o traje nupcial, que pode ser a adesão a Cristo pela fé, pelo amor e pela conversão. É isso que celebramos no batismo. Para representar nossa aliança com Cristo no batismo, nos trajamos com a veste nupcial.

Quando o rei entrou para ver os convidados, observou ali um homem que não estava usando traje de festa (Mt 22, 11)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
que linda comparação fizeste para entendermos o Reino de Deus: uma festa de casamento, no qual és o noivo e nós, tua Igreja, somos a noiva. Essa aliança de amor entre nós é a razão de tanta alegria, na grande casa do teu Pai e nosso Pai, do teu Deus e nosso Deus. Obrigado, Senhor, pelo maravilhoso serviço da evangelização, pelo qual o Pai continua a nos convocar para a grande festa. Que nenhuma desculpa nos impeça de comparecer ou de retardar nossa presença na tua festa. E que ninguém de nós compareça sem o traje nupcial que é a fé e a conversão com que nos apresentamos no batismo. Foi no batismo que nos revestimos do homem novo, da roupa nova da graça. Como está escrito no Apocalipse: “Felizes os convidados para a ceia nupcial do cordeiro”. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Para entender ainda melhor o comentário de hoje, leia o evangelho e a meditação. Leia, não só ouça. O acesso ao texto é pelo link que estou lhe enviando. Não tendo o link, acesse www.padrejoaocarlos.com. No blog, além do evangelho e da meditação, tem também o áudio.

17/08/2026
17/08/2026

17 de agosto de 2026

Segunda-feira da 20ª Semana do Tempo Comum

Evangelho de Mateus 19,16-22

Naquele tempo, 16alguém aproximou-se de Jesus e disse: “Mestre, que devo fazer de bom para possuir a vida eterna?” 17Jesus respondeu: “Por que me perguntas sobre o que é bom? Um só é o Bom. Se queres entrar na vida, observa os mandamentos”. 18O homem perguntou: “Quais mandamentos?” Jesus respondeu: “Não matarás, não cometerás adultério, não roubarás, não levantarás falso testemunho, 19honra teu pai e tua mãe, e ama o teu próximo como a ti mesmo”.
20 O jovem disse a Jesus: “Tenho observado todas essas coisas. Que ainda me falta?” 21Jesus respondeu: “Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me”. 22Quando ouviu isso, o jovem foi embora cheio de tristeza, porque era muito rico.

Meditação.

O jovem disse a Jesus: “Tenho observado todas essas coisas. O que ainda me falta?" (Mt 19, 20)

Ele já era um cara bacana. Já vivia os mandamentos de Deus. Mas, queria algo a mais. Olha a conversa dele com Jesus: “Mestre, o que é que devo fazer de bom para possuir a vida eterna?” Resposta de Jesus: Cumprir os mandamentos. Aí Jesus citou cinco mandamentos e juntou aquele resumo “amar o próximo como a si mesmo”. “Isso tudo, eu já faço”, disse o jovem. “O que ainda me falta?”.

Então, o jovem estava querendo algo a mais. Aparentemente, estava pronto para dar um novo passo. Jesus viu que o terreno era bom e lhe fez um convite. É verdade que essa proposta não é pra todo mundo, ao menos nessa medida, não. E ela só pode ser feita a quem está numa boa caminhada com Deus. Jesus não arrodeou muito. Foi direto e claro. “Deixe tudo e venha me seguir”. Para ficar mais claro: “Venha fazer parte do meu grupo, assumindo o meu estilo de vida”.

Deixar tudo para seguir Jesus. O jovem ficou pensando: que coisa legal andar com Jesus, fazer parte do seu ministério, ficar bem pertinho dele. Coisa maravilhosa! Mas, ‘pera lá: ‘Eu tenho minha vida, minhas coisas... Deixar tudo? Não dá pra ser um visitante, um membro eventual, um seguidor à distância?’ Tudo isso passando na cabeça daquele moço de boa pinta, de boa família, acostumado a ter toda facilidade na vida. A cabeça estava a mil: ‘Jesus vive sem nada, andando de um lado pro outro com esse grupo de discípulos, sem nenhuma segurança financeira, longe da família, voltado completamente para Deus e o seu povo. Seria uma mudança radical demais em minha vida... e os meus bens, minha herança, a vida que eu levo? Valerá a pena?’

