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Continuando a série de artigos sobre se a Igreja Primitiva era católica.  Já foi abordado o tema da organização vigente ...
09/03/2025

Continuando a série de artigos sobre se a Igreja Primitiva era católica.
Já foi abordado o tema da organização vigente na chamada Igreja "Primitiva" e demonstrado com as escrituras do Novo Testamento e testemunhos históricos dos Pais da Igreja que sua estrutura era local,episcopal e hierárquica.
Agora,o tema abordado será o primado de S.Pedro,o príncipe dos apóstolos e sua continuação na Igreja na forma do Papado.
Esse artigo é de certa forma,a continuação do anterior.

O primado de S.Pedro:

O Novo Testamento destaca a figura de São Pedro de várias maneiras. Ele é de longe o Apóstolo mais citado (mais de 170 vezes!).
Vejamos agora alguns fatos sobre S.Pedro nas escrituras.

Nas listas Apostólicas S.Pedro é sempre o primeiro:

Estes são os nomes dos doze apóstolos: primeiro, Simão, também chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão;
(Mateus 10,2)

Ele constituiu, pois, os Doze, e impôs a Simão o nome de Pedro;
(Marcos 3,16)

Simão, a quem impôs o nome de Pedro, seu irmão André, Tiago, João, Filipe, Bartolomeu,
(S.Lucas 6,14)

São Pedro é retratado nos evangelhos e em Atos dos Apóstolos como o porta voz dos apóstolos:

“E vós”, retomou Jesus, “quem dizeis que eu sou?"
Simão Pedro respondeu: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”.
(S.Mateus 16,15-16)

Então Pedro disse: “Senhor, é para nós ou para todos que contas esta parábola?”
(Lucas 12,41)

"Jesus disse aos Doze: “Vós também quereis ir embora?”
Simão Pedro respondeu: “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna."
(S.João 6,67-68)

"Naqueles dias, estava reunido um grupo de mais ou menos cento e vinte pessoas. Pedro levantou-se no meio dos irmãos e disse:
“Irmãos, era necessário que se cumprisse o que o Espírito Santo, por meio de Davi, na Escritura, anunciou acerca de Judas, que se tornou o guia daqueles que prenderam Jesus."
(Atos dos Apóstolos 1,15-16)

Foi a São Pedro a quem Cristo prometeu as Chaves do Reino dos céus:

"Eu te darei as chaves do Reino dos Céus e o que ligares na terra será ligado nos céus, e o que desligares na terra será desligado nos céus”. "
(Mateus 16,19)

E também a quem expressamente ordenou pastorear e cuidar de todo seu rebanho:

"Depois de comerem, Jesus disse a Simão Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes?” Ele lhe respondeu: “Sim, Senhor, tu sabes que te amo”. Jesus lhe disse: “Apascenta os meus cordeiros”.
Uma segunda vez lhe disse: “Simão, filho de João, tu me amas?” – “Sim, Senhor”, disse ele, “tu sabes que te amo”. Disse-lhe Jesus: “Apascentas as minhas ovelhas”.
Pela terceira vez disse-lhe: “Simão, filho de João, tu me amas?” Entristeceu-se Pedro porque pela terceira vez lhe perguntara “Tu me amas?” e lhe disse: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que te amo”. Jesus lhe disse: “Apascenta as minhas ovelhas."
(S.João 21,15-17)

S.Pedro foi também o primeiro a pregar e batizar publicamente,inaugurando a Igreja (Atos 2).

Já nos Pais da Igreja:

Certamente esse destaque nas escrituras fez de S.Pedro uma figura muito querida e importante entre os Pais da Igreja.
Vale destacar,por exemplo, que S.Cipriano de Cartago (258 d.c) o considerava fundamento da unidade da Igreja:

"O Senhor fala a Pedro, dizendo: "Eu te digo que tu és Pedro; e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. E eu te darei as chaves do Reino dos céus ; e tudo o que ligares na terra será ligado também no céu, e tudo o que desligares na terra será desligado no céu." (Mt 16,18-19) e novamente ao mesmo, Ele diz, após Sua ressurreição: "Apascenta as minhas ovelhas." (Jo 21,17) e embora a todos os apóstolos , após Sua ressurreição , Ele dê um poder igual, e diga: "Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio: Recebei o Espírito Santo: A quem perdoardes os pecados , eles lhe serão perdoados; e a quem retiverdes os pecados ficarão retidos." (Jo 20:21),para que Ele pudesse estabelecer a unidade, Ele organizou por Sua autoridade a origem dessa unidade, como começando de um."
(São Cipriano de Cartago, "Tratado I: Sobre a Unidade Igreja", 258 d.c).

