26/11/2018
MARIA, IRMÃ DE LÁZARO UMA DEVOÇÃO AMOROSA
Então, Maria, tomando uma libra de unguento de nardo, de muito preço, ungiu os pés de Jesus e enxugou-lhe os pés com os seus cabelos; e encheu-se a casa do cheiro do unguento” (Jo 12.3).
Antes da análise deste texto áureo é importante a identif**ação de qual Maria o texto se refere. O Novo Testamento apresenta dois episódios sobre a unção da cabeça e ou pés do Senhor Jesus em dois lugares diferentes.
Um primeiro episódio aconteceu na Galileia conforme Lucas capítulo 7. 38, onde uma mulher pecadora ungiu os pés de Jesus na casa de Simão, o Fariseu:
“E eis que uma mulher da cidade, uma pecadora, sabendo que ele estava à mesa em casa do fariseu, levou um vaso de alabastro com ungüento; E, estando por detrás, aos seus pés, chorando, começou a regar-lhe os pés com lágrimas, e enxugava-lhos com os cabelos da sua cabeça; e beijava-lhe os pés, e ungia-lhos com o unguento” (Lucas 7.37-38).
O Segundo episódio acontece em Betânia, na casa de Simão, o leproso, onde uma mulher unge a cabeça de Jesus, episódio registrado em Mateus 26.7 e Marcos 14.3 esses dois versículos registram o mesmo episódio:
“E, estando Jesus em Betânia, em casa de Simão, o leproso, Aproximou-se dele uma mulher com um vaso de alabastro, com ungüento de grande valor, e derramou-lho sobre a cabeça, quando ele estava assentado à mesa” (Mateus 26.6-7);
“E, estando ele em Betânia, assentado à mesa, em casa de Simão, o leproso, veio uma mulher, que trazia um vaso de alabastro, com ungüento de nardo puro, de muito preço, e quebrando o vaso, lho derramou sobre a cabeça” (Marcos 14.3).
Já no evangelho de João capítulo 12.1-3 diz que o Senhor Jesus em Betânia, teve seus pés ungidos, por Maria, irmã de Marta e de Lázaro:
“Foi, pois, Jesus seis dias antes da páscoa a Betânia, onde estava Lázaro, o que falecera, e a quem ressuscitara dentre os mortos. Fizeram-lhe, pois, ali uma ceia, e Marta servia, e Lázaro era um dos que estavam à mesa com ele. Então Maria, tomando um arrátel de ungüento de nardo puro, de muito preço, ungiu os pés de Jesus, e enxugou-lhe os pés com os seus cabelos; e encheu-se a casa do cheiro do unguento” (João 12.1-3).
Mateus e Marcos relatam que o liquido foi derramado sobre sua cabeça. Porém é possível que ela tenha derramado tanto bálsamo em Jesus que o liquido escorreu até mesmo pelos pés dEle. Sobre isso, João escreveu que havia “um arrátel de ungüento de nardo puro” ou “uma libra de bálsamo de nardo puro” (Jo 12.3). Essa medida equivalia a algo em torno de 450 gramas de perfume, o suficiente para cobrir Jesus.
Parece portanto, que essas três narrações são do mesmo episódio, também a antiga tradição apontando para isso, Maria de Betânia, irmã de Marta e de Lázaro, aparece por nome exclusivamente nos trechos de Lucas 10.38-42 e João 11 e 12, seria ela então a mulher que ungiu a cabeça e os pés do Senhor Jesus, na cidade de Betânia, assim todas essas narrativas se referem a um único incidente, bem como à mesma mulher.
Os três Evangelhos (Mt 26.6-13; Mc 14.30 e Jo 12.1-8) falam da cidade de Betânia, existia na época duas cidades chamadas Betânia, essa é a que f**ava cerca de 3 quilômetros de Jerusalém, f**ava na estrada entre Jerusalém e Jericó do outro lado do Monte das Oliveiras, atualmente é chamada de el-Azarieh, forma árabe do nome de Lázaro, porque ali f**ava sua casa. Essa Betânia também foi o local onde Jesus saiu para sua entrada triunfal em Jerusalém (Mc 11.1). Jesus quando ia para Jerusalém f**ava em Betânia na casa de seu amigo Lázaro (Mt 21.17). A última referência dessa localidade nos evangelhos está em Lucas 24.50, onde declara que a ascensão do Senhor foi no Monte das Oliveiras (Atos 1.12), região de Betânia. A outra cidade de Betânia f**ava no local onde João costuma batizar do outro lado do rio Jordão (Jo 1.28; 10.40), também chamada de Bethabara.
