31/01/2023
PAULO PRISIONEIRO DE CRISTO - PARTE 4
EPISÓDIO 4.1 – ATOS 27. 1-44 / ATOS 28.1-15
VIAGEM DE PAULO À ROMA – COMO PRISIONEIRO:
Na viagem de Paulo a Roma, na condição de prisioneiro aconteceram várias adversidades, mas como Paulo estava em uma missão de Jesus, tudo iria terminar bem, e nada aconteceria fora da vontade de Deus. O pastor Hernandes Dias Lopes costuma dizer que desertos na vida dos que amam a Deus, não são obras do acaso, mas, geralmente fazem parte da agenda de Deus.
No segundo dia de viagem, quando o navio aportou em Sidom, na Fenícia, o centurião Júlio permitiu que Paulo tivesse a liberdade de rever os irmãos e amigos, que ali moravam, e obter assistência deles (Atos 27.2,3).
Era inverno e Paulo recebeu de Deus revelação dos perigos que aconteceriam na viagem. Paulo alertou ao centurião, que preferiu confiar mais na experiência do mestre do navio. Quando o navio passou da ilha de Creta, no mar Mediterrâneo desencadeou-se uma tempestade que durou quatorze dias, sem que conseguissem diferenciar dias ou noites, em que não conseguiam ver o sol ou as estrelas, e sem comer. Quando todos já estavam sem esperança de sobreviver Paulo toma a palavra e encoraja a todos: “Senhores, na verdade, era preciso terem me atendido e não partir de Creta, para evitar esse dano e perda. Mas, agora, já vos aconselho bom ânimo, porque nenhuma vida se perderá de entre nós, mas somente o navio. Porque esta mesma noite, um anjo de Deus, de quem eu sou e a quem sirvo, esteve comigo, dizendo: Paulo, não temas! É preciso que compareças perante César, e eis que Deus, por sua graça, te deu todos quanto navegam contigo” (Atos 27.21-24).
É impressionante o relato de Atos 27.31-44, que narra o drama do naufrágio em que o navio foi a pique mas todos se salvaram, um total de duzentas e setenta e seis pessoas, que só conseguiram comer algum alimento depois de quatorze dias de tempestade, porque o apóstolo Paulo os garantiu que todos se salvariam. Todos se salvaram, cada qual se agarrando a destroços do navio.
Chegando numa ilha chamada Malta, os moradores locais acenderam uma fogueira para aquecê-los, e Paulo foi picado por uma serpente venenosa, ao atirar um feixe de gravetos na fogueira. Os ilhéus pensaram que Paulo era um criminoso, porque escapou do naufrágio, mas morreria pela serpente; como isso não aconteceu acharam que Paulo era um deus. Paulo visitou o pai de Públio, dono da ilha, que estava enfermo. Paulo orou por ele, impondo-lhe as mãos e ele foi imediatamente curado. Atos 28.8,10, registra, como Deus operou naquele lugar: “À vista deste acontecimento, os demais enfermos da ilha vieram e foram todos curados, os quais nos distinguiram com muitas honrarias; e, tendo nós de prosseguir viagem, nos puseram a bordo tudo o que era necessário”.
Passados três meses embarcaram para Roma em outro navio, transcorrendo o final da viagem sem transtornos até chegar em Roma.
EPISÓDIO 4.2 – ATOS 28.16-31/EFÉSIOS 3.1-4.6 / FILIP. 1.12,13 ; FILIP. 5.21,22
PRIMEIRA PRISÃO DE PAULO EM ROMA:
A primeira prisão de Paulo em Roma foi uma espécie de prisão domiciliar, onde ficou numa casa, pela qual pagava aluguel, provavelmente custeado pelos irmãos de todas as igrejas fundadas por Paulo em todas as partes.
Nessa prisão em Roma Paulo escreveu primeiramente as cartas AOS EFÉSIOS e AOS COLOSSENSES, que tem muito conteúdo teológico em comum. A CARTA DE PAULO A FILEMOM foi escrita mais pra frente, e, mais para o final dessa prisão, por volta do ano 62, Paulo escreveu a CARTA DE PAULO AOS FILIPENSES.
Paulo ficou preso sempre acompanhado de um soldado da guarda pretoriana, que era a guarda de elite do imperador. Com seu ímpeto evangelístico Paulo pregou para todos que os guardavam e gerou um grande número de convertidos na guarda imperial de Nero, conforme comprova Filipenses 5. 22: “Todos os santos vos saúdam, especialmente os da casa de César.”
A carta de Paulo aos Efésios, que apesar de não ser tão grande quanto Romanos é riquíssima e concentra as principais doutrinas em que se baseia a fé cristã: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2.8,9).