Neste contexto,a Igreja de Roma, por sua ligação especial com o Apóstolo era frequentemente considerada como "a Maior e Mais Antiga" das Igrejas e imbuída de uma autoridade tão especial que todas as outras Igrejas deveriam se conformar ao ensino dela. É o que testemunha Santo Irineu de Lyon,discípulo de São Policarpo de Esmirna que por sua vez foi discípulo de São João,o apóstolo. Na defesa contra os hereges gnósticos,o santo invocou a sucessão dos bispos e a autoridade da Igreja de Roma:

"Como, no entanto, seria muito tedioso, em um volume como este, contabilizar as sucessões de todas as Igrejas , nós colocamos em confusão todos aqueles que, de qualquer maneira, seja por um egoísmo maligno , por vanglória, ou por cegueira e opinião perversa, se reúnem em reuniões não autorizadas; [fazemos isso, eu digo,] indicando aquela tradição derivada dos Apóstolos , da muito grande, da muito antiga e universalmente conhecida igreja fundada e organizada em Roma pelos dois mais gloriosos Apóstolos , Pedro e Paulo ; como também [apontando] a fé pregada aos homens , que chega ao nosso tempo por meio das sucessões dos bispos . Pois é uma questão de necessidade que toda Igreja concorde com esta Igreja, por conta de sua autoridade preeminente."
(Santo Ireneu de Lyon, "Contra as Heresias", lv. III,2)

S.Clemente de Roma (88-99 d.c),discípulo de São Pedro e bispo de Roma,escreveu uma belíssima carta onde orienta a Igreja de Corinto. Uma demonstração da autoridade da Sé Romana extremamente próxima da época dos apóstolos:

"A Igreja de Deus que peregrina em Roma , à Igreja de Deus peregrina em Corinto, aos que são chamados e santificados pela vontade de Deus, por Nosso Senhor Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam multiplicadas, da parte de Deus Todo-poderoso,por Jesus Cristo.
Devido, queridos irmãos, aos eventos calamitosos repentinos e sucessivos que aconteceram conosco, sentimos que fomos um tanto tardios em voltar nossa atenção para os pontos a respeito dos quais vocês nos consultaram; e especialmente para aquela sedição vergonhosa e detestável, totalmente abominável aos eleitos de Deus , que algumas pessoas precipitadas e autoconfiantes acenderam a tal ponto de frenesi, que seu venerável e ilustre nome, digno de ser universalmente amado,sofreu grave injúria."
(S.Clemente de Roma, "Carta aos Coríntios" cap. I)

Santo Inácio de Antioquia,discípulo de São João,o Apóstolo, escreveu 7 cartas as Igrejas que haviam no seu caminho até a cidade de Roma onde seria martirizado. Uma dessas cartas é endereçada a Igreja de Roma,no qual sua saudação expressa a posição dessa Igreja diante das demais:

"Inácio que também é chamado Teóforo, à Igreja que obteve misericórdia, através da majestade do Pai Altíssimo, e Jesus Cristo , Seu Filho unigênito; a Igreja que é amada e iluminada pela vontade daquele que quer todas as coisas que são de acordo com o amor de Jesus Cristo nosso Deus , que também preside no lugar da região dos romanos, digna de Deus , digna de honra , digna da mais alta felicidade , digna de louvor, digna de obter todos os seus desejos, digna de ser considerada santa , e que preside o amor , é nomeada de Cristo, e do Pai , que eu também saúdo em nome de Jesus Cristo , o Filho do Pai: para aqueles que estão unidos, tanto segundo a carne como o espírito , a cada um dos seus mandamentos; que são cheios inseparavelmente com a graça de Deus , e são purificados de toda mancha estranha, [desejo] abundância de felicidade irrepreensível, em Jesus Cristo nosso Deus."
(Santo Inácio de Antioquia, saudação de "Carta aos Romanos",107 d.c)

F**a demonstrado até aqui, que na chamada Igreja "Primitiva" o apóstolo São Pedro era uma figura especial e que a Igreja de Roma,por sua ligação especial com o Apóstolo possuía um status importante entre as demais.
Isso é evidência significativa de que as seitas que se arrogam continuação da Igreja "primitiva" pouco ou nada tem a ver com ela.

Continua...

08/03/2025

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A Igreja Primitiva era a Igreja Católica?  Já a algum tempo,certos grupos buscam deslegitimar a Igreja Católica,reclaman...
08/03/2025

A Igreja Primitiva era a Igreja Católica?