Jesus deu um tempinho para o moço pensar, tinha posto as cartas na mesa. “Se você quer ser perfeito, vá, venda tudo o que tem. Dê o dinheiro aos pobres e você terá um tesouro no céu. Depois, venha e me siga”. Pronto, foi água na fervura... Aquela alegria de quem estava procurando algo novo foi se transformando em tristeza... e ele foi se retirando, meneando a cabeça, meio envergonhado pela escolha que estava fazendo. Ficou todo mundo surpreso. Jesus esperava mais dele. E os discípulos ficaram pensando na escolha que eles mesmos tinham feito.

Puxa vida, Jesus não faz esse convite a todo mundo, não faz. Para segui-lo, sim, convida a todos. Mas, cada um levando sua vida normal, “normal” entre aspas, segundo o Evangelho. Mas, a alguns ele dirige esse convite tão radical. “Fiquem comigo, vivam como eu”. Aos poucos, na história do cristianismo, esse modo de seguimento de Jesus foi sendo organizado no que hoje se conhece como vida religiosa consagrada. Esse é o modo de viver de cristãos que aceitam o convite radical de Jesus de segui-lo mais de perto, imitando o seu modo de viver unicamente para Deus e para o seu povo, renunciando a acumular bens, a constituir família e sozinho tomar as decisões em sua vida. Nós, que acolhemos essa vocação, esse chamado tão especial, integramos as comunidades religiosas em nossas congregações, ordens e institutos de vida consagrada. Nem todo mundo entende a nossa vocação. Às vezes, nem nós mesmos. Mas, é o caminho dos que resolveram de coração acolher o convite de Jesus: “Deixe tudo e me siga”. É o caminho da perfeita caridade, como disse o Concílio Vaticano II.

Guardando a mensagem

Ao jovem, que já era um bom praticante dos mandamentos de Deus, desejoso de uma vida de perfeição, Jesus fez um convite muito especial: “deixar tudo para segui-lo”. Deixar tudo não é coisa fácil e esse moço era muito rico. Aí, apegado às suas coisas, ele optou por continuar na sua vidinha mesmo. Desde o começo do cristianismo, alguns homens e mulheres sentem-se chamados, por uma vocação especial, para seguir Jesus mais de perto, imitando o seu modo humano de viver para Deus e para o seu povo, pelo caminho dos conselhos evangélicos de pobreza, castidade e obediência. É uma escolha amorosa do Senhor. E uma resposta generosa de vários de seus discípulos e discípulas.

O jovem disse a Jesus: “Tenho observado todas essas coisas. O que ainda me falta?" (Mt 19, 20)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
dentro da programação do Mês Vocacional, celebramos ontem, o dia da vocação à Vida Consagrada. As três coisas que marcam a vocação dos teus discípulos e discípulas consagrados na vida religiosa, Senhor, são também uma indicação para todos os teus seguidores. Três tentações podem afastar as pessoas de tua graça: agarrar-se aos bens deste mundo, desviar o amor a Deus para o apego exclusivo às criaturas e decidir sua vida sem atenção à vontade de Deus. Neste sentido, a vida dos teus consagrados pode ser um permanente aviso a todos os teus seguidores. Abençoa, Senhor, os irmãos e irmãs que integram os institutos, congregações e ordens religiosas. Fortalece o caminho vocacional dos jovens que estão em formação na vida consagrada. E não desiste de chamar muitos jovens generosos para o teu seguimento. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Talvez nossa reflexão de hoje possa ajudar alguém a pensar neste tema da vocação à vida consagrada. Então, que tal compartilhar o áudio e o texto da Meditação de hoje com alguém em especial?

