11/11/2024
O desapego com os que morrem e a certeza da salvação é a esperança dos que f**am.
Nada é tão frustrante como o silencio e a ausência provocada pela morte. Por mais que sejamos fortes e convictos na fé, não é fácil superar a dor da imagem do outro, que se rasga dentro de nós, com a partida para a eternidade.
Podemos negar a dor e continuar a nossa jornada fugindo de imagens que nos façam lembrar quem partiu, mas dentro de nós tem algo morrendo e essa morte é o outro que não está mais presente, completando uma parte de nós, que encontrava no outro, motivações para viver e compartilhar memórias e inúmeras emoções.
Quando alguém que amamos morre, nós morremos também.
Sofremos a dor do luto e nessa dor lutamos para que a imagem do outro permaneça em nós, mas infelizmente, o entendimento de que não teremos mais a presença do outro, nos faz entender o vazio causado pela ausência e o silêncio, por não ser mais possível ouvir a voz do outro, uma espécie de mortalha, que nos abraça, em uma mistura de amor, dor, solidão, frustração e impotência.
Não existe conformação com a despedida causada pela morte.
Ninguém quer a presença da morte. Ninguém quer a visita da morte. A morte é persona não grata e por mais que se pense estar preparado para o encontro, lá no fundo, sabemos que estamos apenas em um processo de negação e conformismo.
Soberana em sua jornada, a morte se aproxima sem cartão de visita, sem agenda marcada, sem expressar o menor respeito com a vontade de quem é objeto de seu encontro.
Ela apenas chega e recolhe a vida de quem pensava até então, ser o dono da própria.
A morte não erra o endereço. Não barganha a sua chegada e não reconhece o status de quem será visitado. Rico ou pobre. Novo ou velho. Homem ou mulher. Crente ou descrente.
A morte só respeita a soberania de Deus, pois Deus é o Senhor da morte. Se assim não fosse a morte seria uma espécie de deus e independente da vontade de Deus exerceria poder sobre a vida de quem quisesse, mas a morte é apenas uma ferramenta da vontade de Deus.
Isaias 45:7
Eu formo a luz e crio escuridão, eu faço paz e crio o mal, eu o SENHOR faço todas estas coisas.
1 samuel 2:6
O ¬SENHOR mata, e faz viver; ele faz descer ao sepulcro, e faz subir.
Por esse entendimento quero refletir na despedida dos entes queridos, daqueles que amamos e nos deixam com um sentimento de morte, pois a dor que f**a não pode ser superada, a não ser com a presença de quem partiu, mas no caso percebemos, que essa dor não será confortada, a não ser com um conforto sobrenatural, proporcionado pela presença de Deus em cada um de nós.
Da mesma forma que Deus tira de nós, ele também proporciona o conforto para os que f**am.
1 tessalonicenses 4:
Não quero, porém que sejais ignorantes, irmãos, acerca dos que dormem, para que não vos entristeçais, como os demais, que não têm esperança.
14Porque, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também aos que em Jesus dormem, Deus trará com ele.
15Dizemos, pois, isto a vós, pela palavra do Senhor: Que nós, os que estamos vivos e permanecemos para a vinda do Senhor, não precederemos os que dormem.
16Porque o mesmo Senhor descerá do céu com brado, e com a voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro;
17depois, nós, os que estamos vivos e permanecemos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor no ar, e assim estaremos para sempre com o Senhor.
18Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras.
A grande questão na vida dos que f**am é a falta de esperança, pois a tristeza tira de nós a alegria e nos faz perder a capacidade de viver e esperar dias melhores, afinal quem partiu levou com ele uma parte de nós, levou uma parte que era feliz com a presença do outro.
Não somos os mesmos e pensamos que a alegria não será mais possível, pois perdemos a capacidade de acreditar em coisas boas, em felicidade, achamos que será impossível viver sem aquilo que o outro nos proporcionava.
Por isso se perde a esperança e quem perde a esperança desiste de viver, de sonhar, de planejar, de trabalhar, de se alimentar, de ser feliz novamente.
Mas, Paulo fala no verso 13 que é importante ter esperança, pois a falta de esperança traz a tristeza e a tristeza a morte existencial.
Paulo compara as pessoas que estão fora do corpo de Cristo, que é a igreja, como pessoas que perderam a visão de futuro e desta maneira são tristes, pois lhes falta conhecimento, por isso são ignorantes acerca da morte e dos que dormem em Cristo.
É preciso enxergar além, na metafísica das contingências e entrar no universo espiritual e nesse universo perceber que coisas acontecem e nesse mover estamos inseridos, esperando por fé, o nosso futuro.
No verso 14 Paulo reflete na possibilidade de uma ocorrência e se entendermos que isso seja uma realidade, precisamos enxergar algo maior, que é a ação e Cristo, na proteção daqueles que dormiram, ou morreram portadores da fé, pois esses serão objetos desse cuidado.
Cristo os trará com ele.
Cristo livrará esses do inferno, do purgatório, de qualquer lugar de tortura e sofrimento no porvir e no verso 15 demonstrará que em sua vinda, esses precederão os que ainda não dormiram.
Essa é a segurança que a Palavra de Deus nos dá. Uma passagem segura para a eternidade.
Por isso no verso 16 e 17, ao soar das trombetas de Deus, ao som dos brados dos arcanjos, o Senhor descerá e esses que dormiram, despertarão do sono da morte.
Desse momento em diante, nós os que estivermos vivos, seremos abduzidos, tirados desse planeta, como o texto declara, arrebatados aos céus, junto com os mortos que morreram no Senhor e com eles nos encontraremos nas nuvens e subiremos juntos, ao encontro do Senhor.
Essa é a visão que devemos ter da morte e não podemos deixar de enxergar a situação e o descanso dos mortos, bem como a nossa situação junto a esses, em um futuro, ainda não definido para o povo que recebeu a fé no Senhor.
Dessa forma o verso 18 nos exorta a manter a fé, a razão nas coisas que enxergamos, não como objetos do caos e sim da firme certeza da soberana vontade de Deus, que controla e executa a sua vontade na história da humanidade.
Por fim nos resta o co***lo de Deus, pois com o co***lo que somos consolados consolamos a outros e nessa sinergia de amor, estabelecemos a soberana vontade de Deus em seu co***lo do espírito, que sobre a igreja, deposita a sua presença, co***lo, fé, esperança.
Sendo tudo isso fruto da palavra de Deus em nós, pois sem essa palavra nos tornamos como filhos do mundo, mortos em delitos e pecados e sem esperança para a eternidade, sem a salvação de Deus.
Paulo demonstra que a igreja tem nesse momento de dor e luto, o diferencial que o mundo não pode dar, vivendo o luto, a dor, a solidão, as lágrimas, o sofrimento, sem perder a esperança, sem perder a fé, sem perder a revelação, a palavra e experimentando o co***lo, a paz, o amor, a plenitude de Deus, em um momento onde a desesperança quer reinar e o desespero nos levar para distantes da nossa razão, em perceber o porvir e da fé, que nos dará forças para prosseguir ao alvo, que nos foi revelado pelo próprio Senhor.