Venha nos visitar! Igreja Batista da Redenção, resumo histórico. Corria a década de 1940 do século XX, quando o mundo mergulhava numa crise sem igual. A guerra cada vez se alastrava e via-se nas pessoas o medo de cada dia o grande conflito armado chegar até elas. Em 1943, a guerra ainda não tinha alcançado o Brasil, mas, seus reflexos se sentia. Alguns navios mercantes brasileiros eram vítimas da
guerra nos mares. Submarinos afundavam estas embarcações com todo o material para elas traziam para alimentar industrias e outras atividades comerciais, científicas, religiosas e literárias. Isso provocou uma crise econômica muito grande e que afetou o então Distrito Federal. No bucólico bairro de Tomás Coelho, vilarejo construído as margens de duas estradas. Uma de terra que serviu por todo o império para o trafego de mercadorias para o Porto de Inhaúma, Estrada Velha da Pavuna. Tropeiros e carroças por longos anos serviu-se do caminho para transportar mercadorias e do velho bairro onde ficava as terras da Rainha para descansar. Assim foi surgindo o vilarejo que se tornou bairro da zona norte do Distrito Federal. Outra estrada que por aqui passava era a de ferro, onde circulava a “Maria Fumaça” que conduzia entre outras composições, a do velho imperador do Brasil D. Pedro e sua mulher a rainha, dona de engenhos em toda a área . Nos anos da metade do século XX, o Brasil já era politicamente uma República e vivia a tensão do comportamento de seus gestores, que oscilavam entre golpes e eleições democráticas. E quem presidia o Brasil era Getúlio Vargas. Mas os meios de comunicações eram fracos, comparando aos de hoje e no velho bairro não se sabia muito se quem governava o Brasil era um ditador ou um político eleito. No entanto o bairro tinha famílias, cujos os chefes padeciam por não ter na região fábricas e comércios onde pudessem trabalhar. O artesão sapateiro, diácono batista, Avelino das Neves, olhava com tristeza o seu bairro enquanto fazia ou consertava sapatos de baixo do pé de sapoti plantado no quintal da sua casa. Homem de Deus, e preocupado com as pessoas que pela rua Pereira Pinto passavam, já cambaleante sob o efeito da aguardente, com os anúncios de suicídios de chefes de família que não tinham o que fazer de suas vidas, orava a Deus para fazer nascer em Tomás Coelho uma agência de salvação. Suas orações foram ouvidas. Membro da quarta greja batista do Rio de Janeiro, localizada no bairro de São Cristóvão, ele conseguiu que a mesma apoiasse um ponto de pregação. Assim ao pé de um sapoti, nascia um pequeno grupo da igreja distante. O líder era o evangelista Antônio Valadares que dividia com o morador da casa o anuncio da palavra de Deus. Mas ainda havia mais coisas para fazer por esta gente humilde de Tomás Coelho. José Avelino das Neves não aguentava caminhar pelas ruas empoeiradas de Tomás Coelho e ver bêbados cambaleantes seguindo enterros de pessoas que tinha tirado suas vidas, por não terem perspectiva. E orava incessante para que Deus pudesse fazer alguma coisa. Por outro lado, com a guerra em seu auge e o bombardeio de navios cargueiros que traziam bíblias e literaturas de escola dominical para as igrejas batistas e talvez outras denominações, a Convenção Batista Brasileira e a Junta de Richmond, órgão da Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos, que trabalhava no foco de missões e responsável pelos missionários que na época ajudavam manter o trabalho batista no Brasil, tomaram uma decisão. Construir uma grande indústria gráfica em terras brasileiras que pudesse imprimir Bíblias e literatura cristã em português. Para isso mandaram para o Brasil o Dr. Jack Jimmerson Cowsert , um industrial especializado em artes gráficas nos EUA. Apesar de pastor batista, ele veio como especialista da indústria gráfica. E Deus o colocou na Quarta Igreja Batista do Rio de Janeiro, ou igreja Batista em São Cristóvão, onde o irmão Avelino das Neves, congregava. Tornaram-se amigos e ele pediu ao sapateiro de Tomás Coelho que o ajudasse encontrar um lugar estratégico para construir uma fábrica. Precisava de pessoas disponíveis que pudessem ser treinadas para trabalhar em gráfica, que houvesse uma estrada para escoamento da mercadoria e desse acesso aos técnicos que trabalharia na