13/08/2026

13 de agosto de 2026

Memória de Santa Dulce dos Pobres

Evangelho de Mateus 18,21-19,1

Naquele tempo, 21Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: “Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?”
22Jesus respondeu: “Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete. 23Porque o Reino dos Céus é como um rei que resolveu acertar as contas com seus empregados. 24Quando começou o acerto, levaram-lhe um que lhe devia uma enorme fortuna. 25Como o empregado não tivesse com que pagar, o patrão mandou que fosse vendido como escravo, junto com a mulher e os filhos e tudo o que possuía, para que pagasse a dívida.
26O empregado, porém, caiu aos pés do patrão e, prostrado, suplicava: ‘Dá-me um prazo, e eu te pagarei tudo!’ 27Diante disso, o patrão teve compaixão, soltou o empregado e perdoou-lhe a dívida.
28Ao sair dali, aquele empregado encontrou um de seus companheiros que lhe devia apenas cem moedas. Ele o agarrou e começou a sufocá-lo, dizendo: ‘Paga o que me deves’.
29O companheiro, caindo aos seus pés, suplicava: ‘Dá-me um prazo, e eu te pagarei!’ 30Mas o empregado não quis saber disso. Saiu e mandou jogá-lo na prisão, até que pagasse o que devia.
31Vendo o que havia acontecido, os outros empregados ficaram muito tristes, procuraram o patrão e lhe contaram tudo.
32Então o patrão mandou chamá-lo e lhe disse: ‘Empregado perverso, eu te perdoei toda a tua dívida, porque tu me suplicaste. 33Não devias tu também ter compaixão do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?’
34O patrão indignou-se e mandou entregar aquele empregado aos torturadores, até que pagasse toda a sua dívida.
35É assim que o meu Pai que está nos céus fará convosco, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão”. 19,1 Ao terminar estes discursos, Jesus deixou a Galileia e veio para o território da Judeia além do Jordão.

Meditação.

Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes? (Mt 18, 21)

Há muita injustiça nesse mundo, muita maldade. Você, com certeza, já foi vítima de humilhação, de sofrimentos gerados pelo egoísmo de alguém, pela difamação de uma pessoa amiga, pela traição no casamento, quem sabe. Há pessoas que convivem com grandes chagas abertas em sua memória ou mesmo no seu inconsciente. Profissionais que foram perseguidos por colegas que chegaram a perder seus postos de trabalho. Pais que tiveram um filho assassinado. Pessoas que foram violentadas, abusadas quando mais jovens. Um mar de sofrimento causado por pessoas próximas e distantes.

Diante do mal que nos fazem, a primeira reação é a indignação. A pessoa não se conforma, reage percebendo o mal que estão lhe fazendo. Não aceita, sente-se prejudicada, traída, humilhada. É uma atitude aceitável, a indignação. Uma reação justa: não se acomodar diante da agressão, não permitir a continuação da ofensa, não permanecer na passividade diante do mal.

Agora, essa indignação pode virar ódio, desejo de vingança, desespero. Tem até quem pense no suicídio como punição contra si mesmo ou contra o agressor ou como forma de estancar essa dor na alma. Aí, vamos com calma. Você não pode permitir que o mal que lhe fizeram crie raízes em você, se reproduza no seu ódio, em projetos de vingança e de revanche. O mal se perpetua no mal. É uma onda de violência que puxa outra, não para mais.

Você já ouviu falar daquelas cidades, no interior de Pernambuco, em que uma família matava a outra... ‘Mataram o meu filho... vou matar o filho dele também!’ ‘Mataram meu primo, vou me vingar!”. A vida daquelas pessoas virou um inferno, uma insegurança total, a cólera fervendo no coração daquele gente antes tão pacata... Só uma coisa estancou aquela tragédia que parecia sem fim: o perdão.