A Carta de Paulo aos Colossenses por ser sinótica de Efésios dispensa comentários.
A Carta de Paulo aos Filipenses é outra preciosidade, onde Paulo abre o coração, falando da saudade dos irmãos, mostrando-se feliz pelos resultados colhidos, apesar de estar numa prisão: “Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro”(Filipenses 1.21).
“Finalmente, irmãos, tudo que é verdadeiro, tudo que é respeitável, tudo que é justo, tudo que é puro, tudo que é amável, tudo que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso que ocupe o vosso pensamento” (Filipenses 4.8).
EPISÓDIO 4.3 – 1 TIMÓTEO / TITO
PAULO LIVRE DA PRIMEIRA PRISÃO EM ROMA:
A Primeira Prisão de Paulo em Roma é a última narrativa do livro de Atos. Depois de dois anos nessa espécie de prisão domiciliar Paulo foi inocentado, porque não tinha cometido nenhum delito contra o Império Romano. Paulo saiu dessa prisão no ano 62.
Pela forma amorosa, com que Paulo se dirigia às igrejas, nas suas cartas, como um pai presente, que investe na maturidade de seus filhos, podemos supor que a primeira coisa que ele fez quando saiu da primeira prisão em Roma, foi visitar cada igreja e matar a saudade de ver os irmãos e compartilhar as coisas concernentes ao reino de Deus, porque mesmo em prisões ele jamais deixou de se comunicar com as igrejas pelas quais arriscou a própria vida, por todas as cidades por onde ele passou e gerou filhos espirituais.
Nesse período de aparente calmaria, Paulo escreveu as cartas 1TIMÓTEO e TITO, que foram cartas pessoais, a esses colaboradores amados, que eram seus discípulos na fé.
As cartas 1Timóteo, 2Timóteo e Tito, contêm um curso básico de seminário teológico, porque Timóteo, que era filho de pai grego e de mãe judia, e Tito, que era grego, eram valorosos colaboradores, que, por serem mais jovens, dariam continuidade ao ministério de Paulo, semelhantemente ao que se deu com o profeta Eliseu, que deu continuidade ao ministério profético de Elias.
Fazer teologia em seminários ou cursos de doutorado no exterior não terá nenhum valor, se o curso não seguir as premissas básicas que Paulo apresenta para seus seminaristas, nessas cartas maravilhosas. Paulo exorta seus dois seminaristas que, de forma nenhuma, negociassem o evangelho de Jesus, porque Jesus não dá essa procuração para ninguém, porque o evangelho é dele; o evangelho não é nosso e também não é de nenhum pregador, como ele recomenda em 1 Timóteo 4.1, em 2Timóteo 3.14-17 e 4.1-5, e em Tito 1.9-16.
Paulo também exorta seus dois seminaristas, que já exerciam o pastorado, a que se apresentassem com autoridade diante dos perturbadores, que se infiltravam nas comunidades cristãs e disseminavam falsos ensinamentos: “Porque existem muitos insubordinados, palradores, frívolos e enganadores, especialmente os da circuncisão. É preciso fazê-los calar... Portanto, repreende-os severamente, para que sejam sadios na fé” (Tito 1.10, 11, 13). “Dize estas coisas; exorta e repreende também com toda autoridade” (Tito 2.15). Mas, infelizmente, é muito comum hoje, que os pregadores, depois de tratarem de um assunto sério numa pregação, achem por bem inserir uma piada, que não tem nenhum propósito edificante, resultando então numa estrondosa gargalhada coletiva. Diante isso, não há autoridade que sobreviva, e a palavra de Deus é contaminada com um entulho, que compromete toda a pregação. O pastor norte americano Steven Lawson, notável homem de Deus, ainda vivo, faz citação sobre esse tipo de pregação pós-moderna, que se divide em três partes: “Primeiramente o pregador lê o texto, depois o pregador sai do texto, e, por fim, o pregador abandona o texto e não volta mais para o texto”.
Em Atos 15.28, Paulo faz menção de um projeto seu de ir até a Espanha, o que significaria a sua quarta viagem missionária; mas isso não deve ter acontecido, porque no dia 18 de julho do ano 64, Nero, insano imperador de Roma incendeia a cidade de Roma, que destrói 70% da cidade. Como os bairros que sobreviveram ao incêndio eram habitados por muitos judeus e cristãos, Nero utilizou isso como álibi para lançar a culpa sobre judeus e cristãos. Faltou madeira para crucificar cristãos, que também foram lançados às feras do Coliseu, ou então amarrados, cobertos de piche em postes, onde eram incendiados para iluminar a cidade de Roma. À essa altura, Paulo que era o líder dos cristãos em maior evidência, acabou sendo preso como mandante desse incêndio criminoso, interrompendo assim os projetos de Paulo.