Já a algum tempo,certos grupos buscam deslegitimar a Igreja Católica,reclamando para si a história do cristianismo e tentando, com muito esforço,apagar a presença do catolicismo dos primeiros séculos, daquilo que é chamado de "Igreja Primitiva" (a igreja cristã do primeiro do século I ao IV).
Apesar da multiplicidade de seitas,cada uma com seu credo pessoal conflitando com as demais,algumas com 500 anos,outras com 100 anos e outras ainda com muito menos,todas são unânimes em afirmar que a "Igreja Primitiva" era um protótipo de qualquer uma das denominações do chamado evangelicalismo,menos a Igreja Católica.
Mas será que esses grupos tem razão? É correto afirmar que a chamada "Igreja Primitiva" não possui nenhuma ligação com a Igreja Católica? Será que a chamada "Igreja Primitiva" era um protótipo de uma das diversas seitas do evangelicalismo?
Estarei iniciando uma série de artigos onde vou argumentar que a chamada "Igreja Primitiva",aquela fundada por Cristo no Novo Testamento,era e continua a existir como a Igreja Católica.

Organização:

Como a chamada "Igreja Primitiva" se organizava?

Segundo o Novo Testamento,a Igreja dos primeiros séculos se organizava por localidade,veja por exemplo que 7 das 13 cartas de São Paulo,o Apóstolo são nomeadas de acordo com a comunidade para qual elas eram dirigidas: Romanos, Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses e Tessalonicenses.
Há também as palavras de Cristo reveladas para as 7 Igrejas da Ásia Menor (Apocalipse 2-3): Éfeso,Esmirna, Pérgamo, Tiatira,Sardes, Filadélfia e Laodicéia. Existe referência também a Igreja que estava em Jerusalém (Atos 8,1).
Cada uma dessas cidades possuía um corpo de presbíteros designados pelos Apóstolos:

"Os apóstolos designaram presbíteros para cada Igreja e, com orações e jejuns, os confiavam ao Senhor em quem haviam acreditado."
(Atos dos Apóstolos 14,23)

Ou por homens autorizados pelos Apóstolos:

"Eu te deixei em Creta para organizares o que ainda falta e constituíres presbíteros em cada cidade, conforme as instruções que te dei,a saber..."
(Tito 1,5)

Este era o gérmen do modelo episcopal,onde cada cidade possui um presbitério administrado por um Bispo.
Logo esse modelo se desenvolveria,como testemunhou Santo Inácio de Antioquia,um bispo que teria aprendido a fé dos próprios apóstolos em pessoa e escreveu cartas para se comunicar com as igrejas locais que haviam no caminho que fez até Roma para ser martirizado. Abaixo,uma citação desse grande Pai da Igreja,testemunha direta da organização vigente na chamada "Igreja Primitiva":

"...Pois Jesus Cristo, nossa vida inseparável, é o pensamento do Pai, como por sua vez os bispos, estabelecidos até os confins da terra, estão no pensamento de Jesus Cristo.
Segue daí, que vos convém avançar junto, de acôrdo com o pensamento do bispo, como aliás fazeis. Pois vosso presbitério digno de tão boa reputação, digno que é de Deus, sintoniza com o bispo como cordas com a cítara. Por isso, no acorde de vossos sentimentos e em vossa caridade harmoniosa, Jesus Cristo é que é cantado."
(S.Inácio de Antioquia aos Efésios,III,2-IV,1; 98-107 d.c)

"É mesmo necessário, como aliás é de vosso feitio, nada empreender sem o bispo, mas submeter-vos também ao presbitério como a apóstolos de Jesus Cristo nossa Esperança, no qual nos encontraremos se assim nos portarmos. Faz-se igualmente mister que os que são diáconos dos mistérios de Jesus Cristo agradem a todos em tudo."
(Santo Inácio de Antioquia aos Tralianos,II,2-3; 98-107 d.c)

É importante lembrar que os bispos, presbíteros e diáconos receberam autoridade na Igreja diretamente dos Apóstolos (Atos 14,23; 6,1-6) ou de autorizados dos Apóstolos (Tito 1,5) que podiam transmitir essa autoridade por imposição das mãos:

"Não te apresses a impor as mãos sobre ninguém, nem te tornes solidário com pecados alheios. Conserva-te puro."
(1 Timóteo 5,22)

Daí deriva logicamente a doutrina da chamada "Igreja Primitiva" da sucessão de bispos,onde um bispo só é legítimo ministro se levantado por um bispo,numa corrente que remonta aos apóstolos e seus associados.
S.Clemente de Roma,um bispo que também teria recebido a fé diretamente dos apóstolos em pessoa,testemunha essa doutrina fundamental em sua carta aos Coríntios:

"Nossos apóstolos também sabiam , por meio de Nosso Senhor Jesus Cristo , que haveria conflitos por conta do ofício do episcopado . Por esta razão, portanto, na medida em que obtiveram um perfeito conhecimento prévio disso, eles nomearam aqueles [ministros] já mencionados e, posteriormente, deram instruções para que, quando estes adormecessem, outros homens aprovados os sucedessem em seu ministério."
(S.Clemente de Roma aos Coríntios,44; 96 d.c)