empresa. E João Avelino das Neves viu que Deus começava a atender as orações do pequeno grupo batista que se reunia como congregação no seu quintal. Jack Jimmerson Cowsert, era conhecido como Dr. J.J. Cowsert. Ele pegou seu carro e veio até Tomás Coelho. Andou pelas suas ruas, desde as terras da Rainha, até Cavalcante, um bairro anexo. E encontrou uma grande área onde José Avelino o convenceu que era o lugar ideal para construir uma indústria. Tinha a infraestrutura exigida pelo industrial e ainda gente desempregada, perdida tanto existencialmente como espiritualmente. E foi construída a Casa Publicadora Batista. Uma das maiores gráficas da América Latina na época. Equipamentos modernos e lugar para muitos pais de família ganharem seu pão de cada dia. Mas Cowsert além de filho de uma rica família americana, ter se formado em Harvard uma das maiores universidades do mundo que um grupo de batista ajudou a construir, inclusive a tradicional família Cowsert, era pastor. E seu lado empresarial se juntou a parte de pastor de almas. Passou a frequentar a congregação batista em Tomás Coelho na casa do velho sapateiro junto com os seus membros fundantes: José Constâncio da Silva, Alice Neves, Clementina Ferreira, Laura Fernandes Carvalho, Dagmar Ferrás da Silva, Elsa Souza, Maria Ferreira, Eunice Neves e Maria Ribeiro das Dores. Deus deu a então futura Igreja Batista em Tomás Coelho, o que seus membros congregacionais pediam de uma só vez: Um pastor para conduzir o rebanho, dinheiro para comprar um terreno no bairro e construir um templo e uma ferramenta para que ela pudesse ser importante não só para almas das pessoas que ali viviam, mas também para suas famílias que sofriam com a crise econômica que a guerra fez mergulhar o mundo. No dia 24 de maio de 1943, a Igreja Batista em São Cristóvão organizou em igreja a sua congregação, com 45 membros vindos de igrejas batistas da região e da igreja mãe. Na ocasião proferiu a mensagem da noite inaugural o famoso teólogo americano e escritor Pr. A.R. Cabtree, que falou sob o tema, “E edificarei a minha igreja”. Na mesma ocasião foi empossado como pastor titular o Pr. J.J. A Igreja Batista em Tomás Coelho, hoje Redenção, fez muita diferença, no bairro em que foi plantada nos seus primeiros dez anos. Deus assistência espiritual a milhares de pessoas que vinha ao seu templo e em suas casas, batizando-as. Também deu assistência médica, contratando dentistas e médicos no ambulatório que funcionava dentro da igreja. Esta parte teve a direção do Dr. Paulo Camisão, membro da igreja. E sustento financeiro a mais de 500 pais de família e jovens aprendizes na indústria de Bíblias. Pelos seus bancos passaram missionários, teólogos, pastores de igreja, músicos que formavam uma média orquestra clássica, cantores religiosos e populares, um dos grandes pianistas dos EUA, Edward Barry, que deixou a carreira para ser missionário e ensinar regência e piano, tendo como alunos Débora de Oliveira ( Doutora em música pela Universidade de Havard, especialista em Negro Espiritual ), Deraldo das Neves ( maestro, professor de piano e fundador de vários coros e quartetos em igrejas batistas, presbiterianas e metodistas ) e Nilo Amaro fundador do Grupo musical “Cantores de Ébano” que durante seu pico de sucesso fez cantar todo o Brasil, as suas músicas. Também trabalhou na Escola Dominical da Igreja educadores americanos e brasileiros e de seus bancos saíram intelectuais que até pouco tempo foram nomes importante na história e na cultura brasileira. Alguns morreram crentes e outros não. Nem todos ficaram na igreja infelizmente. Mas, na sua primeira fase, os dez anos de J.J. Cowsert, a Igreja Batista em Tomás Coelho revolucionou o seu bairro e adjacência. Mostrou o caminho da salvação, deu pão as famílias e cuidou da sua saúde física e artística. Ao deixar o Brasil Cowsert deixou seu seminarista Antônio da Silveira Carvalhais para continuar o trabalho. E num dos seus últimos dias na igreja, quando a sua volta ainda havia muito mato, chamou seu jovem seminarista e disse:
“Você vê esta estrada de terra e estas pequenas fazendas? Pois bem, este será um grande bairro, mas carente de salvação. Se esta igreja fraquejar, o bairro também vai sofrer as consequências. ” Por Silvio Teixeira.