Defesa da Tradição

Defesa da Tradição Página destinada a contrapor a hegemonia moderna antirreligiosa, laica e liberal.

AS SOCIEDADES SECRETAS E O  CAPITAL TRANS NACIONAL Este material é uma aula do professor Jiang, que eu traduzi e fiz uma...
19/01/2026

AS SOCIEDADES SECRETAS E O CAPITAL TRANS NACIONAL

Este material é uma aula do professor Jiang, que eu traduzi e fiz umas pequena modif**ações em algumas palavras para f**arem mais leais ao nosso contexto linguístico.
Ele tem um entendimento geopolítico muito parecido com o meu, o espaço está aberto para debates reflexão e críticas que acrescentem conhecimento e clareza em meio ao caos atual.

“A grande inovação dos últimos 100 anos foi convencer as pessoas de que o dinheiro é Deus.”
O dinheiro é ao mesmo tempo nada e tudo e por isso você pode dedicar a vida inteira a conquistá-lo.
Essa é portanto a segunda grande inovação.
A terceira grande técnica que mudou a economia?
“É preciso entender que se você realmente quer que as pessoas concentrem suas energias, precisa criar ansiedade nelas, ok?”
“E como se cria ansiedade?
Bem, a melhor maneira é criar a ideia de dívida, certo?
Então hoje eu te empresto 1 milhão de dólares e você aproveita, mas depois terá que passar o resto da vida pagando de volta.”
O problema com isso, claro, é que existe interesse.
“E assim você nunca consegue realmente pagar isso de volta, o que só gera ansiedade.
Assim, a ideia de dívida me permite extrair muito mais valor de você do que se você não estivesse endividado.”
Essa é a primeira ferramenta.
“Em segundo lugar, temos a ideia de desigualdade e pobreza, onde uma determinada classe de pessoas é pobre e sempre será pobre.
E isso incentiva, encoraja a classe média a trabalhar ainda mais.
Tudo bem?”
“ O terceiro mecanismo de ansiedade é a destruição da riqueza.
O que é destruição de riqueza?
Simples, guerra ou depressão, certo?”
Quando a economia entra em colapso, quando toda a sua riqueza desaparece.
“A ideia aqui é a seguinte, veja, se os camponeses trabalham muito e armazenam muito grão, tem um enorme celeiro, eles nem precisam mais trabalhar, certo?
Então, como senhor de terras, o que você faz?
Bem, você vai lá e queima o celeiro, certo?
Portanto, a guerra não é apenas um mecanismo para expandir o capitalismo, mas também uma forma de deixar as pessoas mais ansiosas.”
Por quê?
“Porque você destrói a riqueza delas e, portanto, elas têm que trabalhar muito mais.
Então, novamente, nesse tipo de aula, você pode ter pensado que o objetivo do capitalismo é acumular mais capital.
Não, não, não, pessoal!
O objetivo do capitalismo é direcionar as energias dos camponeses.
Porque, atenção, o foco é o que torna a sociedade muito mais enérgica e esse é o objetivo final, certo?
Então, se uma sociedade é rica, isso na verdade é uma coisa...
E assim, a maneira de resolver esse problema é engajando-se constantemente em guerras.
E também tendo o ciclo de expansão e recessão que você pode aprender na aula de economia, certo?
Então agora você pode realmente aprender que o ciclo de expansão e recessão é natural ao capitalismo.
Mas ele não é natural ao capitalismo, ele é artificial.
As pessoas no poder destroem artificialmente as economias para destruir a riqueza.
E isso vai fazer com que os camponeses trabalhem muito mais.
Então vocês estão acompanhando?
Então essa é a estratégia que aprendemos nesses últimos séculos.
E é por isso que, na sociedade atual, somos a sociedade mais rica de toda a história da humanidade.
E no entanto, ao mesmo tempo, somos os mais miseráveis, os mais ansiosos e os mais endividados, ok?
Porque a classe latifundiária, os capitalistas, a elite descobriram três mecanismos para extrair o máximo de energia possível.
O dinheiro, o dinheiro, o dinheiro.
O primeiro é nos dar a ilusão de que temos liberdade em nossas vidas.
Que temos liberdade de escolha, que temos equidade na sociedade.
Podemos votar em nossos líderes?
Quando na realidade tudo isso é apenas uma ilusão.
O segundo é transformar o dinheiro.
Deus, o fim, o tudo e o nada, tanto nada quanto tudo.
O verdadeiro foco da sua vida.
E como o dinheiro é tão abstrato, você pode passar a vida inteira...
Tentando conquistar cada vez mais e ao mesmo tempo não conquistar nada.
Absolutamente nada, certo?
Então pense em alguém como Jack Ma, que tem mais dinheiro do que poderia gastar.
E o que ele quer?
Ele quer mais dinheiro, certo?
E o terceiro é criar ansiedade na sociedade para que toda a existência das pessoas seja de estresse.
E como resultado, as pessoas f**am muito mais focadas no trabalho e na criação de riqueza.
E você faz isso por meio de um processo constante...
De destruição de riqueza, certo?
Mas o problema, claro, é que quando você pressiona as pessoas demais...
Quando isso se torna tão óbvio, você explora as pessoas.
Então elas eventualmente vão se revoltar contra você.
Então a solução que descobrimos é que o que podemos fazer é, na verdade, nos mudar, certo?
A classe proprietária de imóveis pode, de fato, mudar-se para outro lugar.
Assim, quando a ansiedade se torna insuportável,
Os camponeses se destroem uns aos outros e o latifundiário se muda para outro lugar,
Pra capital.
E eles voltarão quando a classe camponesa estiver completamente exaurida.
E eles estão dispostos a reconstruir a sociedade, ok?
E é esse processo que rege o mundo hoje em dia.
É o que chamamos de capital transnacional.
Em outras palavras, as pessoas ricas do mundo, na verdade, não têm lealdade à nação, Nem ao povo, nem a lugar algum.
Então, o que nós podemos fazer?
Eles só têm lealdade ao seu capital.
E estão dispostos a se mudar para onde puderem,
Para onde for necessário,
A fim de manter seu capital seguro e fazê-lo crescer.
E é por isso que muitas pessoas hoje estão se mudando pra Dubai, Hong Kong ou Singapura.
Eles não se importam.
Eles podem não gostar muito do lugar, mas vão pra onde for necessário
Pra pagar menos impostos,
Pra evitar o conflito social criado por suas políticas,
Pra encontrar melhores oportunidades de investimento
E é esse o sistema que governa o mundo hoje.
Mas então a pergunta é, ok?
Em termos concretos, o que realmente é o capital transnacional?
O que permite o capital transnacional funcionar, se mover pra outro lugar?
Porque lembre-se, quando você se muda de um lugar pra outro,
Há muitos custos envolvidos.
Por exemplo, você realmente não conhece ninguém lá,
Então como pode confiar nas pessoas, certo?
E essa é uma solução com a qual lidamos ao longo dos séculos.
É a ideia das sociedades secretas.
Então o que você vai aprender é que sociedades secretas e capital transnacional
São essencialmente a mesma coisa.
Certo? E essa é a força que governa o mundo hoje.
Certo, então agora que falei sobre o capital transnacional, vamos olhar pras sociedades secretas, de onde elas vêm e como funcionam.
Bem, as sociedades secretas existem porque a classe dos credores e a classe dos camponeses são fundamentalmente diferentes.
Portanto, as motivações são diferentes.
As motivações, as crenças, a visão de mundo dessas duas classes devem ser diferentes.
Certo? Então os camponeses, o que os camponeses querem?
Eles querem levar uma vida simples.
Eles querem ganhar algum dinheiro.
Eles querem formar uma família.
Eles querem se divertir.
Querem acreditar em Deus.
Assim, pra classe camponesa, temos a religião organizada, seja o islamismo ou o cristianismo.