Santo Irineu de Lyon,um bispo que foi discípulo de S.Policarpo de Esmirna, que por sua vez teria sido discípulo do Santo Apóstolo João,em seu combate aos gnósticos que diziam possuir ensinos secretos dos apóstolos,escreveu:

"Está ao alcance de todos, portanto, em cada Igreja,que desejam ver a verdade, contemplar claramente a tradição dos apóstolos manifestada em todo o mundo; e estamos em posição de contar aqueles que foram instituídos pelos apóstolos,bispos nas igrejas,e [demonstrar] a sucessão desses homens até nossos tempos; aqueles que não ensinaram nem sabiam de nada parecido com o que esses [hereges ] deliram. Pois se os apóstolos tivessem mistérios ocultos,que eles tinham o hábito de transmitir aos perfeitos separadamente e secretamente do resto, eles os teriam entregue especialmente àqueles a quem eles também estavam confiando as próprias Igrejas. Pois eles desejavam que esses homens fossem muito perfeitos e irrepreensíveis em todas as coisas, a quem também estavam deixando para trás como seus sucessores, entregando seu próprio lugar de governo a esses homens; quais homens, se eles desempenhassem suas funções honestamente, seriam uma grande bênção [para a Igreja ], mas se eles caíssem, a mais terrível calamidade."
(Santo Irineu de Lyon em Contra as Heresias,LV III,1; 130-202 d.c).

Peço que reparem com atenção que esses testemunhos são extremamente antigos,escritos por cristãos que tiveram contato próximo com apóstolos e possuíam posição elevada na chamada "Igreja Primitiva",o que os torna muito confiáveis.
Só até aqui já podemos descartar centenas de seitas que procuram ser como que a continuação da "Igreja Primitiva",pois não passam pelo crivo da organização,já que se organizam de forma denominacional,além de que não são administradas por ministros advindos de uma corrente que retrocede aos apóstolos e seus autorizados.

Continua...

04/07/2022

Somente a bíblia?

