23/05/2026
Usuku kiambote, Boa noite, Maku iú.
Manoel Bernardino da Paixão - Ampumandezu
(1881 - 1946)
Manoel Bernardino da Paixão, iniciado entre 1900 e 1906, era "filho de santo" de um ex-escravizado de origem congolesa, chamado Manoel de Nkosi. Após a morte de Manoel de Nkosi, Bernardino precisou passar pelo rito Maku a Nvumbi, cerimônia restrita aos adeptos para retirar a "mão do morto".
Bernardino, que recebeu o nome religioso Ampumandezu, foi levado ao primeiro terreiro de tradição angolana na Bahia, o Tumbensi do senhor Roberto Barros Reis, o Tata Kimbanda Kinunga, que havia falecido e fora sucedido por Twenda Kwa Nzaambi, a Maria Neném.
Segundo alguns relatos, foi através de Manoel Bernardino da Paixão que as tradições congo-angolanas se misturaram na Nzo Tumbensi, que originou duas novas raízes, já com ritos Congoleses (na língua Kikongo) e Angolanos (nas línguas umbundu / kimbundu / nganguela / chokwe). Bernardino levou ao Tumbensi os aprendizados que teve com Manoel de Nkosi e recebeu de Maria Neném os ensinamentos das tradições angolanas, de Tata Kimbanda Kinunga.
Em 1910, Ampumandezu passa pelo ritual Maku a Nvumbi, assim se torna filho de Twenda Kwa Nzaambi. Esta data coincide com a iniciação de duas outras importantes figuras do candomblé, filhos de Maria Neném, Manoel Rodrigues do Nascimento e Manoel Ciríaco de Jesus, que juntos fundaram outra tradição relevante nesta cultura bantu religiosa.
Em 1916 Manoel Bernardino da Paixão, chamado pela djina (nome do iniciado) Ampumandezu, fundou na Travessa de São Jorge, 65, no bairro da Mata Escura em Salvador, na Bahia, o terreiro Bate-Folha, Mansu Bandu Kenkué (Manso Banduquenqué). Local que foi tombado em 2003 pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e possui a maior área urbana remanescente da Mata Atlântica, aproximadamente 15,5 hectares.
Ampumandezu faleceu em 1946, tendo iniciado apenas dois filhos que manifestam a ancestralidade, os azenza (médiuns iniciados) Antônio José da Silva (Tata Bandanguame) e João Correia de Melo (Tata Lesenge).
Fonte: Argumento de Pesquisa - Muzenza: O brado do tempo
Nzambi Utala,
Talangueji.