20/11/2025
Cada um de vocês deve procurar viver exclusivamente de acordo com a vontade de Deus, sentindo-se feliz por estar seguindo a lógica divina. Não dêem, pois, atenção às falhas; na realidade, pouco significam. O legítimo valor do ser humano reside nos seus atos meritórios, pelos quais vai acumulando créditos cósmicos, que ultrapassam, com o passar do tempo, os débitos e permitem o recebimento proporcional das graças divinas.Também o fato de ficarem perturbados, por mínimo que seja, pelas críticas dos outros, revela a falta daquela fé inabalável no Criador. Sendo o Pai Eterno, jamais esquece de olhar por um filho, quando fiel seguidor de Sua vontade.
Então, no momento em que deixarem de pensar apenas nos próprios interesses, colocando as necessidades do outro como meta principal, a verdadeira fé aflora e passa a ser vivenciada do fundo do coração. É exatamente nesse instante que vocês entram em contato com a grande oportunidade de salvação, pois a felicidade autêntica não pode brilhar para ninguém, enquanto o semelhante estiver sofrendo.
Sabor da fé
No mundo, nada existe que não tenha sabor, seja no que diz respeito à parte material, seja em relação à existência humana em particular. Uma vez excluída essa propriedade atrativa, tudo se tornaria insípido e desapareceria a vontade de viver. Não é, portanto, exagero afirmar que o apego à vida tem por princípio a apreciação do prazer que ela nos causa. Há, entretanto, certas crenças sem atrativos e outras que propagam até o terror, pois seus adeptos temem a Deus, sentem-se presos a dogmas, têm sua liberdade tolhida e vivem oprimidos, sob contínuo estado de tensão. Chamo a esses preceitos religiosos de crença infernal. Fundamentalmente, o ideal da fé consiste em atingir um estado perene de serenidade e despreocupação, que permita ao ser humano viver como se estivesse em pleno êxtase, sentindo as flores, as aves, o canto dos pássaros, a brisa, a beleza do luar, o encanto dos rios e montanhas, como dádivas divinas a confortarem-no. Desse modo, a prática de uma fé com sabor corresponderá a um nível de vida tão prazeroso, que levará as pessoas a se tornarem gratas pelas próprias roupas, alimentos e moradia recebendo-os como profundas bênçãos do Céu. Também as despertará para o verdadeiro amor ao próximo e às demais criaturas, tais como peixes, aves, insetos, plantas. O sabor da fé está, portanto, relacionado a certo nível de espiritualidade, de acordo com o qual passamos a viver na presença de Deus, colocando tudo em Suas mãos, depois de termos feito o que estiver ao nosso alcance.
Eu, por exemplo, quando me defronto com algum problema de difícil solução, costumo entregá-lo a Deus e esperar pelo tempo propício para resolvê-lo. Assim, depois de inúmeras experiências, pude perceber que tal atitude produz sempre os melhores resultados, pois quase nunca se concretizou aquilo que eu temia. E o mais interessante de tudo é que a realização dos meus desejos sempre excedeu a todas as expectativas. Por isso, cada vez que alguma situação desagradável me preocupa, julgo tratar-se do prenúncio de algo bom. Deposito, então, o problema nas mãos de Deus e sempre acabo concluindo que todo mal produz um bem. Em certas ocasiões, até percebo ter-me preocupado sem necessidade com acontecimentos indesejáveis. Nessas horas, sinto-me profundamente grato ao Pai Eterno por me ter esclarecido, levando-me a compreender a minha insensatez. Em suma, devido a todas essas ocorrências, considero-me uma criatura cercada de milagres. Eis o que eu chamo de sabor da fé.
Meishu-Sama, livro Evangelho do céu vol. ll