É o pilar do protestantismo brasileiro, não o dogma da "fé somente" reforçado como forma de confortar a consciência culpada (afinal veio de um monge escrupuloso e apavorado com a figura do inferno),mas o da "bíblia somente",que ironicamente não possui NENHUMA referência bíblica,muito pelo contrário,é afirmado nas escrituras que devemos manter "as tradições orais e escritas" (II Ts 2,15). No entanto,se crê no livro,mas não em todo o livro.
Quase como um dicionário,e uma música do Zé Ramalho que fala algo nesse sentido,o protestante brasileiro defende qualquer ponto de vista com ela,mesmo o mais esdrúxulo.
O problema é que cada protestante tem seu próprio ponto de vista e não está disposto a rejeitá-lo em caso de evidente erro ( e isso temos visto em diversas ocasiões).
Durante o período histórico do século XVI conhecido como "Reforma", Martinho Lutero defendia uma mudança drástica da visão acerca das escrituras.
A chamada "Suficiência Material" das escrituras,ou seja que as escrituras sozinhas podiam ser usadas para demonstrar qualquer artigo de fé,era terreno comum entre a Igreja e os reformadores dissidentes. Todavia,Lutero foi além e defendeu o conceito de "Suficiência Formal",no qual as escrituras sozinhas possuem tudo o que é necessário para o cristão em matéria religiosa. Isso gerou uma ruptura irreparável,pois negava a autoridade da Tradição Oral e do Magistério.
Além disso,é importante ressaltar,que com "escrituras sozinhas" Lutero queria dizer sem nenhuma luz exterior,como se a bíblia explicasse a bíblia parte por parte, sem necessidade de uma fonte externa que lhe desse interpretação.
A tese se provou um fiasco quando cada um começou a colocá-la em prática e chegar a interpretações totalmente diferentes.
"Um dos resultados do ataque à tradição e da valorização do status das escrituras foi incentivar as pessoas do povo a ler diretamente a Bíblia, mas as lições que elas extraíam nem sempre eram as aprovadas pelos líderes pregadores. Percebendo que a prática de batizar recém-nascidos não aparecia em nenhum lugar das escrituras, Grebel começou a rebatizar os adultos do grupo. O sucessor de Zwinglio em Zurique, Heinrich Bullinger, mais tarde cunharia o termo “anabatistas” (rebatizadores) para designá-los, rótulo que católicos e também protestantes aplicavam a todos os que ocupavam o extremo radical do espectro da Reforma. Lutero, enquanto isso, estava tendo seus próprios problemas com as pessoas que ele logo começaria a chamar de schwärmer –entusiastas ou fanáticos." (Peter Marshall em "A Reforma").
Lutero ficou muito bravo com isso,e atacava tanto os Zwinglianos (por discordarem dele sobre a presença real de Cristo na "Santa Ceia"),quanto os Anabatistas (por seu radicalismo político coletivista),por seguirem sua tese à risca. Estes últimos sentiram a fúria do reformador quando ele incitou a nobreza alemã a externina-los por transformar sua teologia em ideologia política radical.
"Ao ver sua teologia transformada em ideologia revolucionária, Lutero ficou horrorizado e publicou um panfleto em maio de 1525, que não lhe trouxe qualquer mérito, insistindo que os príncipes não se compungissem em matar as “hordas de campônios ladrões e assassinos”. Não que precisassem de muito encorajamento: a revolta foi esmagada com grande brutalidade; Müntzer foi torturado e decapitado." (Petter Marshal em "A Reforma").
Qual o problema da tese de "Suficiência Formal" das escrituras?
É que é impossível ler a bíblia sem uma luz exterior, ninguém é neutro. Todos interpretam as escrituras de acordo com as informações que possui em seu campo intelectual.
Imagine um ponto no meio de uma folha em branco e perceba quantos riscos em diferentes direções é possível fazer atravessando esse ponto. Incontáveis.
Assim é a chamada "Suficiência Formal" das escrituras. A bíblia é um ponto,e pode ser interpretada em inúmeras direções,e certamente cada um seguirá um caminho.
Agora,adicione dois pontos,um a cada lado daquele primeiro,e voilá! O risco é obrigado a ser linear e único se passar pelos três pontos.
É assim com a Tradição e Magistério junto às Escrituras.
No entanto, dificilmente um protestante aceitará isso,mesmo reconhecendo os problemas da tese luterana.
O orgulho às vezes fala mais alto que o bom senso, especialmente quando não se quer abandonar uma idéia tão "libertária",ainda mais em prol de uma tão "restritiva".
Só Deus pode constranger um coração a aceitar a verdade,e isso Ele fará a cada um na hora certa.
Há um outro problema com o dogma do "Somente a Bíblia" que é o da confiabilidade nas escrituras.
Afinal,se o Magistério é falso, como confiar na bíblia configurada por esse mesmo magistério? Como confiar que os livros selecionados por um Magistério falível,sejam infalíveis?
Dirão: O Magistério não selecionou nada,apenas confirmou os livros que receberam.
Esse argumento só faz sentido se houvesse uma Tradição Oral e um Magistério que atravessassem os três primeiros séculos. Ou de quem receberiam?
Para fugir das dúvidas neste assunto João Calvino ensinava a fuga para o subjetivo.
"Portanto, é necessário que o mesmo Espírito que falou pela boca dos profetas penetre em nosso coração, para que nos persuada de que eles proclamaram fielmente o que lhes fora divinamente ordenado." (Institutas I. I,IV). Mais a frente Calvino escreveu que a certeza acerca das escrituras era um sentimento.
"Portanto,aqui está uma convicção que não requer razões; um conhecimento ao qual assiste a mais sublimada razão; na verdade, no qual a mente descansa mais firme e constantemente que em quaisquer razões; enfim,um sentimento que não pode nascer senão de revelação celestial. Não estou falando de outra coisa senão do que em si experimenta cada um dos fiéis, exceto que as palavras ficam muito abaixo de uma justa explicação da matéria." (Institutas I. I,V)
Isso o protestantismo brasileiro herdou bem de Calvino, além da iconoclastia infantil.
A verdade é que o protestantismo só foi fértil em um terreno onde a Tradição e o Magistério estavam junto das Escrituras e a davam grande autoridade,e o mesmo se deu aqui no Brasil.
Não é possível ser protestante sem aceitar a autoridade da Tradição e do Magistério em algum ponto,e os mais honestos protestantes sabem disso. O dogma "Somente a bíblia" é tão frágil quanto uma bolha de sabão. Não caiam nessa.

04/07/2022

Brevemente estarei retornando com bom conteúdo em defesa da fé católica.
Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

06/02/2022

Por que os católicos rezam aos santos e anjos?