Jesus disse pra você ser uma boa pessoa.
Mas a classe liberal é diferente eles têm uma responsabilidade, têm a obrigação de controlar a classe camponesa e extrair o máximo de energia possível para manter sua sociedade.
Portanto, suas práticas religiosas precisam ser muito diferentes.
Como os camponeses podem rezar para Deus, a classe leninista rezar para Satanás?
Agora vamos analisar por que a classe leninista deve rezar para Satanás.
E isso é verdade para todas as sociedades ao longo da história humana.
Antes, a classe de Lenin era descarada quanto à isso. Agora eles precisam ser mais hipócritas, mais reservados a respeito disso.
Então vamos analisar a classe de Lenin.
Pra ser uma classe credora, líder, precisa fazer terríveis coisas.
Mas na verdade é difícil fazer coisas terríveis.
Muito bem, deixe-me dar um exemplo.
Digamos que eu diria pra você
Tudo bem vou te dar 10 milhões de dólares americanos.
DÓLARES
O que você precisa fazer?
O que você precisa fazer é pegar uma arma e tarde da noite ir matar um estranho aleatório.
Você pensa, nossa que ótimo negócio.
Se eu matar um estranho aleatório de madrugada
Ninguém vai saber que fui eu, e eu saio impune com 10 milhões de dólares.
Acho que consigo fazer isso, mas adivinhe só, quando eles realmente te obrigam
a fazer isso, você simplesmente não consegue, porque existem muitas restrições sobre o seu comportamento, então pense em suicídio.
Se eu te desse 100 milhões de dólares, e prometesse um caminho para o céu,
Você se mataria? Provavelmente não.
Então, suicídio, tirar a própria vida de muitas formas não é diferente de matar outra pessoa.
Nós não conseguimos fazer isso. Mas na verdade existem maneiras de burlar isso.
Nós temos jeitos de fazer você ir matar alguém de certa forma de uma forma que não te faça sentir tão culpado por isso.
Então pra entender o porque eu gostaria de apresentar a vocês alguns experimentos de ciências sociais que foram realizados nos Estados Unidos no final do século 20.
O primeiro é algo chamado experimento de Milgram e isso foi feito em Yale por um psicólogo
Chamado Stanley Milgram e o experimento era muito simples, o que ele fazia era colocar um ator
Esse é um ator que chamamos de cúmplice, e a pessoa era conectada a uma cadeira elétrica e havia um botão, um botão que aumentava a voltagem dessa cadeira elétrica.
E havia um máximo e um mínimo, e de repente Milgram estaria aqui sentado frio
E ele convidaria um participante que basicamente era um estudante para vir e ser um assistente, e o trabalho do assistente era apertar o botão e Stanley Milgram queria saber antes de tudo, se esse voluntário , esse assistente concordaria em dar um choque em outro ser humano, mesmo vendo esse ser humano sentindo dor
E em segundo lugar Stanley Milgram queria ver quanta dor o voluntário estava disposto iinfligir
E acabou que com a ideia de autoridade as pessoas f**am muito mais dispostas deixar de lado suas inibições. Porque o que você está fazendo é transferindo a responsabilidade de si mesmo para outra pessoa. Ela dirá, eu não fiz isso recebi ordens para fazer isso
Por isso às pessoas estão dispostas infligir muita dor à outras pessoas, porque conseguem se eximir da responsabilidades por seus atos individuais”

