Tuco Rj - Terreiro de Umbanda Coletivo de Oyá

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137 anos de uma abolição que não foi abolição.A Lei Áurea não veio acompanhada de terra, trabalho, moradia, educação ou ...
13/05/2026

137 anos de uma abolição que não foi abolição.

A Lei Áurea não veio acompanhada de terra, trabalho, moradia, educação ou dignidade. Os corpos foram libertos, mas as almas foram lançadas à própria sorte. O Estado que escravizou por três séculos virou as costas e disse: “agora se virem”. Sem indenização, sem reparação, sem política de inclusão. Libertos sim, mas jogados à margem de uma sociedade que seguia os mesmos códigos racistas de antes.

Não há o que comemorar.

Há o que reconhecer. Há o que honrar. Há o que reparar.

Os Pretos Velhos sabem disso.

Na cosmologia bantu, os mukurusu, nossos Pretos Velhos, são os que carregam a sabedoria forjada na sobrevivência. Eles não cantam vitória. Eles contam a história verdadeira. Eles ensinam que a liberdade não foi dada, foi conquistada a cada dia, a cada palmo de chão, a cada terreiro erguido escondido, a cada reza baixinha que ninguém ouviu mas Oyá levou aos céus.

O Pai Miguel, o Pai Benedito, a Vovó Catarina, eles rezam, e na reza deles está a memória de um povo que resistiu sem terra, sem direito, sem nada. E que mesmo assim mesmo assim construiu.

Construiu a cultura que o Brasil inteiro consome. Construiu a fé que sustenta milhões. Construiu uma cosmovisão onde o sagrado está na terra, no rio, na mata, no ferro de Ogum.

🔥 Hoje não se comemora. Hoje se resiste.

Resistir é reconhecer que a abolição foi uma mentira jurídica.
Resistir é honrar a memória dos que vieram antes.
Resistir é ocupar espaços que nos foram negados.
Resistir é manter acesa a chama do terreiro, a força do canto, o axé do tambor.
Resistir é lembrar que a liberdade ainda não chegou para todo mundo — e que lutar por ela é o nome do nosso caminho.

13 de maio: dia de silenciar os sinos e escutar o que os Pretos Velhos têm a nos ensinar.

🕯️🤍 Canjerê de Pretos Velhos – 16/05 🤍🕯️Na calma da fala mansa e na sabedoria dos Pretos Velhos, encontramos acolhimento...
11/05/2026

🕯️🤍 Canjerê de Pretos Velhos – 16/05 🤍🕯️

Na calma da fala mansa e na sabedoria dos Pretos Velhos, encontramos acolhimento, cura e direção. É gira de silêncio da alma, de limpeza espiritual e de ensinamentos que fortalecem o coração e trazem paz para os caminhos.
Que a humildade e a luz desses ancestrais nos ensinem a seguir com mais paciência, fé e equilíbrio.

📍 Local: R. Aquidabã, 738 - Méier
⏰ Abertura dos portões: 10h45
🚪 Fechamento dos portões e início da gira: 11h30

Para ajudar e saber como chegar:
Arrasta pro lado ➡️

Confirmação de presença pelo WhatsApp:
📲 (21) 97362-2927

Adorei as Almas!

No solo sagrado do nosso Terreiro, celebramos hoje a Matripotência: esse poder ancestral, visceral e divino de gerar não...
10/05/2026

No solo sagrado do nosso Terreiro, celebramos hoje a Matripotência: esse poder ancestral, visceral e divino de gerar não apenas a vida, mas os caminhos por onde ela caminha. Ser mãe é a tradução viva da estratégia e do movimento.

Em primeiro lugar, honro a minha mãe. Mulher nordestina, mãe solo e analfabeta, ela foi a minha primeira e maior mestre. Moveu mundos e fundos, transformando a escassez em oportunidade para construir a minha educação com maestria. Sua história é o alicerce de tudo o que sou e a prova de que o amor materno é a força mais alfabetizada que existe.