Esta é uma objeção muito comum vinda dos protestantes,e para responde-la é preciso explicar primeiro:
Oque são os santos?
Bem,no judaismo clássico existia o conceito de "Tsadik",o "justo",que de acordo com o famoso rabino Moshé Maimônides (1138 d.c- 1204 d.c) é "Aquele cujo mérito supera a iniquidade…" (Sefer Madda , Leis do Arrependimento 3: 1).
O Talmud afirma que 36 Tsadikim vivem entre nós e é por causa deles que Deus poupa esse mundo (Sinédrio 97b; Sukkah 45b).
É desse conceito que surge o conceito cristão de santo,ou seja,aquele que com a ajuda da graça vence o pecado em si mesmo para ser perfeito,como o Pai do céu é Perfeito (Mt 5,48).
A Torah (cinco livros de Moisés/Lei) afirma que Caleb,um dos espiões mandados para espiar Canaã,foi para Hebron (onde ficam os túmulos dos patriarcas) (Nm 13,6-22) e o Talmud (Sotah 34b) diz que ele queria rezar na caverna onde Abraão,Sara, Isaac,Rebeca,Jacó e Léia estão enterrados. Ele orou por misericórdia com sua alma e foi salvo da decisão fatídica dos outros espiões.
Muitos sábios judeus entendem que Caleb foi pedir a intercessão das almas desses tsadikim.
O Talmude também afirma que é costume visitar um cemitério em um dia de festa (Taanit 16a) e muitos sábios judeus entendem que é para pedir a intercessão dos tzdikim falecidos.
Pedir a intercessão dos tsadikim falecidos é um costume antiqüíssimo do povo judeu e continua sendo um costume vivo entre certas vertentes,como a chassídica.
O livro de II Macabeus 15,12-16,aceito como canônico por boa parte do judaísmo clássico (anterior a destruição do segundo templo) e pelos atuais judeus etíopes,testemunha a crença judaica na intercessão dos justos falecidos ao relatar que Jeremias,já morto,rezava pela cidade de Jerusalém que passava por terrível opressão grega na época.
Jeremias 15,1 alude a possibilidade de Samuel e Moisés,ja mortos,intercederem pelo povo diante de Deus.
As antigas menções aos patriarcas na invocação a Deus (I Rs 18,36,I Cr 29,18,Es 13,15)é tida também por alusão à intercessão dos tsadikim.
Nosso Senhor Jesus Cristo parece ter indicado isso ao dizer:

"Por outra parte, que os mortos hão de ressuscitar é o que Moisés revelou na passagem da sarça ardente (Ex 3,6), chamando ao Senhor: Deus de Abraão, Deus de Isaac, Deus de Jacó .
Ora, Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos; porque todos vivem para ele."
(São Lucas 20,37-38)

Não só a intercessão de homens santos falecidos eram pedidas no judaísmo clássico,mas também de anjos,especialmente o Arcanjo Miguel,como por exemplo as duas famosas orações compostas por Eliezer Ha-Kali e Judah Ben Samuel He-Hassid (Baruch Apoc. Etiópico, ix. 5).
Nas escrituras anjos intercedem diversas vezes,por exemplo:

"O anjo do Senhor disse: Senhor dos exércitos! Até quando ficareis insensível à sorte de Jerusalém e das cidades de Judá? Já faz setenta anos que estais irritado contra elas!
O Senhor respondeu ao anjo que me falava, e disse-lhe boas palavras, cheias de consolação."
(Zacarias 1,12-13)

Se perto dele se encontrar um anjo, um intercessor entre mil, para ensinar-lhe o que deve fazer,ter piedade dele e dizer: Poupai-o de descer à sepultura, recebi o resgate de sua vida; sua carne retomará o vigor da mocidade, retornará aos dias de sua adolescência.
(Jó 33,23-25)

O livro de Tobias presente no cânon católico e aceito canonicamente no judaísmo clássico pelos judeus da diáspora,testemunha claramente a antiga crença judaica na intercessão dos anjos:

'Vou descobrir-vos a verdade, sem nada vos ocultar.
Quando tu oravas com lágrimas e enterravas os mortos, quando deixavas a tua refeição e ias ocultar os mortos em tua casa durante o dia, para sepultá-los quando viesse a noite, eu apresentava as tuas orações ao Senhor.
Mas porque eras agradável ao Senhor, foi preciso que a tentação te provasse.
Agora o Senhor enviou-me para curar-te e livrar do demônio Sara, mulher de teu filho.
Eu sou o anjo Rafael, um dos sete que assistimos na presença do Senhor."
(Tobias 12,11-15)

Esse texto ecoa no evangelho de Lucas:

"O anjo respondeu-lhe: Eu sou Gabriel, que assisto diante de Deus, e fui enviado para te falar e te trazer esta feliz nova."
(São Lucas 1,19)

A crença em um anjo da guarda que intercede por nós ecoa no evangelho de São Mateus:

"Guardai-vos de menosprezar um só destes pequenos, porque eu vos digo que seus anjos no céu contemplam sem cessar a face de meu Pai que está nos céus."
(São Mateus 18,10)