Feito a diferenciação entre o episódio da unção na Galileia (Lucas 7.36-50) e da unção em Betânia (Mt 26.6-13; Mc 14.30 e Jo 12.1-8), e feito o esclarecimento sobre a cidade de Betânia, cabe agora analisar quem foi Maria de Betânia.
O que sabemos sobre Maria de Betânia, é que ela era irmã de Lázaro e de Marta, que morava na aldeia de Betânia, próximo de Jerusalém, o episódio da unção se dá na casa de Simão, o leproso, Simão deve ter sido curado por Jesus de sua lepra e tornou amigo do Senhor Jesus, pois quando ele subia para Jerusalém passava por Betânia e se hospedava em sua casa, é possível que fosse pai ou mesmo marido de Marta. Simão era um nome comum na época.
A identif**ação de Maria de Betânia com Maria Madalena (Luc. 8.2,3), e ambas as mulheres com a pr******ta do sétimo capitulo do evangelho de Lucas, é uma identif**ação extremamente duvidosa, embora se venha fazendo tal identif**ação desde os tempos mais remotos do cristianismo.
No que diz respeito à identif**ação de Maria de Betânia, Maria Madalena e a mulher pecaminosa do sétimo capitulo do evangelho de Lucas, é mais plausível que existira três pessoas distintas, até porque dificilmente João, que conheceu tanto Maria, de Betânia, irmã de Marta e Lázaro, como Maria de Magdala, ele não teria feito confusão entre as duas Marias.
O caráter desta Maria de Betânia f**a revelado no fato de que ela ungiu ao Senhor Jesus com um ungüento caríssimo, que requeria o trabalho de quase um ano, por parte de um trabalhador comum, para que pagasse o seu preço, ainda que desse tudo quanto ganhasse para adquirir esse ungüento.
O liquido que ela carregava no vaso de alabastro era o nardo puro (Mc 14:3). O nardo era um perfume raro feito de raízes de uma planta nativa do Himalaia. Nos tempos bíblicos ele era importado justamente em frascos selados de alabastro, que eram abertos apenas em ocasiões muito especiais.
Certamente isso mostra elevado grau de respeito e de afeto pela pessoa de Jesus.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
João 12. 1-11
1 FOI, pois, Jesus seis dias antes da páscoa a Betânia, onde estava Lázaro, o que falecera, e a quem ressuscitara dentre os mortos.
2 Fizeram-lhe, pois, ali uma ceia, e Marta servia, e Lázaro era um dos que estavam à mesa com ele.
3 Então Maria, tomando um arrátel de ungüento de nardo puro, de muito preço, ungiu os pés de Jesus, e enxugou-lhe os pés com os seus cabelos; e encheu-se a casa do cheiro do ungüento.
4 Então, um dos seus discípulos, Judas Iscariotes, filho de Simão, o que havia de traí-lo, disse:
5 Por que não se vendeuu este ungüento por trezentos dinheiros e não se deu aos pobres?
6 Ora, ele disse isto, não pelo cuidado que tivesse dos pobres, mas porque era ladrão e tinha a bolsa, e tirava o que ali se lançava.
7 Disse, pois, Jesus: Deixai-a; para o dia da minha sepultura guardou isto;
8 Porque os pobres sempre os tendes convosco, mas a mim nem sempre me tendes.
9 E muita gente dos judeus soube que ele estava ali; e foram, não só por causa de Jesus, mas também para ver a Lázaro, a quem ressuscitara dentre os mortos.
10 E os principais dos sacerdotes tomaram deliberação para matar também a Lázaro;
11 Porque muitos dos judeus, por causa dele, iam e criam em Jesus.