Após quase 06 meses de espera, em 12 de maio de 1809, foi expedido o Alvará Régio criando a nova Freguesia de São João Batista da Lagoa; no mesmo dia em que é designado por uma carta régia o primeiro pároco da nova Freguesia, o Reverendo Manuel Gomes Souto, cuja provisão, entretanto, só foi confirmada a 31 de julho. Finalmente, por um Edital do Bispo em 1º de agosto é executado o alvará, tendo o v
igário tomado posse no dia 6 seguinte. Interessante notar que o nome do santo escolhido, São João, não foi por causa da devoção dos fiéis ou de solicitação do clero, mas para homenagear sua alteza real que também aniversariava neste dia. A nova freguesia ia do bairro da Lapa até a distante Gávea, passando por Lagoa, Ipanema e Copacabana, ou seja, toda a atual Zona Sul do Rio de Janeiro, portanto podemos dizer que a Igreja Matriz de São João Batista da Lagoa, por ser a primeira, é a “ Igreja Mãe”, de todas as demais Igrejas da zona Sul do Rio de Janeiro. A Matriz recém criada precisava de um local para as celebrações e como ainda não havia um templo construído, o único local em condições de abrigar as celebrações era a antiga capelinha de Nossa Senhora da Conceição, erguida antes de 1732, às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, mas que não estava em boas condições de conservação, o que veio a ser comprovado com seu desabamento ocorrido em 1826. Depois desta data o local do culto foi transferido para uma capela ainda menor situada na rua São Clemente. A situação começou a mudar em 1831, quando a 1º de maio o Comendador português Joaquim Marques Batista de Leão, o Marquês dos Leões, doou a Paróquia um terreno de 20 braças de frente por 80 de fundos (44 x 176m), na rua nova de São Joaquim, aberta pelo mesmo Leão em 1826 em terras de sua chácara e batizada em auto-homenagem e que em de 13 de maio de 1870 passou a chamar Rua dos Voluntários da Pátria, em homenagem aos brasileiros que se alistaram voluntariamente na guerra de 1864/70 contra o governo do Paraguai. No termo de doação especificava-se que ali se ergueria a nova Matriz. Em 24 de junho de 1831 foi lançada a pedra fundamental do novo templo pelo Bispo do Rio de Janeiro, D. O projeto original foi assinado pelo arquiteto Joaquim Bethencourt da Silva, que também é autor das plantas do Instituto Benjamin Constant e do Edifício do Centro Cultural Banco do Brasil, Cemitério São João Batista, entre outros. A construção, como todas a época, por suas dificuldades e falta de recursos se deu a passos lentos pois somente em 1836 foi inaugurada a Capela Mor e no ano seguinte a do Santíssimo, sendo a primeira procissão ocorrida em 1841. Em 1858 o Major Beaurepaire Rohan abre a Rua da Matriz, fronteira a Igreja, com o argumento de dar maior realce ao frontispício. Por volta de 1860, com a Igreja ainda em obras, o Vigário José Correia de Sá Coelho transferiu a pia batismal para a Matrizem construção, abandonando de vez a Capela da Rua São Clemente. Em 1862 assume a paróquia Monsenhor Francisco Martins do Monte, que conclui as obras de igreja em 1864, depois de 33 anos de construção. Com o crescimento do bairro de Botafogo logo uma ampliação se fez necessária, e que foi iniciada em 1873. Construída em estilo neoclássico, a igreja apresenta uma bela e harmoniosa fachada composta que traz um primoroso trabalho de cantaria de pedra gnaisse bege da Pedreira do Morro da Viúva e que foi concluída em 1875. A construção das torres foram iniciadas em 1877. Primeiro foram as obras da torre sineira do lado do Evangelho, logo depois foi a vez da torre da Epístola. Em 1880 ambas foram redesenhadas pelo arquiteto espanhol Adolfo Morales de Los Rios e completadas entre 1895 e 1900. Em 1907 foi colocado um relógio europeu na torre da Epístola, mas os três sinos da igreja só foram fundidos pelo Arsenal de Marinha e colocados nas sineiras em 1947. Em princípios deste século foi instalado na Matriz seu famoso órgão, considerado ainda hoje pelos especialistas como o melhor do Rio de Janeiro”.Como a Igreja não tinha torres, iniciou-se em 1877 sua construção sendo concluídas entre 1895 e 1900. Ao concluir esse pequeno relato sem ter a preocupação do rigor científico que deve nortear a pesquisa de um historiador, mas apenas com o simples interesse pela busca dos acontecimentos que formaram a história de nossa paróquia, nos sentimos extremamente felizes e honrados em poder contar um pouco desta nossa rica história, escrita e vivida nesses mais de 200 anos por todos aqueles que por aqui passaram. Temos a exata noção da importância que teve nossa comunidade na evangelização não somente do bairro de Botafogo, mas também de toda a zona Sul do Rio de Janeiro.