Um exemplo de invocação dos santos em favor de alguém é a bênção de Jacó sobre José e seus filhos:

"Israel abençoou José, dizendo: “O Deus em cujo caminho andaram meus pais Abraão e Isaac, o Deus que tem sido o meu pastor durante toda a minha vida até este dia,[que] o anjo que me guardou de todo o mal, abençoe estes meninos! Seja perpetuado neles o meu nome e o de meus pais Abraão e Isaac, e multipliquem-se abundantemente nesta terra!”
(Gênesis 48,15-16)

Assim a crença em homens santos e anjos que podem interceder por nós diante de Deus nos céus tem raízes no antigo povo de Deus,e como herdeira desse povo a Santa Igreja perpetuou essa prática.
Desde o princípio do cristianismo há o costume de pedir a intercessão dos mártires e santos,que intercedem "debaixo do altar" (Ap 6,9-10) sendo essa uma referencia ao costume imemorial de celebrar a missa sobre o local onde houvesse relíquias de mártires.
O antigo texto "O Martírio de São Policarpo" (250 d.c) testemunha o respeito e a veneração dos primeiros cristãos pelos mártires e ainda as acusações de judeus descrentes,como também o costume de celebrar o dia do martírio:

"Contudo, o invejoso, o perverso e o mau, o adversário da geração dos justos, vendo a grandeza do seu testemunho e de sua vida irrepreensível desde o início, vendo-o ornado com a coroa da incorruptibilidade e conquistando uma recompensa incontestável, procurou impedir-nos de levar o corpo, embora muitos de nós o desejassem fazer e possuir sua carne santa.
Ele sugeriu a Nicetas, pai de Herodes e irmão de Alce, que procurrase o magistrado, a fim que ele não nos entregasse o corpo. Ele disse: “Não aconteça que eles, abandonando o crucificado, passem a cultuar esse aí.” Dizia essas coisas por sugestão insistente dos judeus, que nos tinham vigiado quando queríamos retirar o corpo do fogo. Ignoravam eles que não poderíamos jamais abandonar Cristo, que sofreu pela salvação de todos aqueles que são salvos no mundo, como inocente em favor dos pecadores, nem prestarmos culto a outro.

Nós o adoramos, porque é o Filho de Deus. Quanto aos mártires, nós os amamos justamente como discípulos e imitadores do Senhor, por causa da incomparável devoção que tinham para com o rei e mestre. Pudéssemos nós também ser seus companheiros e condiscípulos!
Vendo a rixa suscitada pelos judeus, o centurião colocou o corpo no meio e o fez queimar, como era de costume.
Desse modo, pudemos mais tarde recolher seus ossos, mais preciosos do que pedras preciosas e mais valiosos do que o ouro, para colocá-los em lugar conveniente.
Quando possível, é aí que o Senhor nos permitirá reunir-nos, na alegria e contentamento, para celebrar o aniversário de seu martírio, em memória daqueles que combateram antes de nós, e para exercitar e preparar aqueles que deverão combater no futuro".
(O Martírio de São Policarpo,Cap XVII,2-XVIII,3)

As catacumbas onde os cristãos se reuniam durante a perseguição romana estão repletas de ícones e preces nas paredes dizendo "Pedro e Paulo,rogai por nós".
Pedir a intercessão dos santos está no mais íntimo do cristianismo e não é a toa que tal prática esteja presente nas mais antigas comunidades cristãs (ortodoxas ou orientais católicas).
E é por isso que rezamos,não aos santos,mas para que os santos intercedam em oração por nós no céu,porque "…A oração do justo tem grande eficácia." (São Tiago 5,16).

Pax Domini!

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17/07/2021

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«TRADITIONIS CUSTODES»Sobre o uso da liturgia romanaantes da reforma de 1970Tradução oficial Guardiães da tradição, os b...
16/07/2021

«TRADITIONIS CUSTODES»

Sobre o uso da liturgia romana
antes da reforma de 1970

Tradução oficial

Guardiães da tradição, os bispos em comunhão com o Bispo de Roma constituem o princípio visível e o fundamento da unidade das suas Igrejas particulares. [1] Sob a orientação do Espírito Santo, mediante o anúncio do Evangelho e mediante a celebração da Eucaristia, governam as Igrejas particulares que lhes são confiadas. [2]

Para promover a concórdia e a unidade da Igreja, com paternal solicitude para com aqueles que em qualquer região aderem às formas litúrgicas anteriores à reforma pretendida pelo Concílio Vaticano II , os meus Veneráveis ​​Predecessores São João Paulo II e Bento XVI , concederam e regulamentou a faculdade de usar o Missal Romano editado por João XXIII em 1962. [3] Desta forma, pretendiam “facilitar a comunhão eclesial daqueles católicos que se sentem apegados a algumas formas litúrgicas anteriores” e não a outras. [4]

Seguindo a iniciativa do meu Venerável Predecessor Bento XVI de convidar os bispos a avaliarem a aplicação do Motu Proprio Summorum Pontificum três anos após a sua publicação, a Congregação para a Doutrina da Fé fez uma consulta detalhada aos bispos em 2020. Os resultados foram cuidadosamente considerados à luz da experiência que amadureceu durante esses anos.

