11/09/2019
Carta aos Terapeutas por Michelle Rosiane de Oliveira
Nós atraímos tudo o que precisamos e queremos, seja para deleite ou para crescimento pessoal. Um terapeuta, psicólogo, xamã, motivador é sem dúvida, acima de tudo, um ser humano assim também todos os outros que o procuram, passível de erros e de transtornos com os quais também tem de lidar. Estar bem consigo mesmo é a principal e primordial premissa a ser considerada.
Quando se diz que "o melhor exemplo não é o que se fala ou ensina, e sim o que se vive" não estamos prendendo os profissionais em jaulas de tradições, regras e obrigações mil consideradas como corretas, afinal, quem sabe o que é correto?! O que se diz com a expressão é que não podemos vender um peixe que não queremos comprar pra nós, que não se pode ajudar o outro em sua doença, se também não aceitamos a cura em nós. Contudo, a vida é a mesma, cheia de incríveis surpresas para o profissional assim também para o paciente, e não pode o profissional pedir ao paciente que se levante e dê a ele o lugar no divã.
Quando estamos centrados e confiantes, vejam bem, confiantes em nós, confiantes de que mesmo não conhecendo a cura estamos dispostos a encontrá-la em nós, aplicá-la em nossas vidas e repassá-la como transbordo de nossas sensações e conquistas aos nossos pacientes, então estamos prontos para atender, mesmo em meio a nossas turbulências. Pois quando tratamos o outro, tratamos primeiramente a nós próprios e nossas convicções, nosso acreditar, nosso caminho.
Se estivermos com um problema, por exemplo, o de "nos sentir sozinhos" nós teremos quantos pacientes forem necessários ao Universo encaminhar para que, ao darmos a eles o possível caminho da cura, encontremos a própria medicina em nossa vida. E é nesse ponto que vale muito mais a confiança, vale como fio de vida, pois as palavras nos surgem aos ouvidos, e ao soar nos lábios ela, além de adentrar aos sentidos do paciente, ela nos move o coração e transforma nossa vida. Somos novos, somos outro no mesmo, estamos curados, temos o que e como aplicar em nós próprios.
Agora, se falha seu cajado, se falta a sua confiança, as palavras soam ao vento e como pétalas de flores caídas são levadas ao longe, e o profissional se entrega à doença junto com o cliente, e nem um nem outro encontra meios de se curar. Não é incomum conhecer casos e mais casos de mulheres carentes que buscam a terapia e encontram o terapeuta como parceiro e amante, que mesmo cheio de pompas se entrega à mesma doença dentro de seu próprio lar. Nem um, nem outro consegue ver a própria doença, e muito menos ouvir o som da cura, pois a confiança em si do profissional não está presente com ele. Com certeza, sem essa confiança, inúmeras mulheres entrarão em seu consultório, com encantos idênticos.
Ouvir a si mesmo e ter coragem de agir em seu próprio lar necessita da confiança total de que essa é a sua cura. Sendo qual for a sua ação, essa é a cura. Que medicina irá trazer aos seus pacientes? Ação ou omissão? visão ou cegueira? Confiança plena ou palavras soltas, bonitas, mas vazias!
Com isso, a única lição válida que tenho e deixo com toda a minha confiança é que a vida será sempre vida, com altos e baixos para o profissional e para seus clientes, mas o que o coloca na cadeira e não no divã é a confiança em si e em fazer o melhor para si, crescendo, aprendendo, aceitando a medicina que a vida lhe traz, e dessa forma se curando a cada dia e proporcionando aos pacientes e ao mundo possibilidades de cura.
Abraços plenos de confiança, de amor e muita realização.