15/08/2022
MEMÓRIAS DO CANDOMBLÉ:
Benedicto Gomes Soares (In-memorial)- conhecido carinhosamente como Pai Bene, Nasceu em 3 de junho de 1936 no estado de Alagoas, viveu boa parte de sua vida no Rio de Janeiro, filho de Oxalá com Oxum, iniciado no dia 13 de maio de 1966 no Centro Espírita Afro Brasileiro São Jeronimo e São Lazaro(Ilè Ṣàngó ati Omolu).
Na Casa Grande de Mesquita (Sociedade Beneficente da Santa Cruz do Nosso Senhor do Bonfim) viveu uma parte de sua vida como abian(Não Iniciado) e em 1965 após o encerramento da mesma migrou com os mais velhos Pai Doun, Mãe Chica, Mãe Menininha de Ògún, mãe Fidelina, Mãe Santa, Mãe Nair de Yemanja… para o Centro Espírita Afro-brasileiro São Jeronimo e São Lazaro, teve suma importância na fundação de nossa egbé, tendo sido o segundo Yawo iniciado em 1966 após pai Jaime de Oxalá. Em 1983 após o falecimento de nosso patriarca pai Doun, pai Benedicto foi apontado e sentado pela Yemanja de Mãe Nair e confirmado pelos jogos de algumas mais velhos da época (tradição) dentre eles estava o jogo de pai Nino de Ògún, assim Sr. Benedicto tornou-se o segundo sucessor de nossa linhagem, tendo conduzido essa matriz com maestria por 33 anos, no dia 24 de maio de 2017 aos 81 anos em Brasília indo dar de comer a Oxum de seu grande amigo e irmão Lilico de Oxum(Americo Neves Filho) retornaria ao Orun (céu/mundo espiritual) por uma complicação pneumonar após sua morte foi empossado Jair de Oxalá como sucessor, hoje nosso atual babalorixá.
Pai Benedicto era um homem de muita sabedoria, era marcado por ser um homem de opinião forte e por ser asido as tradições, preservações e muito reservado como os antigos de sua época, recusou por diversas vezes convites de entrevista e conversa sobre o Candomblé, mantinha fortes ligações com pai Lilico de Oxum, Mãe Detinha de Xango e seu Marido que lhe auxiliou nas papeladas administrativa de nossa egbé, pai Benedicto tinha o costume de frequentar os candomblés de Mãe Palmira de Oya a quem inclusive o sito no documentário de pai Joaquim Motta, outra grande amigo seu, também foi citado na entrevista de Elizabeth Castelano com Mãe Meninazinha de Oxum em 2008 sobre Memórias do Candomblé Carioca.
Tendo uma vida de luta trabalhou boa parte de sua vida como funcionário público da prefeitura do Rio de Janeiro, pai Benedicto tinha uma sobrinha que morava próximo ao Ile em Mesquita e sempre manteve bastante contato, ela tinha uma filhinha em que ele se orgulha de dizer ser seu avô. Dedicou toda a sua vida aos Orixás cuidando e zelando por todo o legado do Centro Espírita Afro Brasileiro São Jeronimo e São Lazaro, como boa árvore que dá frutos, pai Benedicto foi responsável por ampliar esse axé tão grandioso com a fundação dê diversos terreiros descendentes pelo estado do Rio de Janeiro em outros estados.
Èpà èpà Bábà!
Oore yèyé oò!
Fontes: Oralidade Ile Xango e Omolu, documentário de pai Joaquim Motta com mãe Palmira e entrevista de Elizabeth Castelano com Ìyá Meninazinha em 2008.
Fotografias : Acervo do Ile Xango e Omolu