Neste momento, tendo considerado os desejos expressos pelo episcopado e ouvido a opinião da Congregação para a Doutrina da Fé , desejo agora, com esta Carta Apostólica, prosseguir cada vez mais na busca constante da comunhão eclesial. Portanto, considerei apropriado estabelecer o seguinte:

Arte. 1. Os livros litúrgicos promulgados por São Paulo VI e São João Paulo II, em conformidade com os decretos do Concílio Vaticano II, são a expressão única da lex orandi do rito romano.

Arte. 2. Compete ao Bispo diocesano, como moderador, promotor e guardião de toda a vida litúrgica da Igreja particular que lhe foi confiada, [5] regular as celebrações litúrgicas da sua diocese. [6] Portanto, é da sua competência exclusiva autorizar o uso do Missal Romano de 1962 na sua diocese, segundo as orientações da Sé Apostólica.

Arte. 3. O bispo da diocese em que até agora existam um ou mais grupos que celebram segundo o Missal anterior à reforma de 1970:

§ 1. determine que esses grupos não neguem a validade e a legitimidade da reforma litúrgica, ditada pelo Concílio Vaticano II e pelo Magistério dos Sumos Pontífices;

§ 2. designe um ou mais locais onde os fiéis fiéis desses grupos possam se reunir para a celebração eucarística (não porém nas igrejas paroquiais e sem a ereção de novas paróquias pessoais);

§ 3. estabelecer nos locais designados os dias em que são permitidas as celebrações eucarísticas com o uso do Missal Romano promulgado por São João XXIII em 1962. [7] Nessas celebrações as leituras são proclamadas em língua vernácula, utilizando traduções da Sagrada Escritura aprovado para uso litúrgico pelas respectivas Conferências Episcopais;

§ 4. nomear um sacerdote que, como delegado do bispo, seja encarregado dessas celebrações e da pastoral desses grupos de fiéis. Este sacerdote deve ser adequado para esta responsabilidade, hábil no uso do Missale Romanum antecedente à reforma de 1970, possuir um conhecimento da língua latina suficiente para uma compreensão completa das rubricas e textos litúrgicos, e ser animado por uma pastoral viva caridade e por um sentido de comunhão eclesial. Este sacerdote deve ter em mente não só a correta celebração da liturgia, mas também o cuidado pastoral e espiritual dos fiéis;

§ 5. Proceder adequadamente a verificar se as paróquias canonicamente erigidas em benefício destes fiéis são eficazes para o seu crescimento espiritual e determinar se as retém ou não;

§ 6º. Cuidar para não autorizar a constituição de novos grupos.

Arte. 4. Os sacerdotes ordenados após a publicação do presente Motu Proprio, que desejem celebrar no Missale Romanum de 1962, devem apresentar um pedido formal ao Bispo diocesano, que deve consultar a Sé Apostólica antes de conceder esta autorização.

Arte. 5. Os sacerdotes que já celebram segundo o Missale Romanum de 1962 devem solicitar ao Bispo diocesano a autorização para continuar a g***r desta faculdade.

Arte. 6. Os Institutos de vida consagrada e as Sociedades de vida apostólica, erigidos pela Pontifícia Comissão Ecclesia Dei , são da competência da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e das Sociedades de Vida Apostólica.

Arte. 7. A Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos e a Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica, para os assuntos da sua competência particular, exercem a autoridade da Santa Sé no que diz respeito à observância destas disposições.

Arte. 8. As normas, instruções, permissões e costumes anteriores que não estejam em conformidade com as disposições do presente Motu Proprio são revogados.

Tudo o que declarei nesta Carta Apostólica sob a forma de Motu Proprio , ordeno que seja observado em todas as suas partes, sem prejuízo do contrário, ainda que digno de menção particular, e estabeleço que seja promulgado por meio de publicação em “L'Osservatore Romano”, entrando imediatamente em vigor e, posteriormente, que seja publicada no Comentário oficial da Santa Sé, Acta Apostolicae Sedis.

Dado em Roma, junto de São João de Latrão, a 16 de julho de 2021, memória litúrgica de Nossa Senhora do Carmelo, nono ano do Nosso Pontificado.

FRANCIS

Endereço

Rio De Janeiro, RJ

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