Só há um remédio para se reconstruir a vida: o perdão. O ódio e a vingança não resolvem, não curam a mágoa, nem o sofrimento causado pela difamação, pela traição, pela injustiça. Só o perdão pode trazer paz ao seu coração.

Claro, perdão não quer dizer que abro mão do direito de reparação, que não recorro à justiça. Você lembra do Papa João Paulo II, que levou um tiro de um jovem turco, muçulmano, que foi assassiná-lo na Praça de São Pedro, no Vaticano?! O santo Papa ficou entre a vida e a morte, coitado, e passou o resto da vida sentindo as consequências daquela agressão. Mas, aquele homem santo foi várias vezes visitar o seu agressor na penitenciária, para oferecer-lhe o perdão e acompanhá-lo no seu caminho de conversão. Não deixou que o ódio tomasse conta do seu coração. A cadeia é a oportunidade do agressor se redimir, se reencontrar, se reabilitar. Se o tratamento que o agressor receber, dentro ou fora da cadeia, for de violência e crueldade, não resultará redimido, só embrutecido.

Ensinamento do livro do Eclesiástico: "O rancor e a raiva são coisas detestáveis; até o pecador procura dominá-las. Se não tem compaixão do seu semelhante, como poderá pedir perdão dos seus pecados?". E olha como Deus nos trata, reza o Salmo 102: "O Senhor não nos trata como exigem nossas faltas, nem nos pune em proporção às nossas culpas".

No evangelho de hoje, Jesus conta uma parábola para responder à pergunta ‘Quantas vezes devemos perdoar’. A resposta foi ‘sempre’, setenta vezes sete vezes. Sete é um número perfeito. Sete vezes sete dá quarenta e nove. O ano 50, segundo a antiga lei de Israel, era o ano do jubileu, o ano do perdão das dívidas e da remissão dos escravos. Jesus multiplicou tudo por 10. Setenta vezes sete. Na história de Jesus, nós somos o devedor que devia ao patrão uma soma impagável. Não tendo com que pagar, ele foi perdoado. O patrão teve compaixão dele. Agora, logo ele encontrou um colega que estava lhe devendo uma pequena soma. Como o pequeno devedor não tinha com que pagar, ele o jogou na cadeia. O patrão soube do ocorrido, cancelou a anistia do seu débito e lhe cobrou até o derradeiro centavo. Aprendemos a perdoar com Deus.

Guardando a mensagem

Claro que perdoar não é fácil. Mas, um cristão tem o exemplo e os ensinamentos de Cristo. Ele sofreu uma morte muito cruel, mas morreu perdoando. Aliás, por sua paixão e morte oferecidas a Deus como sacrifício voluntário em nosso favor, fomos perdoados de nossos pecados. Nosso débito com Deus era impagável. E ele perdoou nossa dívida. À sua imitação, não podemos ter outro comportamento, senão perdoar as dívidas dos nossos semelhantes. E perdoar sempre. Não apenas quatro vezes, como ensinavam os rabinos e mestres da Lei. Nem só as generosas sete vezes que Pedro sugeriu. Sempre, perfeitamente. Setenta vezes sete, como Jesus prescreveu.

Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes? (Mt 18, 21)

Rezando a mensagem

Senhor Jesus,
aquele empregado que não tinha com que pagar uma enorme dívida foi perdoado pelo seu patrão. Seu patrão teve misericórdia dele. Ele não tinha com que pagar, sua família toda seria prejudicada. O patrão cancelou o seu débito, todinho. E aquele mesmo empregado, perdoado de sua grande dívida, não esqueceu o pequeno débito de um companheiro seu. O seu colega não tinha com que pagar naquele momento, mas ele exigiu de toda forma e o pobre homem foi parar na cadeia por causa daquela ninharia. Senhor, esse empregado somos nós. Fomos perdoados de uma dívida impagável. Deus nos perdoou dos nossos pecados. Agora, ele espera que nós também tenhamos compaixão dos nossos irmãos e irmãs que nos ofendem. Ajuda-nos, Senhor, a ser misericordiosos, como o Pai. Continua, com paciência, nos ensinando a perdoar, a curar nossas mágoas com o perdão, e pelo perdão, libertar o nosso futuro. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Alguém lhe ofendeu, lhe fez mal, lhe prejudicou? Tem mágoa, tem ódio no seu coração? Você já sabe o que tem que fazer. E você já sabe porque precisa proceder como Jesus está nos ensinando.

