A HISTÓRIA DO SS:
"Um dia no ano de 1950 eu estava na sala do Dr. T. STOVER, Diretor da Casa Publicadora Batista (JUERP), na Praça da Bandeira, Rio. DAVID GOMES também estava lá e falou de um sítio no Estado do Rio de Janeiro, onde ele passara férias. Ele falou com Dr. STOVER, e creio que Dr. EDGAR HALLOCK estava presente também.
– “Dr. STOVER, vá lá comigo visitar esse sítio. É um lugar ótimo p
ara acampamentos. É do Professor Moyses Silveira e ele quer vender.”
Eu vi que o Pr. DAVID não tinha muita possibilidade de levar nem STOVER, nem HALLOCK, sobrecarregados como estavam com outras tarefas. Expressei o meu interesse em ir lá para conhecer o sítio. Combinamos tudo e um dia no mês de julho saímos cedo. Eu estava morando em Sumaré, Estado de São Paulo, estudando na Escola de Línguas e Orientação em Campinas. Mas estava no Rio de Janeiro assistindo a reunião da Missão Batista do Sul. Deixei KATIE e LYDIA, de um ano, no IBER, onde f**amos hospedados, e fui com o Pr. A viagem que hoje e tão fácil (duas horas do Rio), com a ponte Rio-Niterói e asfalto da BR-101, no ano de 1950 não era nada fácil. Viajamos num Ford 1948 que a Missão comprou para Dr. PAULO C. PORTER, mas que estava comigo durante as férias dele. Quanto tempo f**amos na fila na Praça XV esperando nossa vez de entrar na barca? Não me lembro, mas às vezes levamos horas. Não existia a estrada BR-101 e o caminho melhor era a estrada Amaral Peixoto, passando por Maricá e Araruama. Mas não estava asfaltada, senão um pequeno trecho na serra de “Mato Grosso”. De qualquer maneira chegamos no Sítio do Sossego, encontramos o Professor Moyses, andamos bastante no sítio e conversamos.
_ “Bem, Professor, gosto do seu sítio. É verdade que não tem terra plana, nem para um campo de voleibol. Só com trator de esteiras se pode resolver isso. Uma vantagem é a abundância de água. Mas a viagem do Rio para cá não é brincadeira. Mesmo de trem da Leopoldina leva-se 5 horas ou mais.”
Professor Moyses estava pedindo Cr$ 80.000,00 pelo Sítio do Sossego (6 alqueires, hoje aumentado para 29 alqueires), ou Cr$ 70.000,00 à vista. Quanto signif**a isso na linguagem de hoje? Não sei, mas lembrei-me na época que foi esta quantia (não sei se 70 mil ou 80 mil) que Miss DORINE HAWKINS pagara por um carro, também um Ford’ 48. E em dólares isso representava um pouco mais de US$ 2.000.00 (dois mil dólares). Então pensei comigo mesmo - “este preço está barato, esse sítio vale mais do que um carro, um carro que acaba tão depressa, e o sítio f**a... Antes de despedir-me do Professor Moyses falei:
– “Professor, quero comprar o sítio. Sei que não adianta pedir da missão, nem da Junta (JUERP). Mas pretendo lutar para arranjar o dinheiro. Se for a vontade de Deus vamos conseguir.”
Escrevi logo algumas cartas aos Estados Unidos. Escrevi ao Dr. GILL da Junta de Richmond explicando o negócio e pedindo dinheiro adiantado do nosso salário. Mas também escrevi para vários parentes e amigos. Qual foi a minha surpresa, aproximadamente, três semanas depois, quando fui ao correio em Sumaré, e no mesmo dia recebi duas cartas: uma da minha irmã RUBY COLLINS com um cheque de US$ 1.000.00 (um mil dólares) e uma outra de um amigo WOODROW GRIFFITH, de ABILENE, com um cheque de US$ 350.00 (trezentos e cinqüenta dólares). Eu estava com tanta alegria e tanta certeza que Deus havia respondido as minhas orações! Viajei logo ao Rio de Janeiro e fechei o negócio com o Professor Moyses, pois o que eu tinha em nossa poupança dava para completar os Cr$ 70.000,00. Algum tempo depois recebi uma carta do Dr. EVERETT GILL explicando que a Junta de Richmond não pagava salário adiantado, e me lembrando que geralmente é melhor um missionário não f**ar apressado nestas situações, mas esperar até que a entidade competente possa resolver. Também havia o perigo de misturar os interesses pessoais com a obra, etc., disse ele. Bem, só podia escrever a ele explicando que a compra já estava feita, e na minha opinião com a orientação de Deus, mas tinha certeza que não ia criar problemas para a Missão ou qualquer Junta ou agência da Convenção Batista Brasileira. Eu estava pronto para passar a escritura em nome da entidade certa na hora certa." HATTON, W; ALVIN, Para Sempre Embaixador: Rio de Janeiro: JUERP, 1982, Pg 48-50.