Faz sentido?
“Portanto, o objetivo de uma sociedade secreta é que as pessoas se unam para evitar assumir
Aa responsabilidade por seus atos”
Como?
“Rezando para outro deus.
Ao dizer, nós não fizemos isso, não fomos nós que começamos esta guerra, nós não destruímos a nossa economia. Foi Satanás que nos mandou fazer isso. Tivemos uma reunião com Satanás
Fizemos os rituais invocamos Satanás, e Satanás disse para o bem do mundo vocês precisam ser maus vocês precisam ir e começar esta guerra
Para que possamos criar o paraíso na terra
Não fomos nós , não fomos nós, foi Satanás quem fez isso.
Esse é o objetivo de uma sociedade secreta forçar você a acreditar, que não tem atividade por Satanás ou por outro deus Saturno.
Por isso é muito comum a sociedade secreta.
Acreditar em um Deus chamado Saturno.
Quem é Saturno? Saturno para os gregos é Cronos.
E Cronos, é um deus do tempo
Cronos é um deus do tempo, da ordem, e da estrutura, e Cronos fazia coisas que eram impensáveis, que eram desumanas pra manter o controle do mundo, inclusive sobre seus próprios filhos.
Eles oram a Saturno pra buscar essa energia satânica afim de manter a ordem, e o controle no mundo, para o bem dos outros.”
Entendeu?
Não para o meu próprio bem mas para o bem dos outros
“Essa é a primeira ideia que preciso que você entenda sobre essas sociedades secretas.
Eles sempre oram
A um Deus superior eles acreditam em religiões
Interdimensionais ou acreditam em Satanás.
Mas eles não sentem que estão no controle, ees se sentem como se estivessem
Possuídos por demônios ou por extraterrestres”
E porque?
Pra fazerem o que for preciso para manter seu poder e sua riqueza

Na Paris revolucionária, no auge do terror de 1794, palavras tinham se tornado armas. Robespierre silenciara Hébert em m...
18/01/2026

Na Paris revolucionária, no auge do terror de 1794, palavras tinham se tornado armas. Robespierre silenciara Hébert em março, e em maio justificou a censura mediante um estudo especial da linguagem, o qual descrevia as palavras como "os elos da sociedade e as guardiãs de todo o nosso conhecimento".