12/08/2026

12 de agosto de 2026, Quarta-feira da 19ª Semana do Tempo Comum

Semana Nacional da Família

Evangelho de Mateus 18,15-20

Naquele tempo, Jesus disse a seus discípulos: 15“Se o teu irmão pecar contra ti, vai corrigi-lo, mas em particular, a sós contigo! Se ele te ouvir, tu ganhaste o teu irmão. 16Se ele não te ouvir, toma contigo mais uma ou duas pessoas, para que toda a questão seja decidida sob a palavra de duas ou três testemunhas.
17Se ele não vos der ouvido, dize-o à Igreja. Se nem mesmo à Igreja ele ouvir, seja tratado como se fosse um pagão ou um pecador público.
18Em verdade vos digo, tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu.
19De novo, eu vos digo: se dois de vós estiverem de acordo na terra sobre qualquer coisa que quiserem pedir, isso lhes será concedido por meu Pai que está nos céus. 20Pois, onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou aí, no meio deles”.

Meditação.

Se o teu irmão pecar contra ti, vai corrigi-lo, mas em particular, a sós contigo. Se ele te ouvir, tu ganhaste o teu irmão (Mt 18, 15)

A comunidade cristã é o lugar da experiência do amor mútuo. Ela é constituída por pessoas amadas pelo Pai, renascidas em Cristo, santificadas pelo Espírito Santo. A comunidade é o lugar do amor, da unidade. É já um reflexo do amor e da comunhão da Santíssima Trindade. Comunidade cristã é a família, a comunidade eclesial da qual você participa, a comunidade paroquial, a Igreja.

Na comunidade, na família, buscamos viver o ideal do amor em Deus, amor que nos gerou como filhos pela evangelização e pelo batismo. Deus nos ama, nós o amamos e procuramos viver em fraternidade, em comunhão. Vivendo em unidade, Jesus está presente conosco. “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou aí, no meio deles”, nos disse o Senhor.

Acontece que esse ideal de amor em família, em comunidade, na paróquia, na Igreja muitas vezes é ferido por atitudes egoístas, deslealdades, ofensas. São pecados contra a fraternidade, a comunhão, contrários ao amor que devemos uns aos outros. E todo mundo tem experiência disso… Gente que, por espírito de orgulho e soberba, humilha o irmão ou a irmã, desconsidera, trapaceia, difama o seu próximo. Gente movida pela inveja, por interesses escusos, por sede de poder.... tem de tudo. Estamos mergulhados na grande experiência do amor de Deus na comunidade, mas somos ainda fracos e pecadores.

Diante disso, vem o ensinamento de Jesus no sermão da comunidade, no capítulo 18 de São Mateus. Jesus oferece um passo a passo sobre como reagir no caso de um irmão, na comunidade, pecar contra você. Somos responsáveis uns pelos outros. Devemos corrigir o nosso irmão. Não podemos deixá-lo no erro e fazer de conta que não temos nada a ver com isso. É o que chamamos de correção fraterna.

Guardando a mensagem.