Tefa, com a doçura e a astúcia de Oxum, tece a jornada de Maria Flor. Como a dona das águas doces, ela não enfrenta o obstáculo com força bruta, mas com a inteligência da estratégia, contornando pedras para garantir que sua filha floresça em abundância e amor.

Luiza personifica a força que move o invisível. Por Matheus, ela abre caminhos e transforma realidades. Sua maternidade é movimento contínuo, rompendo matas e superando limites para que a trajetória dele seja de luz e possibilidades.

Suzany é a luta incessante pela integridade. Para Pedrinho, ela entrega o escudo da educação e a espada da sensibilidade. Criar um homem inteiro e íntegro em um mundo desafiador é sua missão diária, ensinando que a verdadeira força reside na capacidade de sentir.

Evillyn exerce a maternidade no axé como Mãe Ekedy. Com a postura doce e firme que o cargo exige, ela é o suporte fundamental para a potência de Tuco. Zelar pelo sagrado é, também, uma forma sublime de cuidar, guiar e sustentar.

E a minha gratidão se estende a Carolina Rua, minha Mãe de Santo. Foi através do seu colo e do seu ensinamento que o caminho se revelou para mim. Sua matripotência me deu o norte necessário para que eu pudesse seguir meus próprios passos com fé.

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06/05/2026

Na cosmologia Bantu, o estágio de Kala representa o sol que desponta no horizonte, o momento sagrado do nascimento onde a vida se manifesta como pura promessa e energia de descoberta. É o tempo da infância, onde o ser tem o direito ancestral de ser começo, de experimentar o mundo através do lúdico e de florescer no seu próprio tempo, mas essa engrenagem vital tem sido violentamente interrompida nos territórios de favela por um processo cruel de adultização precoce.

Enquanto Kala deveria ser o espaço do brincar livre, a realidade das comunidades impõe uma maturidade de sobrevivência onde o corpo infantil é forçado a abandonar a inocência para aprender a geografia do medo, substituindo o correr das brincadeiras pelo reflexo de se esconder e o som das cantigas pelo domínio técnico do calibre dos disparos.

Essa adultização não é um amadurecimento, mas um roubo sistemático do direito de ser semente, transformando crianças em pequenos adultos em estado de alerta permanente, uma violação que se torna nítida e dolorosa com a operação policial que acontece hoje na Maré.

Quando as escolas fecham e as ruas se esvaziam sob a mira do fuzil, o Estado decreta o fim do tempo de Kala antes mesmo do meio-dia, asfixiando a oportunidade dessas crianças vivenciarem sua própria cosmologia e reduzindo o território que deveria ser de afeto em um cenário de guerra.

Precisamos denunciar que cada operação que interrompe o riso e confina o corpo na favela é um projeto de interrupção de futuros negros e periféricos, pois garantir que uma criança brinque livre é, antes de tudo, garantir que o sol de Kala continue a ter o direito de nascer sem ser ofuscado pelo blindado.

06/04/2026

Já viram na programação? Dia 23/04 como a Clara convidou, teremos nossa feijoada de Ogum com gira de EXU 🤷🏾‍♂️🤍😅

Já sabe né?! SE VOCÊ QUISER VIR… 😂

22/03/2026

Tefa, minha Filha...

Hoje eu celebro a sua vida e, principalmente, a sua caminhada. Porque quem te conhece de verdade sabe: a sua doçura não é fragilidade, é luz. É o jeito bonito que você tem de tocar o mundo sem fazer barulho, mas mudando tudo por onde passa.

Você é compromissada. Daquelas pessoas que não prometem muito, mas entregam tudo. Você honra sua palavra, honra sua fé, honra os seus. E, junto com isso, carrega uma força rara: a força de quem já atravessou coisa demais e, ainda assim, escolheu continuar com o coração aberto.