Contudo, do indisciplinado Palais-Royal veio uma convocação à tradução direta de palavras em atos em um panfleto adequadamente intitulado L'Explosion, escrito por Jean-François Varlet, um apadrinhado de Hébert e Bonneville, que advertia que o "despotismo tinha passado dos reis para os comitês".

Morellet, "Apologie de la philosophie contre ceux qui l'accusent des maux de la révolution" (1796), Mélanges, v. 4, p. 329.

Relato do Abade Grégoire, citado em M. Mormile, La "Neólogie" révolutionnaire de Louis-Sebastien Mercier, Roma, 1973, p. 199.

Varlet, L'Explosion, p. 7 (BM). No auge de sua guerra contra a burocracia e a tradição herdada, a revolução cultural da China estimulou a rejeição até do lema inicial da revolução: "Tire a Máscara Burguesa da 'Liberdade, Igualdade e Fraternidade", Peking Review, 10 de junho de 1966, esp. p. 13.

"O dom de gerar profecias era respeitado e temido no leste antigo, não apenas. entre os hebreus e cristãos. Desde o sécu...
14/01/2026

"O dom de gerar profecias era respeitado e temido no leste antigo, não apenas. entre os hebreus e cristãos. Desde o século VII, no tempo do califado Umaiyad, profecias (especialmente aquelas que exploravam as conjunções de planetas) exerciam muitas influências sobre a condução do mundo islâmico. (...)

A Maioria dos Profetas do mundo islâmico eram, de fato, judeus ou cristãos renegados, convertidos para o Islā. Suas visões não poderiam se referir ao sultanado Selchukid (Seljuk- warlord) e, Turcos otomanos.

Eles retiravam as ideias das suas visões proféticas, especialmente do livro de Daniel...(...)

Se encontra um grande número de profecias vindas do Egito, compostas entre 1180 e 1220. (...) Em várias delas os Reis dos Khazares encontrariam os Turcos 5 vezes em batalhas, e o sangue correria como rios. (...)

Seljuq Empire at its greatest extent in 1092, upon the death of Malik Shahi

Capitel

Nishapur

(1037-1042) Rey

103-1051) utahan

(1081-1118)

(1118-1153)

Hamadan, Wearwm

Constantinopla seria destruída. O anticristo apareceria por "40 dias" e, Jesus vestido de amarelo, recitaria orações em Damasco e, mataria o anticristo.

Soner Cagaptay é diretor do Programa de Pesquisa Turco do Instituto de Política para o Oriente Próximo de Washington. Ele escreveu extensivamente sobre relações EUA-Turquia, relações UE-Turquia, política doméstica turca, questão curda e nacionalismo turco, publicando em periódicos acadêmicos e importantes meios de comunicação internacionais, incluindo o Wall Street Journal, Washington Post, New York Times, Atlantic, Guardian, Relações Exteriores e CNN.com.

Como historiador, cursou doutorado na Universidade de Yale (2003) sobre nacionalismo turco e ministrou cursos na Universidade de Princeton, Universidade de Georgetown e Smith College no Yale, na Universidade de Princeton, no Oriente Médio, no Mediterrâneo e na Europa Oriental.

Para o RP (Welfare Party), Erdogan e Erbakan, as falhas do centro-direita apresentaram uma oportunidade de ouro. Capitalizando a frustração popular, o PR começou a reformular sua mensagem no início dos anos 90 (fim do secularismo).

Todo o sistema estava corrompido em sua essência, insistiu o PR, e nada menos que uma refilmagem total do sistema socioeconômico do país poderia acabar com a miséria do turco comum.

Erbakan chamou essa nova sociedade ideal de "Ordem Justa" (Adil Duzen). Sob essa ordem (baseada nos princípios do "Isla"), os políticos deixariam de ser corruptos, enquanto os camponeses e trabalhadores deixariam de ser explorados.