A correção fraterna é a resposta amorosa e responsável de quem se sente ofendido pelo outro ou na obrigação de ajudar o outro a se conduzir melhor. A maioria das pessoas quando se sente ofendida, na comunidade, parte para a murmuração contra aquele irmão ou irmã e procura isolar aquela pessoa dos seus amigos, dos seus grupos de influência. Errado. O caminho para o restabelecimento da fraternidade é o da correção fraterna. Começa quando você, tendo sofrido uma ofensa, procura o seu agressor para resolver a situação. “Se teu irmão pecar contra ti, vai corrigi-lo, mas em particular, a sós contigo”, ensinou Jesus. Não dando certo, voltar a conversar na presença de duas ou três testemunhas. Se essas pessoas forem amigos em comum, tanto melhor. Assim, a pessoa se sentirá num ambiente seguro, não de ameaça. Se ainda não se resolver, levar o assunto à própria comunidade ou às suas lideranças. A Igreja deve chamar a atenção daquela pessoa, recordando-lhe o caminho dos discípulos de Jesus, os apelos do Reino de Deus. Não tendo jeito mesmo, então, reconhecer que essa pessoa se excluiu da comunidade, que está fora do caminho do evangelho. Pode, então, tratá-lo como um estranho, não mais como um irmão de comunidade.

Se o teu irmão pecar contra ti, vai corrigi-lo, mas em particular, a sós contigo. Se ele te ouvir, tu ganhaste o teu irmão (Mt 18, 15)

Rezando a mensagem

Senhor Jesus,
não é fácil corrigir o outro. Mas, isso é necessário para o seu crescimento no evangelho. É um sinal de responsabilidade de nossa parte para com ele e para com a comunidade. Como ensinaste, a correção fraterna deve ser feita com caridade e com respeito e percorrendo os passos que nos indicaste. Senhor, também não é fácil receber a correção fraterna. É preciso humildade para reconhecer os nossos próprios erros e espírito de conversão para acolher a graça de Deus e o apoio fraterno na superação de nossas infidelidades. Sustenta-nos, Senhor, no caminho do verdadeiro amor pelos nossos parentes e pelos irmãos e irmãs de comunidade. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Com certeza, este evangelho está lhe trazendo estímulos importantes para o enriquecimento de sua vida em família. Nesta Semana Nacional da Família, procure estar mais com os seus, contribuindo com o crescimento de alguém ou ainda deixando-se corrigir, como Jesus está nos ensinando.

Dom Otacilio F. LacerdaDomingo, 2 de agosto de 2026O Senhor e o milagre do amor (XVIIIDTCA)                             ...
02/08/2026

Dom Otacilio F. Lacerda

Domingo, 2 de agosto de 2026

O Senhor e o milagre do amor (XVIIIDTCA)

A Liturgia do 18º Domingo do Tempo Comum (ano A) nos convida a refletir sobre a grandiosidade do amor providente de Deus para com Seu povo.

Deus nos convida a nos assentarmos à Sua mesa, e nos oferece o Alimento, Pão de Eternidade que é Seu próprio Filho na Eucaristia, que sacia nossa fome de vida, de amor e felicidade.

Na passagem da primeira Leitura do Profeta Isaías (Is 55, 1-3), tem como mensagem um convite de Deus para que o povo deixe a terra da escravidão e se dirija para a terra da liberdade, a Jerusalém, na qual reinará a justiça, o amor e a paz.

Deus intervém na história de seu povo que vive o tempo do exílio, desolação e sofrimento, para que viva uma nova página marcada pelo regresso, consolação e reconstrução de uma nova história:

“O profeta adverte: é preciso ter a coragem de arriscar, de se desinstalar, de partir ao encontro do sonho. Àqueles que forem capazes de sair dos seus esquemas para abrirem o coração ao seu dom, Deus vai oferecer, de forma gratuita e incondicional, a vida em abundância, a felicidade infinita.” (1)

Deste modo, não podemos nos deixar seduzir por falsas miragens de felicidade (bens materiais, ilusão do poder, aplausos e a consideração dos outros), procurando saciar a nossa sede de vida plena e verdadeira tão somente nos bens que não passam, e a fonte por excelência é o próprio Deus.

