16/02/2019
Cristo é o Cabeça da Igreja - o corpo não pode mover-se com autonomia.
PRAGMATISMO E BUSCA PELO TRIVIAL
John MacArthur*
A pergunta mais urgente na mente e nos lábios de muitos pastores hoje não é: “O que é verdadeiro?” e sim: “O que funciona?”. Os líderes de nosso tempo preocupam-se mais com a metodologia do que com a teologia.
A verdade foi relegada à sua posição secundária para dar lugar a interesses mais pragmáticos. Quando alguém se esforça muito para adaptar sua mensagem, a fim de satisfazer as necessidades que seus ouvintes “sentem”, batalhar diligentemente pela fé é algo que está fora de questão.
É por essa razão que, durante muitos anos, os líderes evangélicos têm abraçado e fomentado, sistematicamente, quase todas as ideias mundanas, superficiais e frívolas que entram na igreja. Uma devoção patológica à superficialidade tornou-se a principal característica desse movimento. Os evangélicos estão obcecados pala cultura popular e a imitam fanaticamente. Os líderes eclesiásticos e contemporâneos se mostram tão ocupados na tentativa de permanecer em dia com as modas mais recentes, que raramente ´pensam com seriedade sobre as questões bíblicas de maior importância.
Na igreja evangélica típica, até os cultos de domingo são frequentemente dedicados a busca trivial de coisas mundanas. Afinal de contas as igrejas estão competindo para atrair a atenção de um mundo dirigido pela mídia e pelos egos. Por isso, a igreja tenta em vão, apresentar um espetáculo maior e mais pomposo do que aquele que o mundo oferece.
Assim, os evangélicos contemporâneos tornaram-se semelhantes a “meninos agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina” – (almoços, cantos chamativos e agitados, cafés da manhã, etc.). Seguem qualquer coisa que seja a última tendência popular. Compram qualquer livro que seja best-seller do momento. Entram em filas para ver celebridades que falam uma linguagem que pareça espiritual. Aguardam com anseio o próximo filme de Hollywood que contenha qualquer tema “espiritual” ou cursos com figuras de linguagem religiosas aos quais possam se agarrar. Debatem incessantemente essas modas e trivialidades, como se todo ícone cultural que cative a atenção dos evangélicos tivesse uma relevância espiritual séria e profunda.
Os frequentadores das igrejas evangélicas querem, desesperadamente, que suas igrejas mantenham a vanguarda quanto a tudo que está em voga na comunidade evangélica. Durante algum tempo, qualquer igreja precisava patrocinar cursos e seminários de assuntos irrelevantes e superficiais. No entanto, no centro do púlpito precisa estar apenas Cristo. Os evangélicos têm sido condicionados a seguir toda a moda com uma mentalidade infantil, imprudente e quase irracional. Com a mentalidade da distração, avançam de uma moda à outra, com disposição desinibida e sem discernimento, que realmente os expõem a coisas que podem ser espiritualmente mortais.
Paulo advertiu contra essa mentalidade em Efésios 4.14. Esta forma de pensar deixou os crentes perigosamente expostos ao engano, à fraude, a à doutrina incorreta. Além disso, deixou-os totalmente despreparados para praticarem qualquer grau de verdadeiro discernimento bíblico.
A triste verdade é que a maior parte do movimento evangélico está tão gravemente comprometido, que a sã doutrina tornou-se um assunto insignificante.
Boa parte dos pastores e líderes esqueceu quem é o Senhor da igreja. Abandonaram ou rejeitaram totalmente aquele que é o Cabeça da igreja, e se entregaram aos analistas ou gurus de crescimento de igreja, usurpando o lugar do verdadeiro Senhor; o corpo pretende mover-se com autonomia.
*MACARTHUR, John – Lutando por Certeza numa Época de Engano.