❝Quando escrevi este artigo originalmente, em 1938, naturalmente não sabia que, doze anos depois, a versão Cristã do Arq...
27/12/2025

❝Quando escrevi este artigo originalmente, em 1938, naturalmente não sabia que, doze anos depois, a versão Cristã do Arquétipo Materno seria elevada à categoria de Verdade Dogmática. A 'Rainha do Céu' Cristã obviamente, despojou-se de todas as suas qualidades olímpicas, exceto seu brilho, bondade e eternidade; e até mesmo seu corpo humano, o que há de mais suscetível à corrupção material grosseira, revestiu-se de uma incorruptibilidade etérea.(...) A questão que surge naturalmente para o psicólogo é: o que aconteceu com a relação característica da imagem materna com a terra, a escuridão, o lado abissal do homem corpóreo com suas paixões animalescas e natureza instintiva, e com a 'matéria' em geral? A declaração do Dogma ocorre num momento em que as conquistas da ciência e da tecnologia, combinadas com uma visão racionalista e materialista do mundo, ameaçam a herança espiritual e psíquica do homem com aniquilação instantânea. A humanidade se arma, com temor e fascínio horrorizados, para um crime estupendo. Circunstâncias poderiam facilmente surgir em que a bomba de hidrogênio teria que ser usada e o ato impensavelmente terrível se tornaria inevitável em legítima defesa. Em contraste marcante com essa reviravolta desastrosa, a Mãe de Deus agora está entronizada no céu; de fato, sua Assunção foi interpretada como um contra-ataque deliberado ao doutrinarismo materialista que provocou a revolta dos poderes ctônicos. Assim como a aparição de Cristo em seus dias 'criou' um verdadeiro demônio e adversário de Deus a partir do que originalmente era um filho de Deus habitando o Céu,* agora, inversamente, uma figura celestial se separou de seu reino ctônico original e assumiu uma posição contrária às forças titânicas da terra e do submundo que foram desencadeadas. Da mesma forma que a Mãe de Deus foi despojada de todas as qualidades essenciais da materialidade, a matéria tornou-se completamente desprovida de alma, e isso numa época em que a física avança em direção a descobertas que, se não "desmaterializam" exatamente a matéria, pelo menos a dotam de propriedades próprias e fazem de sua relação com a psique um problema que não pode mais ser deixado de lado. Assim como o tremendo avanço da ciência levou inicialmente a uma prematura destituição da mente e a uma igualmente impensada deif**ação da matéria, é esse mesmo anseio pelo conhecimento científico que agora tenta transpor o enorme abismo que se abriu entre as duas visões de mundo. O psicólogo tende a ver no dogma da Assunção um símbolo que, de certa forma, antecipa todo esse desenvolvimento. Para ele, a relação com a terra e com a matéria é uma das qualidades inalienáveis ​​do arquétipo materno. Assim, quando uma figura condicionada por esse arquétipo é representada como tendo sido levada ao céu, o reino do espírito, isso indica uma união entre terra e céu, ou entre matéria e espírito. A abordagem da ciência natural será quase certamente na direção oposta: ela verá na própria matéria o equivalente ao espírito, mas esse “espírito” aparecerá despojado de todas, ou pelo menos da maioria, de suas qualidades conhecidas, assim como a matéria terrena foi despojada de suas características específ**as quando encenou sua entrada no Céu. Não obstante, o caminho será gradualmente aberto para uma união dos dois princípios.
Entendida concretamente, a Assunção é o oposto absoluto do materialismo. Considerado neste sentido, trata-se de um contra-ataque que em nada diminui a tensão entre os opostos, mas a leva ao extremo.❞

- "C. J. Jung The Collected Works", edited by Sir Herbert Read, Michael Fordham, M. D., M. R. C. P., and Gerhard Adler, P.h.D., translated from the German by R. F. C. Hull, Taylor & Francis, 2023, páginas 107-109.

* Hans Urs Von Balthasar admite que Jung está certo ao dizer que a Demonologia só vai se desenvolver de modo pleno (e correto) a partir do Cristianismo.

Um Santo e feliz Natal!"E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós." (João 1:14)
24/12/2025

Um Santo e feliz Natal!

"E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós." (João 1:14)

"'Vi de longe uma grande nuvem que envolveu a terra toda em trevas; ela havia absorvido a terra que cobriu minha alma, a...
27/11/2025

"'Vi de longe uma grande nuvem que envolveu a terra toda em trevas; ela havia absorvido a terra que cobriu minha alma, as águas haviam penetrado minha alma, que se tornara corrompida, a julgar pelo aspecto do mais profundo inferno e pela sombra da morte, porque a inundação me afogou. Então os etíopes curvar-se-ão perante mim e meus inimigos lamberão a terra em que piso. "Nada é saudável em meu corpo e meus ossos sentem medo à simples vista de meus pecados." (Sl 38,3) Chorei a noite inteira até f**ar exausto; minha garganta está rouca. Quem é o homem que vive compreendendo e que salvará minha alma da mão do inferno...'
(Pseudo-Tomás de Aquino, "Aurora Surgens")