Reflitamos:

- Quais são as fontes sedutoras que nos afastam da verdadeira felicidade?

- Quais são as falsas ilusões e miragens que nos desviam do Projeto de vida e felicidade que Deus tem para todos nós?

Na passagem da segunda leitura, o Apóstolo Paulo escrevendo aos Romanos (Rm 8,35.37-39), apresenta-nos um hino de amor a ser vivido para com Jesus Cristo: – “Quem nos separará do amor de Cristo?".

Absolutamente nada pode nos afastar deste amor e afastar a felicidade dos que creem em Deus, na fidelidade ao Espírito, confiantes na ação do Espírito Santo: nem a tribulação, angústia, perseguição, fome, nudez, perigo e a espada.

Nisto consiste viver segundo o Espírito, contando com Ele que vem em socorro de nossa fraqueza (Rm 8,26), porque nos ama com um amor profundo, total, radical. Sendo assim, nada nem ninguém poderá apagá-lo.

Quando descobrimos este amor, temos coragem para viver a vida com serenidade, tranquilidade e na verdadeira paz desejada.

Reflitamos:

- Qual é a intensidade e profundidade de nosso amor a Deus?

- Estamos, verdadeiramente, unidos a Jesus, haja o que houver?

- Quais são as dificuldades e provações que encontramos em nosso discipulado no seguimento do Senhor?

Com a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 14, 13-21), refletimos sobre a multiplicação dos pães realizada por Jesus Cristo, em um lugar deserto:

“O deserto é para Israel, o tempo e o espaço do encontro com Deus; aí Israel aprendeu a despir-se de suas seguranças humanas, das suas certezas, da sua autossuficiência... O deserto é ainda o lugar e o tempo da partilha, da igualdade, em que cada membro do Povo conta com a solidariedade do resto da comunidade, onde não há egoísmo, injustiça, prepotência, açambarcamento dos bens que pertencem a todos, e em que todos dão as mãos para superar as dificuldades da caminhada (no deserto, quem é egoísta, autossuficiente e não aceita contar com os outros está condenado à morte).” (2)

Com o sinal realizado, Jesus, o “o novo Moisés”, nos ensina que é preciso que acolhamos o Pão de Deus, e reparti-Lo entre todos, em alegre partilha e solidariedade, como um sinal do Reino de Deus.

Refletimos sobre o amor de Deus: um amor providente, dedicado e preocupado, no sentido de que nada nos falte.

De fato, o fogo tem a propriedade de dilatar as coisas, assim também a caridade é uma virtude cálida e fervente, que cria novas possibilidades de amor, partilha e solidariedade.

O discípulo missionário do Senhor, portanto deve ser alguém que ama e tem um coração quente e pronto para se solidarizar; sentindo-se amado pelo Senhor, passeia no íntimo do coração daquele a quem ama, sobretudo os empobrecidos, os preferidos de Deus.

Com Jesus, que nos amou e nos amou até o fim, dando Sua vida por nós, somos mais que vencedores, na luta somos supervitoriosos, e temos sempre algo a oferecer e muito a agradecer pelas maravilhas que Deus, por meio do Filho, no Espírito fez, faz e sempre fará por nós.

Reflitamos:

- Que “peixe” e que “pão” temos para oferecer a Jesus para que ele faça o grande sinal da multiplicação?

- A Eucaristia que celebramos leva-nos à compromissos de amor e partilha com os que mais precisam?

Saciados pelo amor de Deus, no Pão da Palavra e da Eucaristia, aprendemos que somente a partilha é que nos sacia.

Urge superar toda forma de indiferença, egoísmo e acomodação para que entremos na lógica do Reino, como prolongamento da Eucaristia celebrada e vivida no cotidiano: “Vinde, escutai, comei! Ide, partilhai e vivei”.

www.dehonianos.org.br

Dom Otacilio F. Lacerda
4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG

Endereço

Palmital
São João Evangelista, MG
33

Telefone

+33998332139

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