15/11/2019
Você sabia que o Marechal Deodoro da Fonseca está sepultado na Praça Paris?
Por José Roitberg
Neste dia que poucos se importam com a celebração dos 130 anos da Proclamação da República do Brasil vou falar sobre o enorme monumento localizado no finalzinho da Praça Paris defronte à Praça Mahatma Gandi.
Lá está o monumento-mausoléu do Marechal Deodoro da Fonseca, o militar imperial golpista, nosso primeiro presidente, e nosso primeiro presidente a abandonar o cargo. Não vou tratar do governo dele.
A Praça Paris, foi obra do arquiteto francês Agache, aquele mesmo do Plano Agache de reurbanização total do centro do Rio de Janeiro, plano que nunca aconteceu. O projeto original da Praça Paris ia da Glória até a Praça Mauá, passando pelo que era a já Avenida Rio Branco, antes Avenida Central. Mas ficou restrito a área da Glória até a Rio Branco em linha reta.
Os marechais Deodoro e seu vice-presidente Floriano Peixoto, eram homens nascidos em Alagoas, oficias de carreira tendo participado de combates na Guerra do Paraguai nas patentes de tenente até capitão. Ambos nasceram após a proclamação da Independência e eram fiéis miltares imperiais até darem um golpe de estado e chutarem a família imperial Orleans e Bragança.
Uma das primeiras medidas de Deodoro, presidente-ditador, sem congresso inicialmente, foi de remover todos os sinais visíveis do Império. Seus sucessores removeram também boa parte da história do Império, como se entre 1822 e 1889 nada de bom tivesse acontecido no Brasil. Todos os locais com nomes referentes à família real foram renomeados. O exemplo mais simples é a Praça D. Pedro, renomeada para Praça XV (de Novembro). Quando eu era pequeno, não entendia porque havia praça 15 e praça 11. Onde ficavam as praças 10, 9, 8, 14 etc? Na verdade é Praça 11 de Junho, data da vitória na Batalha do Riachuelo. uma batalha naval entre Brasil e Paraguai no Rio da Prata, vencida pelo Almirante Barroso.
A presidência custou caro à Deodoro e debilitou a saúde dele. Ficou no cargo apenas por dois anos, saiu e morreu no ano seguinte, em 1892. foi substituído pelo eu vice, o Marechal Floriano Peixoto, nosso segundo presidente.
Deodoro foi sepultado no cemitério de São Francisco Xavier, no Caju.
O monumento a ele, foi inaugurado onde está, apenas em 1937, longos 45 anos após a sua morte, no Governo Vargas. Os restos mortais de Deodoro e sua esposa foram traladados e estão dentro da estrutura de 23 metros de altura pesando 850 toneladas. Ficava apenas há algumas dezenas de metros do Palácio Monroe, em direção ao mar.
Quem passa rapidamente pelo monumento, mal dá duas olhadas. Além de ser um dos três maiores monumentos da cidade, ele contém, não apenas a figura de Deodoro acenando sobre o cavalo, mas quase todas as personalidades envolvidas na proclamação da república e algumas curiosidades. O autor foi o escultor fluminense Modestino Kanto.
Abaixo um texto que não é meu detalhando as personalidades esculpidas neste monumento. Vários nomes já não fazem sentido para ninguém e entraram no rol das coisas, pessoas e fatos não ensinados sobre a história do Brasil.
"No pilar anterior direito há esculpido em bronze os vultos da época da Proclamação: o major Frederico Sólon de Sampaio Ribeiro, o tenente-coronel João Teles, o coronel Marciano de Magalhães, o general Almeida Barreto e os marechais José Antônio Correia da Câmara e Floriano Peixoto.
No pilar anterior esquerdo, também há esculpido em bronze os jovens da antiga Escola Militar, conduzida por Benjamim Constant.
Nos pilares posteriores estão esculpidos em bronze, representando a Marinha de Guerra, as figuras dos almirantse Eduardo Wandenkolk, Alexandrino Faria de Alencar, e Frederico Guilherme de Lorena além de outros e, representando os jornalistas e os republicanos históricos, as figuras Quintino Bocaiúva, Saldanha Marinho, Júlio de Castilhos, Aristides Lobo, João Pinheiro e Prudente de Morais.
Na frente do pedestal em um pequeno pilar está esculpida em bronze uma mulher em pé, simbolizando República.
Na traseira do pedestal em um pequeno pilar está esculpida em bronze uma mulher sentada, representando D. Rosa Paulina da Fonseca, mãe de Deodoro.
Entre os pilares do pedestal há 5 baixos-relevos, nos lados maiores, e 3 nos lados menores, representando Rui Barbosa, Campos Sales, Lauro Muller, capitão Pedro Paulino, Silva Jardim, o general Glicério, Cesário Alvim, Lopes Trovão, padre João Manuel, Martins Júnior, Clodoaldo da Fonseca, Vespasiano, marechal Mallet, Mena Barreto e Sampaio Ferraz. (Texto de Alexei)"
Como se vê, o monumento imortalizou a todos os militares e civis que lideram o golpe de estado e criou o país republicano e democrático que temos hoje.