Quando ele diz que viu uma grande nuvem negra, pressente-se que deve ser o autor que vê de cima a nuvem negra envolvendo a terra. Mas mais tarde, essa pessoa, que pergunta quem é o homem que pode salvá-la, é a Sabedoria de Deus. Uma das coisas mais interessantes nesse texto é que o “Eu”, tal como se depreende do contexto, numa linha, é o autor e, duas linhas adiante, é a Sabedoria de Deus. Assim, há uma autêntica confusão e vemos como o autor se identificou com a Sabedoria de Deus e mergulhou no inconsciente.
Primeiro, pairando sobre a terra, ele vê a nuvem negra que se abate e envolve tudo. A nuvem negra é um símbolo alquímico muito conhecido para o estado chamado nigredo, a negrura que, com muita frequência, ocorre primeiro no trabalho; se destilamos o material, ele se evapora e, por algum tempo, apenas vemos uma espécie de confusão ou nuvem, que o alquimista comparou com a terra envolta por uma nuvem negra.
Na linguagem da Antiguidade, a nuvem também tinha um duplo signif**ado, sendo por vezes comparada com a confusão ou inconsciência. Existem muitos textos herméticos mais recentes em que é dito que a luz de Deus não pode ser descoberta antes de a pessoa surgir da nuvem escura do inconsciente, que envolve as pessoas e que é a conotação negativa frequentemente encontrada na linguagem religiosa. Na linguagem cristã, a nuvem é produzida pelo demônio, que está no norte e de cujas narinas sopram nuvens constantes de confusão e inconsciência sobre o mundo. Mas também encontramos a nuvem nos primeiros textos medievais numa conexão positiva, notadamente como aquele aspecto desconhecido e desconcertante da Divindade.
Provavelmente, alguns leitores conhecem “A Nuvem do Desconhecimento”, um texto místico medieval que descreve o fato de que, quanto mais perto a alma do místico estiver da Divindade, mais sombria e confusa ela f**a. Esses textos dizem, com efeito, que Deus vive na nuvem do desconhecimento e que a pessoa tem de se despojar de toda ideia, de toda concepção intelectual, antes de poder acercar-se da luz que está rodeada pelas trevas da mais profunda confusão. Aqui, a nuvem tem o mesmo duplo signif**ado; descreve um estado de profunda confusão, de completa infelicidade, que é, ao mesmo tempo, o início do trabalho alquímico.
O aspecto do mais profundo inferno e, como é dito algumas linhas adiante, o aspecto de seus próprios pecados, assustaram aquele que fala, após o que há a menção dos etíopes. Isso está relacionado com o Salmo 72,9, que fala das vitórias sobre os inimigos e de os etíopes se curvarem perante os israelitas. Mas aqui, evidentemente, o etíope tem um signif**ado clássico, que também aparece muito cedo na alquimia grega e representa o nigredo.
O leitor lembrar-se-á de que já tivemos antes a terra etíope num dos textos gregos. A Etiópia era o país cuja população tinha sobre si a projeção coletiva de profunda devoção e fervor religioso, por um lado, e era considerada pagã inconsciente, por outro. Na alquimia, o etíope é frequentemente o símbolo do nigredo e é óbvio o que isso signif**ava em linguagem psicológica, porque não é muito diferente da forma como os negros ainda se apresentam hoje em dia no material inconsciente de pessoas brancas, isto é, o homem natural, primitivo, em sua totalidade ambígua. O homem natural em nós é o homem genuíno, mas também o homem que não cabe em padrões convencionais, e que, em parte, é impelido por seus instintos.
Os etíopes aparecem nesse nigredo e surge então a pergunta: 'Quem é o ser humano de compreensão que me salvará da mão do inferno?' – e esse mesmo ser afogado que supusemos primeiro ser o autor, mas depois resulta ser a Sabedoria de Deus, diz: 'Àquele que me ilumine darei Vida Eterna, ele receberá da floresta da vida que está no Paraíso e compartilhará do Meu Trono no Meu Reino' etc. Depois vem o trecho: 'Aquele que não escarnece de Mim, não Me causa dano e não profana o Meu Leito' etc., após o que é apresentada a declaração de Amor.