A Segunda Prisão de Paulo em Roma, foi a última etapa do ministério de Paulo, que terminou no seu martírio, quando foi condenado com direito a uma morte rápida, por ser cidadão romano, morrendo decapitado no ano 67, condenado injustamente como mandante do Incêndio de Roma.
EPISÓDIO 4.4 – CARTA DE 2 TIMÓTEO:
A SEGUNDA PRISÃO DE PAULO EM ROMA:
Se na primeira prisão em Roma Paulo ficou numa espécie de prisão domiciliar, na sua segunda prisão, que durou dois anos (66 e 67), Paulo foi colocado numa masmorra subterrânea insalubre, onde grande parte dos prisioneiros ficavam leprosos.
Mas nem mesmo essas circunstâncias praticamente insuportáveis foram suficientes para frear o ímpeto que movia Paulo, O Prisioneiro de Cristo Jesus, como ele mesmo se intitula em Filemom 1.1, e em outras de suas cartas, porque mesmo nessa prisão Paulo nos presenteou e nos abençoou com a SEGUNDA CARTA DE PAULO A TIMÓTEO, nos deixando preciosas exortações.
Paulo faz citação a Onesíforo, que praticou uma ação humanitária que atenuou os seus sofrimentos nessa prisão: “Conceda o Senhor misericórdia à casa de Onesíforo, porque, muitas vezes, me deu ânimo e nunca se envergonhou das minhas algemas; antes, tendo ele chegado à Roma, me procurou solicitamente até me encontrar” (2Timóteo 1.16,17).
Em todo o capítulo 3 de 2Timóteo, indo até 2Timóteo 4.5, Paulo faz recomendações preciosas a Timóteo, seu filho na fé, recomendações essas que também se aplicam a nós, porque ele profetiza sobre o crescimento da iniquidade dos “últimos dias”, tempo em que estamos vivendo, no qual só sobreviverão na fé os que se firmarem no verdadeiro evangelho de Jesus.
“Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas a todos quantos amam a sua vinda” (2 Timóteo 4.6-8). Estas foram umas das últimas palavras de Paulo, quando estava no corredor da morte, aguardando a sua execução.
Paulo tinha a consciência em paz, diante de Jesus, com quem ele se encontraria brevemente, porque estava convicto de que ele fizera tudo que tinha sido possível fazer, e que valeu a pena fazer tudo que fez, por isso ele falou em seus últimos dias de vida: “Combati o bom combate”. Paulo também tinha consciência de que sua carreira foi concluída de maneira satisfatória, e que, por isso, sabia que a coroa da justiça lhe estava aguardando, nas mãos de Jesus, “reto juiz”.
Paulo sentiu-se abandonado por muitos, quando amargava seus últimos dias de vida nessa prisão, mas vale ressaltar que Lucas, o médico amado, que escreveu o livro de Atos, que contém a biografia de Paulo, nunca o abandonou, ficando com ele até os momentos finais (2 Timóteo 4.11a).
Também vale ressaltar que Paulo fala de sua reconciliação com João Marcos, com o qual Paulo tinha sido duro, no episódio que causou a separação entre ele e Barnabé, antes da sua segunda viagem missionária. João Marcos, que foi o autor do primeiro dos quatro evangelhos a serem escritos, O Evangelho de Marcos, voltou a participar ativamente do ministério de Paulo (2Timóteo 4.11b).
“Quando vieres traga a capa que deixei em Trôade... Apressa-te a vir antes do inverno” (2 Timóteo 4.13,21). Esse apelo de Paulo a Timóteo, seu filho na fé, tem um caráter de urgência, e demonstra dramaticidade, porque o inverno estava chegando, e, se Timóteo não se apressasse, ele poderia não sobreviver a um inverno rigoroso, somado ao total desconforto daquela prisão subterrânea.
O saudoso pastor Leonard Ravenhill, homem de Deus que nos deixou em 1984, aos 86 anos, em seu livro intitulado “Por Que tarda o Verdadeiro Avivamento?”, que fala muito sobre o Apóstolo Paulo, nele afirma que o diabo teve uma imensa sensação de alívio, quando Paulo foi decapitado, porque Paulo fez muitos estragos nas regiões dominadas pelas forças do mal, arrebentando todas as portas do inferno e libertando pessoas das algemas de satanás, por todos os lugares, por onde Paulo, O Prisioneiro de Cristo, andava e alvoroçava o mundo, como disseram os habitantes da cidade de Tessalônica (Atos 17.6).
Natalino Barboza Borges