Você tem um dom que nem todo mundo entende: você cuida. Você percebe a dor antes de alguém falar, acolhe sem medir, sustenta sem anunciar. E eu te admiro por isso. Mas hoje eu quero celebrar outra vitória sua, talvez a mais difícil: você vem aprendendo, aos poucos, que também pode ser cuidada. Que amar não é só dar. Que o mundo não desaba quando você descansa. Que receber colo também é sagrado.

Que Tranca Ruas vá sempre adiante de você, abrindo seus caminhos, fechando o que não te serve, quebrando o que é pesado, e te livrando do mal, do visível e do escondido. Que ele te guie com firmeza, e que onde houver porta trancada, ele faça virar passagem.

Que Maria Navalha te dê jogo de cintura e presença. Que te ensine a escapar do que tenta te prender, a rir do que tenta te diminuir, e a atravessar os labirintos que parecem não ter saída com a elegância de quem sabe: “eu chego do outro lado”. Que ela te dê astúcia sem te tirar a ternura, coragem sem te endurecer.

E que a sua Pomba Gira te ensine cada vez mais o tamanho da sua potência, não pra você provar nada pra ninguém, mas pra você nunca mais duvidar de si. Que ela te mostre como usar essa força com amor-próprio, com verdade, com brilho… e com limites também, porque limite é proteção.

Tefa, que este novo ciclo te traga paz na mente, calma no peito e firmeza nos pés. Que você seja cercada de amor de verdade, daquele que soma, que acolhe, que não pesa. Que você tenha saúde, prosperidade e proteção, e que, quando o mundo apertar, você se lembre: você não está sozinha. Você é guardada. Você é amada. Você é grande.

Feliz aniversário, minha Filha!

25/02/2026

Na nossa última gira de Caboclos e Boiadeiros, a gente falou sobre a importância de estipular limites e sustentá-los. E é exatamente a partir desse fundamento que eu trago esse vídeo de hoje: falar de racismo, e de como ele tem crescido e se tornado cada vez mais comum em espaços onde ninguém deveria ser desumanizado.

O caso do psicólogo que cometeu suicídio após uma situação de racismo no camarote do carnaval não é “só mais uma notícia”. É o retrato cruel do que o racismo faz: ele adoece, humilha, isola e pode matar por dentro e por fora.

Por isso, no TUCO, Terreiro de Umbanda Coletivo de Oyá, a gente assume um compromisso claro: toda e qualquer pessoa que vier a fazer parte do TUCO vai precisar passar por um curso de letramento racial. Esse curso será fornecido pelo terreiro. Não é moda, não é discurso bonito. É responsabilidade, é cuidado, é fundamento.

Se esse tema te toca, te provoca ou te incomoda, eu te peço: assista ao vídeo, reflita e compartilhe. Porque o silêncio também sustenta a violência.

TUCO Oyá CaboclosEBoiadeiros Gira Respeito SaúdeMental DireitosHumanos

09/02/2026

Carnaval, Quaresma e Umbanda: o ponto aqui não é “liberar geral” nem “proibir tudo”.

O que eu proponho é uma pergunta sincera: por que, tantas vezes, a Umbanda é explicada (e até limitada) pelo calendário e pela moral cristã? Quando a gente usa essa régua sem perceber, corre o risco de apagar raiz afro-indígena, confundir fundamento com costume e reforçar leituras que colocam o corpo, a rua, a música e a alegria como “suspeitos”.

E tem um efeito direto nisso: quem costuma pagar essa conta é Exu guardião de caminho, de comunicação, de passagem. Quando a gente compra uma narrativa de culpa e “perigo” em torno de festa e prazer, sem raciocinar, a gente alimenta (mesmo sem querer) o velho estigma.

Fundamento sem raciocínio vira reprodução e não conexão ancestral.
Antes de repetir “é Quaresma” ou “não pode por causa do Carnaval”, vale perguntar: isso é fundamento vivo da nossa raiz… ou é costume herdado de uma lente cristã?

TradiçãoEVivência PovoDeTerreiro Axé

Endereço

Rio De Janeiro, RJ

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