É o próprio Cristo, como Deus, que promete compartilhar Seu Reino, pelo que devemos concluir que a pessoa que fala – e os adjetivos que se referem aqui a 'eu' são sempre femininos – é a Sabedoria de Deus, em identidade absoluta com Deus e Cristo, que, da escuridão do nigredo, fala e clama por ajuda, pedindo um ser humano que salve sua alma do inferno. Isso mostra que ocorreu uma tremenda reviravolta, visto que, de repente, é a Sabedoria de Deus que grita por ajuda das profundezas da terra e que necessita de um ser humano que a arranque do seio das trevas. Primeiro, ela apareceu como um irresistível fator Divino proveniente das alturas, e agora clama como um ser feminino desamparado, que precisa da compreensão da alma humana para livrar-se da mansão dos mortos.
Essa é uma das seções mais impressionantes e ilustra o que Jung também descreveu em Psicologia e Alquimia como um dos grandes temas mitológicos do pensamento alquímico, ou seja, a ideia de que a alma divina, ou a Sabedoria de Deus, ou a anima mundi – uma espécie de figura feminina – se separa do homem original, o Adão original, e entra na matéria, quando então tem de ser resgatada.
Jung explica que isso representa o que acontece quando alguma coisa é projetada, ou seja, que há a ideia arquetípica do homem divino, ou da divindade feminina, e esse arquétipo é projetado na matéria, o que realmente signif**a que a imagem cai na matéria. Tais mitos ampliam o que o alquimista não conhecia conscientemente, ou só em parte – que, de fato, eles estavam buscando o inconsciente, ou a imagem da divindade feminina, ou investigando a experiência do homem divino na matéria. Isso era o que eles procuravam, como tentei explicar com o texto alquímico grego.
Isso corresponderia a um homem de hoje conhecer uma mulher, sentir-se muito atraído por ela e depois sonhar que uma imagem da deusa entrou nela. A imagem da Divindade antes era interior e agora entrou nessa mulher. É dessa maneira que o inconsciente retrata uma projeção; não é algo que fazemos ou mesmo percebemos; simplesmente acontece-nos, e tais sonhos mostram com frequência que ocorreu uma projeção. Sobre isso, a linguagem figurada diz que isso aconteceu e que o alquimista está buscando inconscientemente essa figura.
Na religião judaica, esse processo já se iniciou, visto que, embora desde o começo não existisse nenhuma deusa, a palavra hebraica para caos primordial é Tohu va-bohu (תֹהוּ וָבֹהוּ‎, a terra "sem forma e vazia" em Gn 1,3), que é realmente uma alusão à
Tiamat babilônica, uma deusa. Poderíamos dizer que, na tradição judaica, a grande deusa-mãe não aparece personif**ada na Bíblia, mas só existe de um modo indireto nessas poucas alusões.
O feminino reapareceu na posterior fantasia gnóstica da Sabedoria de Deus, mas apenas um sublime aspecto divino dessa deusa aparece na Bíblia e o aspecto feminino da Divindade não está propriamente representado na tradição judeu-cristã. Há algumas alusões obscuras a uma escura e caótica massa materna subjacente, que é idêntica à matéria, e uma sublime figura feminina, que é a Sabedoria de Deus; mas até ela foi eliminada no cristianismo, já que Deus foi declarado idêntico ao Espírito Santo ou à alma de Cristo, enquanto se supunha que a matéria fosse governada pelo demônio.
Essa pronunciada ausência de uma personif**ação feminina do inconsciente foi compensada, portanto, pelo materialismo radical que se apoderou gradualmente e passou a dominar a tradição cristã. Poderíamos dizer que, praticamente, nenhuma religião começou com uma ênfase espiritual tão excelsamente espiritual e terminou – se concebermos o comunismo como a forma final da teologia cristã – numa ênfase materialista tão absolutamente unilateral. A passagem de um extremo para o outro extremo constitui um dos mais impressionantes fenômenos que conhecemos na história da religião; isso se deve ao fato de que, desde o começo, houve uma falta de percepção consciente, uma atitude instável em relação ao problema da divindade feminina e, portanto, da matéria, porque a divindade feminina em todas as religiões é sempre projetada no conceito de matéria e a ele vinculada.
Ainda ontem tive em mãos – isto é digressão, mas deveras interessante – um livro de Hans Marti intitulado Urbild und Verfassung, que podemos traduzir como Arquétipo e Constituição. Marti mostra que, como o homem originalmente concebeu a constituição de um Estado democrático – ele está principalmente interessado na Constituição suíça – uma mudança secreta ocorreu do conceito patriarcal do Estado (o Estado jurídico, sendo o Estado um conceito legal, uma espécie de espírito paterno) para o que ele chama de Welfare State (Estado do Bem-Estar). A democracia suíça, em seus primórdios, digamos, até os últimos cinquenta anos, foi principalmente administrada por um clube composto de homens – como se sabe, as mulheres ainda não podem votar na Suíça – e a base da Constituição era certo número de leis, cujo principal objetivo era garantir a liberdade do indivíduo, a liberdade de religião, a liberdade de propriedade etc.
Nisso insinuou-se lentamente, como Marti demonstra de maneira magníf**a, outra ideia, a do Welfare State, um arquétipo materno em que o Estado tem de cuidar da saúde do povo, de seu bem-estar material, pensões para a velhice etc. Marti salienta muito claramente que isso é uma mudança, na medida em que o Estado deixou de ser o pai, mas passou a ser a mãe e, como tal, interessado no bem-estar físico de seus filhos. Ele mostra como, de acordo com a lei suíça, o Estado tem agora o direito de impor certos regulamentos à posse da terra, a fim de proteger as áreas agrícolas, por exemplo.
Há alguns anos, o Estado assumiu o controle dos direitos sobre a água – a água é um símbolo feminino –, a fim de proteger a população, uma vez que a água é suscetível de f**ar suja e insalubre; e, pouco a pouco, adquiriu o direito de promulgar leis para combate às epidemias. Se, por exemplo, houver alguma espécie de praga, ou raiva, então o Estado pode estabelecer regulamentos que não existiam antes. Em épocas passadas, a humanidade não estava tão interessada no bem-estar físico e material das pessoas. Se morriam de peste ou eram mordidas por cães raivosos, isso era apenas parte da vida e não tinha importância; a ênfase recaía na liberdade espiritual, enquanto o bem-estar físico era um tanto negligenciado. Nos últimos cinquenta ou sessenta anos, o bem-estar físico tornou-se gradualmente uma preocupação importante do Estado e, com isso, passou a ser cada vez mais, gradualmente, o veículo da projeção da mãe, e cada vez menos o da imagem do pai. Estamos deslizando lentamente, e sem nos apercebermos, para uma situação matriarcal.
Marti mostra muito claramente como certos fatores emocionais estão inconscientemente em jogo, que a pessoa concebe o Estado em alguma vaga forma arquetípica e, desse ponto de vista, vota a favor de certas leis. Mas o que parece ser óbvio, isto é, que o Estado deve cuidar de seus filhos, é realmente a projeção da imagem da mãe, e isso não é óbvio. Ele conclui seu livro muito inteligentemente dizendo que devemos tornar-nos conscientes do que estamos projetando no Estado e começar com uma real Auseinandersetzung, ou confrontação, e não mudarmos as leis mediante a projeção de uma imagem materna.
Esse livro descreve um pequeno aspecto de uma lenta mudança que, em grande escala, aconteceu em toda a civilização cristã e a que poderíamos chamar um secreto regresso ao matriarcado e ao materialismo. Essa enantiodromia relaciona-se com o fato de que a religião judeu-cristã não enfrentou o arquétipo da mãe de modo suficientemente consciente. Em certa medida, ela havia excluído a questão. Também é sabido que, quando o Papa Pio XII declarou a Assumptio Mariae, seu propósito consciente era atingir o materialismo comunista elevando, por assim dizer, um símbolo da matéria na Igreja Católica, de modo a tirar o vento das velas dos comunistas. Há uma implicação muito mais profunda, mas essa foi a sua ideia consciente, ou seja, a de que o único modo de combater o aspecto materialista seria erguendo a uma posição mais elevada o símbolo da Divindade feminina e com ele a matéria. Como é o corpo da Virgem Maria que se eleva ao Céu, a ênfase recai sobre o aspecto material e físico.
Aqui temos a imagem da Divindade completamente inserida na matéria de onde ela clama por ajuda. Entendido como o drama pessoal do nosso autor, o que signif**aria isso?
RESPOSTA: Que a anima se perdeu no mundo material, porque ele não tinha relação com ela."

- Marie-Louise Von-Dranz, "Alquimia; uma introdução ao Simbolismo e seu signif**ado na Psicologia de Carl G. Jung", Editora Cultrix, São Paulo, páginas 262-272.

Endereço

Rio De Janeiro, RJ

Notificações

Seja o primeiro recebendo as novidades e nos deixe lhe enviar um e-mail quando Defesa da Tradição posta notícias e promoções. Seu endereço de e-mail não será usado com qualquer outro objetivo, e pode cancelar a inscrição em qualquer momento.

Compartilhar

Categoria